Corretoras financeiras nas calçadas e abordagens

Dollar Signs on Loan Store Window© Owaki/Kulla/Corbis

Imagine que você está andando por uma das principais ruas de sua cidade, preocupado com todas as coisas que afligem o bolso do ser humano moderno, tentando descobrir em seus pensamentos onde poderá fazer aparecer mais alguns caraminguás que lhe ajudarão a enfrentar os boletos de cobrança bancária que não param de chegar em sua caixa de correio e, de repente, como que surgindo do nada, uma menina de não mais de 20 anos te sorri e vem em sua direção.

Se você é ou foi professor – isto pode acontecer com outros profissionais que lidam com público diverso e variado -, a primeira coisa que imagina é que se trata de uma ex-aluna que o reconheceu em meio a uma pequena multidão. Você dá aquele parada para cumprimentar, pois seus pais lhe deram a devida educação desde a mais tenra idade.

Sem mais nem menos esta mesma menina segura em seu braço e o chama de querido. Já dá pra achar a coisa estranha. Ela não se identificou como ex-aluna e aí você se dá conta que ela é uma das funcionárias de uma financeira que pertence ao banco da pedra preta. Se não conseguem perceber, sugiro a leitura de um dicionário Tupi-Português ou que se lembrem de uma antiga marca de guaraná, ou ainda de um antigo sucesso da Carmem Miranda.

Você tenta se desvencilhar com educação e ela o convida para ir lá dentro. Esse negócio de convidar para ir lá dentro nem em circo funciona mais, o que dirá hoje em dia, quando o dragão da inflação começa a acordar. Você argumenta que não quer dinheiro emprestado e já está cheio de dívidas e ela replica, informando que você pode ir lá dentro pedir dinheiro emprestado para pagar as dívidas. Não, meus amigos, apesar de gostar muito de blues não dá pra vender a alma ao Diabo como diz a lenda; da mesma forma que não dá para um assalariado se endividar mais para supostamente pagar outros endividamentos.

Como eu não queria conversa e estava apressado, aproveitei que o sinal (farol ou semáforo para quem não entende o carioquês) estava fechado e comecei a andar sobre a faixa. E não é que ela continuou segurando meu braço e falando para eu pegar empréstimo? Eu já estava quase na metade do trajeto até a outra calçada quando ela percebeu que não daria certo ou que já estava pagando um King Kong, isto é, um mico gigantesco.

Ao chegar na outra calçada, vi que havia uma outra agência desta mesma financeira e uma outra menina também abordava os transeuntes. Certamente deve ser um trabalho estafante e determinado por regras draconianas, pois estas meninas devem ter que apresentar resultados diários sempre crescentes. Agora, eu pergunto: não seria invasão de privacidade ou podemos ser abordados desta forma? Nem os camelôs e agiotas, muito menos os que contam o conto do vigário ou aplicam o golpe do baú agem assim, eu acho.

Seria esta a forma correta de conseguir clientes? Certamente, não é assim que se faz de tudo para alguém gostar de você, o que dirá pegar empréstimo.

E como disse o Barão de Itararé, banco é o lugar que te dá um guarda-chuva quando você não precisa e toma de volta quando você mais precisa.

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2 comentários sobre “Corretoras financeiras nas calçadas e abordagens

  1. Esse comportamento não é exclusividade do Rio. Aqui no centro do Recife ocorrem situações semelhantes. No meu ponto de vista, esse tipo de ação deveria ser proibida, pois só serve para colocar pessoas com pouco conhecimento financeiro em mais e mais dívidas.

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