Você é escritor? Eu também! Autores demais e leitores de menos – (4)

A Escrita Criativa e Finalizando

A escrita criativa: Os cursos para se tornar um escritor

Desde os anos 1960, que os cursos e programas de escrita criativa têm ajudado a “democratizar” o talento de vários grupos, fornecendo “o incentivo para mulheres e inúmeras pessoas de diferentes classes sociais e etnias para que contem suas histórias e escrever seus poemas”, disse David Fenza, diretor executivo de uma empresa. Ele não acredita que o excessivo número de livros editados afaste o público da leitura, mesmo porque não crê nos que afirmam ser toda esta atividade literária um deslocamento na direção oposta das grandes obras literárias. O que importa, mesmo que os tais cursos e programas tenham falhas é que as pessoas estão pensando mais e escrevendo mais e isto vai acabar sendo absorvido pelo público leitor.

A coisa é tão importante que Mark McGurl, um professor de Inglês da Universidade da Califórnia, em breve lançará um livro sobre o impacto da escrita criativa na literatura norte-americana desde o fim da Segunda Guerra Mundial, chegando a afirmar que “a literatura norte-americana nunca foi tão profunda, forte e variada”, mesmo que inúmeras distrações da vida moderna como a Internet, o DVD e os Video Games concorram para a diminuição de leitores, nunca houve tantos grandes escritores escrevendo nos Estados Unidos sem que haja pessoas para ler seus livros.

Finalizando

Em geral, segundo Gabriel Zaid, que fala despreocupadamente sobre a proliferação de títulos e volumes assombrosos de publicações, nem todos deveriam levar a caneta ao papel. Para isto chega a citar André Gide que dizia Découragez! Découragez! (Desencoraje! Desencoraje!) quem desejar ser escritor. Isto poderia, de acordo com seu pensamento, os verdadeiros escritores de talento não seriam desanimados a continuar escrevendo ou tentando um lugar ao Sol. Naturalmente alguns escritores medíocres seriam desencorajados mesmo. mas como garantir que um escritor em potencial não teria sido perdido?

Realmente existe muito barulho lá fora, mas alguns sons são música.

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Para maior embasamento sugiro baixar o pdf que está no portal do Ministério da Cultura, do Estudo Sobre o Mercado Editorial Brasileiro, de Fábio Sá Earp e George Kornis, que analisa o período compreendido entre 1995 e 2004.

Leia no original a matéria You’re an Author? Me Too!, a qual fiz esta livre tradução que motivou esta série de posts.

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5 comentários sobre “Você é escritor? Eu também! Autores demais e leitores de menos – (4)

  1. Quanto mais escritos, mais leitores…
    Quanto mais leitores, mais idéias, mais raciocínio.
    Ah, como o raciocínio anda em baixa!!!
    Então, que cada um libere o escritor que existe em si!!!

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  2. Acho extremamente válido que diferentes pessoas sejam incentivadas a escrever. No entanto, não seria condição prévia que fossem levadas a refletir?
    Óbvio que qualquer um tem direito de se expressar, mas faze-lo com conteúdo não seria
    mais interessante?
    Penso que as pessoas deveriam ser incentivadas a utilizar a leitura como ferramenta de reflexão. A partir daí, a expressão seria consequência, uma consequência saudável, e não um mero orgasmo intelectual.
    Beijos

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  3. Concordo que deva haver incentivo para se escrever, e escrever tudo que se pensa ou quer.

    O que o artigo relata é que há uma proporção entre o grande volume de escritores e a diminuição de leitores nos EUA, pois está se escrevendo mais do que se está lendo. E, ao que parece, o mercado não absorve esta produção e, as pessoas estão pagando para que seus livros sejam editados para satisfazerem um projeto pessoal. Isto é importante.

    Beijos

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  4. Se pudesse escrever somente pelo puro prazer de escrever, sentindo ser uma escritora de fato, teria uma felicidade imensa de plena satisfação. Escrever por escrever nada mais. Não importa para quem será os escritos. Não importa quem poderá ler. O que realmente importa é o deixar nascer, dar vida e colocar para fora. Depois é somente o nada. Nada mais importa. Até o próximo sufoco de vozes no ouvido para serem libertadas. E o ciclo continua sem fim…

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