Você é escritor? Eu também! Autores demais e leitores de menos – (2)

A Pesquisa; Os Escritores e Seus Livros

A Pesquisa

Em recente estudo sobre a leitura nos Estados Unidos ficou comprovado que os norte-americanos estão lendo menos livros em relação ao ano passado. No relatório da National Endowment for the Arts, verificou-se que 53% do público tido como leitor não leu sequer um livro em 2007. Isto levou a um grau de preocupação antes não imaginado. O que espantou os pesquisadores foi constatar que as pessoas têm passado mais tempo diante de uma tela (televisão ou monitor de computador) em vez de se entreter numa página de livro. O impressionante é que ao mesmo tempo há uma espécie de grafomania.

Em 2007 foram editados e/ou distribuídos cerca de 400 mil livros, número bem superior aos 300 mil livros editados e/ou distribuídos em 2006. Isto se deve a onda de impressões por demanda e também pelo crescente número de publicações universitárias que estão se equiparando aos números de livros editados pelas grandes editoras. Além disso, segundo o Technorati, cerca de 175 mil blogs são criados diariamente em todo mundo. Cerca de 15 milhões de norte-americanos passaram a escrever para atender a uma realização pessoal.

Resumindo: todos nós temos pelo menos uma história para contar. Mas, mesmo que o número de leitores venha diminuindo, para qualquer lugar que se olhe, certamente haverá alguém teclando tão forte e freneticamente que será possível escutar este barulho (tléc…tléc…tléc…)

Os Escritores e Seus Livros

Todo mundo agora pode se dar ao luxo de pregar no deserto, foi o que disse o crítico literário e autor mexicano Gabriel Zaid, em So Many Books: Reading and Publishing in an Age of Abundance, referindo-se ao fato de que qualquer um pode publicar um livro, pois os custos diminuíram consideravelmente. Revistas sobre livros e o mercado editorial norte-americano andaram publicando resenhas de livros “auto-editados” de poesia, infantil, memórias, auto-ajuda, ficção científica e reflexões religiosas. Há exemplos de resenhas como uma monografia acadêmica (tese/dissertação) bastante técnica sobre a morte de Napoleão repleta de gráficos sobre um possível envenenamento por arsênico que teria dado fim à vida do General Francês e que, em termos comerciais, ultrapassou os limites das janelas da sala de quem a escreveu. Da mesma forma que um guia religioso ilustrado, chamado Hell: For Those Dying to Get There (algo como “Inferno: um guia para os que morrem e vão pra lá”). Além destes títulos também foi o caso de um guia sugerindo itinerários para se andar pela Disney World.

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