Ler é fundamental. Leitura é essencial.

Garotinha lendo junto com seus ursinhos - Corbis

Por vias, às vezes, estranhas o estímulo à leitura pode resultar em algum efeito. Acredito que o principal estímulo seja na infância, tendo a família como o ponto de partida para isto. Porém, sabemos que nem sempre isto é possível e os motivos são vários e variados envolvendo questões sócio-culturais.

Também sabemos que pertencer a determinada classe social poderia ajudar neste estímulo. Como professor que atuou com vários tipos de clientelas, afirmo que isto não é de todo observado. Nem sempre os pais de classe média se ocupam em estimular a leitura em seus filhos e nas classes abaixo da classe média, a leitura não chega ao campo de visão e muito menos está ao alcance dos braços da maioria das pessoas.

Cabe, então, a escola esta tarefa que entendo como uma de suas premissas, que é não apenas formar; aí envolvendo correntes filosófico-educacionais e ideológicas de todos os espectros. Não pretendo discutir ideologias, pois concebo a escola como um espaço educacional e não como um palanque. Cabe a escola também informar e criar meios para que os futuros leitores desenvolvam a capacidade crítica. Entretanto, para isto é preciso que o corpo docente seja e esteja preparado. Infelizmente, o que se vê é um total despreparo e extremo desestimulo à formação de professores e professoras do ensino fundamental; e aqueles que entram para os cursos de formação de professores o fazem, hoje, muito menos por vocação ou opção, mas muito mais por uma questão de oportunidade, pois se trata de uma forma de ingressar no mercado de trabalho que, digamos, está ao alcance. Não se pode culpar a pessoa, mas a política educacional que era (é) executada no Brasil. Sim, somos “filhos” da 5692/71.

Este estímulo à leitura, que é o mote deste artigo como está no primeiro parágrafo pode ser feito de várias formas. Mas eu não sei se o fato de um juiz que obrigar alguns jovens a lerem livros como forma de punição pelos delitos cometidos seja uma forma de estimular a leitura. Ao mesmo tempo indico a leitura do post Juiz manda réus lerem livros que está no blog Palavras Sussurradas. Lógico que a notícia repercutiu e pareceu ser um daqueles castigos que os pais determinam aos os filhos malcriados e levados. Pode ser que, em vez de estimular, possa afugentar mais ainda, ao mostrar para a sociedade que a leitura é uma forma de penalização. Coisa do tipo “Se fizer malcriação vou chamar o Bicho Papão”. O livro nunca poderá ser o Bicho Papão. O livro e a leitura devem ser amigos inseparáveis de qualquer um de nós desde a infância.

Sem querer fazer qualquer tipo de propaganda, verifico que alguns projetos educacionais do Ministério da Cultura tem um sentido correto como a criação de bibliotecas em vários municípios que não dispõem de condições e também o Plano Nacional do Livro e da Leitura, que faz parcerias com editoras no sentido de produzirem obras para antender as necessidades educacionais em escolas de todo país. Um dos principais objetivos é “zerar o número de municípios brasileiros sem bibliotecas”, como está no trecho da entrevista do coordenador-geral de Livro e Leitura do Ministério da Cultura, reproduzido abaixo:

A ação mais importante foi garantir recursos para a instalação de 300 novas bibliotecas no Brasil, reduzindo, assim, a 330 os municípios brasileiros sem estes equipamentos. Este número nos permite dizer que, com as implantações realizadas este ano pela Fundação Biblioteca Nacional, todos os municípios do País terão pelo menos uma biblioteca até o final de 2008, ano Machado de Assis.

Zerar o número de municípios brasileiros sem bibliotecas constitui um passo importantíssimo para garantir o livro e a leitura a todos os brasileiros. Em 2003, ainda existiam 1.270 municípios que nunca haviam recebido este equipamento. Este número caiu, agora, para 330. No Acre são 2; Alagoas, 3; Amazonas, 26; Amapá, 2; Bahia, 54; Goiás, 27; Maranhão, 35; Minas Gerais, 3; Mato Grosso, 1; Mato Grosso do Sul, 2; Pará, 2; Paraíba, 50; Pernambuco, 9; Piauí, 79; Rio Grande do Norte, 14; Rondônia, 1; Roraima, 4; Rio Grande do Sul, 10; Sergipe, 2; e Tocantins, 4. São, na maioria, municípios pequenos, muitos deles muito distantes de cidades maiores e que, a partir desse ano, poderão contar com esse equipamento cultural de suma importância por seu alto potencial de qualificação do ambiente social. Zerar o número de municípios brasileiros sem bibliotecas é, sem dúvida, uma meta histórica e é bastante simbólico conseguirmos atingi-la num ano particularmente importante para o livro, a leitura e a literatura no Brasil.

Confira no site do Ministério da Educação, a entrevista completa e outras informações a respeito do estímulo à leitura no Brasil.

Quanto ao Plano Nacional do Livro e Leitura, como citado acima, tem por objetivo unir esforços governamentais, nos âmbitos federal, estadual e municipal juntamente com a sociedade.

“O Plano Nacional do Livro e Leitura — PNLL — é um conjunto de projetos, programas, atividades e eventos na área do livro, leitura, literatura e bibliotecas em desenvolvimento no país, empreendidos pelo Estado (em âmbito federal, estadual e municipal) e pela sociedade. A prioridade do PNLL é transformar a qualidade da capacidade leitora do Brasil e trazer a leitura para o dia-a-dia do brasileiro.

Neste primeiro momento, está compilando, sistematizando e divulgando as ações em prol do livro e da leitura realizadas no país através de seu Mapa de Ações. A partir deste mapeamento, criam-se condições para o intercâmbio e a sinergia entre ações similares e potencializam-se recursos públicos e privados, priorizando-se algumas ações macro que se tornem o motor para o desenvolvimento, nos próximos anos, de uma Política de Estado para o Livro e Leitura.”

Quando se fala em Educação, não se pode pensá-la como despesa, mas sim como investimento. É uma questão semântica, que ao ser encarada de forma correta, isto é, como investimento, certamente fará com que inúmeras mudanças e benefícios venham a se tornar cotidianas.

Também não é possível esquecer que vários países passaram por problemas e situações desesperadoras como, por exemplo, a Alemanha do pós-guerra e o Japão que levou duas bombas atômicas sobre a cabeça e, em momento algum descuidaram da Educação como um dos fatores para seus reerguimentos. Sim, eu não estou esquecendo que houve enormes aportes financeiros através de planos econômicos patrocinados pelos Estados Unidos. O que estou tentando dizer é que estes países e outros que pensam a Educação como investimento são os que estão no topo e são países desenvolvidos. E é isto que eu quero para o Brasil. Que sejamos um país de primeiro mundo, mas que antes de pertencer a este primeiro mundo, consigamos levar nossa Educação a patamares tão elevados quanto.

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2 comentários sobre “Ler é fundamental. Leitura é essencial.

  1. Nossa! Comcordo plenamente. A leitura no Brasil está precária. Tenho 13 anos, mas já fico inconformada com a desinformação do povo brasileiro. É um absurdo esse grande número da população não ser nem mesmo alfabetizada, e, para os que são, a média de leitura ser MENOS DE DOIS LIVROS POR ANO.
    Porém, acho que a maior culpa disso é da prefeitura, que ganha muuito dinheiro das pessoas, e elas nem mesmo sabem pra onde vão. Se esse dinheiro fosse investido em educação, e outras coisa sobre como fazer as pessoas lerem mais… O mundo não seria assim.

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  2. Beatriz,

    A sua observação é muito pertinente. Se aproveitassem melhor as verbas públicas não estaríamos neste estado de coisas mesmo.

    Fiquei contente por seu comentário e parabéns por você ser uma leitora, o que te faz ter uma visão crítica e realista do mundo.

    Bacana mesmo.

    Abraço.

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