Gazeta da Terrinha (2) – Entrevistas [FOI DESCOBERTO O BRASIL !!!]

Nosso correspondente, Manoel Joaquim, que está acompanhando a frota do valoroso(?) Almirante Pedro Álvares Cabral, informa que as naus acabam de chegar a um pedaço de terra que parece ser novinha em folha. Não há indícios de que qualquer outro povo branco cristão tenha chegado a estas plagas Tipiniquins (Bonito, né?).

O destemido repórter fez uma série de entrevistas com a tripulação e os nativos. Posteriormente, entrevistará outros personagens que darão maior profundidade a reportagem.

A seguir, apresentaremos a primeira e entrevista, que por ordem hierárquica foi realizada com o Comandante da Frota.

Manoel Joaquim: Almirante é verdade que o senhor enfrentou uma grande calmaria em alto-mar e, por isso, as caravelas vieram dar às costas desta nova terra?

Pedro Alvares Cabral – Ó gajo, estou desconfiado que esta será a primeira piada de português. Bem, estávamos a navegar pelo Atlântico, o popular Mar Tenebroso, quando percebemos que poderia haver terras nestas coordenadas e desta forma viemos e descobrimos o Brasil. Será Vrasil?

M.J. – Mas almirante, o senhor não acha…
P.A.C – Não acho nada. Eu descubro.

M.J. – Bem, o senhor tem certeza que esse descobrimento não é meio“forçar a barra”?

P.A.C – Acho que daqui a uns quinhentos anos a Barra estará cheia de supermercados, shopping centers, os apartamentos serão caríssimos, a Cidade de Deus vai ficar pertinho e também vai ter um montão de farofeiros. Ih! Nem quero imaginar. Mas voltando a sua pergunta, Dom Manuel, o Venturoso, soprou-me aos ouvidos que o Vasco, na sua viagem ao Oriente, contou-lhe sobre a possibilidade de haver terras aqui. Droga! Ele ainda vai virar time de futebol e olha que nem passou perto daqui. Sendo assim, eu poderia dar uma passadinha e dar uma olhada. Se tem terra, tomo posse e fico de bico calado, que é para nenhum outro meter a mão. Se não tiver terras, sigo para as Índias, pois é lá que está a grana. Ah! Essa história de calmaria é pra dar emoção e provar que o povo luso é heróico e destemido.
M.J. – Obrigado almirante. Dá até vontade de cantar aquele fado: “Navegar é preciso, viver não é preciso”.

P.A.C – Não tem de quê. Só queria deixar aqui o meu protesto. Eu, que descobri e tomei posse, dei espelhinhos, mando rezar a primeira missa e além disso invento uma história bonitinha… e ninguém bota meu nome em time de futebol!

Neste ponto, passaremos a entrevistar o escrivão da frota, Pero Vaz de Caminha, que só ficou famoso pelo fato de ter escrito um relato da viagem, que do ponto de vista histórico é valiosíssimo, mas que é tão chato quanto as fotos que o primo ou o cunhado fizeram na sua viagem para a Disneylândia (vôo de excursão).

Manoel Joaquim – Escrivão, o senhor, pelo visto, tem a pretensão de tornar-se um grande escritor?
Pero Vaz de Caminha – Te cuida Camões! Tô chegando. Alô Fernando Pessoa! Tô na área. Brincadeiras à parte, a minha intenção não é ficar famoso só em Portugal, mas no Brasil também (será Vrasil?). Tenho certeza que serei o escritor mais citado e comentado no Brasil. Este lugar é mais distante que a P… Olha, eu escrevi um grande guia de viagem informando que tem umas índias que ficam com tudo de fora, isto quer dizer que no futuro milhares de gringos virão para ver o que é que a baiana tem. Entendeu? Como também a terra é boa e generosa, que se plantando tudo dá. Só assim a gente consegue motivar os patrícios a virem para o Brasil e ficarem ricos com as padarias, açougues e, principalmente, com os botequins.
M.J. – E a história de que o senhor pede uma boca pro seu genro ao rei na sua carta?
P.V.C. – É tudo mentira! Duvido que possam provar alguma coisa contra mim. Esse negócio de arrumar emprego pra parente eu deixo para os políticos que o Brasil vai ter. Pergunte a eles daqui a quinhentos anos.

Dando prosseguimento as entrevistas, temos alguns comentários feitos pelo resto da tripulação:

– Marinheiro que estava na gávea – (Não é o campo do Flamengo. Cruz Credo!) – “Raios! Eu vi primeiro e nem vão lembrar meu nome”.

Marinheiros em uníssono: “Tamos doidos pra chegar às índias. Também pudera, tanto tempo no mar…”

E agora, com exclusividade e com a permissão do Todo-Poderoso, apresentamos a entrevista com o Frei Henrique de Coimbra, que rezou a primeira missa no Brasil (será Vrasil?).

M.J. – Frei. O senhor acredita em predestinação?
Frei – Deus te abençoe meu filho. Olha, graças a Deus que eu pude dar o pontapé inicial da religião cristã no Brasil. Sabe como é. Tô na área: derrubou é pênalti. O negócio é o seguinte, os nativos tavam assim meio que na retranca, com essa história de Tupã, Jacy e Yara. Aí convoquei o ataque dos sonhos: Pai, Filho e Espírito Santo e tascamos a idéia de que Deus é um só e o filho Dele veio para nos salvar. Como somos cristãos e tementes a Deus, derrotamos o time dos índios e rebaixamos para a segunda divisão.
M.J. – O senhor acha que há possibilidade de outros times se desenvolverem no Brasil?
Frei – No momento acho difícil, pois estamos vindo com a força toda e daqui a pouco, com o andar da carruagem, o cristianismo-arte vai acabar e dar lugar ao cristianismo-força. Vai ser fundada a Companhia de Jesus Futebol Clube e virá com uma tática que é fogo, a Inquisição. É uma tática feroz. Não vai deixar qualquer heresia em paz. Vai esquentar todo mundo. Em relação ao Brasil (Terra de Santa Cruz?) só temos um problema. É que quando a negrada começar a chegar, vai misturar tudo. Onde já se viu. São Jorge virar Ogum? Vai ser uma confusão dos diabos. Ai meu Deus! Eu pequei.

Como podemos perceber, a visão do conquistador é totalmente bitolada.

A seguir, apresentaremos a entrevista feita com o chefe dos nativos, que receberam a primeira visita dos portugueses no Brasil (Ilha de Vera Cruz?).

M.J. – Chefe o que o senhor acha dos visitantes?
Chefe – Caraíba, quem tem chefe é índio. Aqui só tem nativo. Afinal de contas, nós chegamos primeiro que vocês e a terra é nossa. Aquele escrivão disse que aqui é tudo muito bom, tudo muito bem e que nós andamos com as vergonhas de fora. Ele não imagina o calor que faz aqui. Tá achando que vamos andar com aquelas roupas cheias de babados, veludo e bijuterias? Sei não… acho que esses portugueses são todos muito estranhos ou estão doidos para ser destaque em escola de samba. Só vou dar um aviso: As índias são minhas e ninguém tasca! Índio não quer só apito. Índio quer terra, vida e paz e, se bobear, jantamos todos os patrícios. Em todos os sentidos. Entendeu?
Atenção! Eu sou um índio brasileiro e não esses de filme de bangue-bangue. Por favor, não confundam. Alô Cacique de Ramos!

Agora estamos recebendo um comunicado extra do nosso correspondente na África, Joaquim Manoel.

Bem amigos, aqui estamos no continente que é mais conhecido por Mãe África e, no meu ponto de vista, acho que o povo daqui vai influenciar muito uma festa que se comemora antes da Quaresma, principalmente no Brasil (Ibirapitinga?) Que povo mais alegre e isoneiro! Estamos aqui entrevistando um representante das várias tribos e nações que compõem a África.

J.M. – O senhor está acompanhando o descobrimento do Brasil?
Representante – Sim, e com muita preocupação, pois desde os tempos do Império Romano que nós fornecemos mão-de-obra escrava para os brancos.
J.M. – O senhor acha que os negros serão escravizados no Brasil?
Representante – Não tenho a menor dúvida. Essa tal de religião cristã não permite, por sua moral, que um branco seja escravo de um outro branco. Para eles o negro não tem direito de ter alma. Sendo assim, pode ser escravizado. O problema é que alguns de nós se corrompem e viram Sóbas e acabam nos vendendo em troca de aguardente, fumo e conchas.
J.M. – O senhor acredita que os negros virão a exercer alguma influência cultural?
Representante – Essa é a nossa arma. Só pra dar um exemplo, no Brasil seremos responsáveis pelo samba, feijoada e a maior invenção portuguesa, a mulata. Acho até que vai ter um negro que será o rei do futebol. Na América do Norte, vai ter o Blues, o Jazz, o Rock e um montão de crioulo jogando basquete. Pena é que vai ter um neguinho meio perobo, que vai querer ficar branco.

Bem amigos, aqui finalizamos esta primeira série de entrevistas e reportagens sobre o Brasil. Terra de Santa Cruz? Ilha de Vera Cruz? Ibirapitinga? Tá vendo, a confusão começa pelo nome e brasileiro ainda significa traficante de pau-brasil. A roubalheira já começou.

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3 comentários sobre “Gazeta da Terrinha (2) – Entrevistas [FOI DESCOBERTO O BRASIL !!!]

  1. ó, jorge, qu´stou cá a ficáire pásmo com tã sávias i intulijântes untrebistas… cumo é que cunsiguiste-as, pá? que bisão di futuro tuberam estas p´ssoas qui o táu curr´spondânte untrubistou… i atrabessáire u uciano duma só bêsh foi um fáito e tanto, óra pois… biba u sâu c´bral i ôtro biba para u sâu caminha qui lá daitou suas umprissões em carta a d.manuél´ i inaug´rou, assim, u nupotishmo em nossa térra, ântus mesmo du vrasíl têire chugádo nu trist´lugáire ond´ chugou… ou, talbáis, têire partido do unconcivíbel lugáire donde partiu…

    paraváins pela puvlicação tã atuál e aprofundada.

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  2. Eu queria que aí tivesse falando sobre a possibilidade do Brasil ter sido descoberto por outro povo é não isso que você me mostrou me poupe vio, só porque eu quero fazer um trabalho sobre isso mais cada uma 😀

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