Porque ainda não me ufano do meu país

Será que estamos no caminho certo? Esta pergunta não será respondida agora, certamente. Sou do tempo em que tudo no Brasil não prestava. As únicas coisas que valiam a pena, segundo opiniões de “experts” sobre o país seriam Futebol, Cachaça e Carmem Miranda.

Também já vi muitas coisas em minha vida. Por exemplo, eu vi a inflação cair de 90% ao mês para 0. Vi os Estados Unidos perderem uma guerra, a do Vietnã. Vi o Botafogo ser campeão depois de 21 anos sem ganhar nem mesmo campeonato de cuspe em distância. Vi, também, um presidente brasileiro ser deposto de forma democrática e sem golpe de Estado e agora, pasme, os gringos estão dizendo que o Brasil é uma superpotência. Deve haver alguma coisa errada.

Não estamos acostumados a sermos vistos como potência mundial. Nem os outros países também têm este hábito. Por isso que, imagino, estão esperneando ao falar sobre a produção de etanol e a falta de alimentos. Engraçado. Ninguém fala nos subsídios e barreiras alfandegárias que os países desenvolvidos fazem uso a seu bel prazer, impedindo que outros países possam vender ou concorrer com eles. Certamente estamos começando a fazer marola e incomodar.

Mas é bom que não nos enganemos com essa história de país desenvolvido. Enquanto não houver uma racional distribuição de renda e uma, também, racional não concentração de renda, nós não poderemos nos considerar uma potência econômica. Ao mesmo tempo, enquanto não houver investimentos maciços em Educação, não poderemos nos considerar uma potência mundial; pois o desenvolvimento só é mantido quando uma população sabe como fazê-lo e isto depende diretamente do nível sócio-econômico e cultural de seus habitantes.

Também não poderemos nos considerar uma potência mundial enquanto os níveis de violência estiverem como estão.

Portanto, o fato de descobrir mega campos de petróleo, produzir combustível ecológico, manter índices de crescimento econômico estáveis e a moeda estar fortalecida não significam necessariamente que chegamos ao paraíso. Falta muito.

Se você quer saber por qual motivo utilizei o título deste artigo, leia “Porque me ufano de meu país”, de Afonso Celso.

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2 comentários sobre “Porque ainda não me ufano do meu país

  1. Jorge:

    Também me sinto meio ‘desolada’, prestes à cair naquele desânimo típico de quem só espera o pior.

    Hoje em dia não podemos ter nada, temos de andar nas ruas olhando por sobre os ombros, temos de nos enjaular em nossas casas quais animais…

    Esperar que alguém ainda tenha alguma fé no futuro neste estado de coisas é ter muita crença no otimismo humano.

    Mas eu olho nos olhos dos meus sobrinhos e não posso deixar de desejar um mundo melhor para eles, de sonhar com tal mundo, de esperar que esse sonho se concretize, de desejá-lo ardentemente.

    Enfim…minha ‘fé’ numa melhoria Humana se renova todas as vezes que eu a enxergo, na docilidade e ingenuidade dos olhos de uma criança.

    Sei que o que eu escrevi soa BEM piegas, mas é verdade, hehe.

    Grande beijo, excelente postagem,
    desejo-lhe uma boa noite!

    🙂

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  2. Pois é, Fátima.
    Eu lembro que na adolescência, a gente podia ficar na rua até altas horas conversando na esquina com os amigos. Não tínhamos que ter medo de voltar de uma festa tarde da noite e, em alguns casos, até se dormia com as janelas abertas.

    Também sonho com dias melhores. E sempre teremos esperança que tudo vai melhorar.

    Obrigado por suas palavras.

    E vamos aproveitar o feriadão! 🙂

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