Blogueiros profissionais em stress

Businessman at Desk © Helen King/Corbis

Eles trabalham horas a fio até a exaustão. A maioria é paga por trabalho produzido, isto é, por artigos escritos. Esta é a nova senzala, a senzala digital, que pode atender por um outro nome: casa.

Uma crescente quantidade de pessoas está nesta força de trabalho que trabalha em casa, que tanto podem ser empresários quanto empregados montados em seus laptops e smartphones na cintura prontos para serem desembainhados a qualquer momento. Eles trabalham duro sob um grande stress físico e emocional derivado das constantes deadlines, o conceito de “tudo pra ontem”, para ser bem entendido, que é uma das principais características da economia digital que exige um fluxo constante de notícias e comentários.

Naturalmente, os blogueiros podem trabalhar em qualquer outro local e eles, quase religiosamente, amam este intenso ritmo ininterrupto e, talvez, criarem uma mídia global sem fazer grandes investimentos. Ao mesmo tempo, em alguns começam a surgir indícios que as coisas começam a ir mal. Nos últimos dois meses, dois blogueiros morreram repentinamente devido a grande carga de stress.

Há cerca de duas semanas, um prolífico blogueiro que mantinha um blog de assuntos tecnológicos, da Flórida, morreu aos 60 anos de ataque cardíaco. Antes, em dezembro, outro blogueiro, também especializado em tecnologia e um pouco mais novo também morreu vitimado por um ataque cardíaco fulminante.

Outros blogueiros reclamam queixam-se de perda peso, distúrbios no sono e outras mazelas decorrentes do trabalho ininterrupto que é produzir notícias e informações constantemente, num ciclo interminável.

Ainda não se pode afirmar que isto é uma epidemia e muito menos diagnosticar que quando alguém terá um piripaque. Entretanto, pode ser que a conjunção de problemas de saúde anteriores e excesso de stress possam criar condições para que as pessoas comecem a se preocupar. Parece que a pressão maior é para aqueles que trabalham por conta própria e dependem dos caraminguás pagos por visitas ao blog para aumentar a renda ou, na pior da hipóteses, quando esta é a principal fonte de renda.

Michael Arrington, um dos fundadores do blog TechCrunch, especializado em tecnologia e bastante popular, disse recentemente: “Eu ainda não morri”. O site fatura somas publicitárias consideráveis, como também são bastante consideráveis os custos de manutenção. Arrington afirma que engordou cerca de 15 quilos nos últimos três anos e desenvolveu um sério distúrbio do sono desde que transformou sua casa em escritório para ele e mais quatro empregados. “Em algum momento eu terei uma crise nervosa e terei que ser internado num hospital, ou outra coisa pode acontecer (referindo-se a possibilidade de morrer).”

Ainda não se tem um censo quanto àqueles que blogam em troca de algum tipo de remuneração, mas certamente o número está na casa de algumas dezenas de milhares.

Mesmo em empresas estabelecidas, a Internet mudou a natureza do trabalho, permitindo que as pessoas criarem escritórios virtuais e trabalharem em qualquer lugar a qualquer momento. Esta flexibilidade tem uma desvantagem, aquela em que os trabalhadores estão sempre a um clique de distância da pressão do escritório. Para os obsessivos por informação, isto significa quase nunca sair de casa.

Blogar pode ser lucrativo para alguns poucos, pois a maioria recebe pouco mais de Us$10.00 por artigo ou só é pago de acordo com a quantidade de hits que o artigo gerar, levando-os a entrar numa espiral ascendente de mais e mais trabalho.

Há crescentes legiões de cronistas on-line, escrevendo sobre a elaboração de relatórios, esportes, política, negócios, celebridades e todos os outros nichos de mercado concebíveis . Alguns escrevem por diversão, porém milhares escrevem para publicações na Web – como empregados ou como contratados – ou aqueles que tenham iniciado os seus próprios meios de comunicação on-line com lucro em mente.

Uma das mais competitivas categorias é a dos blogs sobre evolução tecnológica e notícias. Eles estão num ciclo vicioso de 24 horas de total concorrência para dar notícias corporativas, revelar novos produtos e expor gafes corporativas.

A rapidez é a essência. Se um blogueiro atrasa sua postagem em milisegundos, alguém pode postar a mesma notícia e com isso angariar maior audiência e, logicamente, a maior parte das verbas publicitárias. Por este motivo, devido ao fuso horário nos EUA, por exemplo, um blogueiro precisa mudar completamente seus horários de sono, ou como tem acontecido, quase não dormir.

Matt Buchanan, 22, é o homem certo para o trabalho. Ele trabalha para o Gizmodo, sendo pago pela quantidade de hits que seus artigos venham a gerar. Ele mora numa quitinete e faz de seu quarto a estação de trabalho. Diz que dorme cinco horas por dia e reclama por não se alimentar como gostaria, por este motivo sempre usa complementos alimentares misturados ao café.

Este artigo foi criado a partir da resenha In Web World of 24/7 Stress, Writers Blog Till They Drop, de Matt Richtel, no The New York Times Books

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9 comentários sobre “Blogueiros profissionais em stress

  1. Oi Jorge. Estou atualizando o meu post. Dando os devidos créditos para a sua iniciativa. E aproveitando para fazer mais umas perguntinhas. Rs Rs

    Já ví que quem te creditou foi o infosol.wordpress.com. Não é isso?

    Abração.

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  2. Aproveitando, se nada é por acaso, ou acaso seja :
    Não havia percebido, mas eu sou esta pessoa, na busca de outras coisas, acabei por aqui.
    Será que alguém pode informar, como posso entrar de Cabeça,nesse mercado de blogs, com maiores chances de ´conquistas no que se refere $$$$$$,
    Se puderem e quiserem gostaria de informações ou indicações.
    desde já
    obrigada
    Solange

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