Meme Literário

Acabei de receber um pedido do Henrique, do blog Vai Vendo…, para participar de um meme literário no qual eu devo escrever considerações sobre cinco autores preferidos. Confesso que é uma tarefa um tanto árdua, pois eu acredito que possa haver este ou aquele autor ou autora que sejam de preferência particular de cada um de nós. O receio é deixar de citar este/esta ou aquele/aquela autor/autora. Caso não venha a citá-los, prometo que o farei numa nova oportunidade.

Como eu não tenho um estilo literário preferido posso citar mais autores consagrados num estilo literário do que outro. Vamos a labuta:

Sergio (Stanislaw Ponte Preta) Porto

O seu carioquismo, conhecimento musical (Samba e Jazz) e, se vocês não sabem, foi ele quem redescobriu o Cartola quando este se tornara um simples lavador de carros – e a sua facilidade em ser extremamente humorado e crítico ao mesmo tempo me fizeram ser um ávido leitor de seus livros. Digo até que sinto forte influência do seu estilo em meus escritos. Vez ou outra eu cito termos que encontrei em seus livros como “plebe ignara”, “cocorocas”, “samba do crioulo doido” e o impagável FEBEAPÁ.

Hoje mesmo passei pela Rua da Borda do Mato, onde morava – e porque não dizer que ainda mora – a veneranda Tia Zulmira. Até pensei em escrever um post sobre esta passagem fortuita por esta rua. E, por uma grande coincidência sou convidado e falar sobre autores. Logo, o primeiro da lista não poderia deixar de ser o Sergio Porto.

Aldir Blanc

Seria impossível não citar o Aldir Blanc como um dos meus autores preferidos. Tenho todos seus livros e, em minha humilde opinião, o seu livro clássico é “Rua dos Artistas e Arredores”, quando nos apresenta o inesgotável universo de personagens do subúrbio carioca. Quem nasceu e foi criado em um subúrbio carioca, como este que vos escreve, vê e relembra tudo que só os bairros de subúrbio do Rio de Janeiro são capazes de ter e proporcionar.

Também vou cita-lo por conta das letras de suas composições com João Bosco que se tornaram clássicos da MPB como, por exemplo, “O Bêbado e a Equilibrista”. Assim, posso dizer que a influência de Aldir Blanc se faz em meus textos. Pô, eu sou carioca e do subúrbio!

Há uma frase sobre o amor, que o Aldir escreveu que acho fenomenal: “Eu aprendi que a alegria de quem está apaixonado é como a falsa euforia de um gol anulado”.

Italo Calvino

Dentre todos seus livros, que considero importantíssimos para se aprender e apreender o espírito lírico da alma humana, eu recomendo a leitura da trilogia “O Visconde Partido ao Meio”, “O Barão nas Árvores” e “O Cavaleiro Inexistente”. Todos falam da singularidade humana, cada um de um jeito como em O Visconde Partido ao Meio, quando Medardo di Terralba é partido ao meio por uma bala de canhão e as suas metades, uma boa e outra má passam a vagar pela terra praticando atos extremados de bondade ou de vilania. A conclusão que podemos ter é: Não se pode ser mau demais nem bom em demasia. Ambos se tornam chatíssimos e o ideal é o que temos em nós, o equilíbrio entre a bondade e a maldade.

Fernando Pessoa

Como alguém que fale Português deixaria de citar este escritor? É impossível não falar dele. Ah, mas você pode dizer: “Ora, ele era português e pouco tem a ver com o Brasil”. Ledo engano. Ele tem tudo a ver conosco. Apesar de termos a alma livre e o espírito alegre, no fundo; mas lá no fundo mesmo, trazemos aquela melancolia que herdamos da península ibérica, de Portugal. Da espera pelo “Desejado”, que no nosso caso é o porvir do “Brasil, país do futuro”. E se não fosse ele a nos dizer que “tudo vela e pena se a alma não é pequena”, como poderíamos encarar a vida e os reveses da mesma?

Machado de Assis

O Bruxo do Cosme Velho sempre me encurralou nas cordas quando eu era adolescente e na escola nos mandavam ler seus livros. Era um suplício! Um adolescente, aos doze anos, não está preparado para ler e absorver Machado de Assis. Porém, depois dos vinte anos, recomendo: não deixe de ler.

Eu, ali por volta dos 25 anos, já casado e pai, não sei por qual motivo fui pegar um livro numa estante em casa. Um livro dos tempos de graduação e, pode acreditar, como que por encanto (lugar comum, não?) um livro caiu aos meus pés. Bateu bem no dedão do pé e me agachei para pega-lo e coloca-lo de volta no lugar. Vi que tratava-se de “O Alienista”, uma edição de bolso daquelas que as professoras de Português nos mandavam comprar para ter como leitura obrigatória. Logo vieram as imagens dos tempos em que eu só levava nocaute do citado Bruxo. Ali mesmo fiquei a folhear o livro e reviver memórias. E não é que comecei a ler? E quem disse que eu parava? Dali em diante virei fã e não podia imaginar o quanto a leitura de Machado de Assis me ajudaria a compreender o Brasil e o Rio de Janeiro do século XIX. Em tempo: Seus livros são atualíssimos.

Indico os seguintes blogs que visito com regular freqüência:

Dúvidas & Angústias

Encanto

Intensidade

Palavras Sussuradas

Verblogando

Gilrang´s Blog

Espartilho

Aqui aproveito algumas palavras do Henrique:

Aos amigos, deverá ser indicado no seu blog o recebimento da indicação e a continuidade deste Meme. Antecipo meu pedido de desculpas, caso não seja do seu agrado a participação deste tipo de brincadeira.

 

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11 comentários sobre “Meme Literário

  1. prezado jorge,

    quando sou citado em um meme, antes de qualquer outra reação, fico extremamente envaidecido pela deferência. portanto, só tenho a lhe agradecer tal honra… só não posso lhe garantir a continuidade pelos que eu indicar.

    um abraço.

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  2. Jorge:

    Não foi ‘abuso’ nenhum…sobre livros, falar é tão bom quanto ler.. 🙂

    Obrigada pela indicação, meu querido!

    Responderei com prazer e cuidado.

    Abraços!
    😉

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  3. Jorge,
    Está tudo bem comigo, graças a Deus! E você, como vai?
    Você me pegou de surpresa! 🙂
    Não é um “abuso”, pelo contário. Eu é que agradeço a indicação. Muito obrigada! Sinto-me lisonjeada. Nunca participei de um. Será um prazer colaborar. 😀
    Abraços! 😉

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  4. Ah! Justificando: estou muito atarefada ultimamente. Época de prova! Então, assim que passar esse aperreio acadêmico, responderei o meme com muito prazer. 😉
    Abraço!

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  5. Jorge, respondi ao Meme. Quando der, passa por lá.
    Abraço!

    P.S.: Como faço para deixar os nomes dos blogs indicados como links? 😀

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