Temos todo tempo do mundo para escrever cartas ridículas

Sleeping Nude by Pablo Picasso © Geoffrey Clements/CORBIS

Temos todo tempo do mundo para deixar que nossas mentes reflitam sobre o que realmente devemos chamar de um sentimento que nos aperta lá dentro da alma. Pode parecer piegas… que pareça! Afinal, todas as cartas de amor são ridículas mesmo. Mas se você encontrar, após refletir o suficiente, o sentido para este sentimento; por favor avise.

Todos nós buscamos saber. Alguns se esquivam de forma atabalhoada. Outros fingem não ligar. A maioria deixa latente em seu íntimo a vontade de explodir em reações de carinho e ternura. Basta apenas que surja empatia, simpatia e uma certa garantia que tudo que temos guardado será bem recebido. Pode durar uma vida para que isto aconteça. Talvez dure algumas eternidades, mas se acontecer não perca seu tempo. Cante, dance, escreva e, principalmente, demonstre para quem ama o quanto ama!

Perder ou não conseguir aquilo que se teve ou deseja ter não é demérito. É, na verdade, uma conseqüência da vida. Manter é que se torna extremamente complicado. Inventar e reinventar. Viver e reviver. Sonhar e realizar… o equilíbrio necessário para ser louco e racional ao mesmo tempo.

Todas as cartas de amor são ridículas
(Fernando Pessoa)

Todas as cartas de amor são ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas. As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas. Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas. A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

* A música que você ouviu neste post, chama-se “We Have All The Time In The World“, na inconfundível voz de Louis Armstrong [Letra em Inglês] e é um dos temas do filme “007 A Serviço Secreto de Sua Majestade” [Ficha técnica em Português].

** A gravura que ilustra este post, chama-se “Sleeping Nude” , de Pablo Picasso.
(© Geoffrey Clements/CORBIS)

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