Casamento com homem feio é duradouro e feliz

Man In Hat With Crossed Eyes (ca. 1900) © Underwood & Underwood/CORBIS

Acabei de ler e saber que um casamento do tipo “A bela e a fera” tem muito mais chances de “e foram felizes para sempre” do que o casamento de um garboso príncipe com a, digamos, madrasta da Branca de Neve antes de tomar a poção mágica, ou na extremidade oposta, o casamento com uma Cinderela.

Nós somos humanos e dificilmente, para não dizer que é impossível, acabamos por observar as outras pessoas, tanto para elogiar quanto para tecer comentários não muito abonadores ou criticar. Eu sei que você vai dizer que nunca fez isso. E por saber que dirá que nunca fez isso, imagino que o Gepeto tenha sido o maior produtor de bonecos do mundo e o que teve de fada madrinha dando duro pra transformar esses bonecos de madeira em gente foi uma festa.

Os cientistas adoram criar pesquisas e teorias. Eles resolveram estudar por qual motivo os homens feios, que casam com mulheres bonitas são mais felizes em seus casamentos. Paira a dúvida: como é que este monstrengo conseguiu ficar com aquela maravilha? E aqui nesta dúvida é que está o que falei no parágrafo anterior. Você já se fez esta pergunta pelo menos uma vez na vida e também já comentou com alguém, também pelo menos uma vez na vida.

Como nós somos a plebe ignara, aquela enorme parcela da sociedade que não detém os meios e recursos para fazer as tais pesquisas e ditar teorias como só os cientistas e pesquisadores sabem fazer, acabamos por partir para comentários do tipo bicos no tendão de Aquiles e pisadas na rótula, que em termos culturais podemos denominar de maledicência popular.

Vejamos alguns exemplos:

a) Ela é cega?
b) Ele é o kpta na cama!
c) Ele tem grana pra caramba!
d) Ele tem borogodó…
e) NRA *

A ordem dos fatores aí de cima não altera o produto e sempre vai pairar a dúvida. Dúvida? Que dúvida? Os antigos já sabiam e se você acha que a alternativa “d” é a correta, acertou! Viu como não somos tão plebe ignara assim? O que nós chamamos de borogodó é o que os gregos chamavam de agalma, isto é, aquilo que não sabemos o que é, mas que só a outra pessoa pode nos proporcionar em termos de amor e paixão.

Mas em relacionamentos em que o contrário se observa, isto é, o cara é bonito e a mulher nem tanto, é certo que vai dar errado. A mulher que mesmo não sendo feia e está casada com um galã, será motivo e mais um prato enorme para a tal maledicência. Logo alguém mais crítico e ferino dirá que mais uma vez aconteceu o popular golpe do baú. Faltará pouco para que digam que a laranjada da esposa será adoçada com chumbinho terrível e o cara ficará com toda grana.

A propensão para que este casamento não seja muito feliz ou não dê certo é que o cara que se acha o bonitão vai ciscar pra tudo que é lado por se achar insatisfeito. A desculpa clássica é a famosa “eu a conheci num fim de festa”. Essa não cola, meu camarada. Em determinado momento você a amou. Só que, com o passar do tempo, você verá que outras começam a dar em cima e a carne é fraca.

Enquanto que no relacionamento da fera com a bela, quando passam na rua e as pessoas vão pensar alguma coisa como as citadas na múltipla escolha acima, o feio já pensou antes e rindo por dentro dirá para si mesmo:“pode olhar, mas ela tá comigo”. Certamente vai se sentir o verdadeiro rei da cocada preta.

Voltando ao estudo deste caso, a bela que ama a fera, a verdade é a seguinte: quem ama o feio, belo lhe parece. É o tal do amor quem vai determinar que a bela casará com a fera e serão felizes para sempre.

Este não foi bem o caso de Cyrano de Bergerac, o célebre personagem de Edmond Rostand, que era feio e bom tanto na espada (sem trocadilho) como nas letras e cai de amores por sua prima Roxane, que era bela e só no final, pouquinha coisa antes de ele bater as botas, soube que se apaixonara pelo narigudo poeta espadachim dos Cadets de Gascogne, que na verdade escrevia as cartas em nome de Christian de Neuvilleté, o bonitão burraldo do romance.

* Não, não é ácido ribonucléico, ok? No meu tempo DNA era ADN, ou ácido desoxirribonucléico. Só para explicar. Já tomei conta de prova de biologia em que um aluno me perguntou se era o tal ácido, o ARN, que estava com a sua sigla escrita de maneira “incorreta”. E a questão da prova não tinha qualquer referência a um destes compostos orgânicos.

Confira a notícia no BBC Brasil
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7 comentários sobre “Casamento com homem feio é duradouro e feliz

  1. Realmente acho que um casamento com uma pessoa…digamos…feia… pode durar muito mais 😛

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  2. O doidão de Viena não explicava.. mas alguns “seachantes” já deram uma explicação, sabia? rs. De qq modo, louvável o tema da pesquisa, né? É alguma coisa sem a qual a humanidade não poderia continuar vivendo..rs
    Beijos

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