Um fado, um cravo, Brasil e Portugal

cravo1.jpgEm 1974, o Brasil ainda vivia sob a Ditadura Militar que completava 10 anos de existência e duraria mais onze anos até que ventos de liberdade soprassem sobre a Terra Brasilis. Do outro lado do Atlântico nossa antiga metrópole, Portugal, passava por um dos momentos mais interessantes de sua história, a Revolução dos Cravos.

Até neste ponto havia similaridades entre nós e Portugal e uma canção, o Fado Tropical, de Chico Buarque e Rui Guerra mostra o quanto de elementos culturais havia, e ainda há, mesmo que um oceano esteja no meio do caminho.

O ideal da canção era mostrar que o sonho de ser um Império Colonial mantinha-se na mente da ditadura portuguesa, mesmo estando na contramão da história e fazia valer o controle colonial sobre países africanos como Angola, Moçambique e Guiné.

É muito interessante ver como um brasileiro, o compositor Chico Buarque de Hollanda e um moçambicano, o cineasta Ruy Guerra, reúnem os elementos culturais do Brasil e de Portugal; além de frizarem aquela melancolia que permeia a alma lusitana e foi passada para as almas dos outros países que um dia foram parte do Império Português.

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Vamos à letra:

Fado Tropical
Composição: Chico Buarque/ Ruy Guerra

Oh, musa do meu fado
Oh, minha mãe gentil
Te deixo consternado
No primeiro abril

Mas não sê tão ingrata
Não esquece quem te amou
E em tua densa mata
Se perdeu e se encontrou
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal

“Sabe, no fundo eu sou um sentimental
Todos nós herdamos no sangue lusitano uma boa dosagem de lirismo ( além da sífilis, é claro)
Mesmo quando as minhas mãos estão ocupadas em torturar, esganar, trucidar
Meu coração fecha os olhos e sinceramente chora…”

Com avencas na caatinga
Alecrins no canavial
Licores na moringa
Um vinho tropical
E a linda mulata
Com rendas do alentejo
De quem numa bravata
Arrebata um beijo
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal

“Meu coração tem um sereno jeito
E as minhas mãos o golpe duro e presto
De tal maneira que, depois de feito
Desencontrado, eu mesmo me contesto

Se trago as mãos distantes do meu peito
É que há distância entre intenção e gesto
E se o meu coração nas mãos estreito
Me assombra a súbita impressão de incesto

Quando me encontro no calor da luta
Ostento a aguda empunhadora à proa
Mas meu peito se desabotoa
E se a sentença se anuncia bruta
Mais que depressa a mão cega executa
Pois que senão o coração perdoa”

Guitarras e sanfonas
Jasmins, coqueiros, fontes
Sardinhas, mandioca
Num suave azulejo
E o rio Amazonas
Que corre trás-os-montes
E numa pororoca
Deságua no Tejo
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um império colonial
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um império colonial

Indico a leitura do post Portugal & Brasil – Verbo Único do Falar Lusitano, que está no blog Salteadores da Arca.

A imagem do cravo foi copiada do blog Diário Poético.

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