Raízes históricas da barração de brasileiros na Espanha

Tratado de TordesilhasBrigam Espanha e Holanda
Pelos direitos do mar
O mar é das gaivotas
Que nele sabem voar
Brigam Espanha e Holanda
Pelos direitos do mar
Brigam Espanha e Holanda
Por que não sabem que o mar
Por que não sabem que o mar
Por que não sabem que o mar
É de quem sabe amar

A história nos diz que a intransigência da Espanha com seus vizinhos e gentes de outros países – que o digam Montezuma, Cuauhtemoc e Atahualpa – vai longe no passado. A partir da letra da música, “Um cafuné na cabeça, malandro, eu quero até de macaco”, do Milton Nascimento, percebemos o quanto a relação com este outro país ibérico afetou nossa história.

Antes de qualquer coisa, é preciso dizer que um dia a Holanda fez parte do Império Espanhol e se libertou algumas décadas antes da primeira invasão do nosso Nordeste. Aí você vai se perguntar: “o que os batavos queriam aqui?”. Duas coisas, ora! Em primeiro lugar, o açúcar tão valioso e em segundo lugar, atacar as regiões menos assistidas do Império Espanhol, visto Portugal entre fins do século XVI e início do século XVII, ter sido incorporado. Conseqüentemente, nós também fomos incorporados e os holandeses vieram ávidos por conquistar. Ao serem expulsos por nós, o nordeste não voltou a pertencer a este outro país ibérico.

Ah, sim, Tordesilhas! Os reinos de Portugal e Espanha fizeram um acordo com o Papa Alexandre VI (Rodrigo Bórgia, pai de César e Lucrécia Bórgia), dividindo o mundo entre si e o Brasil estava dividido quase que ao meio. Os portugueses, com o tempo, foram tomando conta do pedaço que cabia ao outro país ibérico.

Talvez seja uma espécie de vingança por algumas partidas que perderam para nós em Copas do Mundo, a saber: Em 1950, em pleno Maracanã metemos 6 x 2 e a torcida cantando em uníssono “Touradas em Madri”, do Braguinha. Depois, em 1962, na Copa do Chile, vencemos por 2 x 1. Em 1978, em Mar del Plata, na Copa da Argentina, conseguiram um 0 X 0 e, em 1986 na Copa do México, em sua segunda edição, ganhamos de 1 x 0. Em todos estes jogos, exceto na goleada do Maracanã, dizem que foram garfados.

Logo, esta onda de barrações de brasileiros que nem ao menos tentam entrar neste outro país ibérico, mas estão fazendo escala tem uma certa lógica…

E cá pra nós, espanhol é português mal falado. 🙂

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7 comentários sobre “Raízes históricas da barração de brasileiros na Espanha

  1. Pingback: Jorge via Rec6
  2. jorge,

    creio que existem mais outras coisas mais complicadas nesse relacionamento entre espanha e brasil. sem dúvida, o povo espanhol é aguerrido, resultado de séculos de dominação e muitas guerras. toda a europa é um pouco assim. no entanto, o caso com os brasileiros é sintomático, não para eles, mas para nós.

    quem, sendo um bom brasileiro, teve a oportunidade de viver no exterior por algum tempo, a serviço, ou cumprindo algum compromisso de trabalho, certamente deparou-se com uma cena em uma rua, em um parque, em uma calçada em que um mau brasileiro, conterrâneo nosso, em altos brados, pronunciava palavras de baixo calão em portuguès, ou gozava os ingênuos habitantes locais, ou, ainda jactava-se de ter passado um deles para trás. vendo e ouvindo tudo isto, o bom brasileiro deve ter se envergonhado da sua nacionalidade e procurado esconder qualquer relação de nacionalidade com o bacanudo. isto por que o brasileiro sempre é o mais esperto, sempre o mais ladino e o insuperável.

    com a espanha, o caso é típico. meninas brasileiras, inocentes, ou não, mas ainda na flor da idade, seduzidas pela conversa de dinheiro fácil oferecido por alguns espanhós inescrupulosos (veja que estes são alguns, não todos), aliados de brasileiros não menos criminosos, deixam-se levar pela conversa de um emprego na europa. lá chegando, encontram um verdadeiro tráfico humano e passam a ser submetidas a toda espécie de humilhação. para complicar a situação, resta-lhes apenas o caminho da ilegalidade e da prostituição.

    diga-me: que tipo de administração pública decente deseja que sua população fique à mercê do crime e da licenciosidade? de fato, uma administração pública decente deve, por lei, proteger seus concidadãos. pois foi o que fez a administração espanhola: criou barreiras muito restritivas para aqueles que tentam usar os benefícios de uma sociedade mais desenvolvida socialmente. não são só brasileiros os barrados, mas estes são os que tentam abusar do sistema em maior número. e pagam os justos pelos pecadores.

    evidentemente, houve uma certa exacerbação, por parte de oficiais da imigração espanhola em relação aos nossos compatriotas. o que é, pelas circunstâncias, natural, porém injustificável.

    antes de decidir rebater na mesma moeda, criando barreiras para os espanhóis que tentam visitar o brasil, nossa administração deveria solicitar, encarecidamente, aos turistas nossos compatriotas que se portem melhor no exterior. exigir deles a reciprocidade do comportamento do turista espanhol em nossa terra. afinal, queiram, ou não, cada um de nós, quando viajando lá por fora, se torna um embaixador do país. nosso comportamento, principalmente aquele inesperado, será automaticamente transferido para todos os demais brasileiros, mesmo os que não se portam de forma igual.

    infelizmente, muitos dos exemplos que os estrangeiros têm de brasileiros não são a regra geral. assim como imaginamos os estereótipos dos americanos sempre mascando chicletes, os franceses a carregar uma baguete debaixo do braço e sem tomar banho, o português a calçar tamancos, eles nos enxergam como alguns de nós se apresetam: a fazer escândalos pelas ruas, a enganar as pessoas, a desrespeitar as leis. esse é o estereótipo do brasileiro no exterior. gostemos, ou não! é assim a forma que somos vistos. todos se enchem de cuidados quando vêem um brasileiro se aproximar, pois ele pode ser alguém que lhes vai enganar. para nós, brasileiros que não se comportam assim, isto é muito triste… isto também quer dizer que não foi apenas um ou outro brasileiro que se comportou mal. para a fama chegar onde chegou, foi preciso que milhares de brasileiros agissem de uma maneira similar. e essa maneira não é a das mais recomendadas pelos povos civilizados.

    reclamemos, caro jorge, mas sabendo de antemão que estamos errados e cedemos para eles a prerrogativa de determinar nosso próprio destino.

    lamento, jorge, ter me estendido em tão espinhoso assunto, mas temos que enfrentar a realidade como ela se nos apresenta. espero que voce não fique chateado com esse longo comentário. mas é que era preciso por os guizos no gato certo.

    um grande abraço…

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  3. Gil, de forma alguma há motivos para chateação. O debate é o que nos dá maiores conhecimentos e esclarecimentos a respeito de todo e qualquer assunto. Sei perfeitamente que a imagem do brasileiro lá fora é a do espertalhão, da mesma forma que também conheço os estereótipos para os outros povos. Assim como aqui dentro mesmo, até na rua em que moramos, há formação de estereótipos e preconceitos. É inerente a nós humanos. Não tem jeito. O outro sempre será tratado de uma forma que não é diferente, mas na dicotomia “melhor ou pior”.

    Seria interessante, como recomendei em uma mensagem sobre este mesmo assunto em um outro blog, a leitura de “A Questão do Outro”, do Tzvetan Todorov, para que possamos compreender um tantinho o que foi a colonização espanhola nas Américas e o seu legado, e o que acontece hoje está diretamente ligado a isto.

    Creio também que você tenha percebido que não houve qualquer atitude maniqueísta ou, como bem disse, colocar o guizo no gato certo ou errado. O objetivo deste post foi apenas de criar humor sobre um fato, da mesma forma como faço com a maioria dos posts que estão no Recanto das Palavras.

    Eu bem sabia que, da mesma forma como surgiram críticas a uma opinião jocosa que emiti sobre o miguxês, este assunto da barração de brasileiros em terras estrangeiras também poderia levar a opiniões em vários tons. Você pode ter lido acima de sua resposta, um leitor que faz uma comparação entre Pelé e Di Stéfano. Isto demonstra que várias são as leituras de um mesmo texto e você relatou a sua experiência sobre este fato determinado.

    Continuarei, como sempre, a emitir opiniões de forma humorada.

    A seriedade, ou melhor, a pretensa seriedade eu deixo para Calpúrnia. 🙂

    Grande abraço.

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  4. jorge,

    primeiro, novas desculpas por ter me alongado tanto no outro comentário. longe de querer criticar o seu texto sobre os motivos nem tão aparentes das relações que nos trouxeram até este ponto, o que me motivou a tecer tão longo comentário foi a sensação de injustiça que me toma, quando vejo pessoas de bem sofrerem as consequências dos atos praticados por inconsequentes de mentalidade pré-adolescente e que vivem em mundo só deles. enquanto tudo vai dando certo, eles só lucram. o prejuízo, quando chega, recai sobre aqueles que nada fizeram para se ver em situações constrangedoras.

    sempre leio seus posts exatamente pela forma humorada com que voce os escreve. esse humor, porém, não impede que voce trate assuntos sérios com a sua visão. é isso que os faz atraentes. é isso que me traz aqui.

    um forte abraço.

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  5. Colonización Española: Humanitarias Leyes de Indias dictadas por la Reina Isabel la Católica o Isabel de Castilla………Todo lo demás = Leyenda Negra

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