Miguxês também é Português!?!?!?!

É a afirmação de Evanildo Bechara numa entrevista ao Jornal do Brasil. Eu acho que Camões, Pessoa, Machado de Assis e tantos outros deram voltas simultâneas em seus túmulos.

Dentre as várias afirmativas do emérito lingüista e gramático ressaltam coisas como “devemos ser poliglotas da língua”, isto é, que dentro de nossa própria língua temos que saber e achar correto o “nós vai” e o “a gente fomos”, pois ainda segundo esta sua afirmação, a língua é como a roupa que se usa, uma para cada ocasião. Sei não… um dia chegará em que ficaremos nus por estarmos trocando tanto de roupa em termos gramaticais e ortográficos.

Eu já falei do “voçê” que grassa na Internet e agora este senhor vem me dizer que esta abominável forma de escrita, o tal do miguxês também é Português? De que adiantaram todos aqueles anos estudando com a Tia Maricota, as leituras feitas tanto para lazer quanto para trabalho profissional e… sinceramente…

Ao menos ele faz uma ressalva ao dizer que os jovens não usam só o internetês. Já se vislumbra uma luz no fim do túnel e, como diz o Millôr, pode ser o trem vindo de frente…

– É uma forma de internetês, mas é português também. Eles abreviam muitas palavras, mas quem não domina as abreviações hoje em dia? Se você não sabe que MP é uma medida provisória, não consegue entender os noticiários. Além disso, esses jovens não se restringem ao miguxês, que usam apenas na internet.

Leia a entrevista na íntegra

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20 comentários sobre “Miguxês também é Português!?!?!?!

  1. Revoltante. Estou cursando o 1º ano da faculdade de letras e acho ridículo uma afirmação dessas ter vindo de um colega de curso.
    Seria uma bagunça geral se a moda pegasse. Imagine só, cada um falndo como bem entendesse.
    Até poderia aceitar se tal regra fosse aplicada a todos. Mas você acha que alguém permitiria que Fátima Bernardes, no meio do jornal soltasse um probrema? Ou coisa pior?

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  2. Jorge

    Olha, sinto muito pelos jovens, por nosso povo, por nossa terra; a invasão deste modo hodiento de falar está acabando com uma das coisas mais belas que possuímos: nossa língua.

    O pior é que os jovens transportam este hábito (de escrita) para suas vidas ‘extra-matrix’ (leia-se ‘estra-internet’), colocando isso em currículos, redações e até provas. Verdadeiro inferno!

    Mas, se é para rir para não chorar, forneço o texto abaixo nesta ‘bela’ língua:

    :
    “A EstRElah
    di MaNuEu baNderAH

    Vi 1 eSTrElAh tAUm ALTAh,
    vI 1 eStRElah TaUM fRIaH,
    vi 1 esTreLAh luziNU,
    nu FiM du DiAh,

    EraH 1 eSTRELah taum aLtah,
    ErAH 1 estrelaH tauM friah,
    erah 1 EstRElAH LUZINu,
    naH mINhaH VidaH vaZIah,

    PQ Dah SUAh diStANCIAh,
    prAh minhah KoMpAnhIaH,
    nAUm bAixXxAvAH akelAh esTRelAh??!?!
    pq tAUm ALtAH LuZiaH??!?!

    I oVi-A DAh SombRAh FundaH,
    ResPonde ki aXXIm FaZIaH,
    praH dAh 1 espeRANXXAH…
    + tRisti AU fIm Du MeU DiaH………………”

    Retirado de:http://aurelio.net/web/miguxeitor.html

    Abraços, amigo!
    🙂

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  3. Pavorosa mesmo, Fátima. Eu já ando lendo coisas parecidas em correções de provas…

    Lya, infelizmente, não foi apenas um colega de curso quem escreveu. Foi um gramático com vários livros editados. É isso que me espanta!

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  4. Jorge, como o senhor deve saber o Bechara é um gramático de muito renome, é um dos maiores, senão o maior, do nosso país. Já li alguns poucas coisas dele, no começo também não concordava. Mas com um pouco menos de “egoísmo intelectual”, perceberemos que as afirmações de Bechara são muito plausíveis. A língua é sim uma roupa. A língua que falamos é completamente ilógica, não é feita para brasileiros. Eu sou purista como vocês, não sou hipócrita de negar isso, mas prezo por uma atualização. Não há porque consideramos “Me fale” errado e termos de usar “Fale-me”, só porque o “me” do portugueses é átono, enquanto o nosso é bem forte.

    E as evoluções acontessem, não há como parar isso. Existe uma coisa é que se chama DEMOCRATIZAÇÃO DA LÍNGUA, ou TODAS (entenda como maioria) as pessoas passam a falar o português (gramaticalmente) correto ou o “errado” que se é falado cotidianamente, afinal acima de tudo deve estar a COMUNICAÇÃO.

    Quanto ao internetês, do qual acho que devemos nos concentrar no miguxês, é exatamente o que acabei de comentar. O miguxês não nos serve porque impossibilita a comunicação. E ainda nisso, retomo as palavras de Bechara, “devemos ser poliglotas da língua”. Tanto para mim quanto para a maioria, o miguxês não serve como dialeto/variação, uma vez que não efetive comunicação. Mas para as pessoas do meio, que entendem o sistema dessa “sublíngua”, a comunicação ocorre normalmente. E exatamente isto o que Bechara se pretende: não podemos ser preconceituosos, devemos nos deixar aprender e ter contato com outros costumes.

    Restringir-se do miguxês ou variações quaisquer, é como o senhor ir a outro país e achar feio as pessoas falarem a língua dela, porque o português purísta que o senhor conhece é bonito demais para não ser usado.

    Desculpe o alongamento.
    Mas desde já entendo o seu ponto de vista.
    Só acho feio (sim, acho feio) o senhor ficar espantado por alguém de renome ter dito isso.

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  5. Eu acho que miguxês está mais para retardadês do que para português.

    De fato, concordo contigo. Depois dessa Camões, Machado de Assis, Fernando Pessoa, Jorge Amado e tantos outros escritores devem ter se revirado no túmulo. 🙂

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  6. Então, tente por favor, como foi exemplificado acima, mandar um “a gente vamos” junto a seus pares. Baterão palmas, por certo. 🙂

    Também acho muito feio o senhor vir aqui defender uma sandice como esta e usando um manual de gramática sob um das axilas. 🙂

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  7. Ai, Deus.

    Fiquei feliz quando encontrei esse blog! Pensei que seria um lugar onde eu viria diariamente. Eu pensei que o Senhor fosse só um estudioso contente com a beleza da língua portuguesa e alguém com quem eu poderia discutir o tema de forma inteligente. Mas vejo que o Senhor simplesmente é arrogante e não sabe receber críticas. Como se já não bastasse criticar Bechara sem argumentos plausíveis.

    Mas tudo bem, pode continuar com o seu clube “nós falamos bonito o português”

    Que aliás o senhor talvez nem saiba que (e principalmente POR QUE) deveria ser dito “nós falamos bonitaMENTE o português”.

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  8. “a gente vamos”, estude a gramatica gerativista

    Se eu falar “eu tenho pagado muito mais do que deveria”, ninguém vai achar bonito (como não acham o “a gente vamos”), alguns até irão me corrigir, no entanto está certo.

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  9. jorge,

    exemplar desserviço prestam esses senhores ao nosso idioma! é mister que a língua evolua. no entanto, isto mais parece uma involução do que evolução.

    mas, eu concordo com uma afirmação do diogorafael: o português não foi criado para brasileiros. de fato, escrever, como falar, exige um certo raciocínio. quanto menos raciocínio, menos regras. assim, chegaremos aos sons guturais e, enfim, ao mutismo completo. para quê palavras se não existe raciocínio?

    seus conterrâneos me surpreendem a cada dia! o pior é que eles são MEUS conterrâneos também… lamentavelmente!…

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  10. A gente fazemos o que podemos. Açim naum tein pobrema. 🙂

    Delenda est Língua Portuguesa! 🙂

    E pra você, meu caro Diogo Rafael, crie um blog para discutir com seus pares o sexo dos anjos gramaticais e incensarem seus deuses.

    Tenho dito, ou preciso desenhar para entender que o assunto está encerrado? 🙂

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  11. Sinceramente acho que vocês precisam sair da pré-história pra entrar na história. Deixar de reproduzir conceitos e preconceitos milenares e começar a refletir sobre eles. se continuam fazendo sentido ainda hoje considerando a diversidade linguistica existente num país tão extenso. Só assim é possível lutar contra essas desigualdades também milenares que privilegia uns poucos em detrimento da maioria, inclusive em se tratando de língua. Sugiro a pesquisa. entrem nessa com seriedade, proponha o mesmo a seus alunos e vocês vão perceber o quanto é urgente sair dessa letargia cômoda de viver repetindo Napoleão Mendes de Almeida e outros seus correligionários, que pensaram e pensam que podem conter a língua. Além disso, vocês vão descobrir quanta riqueza está implícita nos mais diversos falares brasileiros e quanta injustiça está implícita na estúpida mania de querer cobrar de todos a reprodução de uma variedade, que é tida como certa, mas que não é igualmente dada, distribuída a todos na mesma proporção em que é exigida. Pensem nisso!!!

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  12. Sinceramente, minha cara senhora ou senhorita, vir aqui para reproduzir conceitos que talvez a senhora nem mesmo saiba por qual motivo os faz é denotativo de uma questão fundamental do convívio social. Digo-lhe que posso não concordar com o que a senhora ou senhorita diz, mas lutarei pelo direito que a senhora tem de fazê-lo.

    Arvorar-se em arauto de uma suposta igualdade social provinda do uso correto do idioma não me parece algo socializante.

    Exclusão, sim, se dá quando não há distribuição de renda e somos os campeões mundiais neste quesito. Proponho, portanto, que a senhora ou senhorita crie um blog, portal ou o que o valha e escreva da forma que acredita ser a “modernidade”.

    Certamente, as visitas serão muitas e haverá de ter inúmeros leitores.

    Não se questiona o regionalismo dos falares do Brasil, como por exemplo, a pronúncia da vogal “e” aberta como no Nordeste ou fechada como no Sudeste. A senhora ou senhorita cometeu um equívoco.

    Minha cara senhora ou senhorita, questiona-se, sim, o modismo e a idiotice de uma forma de escrever e falar baseado em sei lá o quê. Portanto, minha cara senhora ou senhorita, não venha aqui ditar regras ou sugerir coisas absurdas. Mantenha contato com as academias tanto no Brasil quanto em Portugal, e nos demais países lusoparlantes. Escreva em miguxês. Tenho certeza que será compreendida.

    Se tanto defende esta aberração, por qual motivo não escreveu sua mensagem coberta de empáfia e preconceitos em miguxês?

    Seria uma questão filosófica ou conceitual?

    Pense nisso e passar bem.

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  13. Jorge:

    O assunto foi, de uma forma ‘leve’ abordada no filme ‘Idiocracia’ (onde é mencionado que a língua/idioma, num futuro bem próximo, seria deteriorado, transformando-se numa mistura de gírias, dialetos de tribos e afins.

    Se te interessar, siga as pegadas:

    É apenas uma introdução, mas dá para sentir o teor geral da película.

    Grande abraço!

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  14. Oi Jorge!

    ixe, que discussão acirrada, hein?
    Quem sou eu pra dar algum palpite.

    Em todo caso (não resisti!!),

    O problema do internetês nada mais é que problemas de ortografia. Na minha opinião, se a pessoa escreve NAUM em vez de NÃO, de forma CONSCIENTE e só pra deixar o texto ¨bonito¨ (eu mesma uso, de vez em quando), não acho que seja um motivo pra se ficar escandalizado.
    O problema é se a pessoa começar a usar essa grafia fora de contexto, achar que esse é o correto.

    Quanto a falar
    nois vai a gente vamos, o pobrema é otroo…
    Temos que explorar e entender melhor o que é Lingüística.
    Paro por aqui….

    abração!

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  15. Fátima,

    Excelente dica novamente. Acabei de ver o vídeo indicado e, por este motivo, tenho certeza que o mostrado pode vir a ocorrer caso tenhamos visões como as que foram apresentadas nos comentários.

    Abraços.

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  16. Marcia,

    Realmente pareceu-me também algo um tanto acirrado. Tudo que se defende com paixões desmesuradas pode vir a receber réplicas à altura.

    Eu expliquei os motivos pelos quais é assustador perceber como o mau uso de um idioma pode vir a comprometer o futuro. Fato que foi muito bem apresentado pelo vídeo indicado pela Fátima num recado acima.

    A questão é que aparecem como se fossem donos de uma verdade absoluta ou uma radicalidade inoportuna. Sim, sabemos que a língua é viva e sempre está em evolução; mas o que se vê defendido por certos gramáticos e lingüistas, muitos de ocasião, é uma involução. 🙂

    Abração!

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  17. Oi!li todos estes comentários,sou graduanda de letras e estou abordando o miguxês como tema de um trabalho.
    Achei muito interessante os argumentos colocados tanto pelos que defendem e os que expõe seus argumentos contra essa nova linguagem virtual e acredito ser muito importante essa socialização de idéias e se torna melhor ainda quando aceitamos as argumentações alheias à cerca de um mesmo assunto!
    Desde já agradeço a todos,pois todas estas opiniões me estão sendo muito úteis.

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