Se você escreve voçê, você não existe

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Desde os tempos das calças curtas que a gente aprende algumas regrinhas básicas de ortografia. Coisas como, por exemplo, o uso da consoante M antes das consoantes P e B. Veja ali na palavra “exemplo”.

Outra regrinha é o uso da cedilha – Do espanhol cedilla. Hom./Par.: cedilha (sf.), cedilha (fl. de cedilhar) – , que é usada apenas, veja bem, apenas diante das vogais A, O ou U. Logo, por exclusão, não se usa cedilha diante das vogais I ou E. Portanto, se você escrever voçê, você não existirá.

Ah, mas você vai me perguntar porque isto é usado, certo? É simples, pois é a representação do som (ss), quando no Português arcaico, para representar o som de (ss), se escrevia um Z após a letra C, e ficava assim Cacza (caça)*, por exemplo. E, novamente, você vai perguntar: o que isso tem a ver com as calças? É uma questão de história, pois em determinado momento da evolução de nossa língua portuguesa, havia um certo embaralhamento com a Língua Espanhola e a palavra cedilha vem de Zeta ou Zeda, que é o nome da letra Zê, em espanhol. Como não deu certo, passaram a usar um pequeno zê (zedilla – pequena letra z em espanhol), sob a letra C. E como VoSSê não existe e muito menos voÇê, o correto é escrever você.

Não sou professor de Português, mas há certas coisas que chegam a fazer os olhos doerem quando vistas.

* A Casa da Mãe Joana – curiosidades nas origens das palavras, frases e marcas.

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10 comentários sobre “Se você escreve voçê, você não existe

  1. Mas vai querer o quê? O pessoal que comete esse erro só conhece a forma “vc”. Aí quando vai tentar escrever da forma correta, dá nisso. 🙂

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  2. Um explicação muito mais simples (que aliás é supersimples se falada, pois escrita, para quem não entende de fonologia, fica complicada) é porque o “c” junto com as vogais “e” e “i” forma sempre o som que conhecemos “ce” (que seria o “cze”) nunca forma fonema /k/(como “c”asa), para isso usa-se o “qu” (que, qui). Veja que se grafa “queijo” e não “ceijo”.

    Para que o “c” nas outras vogais(a, o, u)forme o mesmo fonema de “ce” e “ci” (e diferente de /k/), aí usamos a cedilha. Daí a diferença de “troco” para “troço”.

    Lembremos do som da alfabetização “ka, ce(diferente de “que”), ko, ci (diferete de “qui”), ku”

    Mas a maioria das pessoas não sabe disso, a maioria dos professores não sabe. Então, temos de gravar mais uma regrinha, como se as intermináveis do hífen não bastassem, ao invés de entendermos o funcionamento da nossa língua.

    Lastimável.

    Aí temos de forçar um estudo anacronico aos alunos, em vez de sincronico. Ou em vez de academia brasileira de letras se juntar e EFETIVAMENTE funcionar ao invés de tomar chá, e mudar essa regrinha.

    C(k) para todas as vogais e Ç para todas as vogais. Deixaríamos cada grafema para cada fonema.

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  3. Salve Jorge!

    Sou carioca e vivo em Portugal desde 94.
    Vim cá parar por causa do voÇê, imagine, pois estou a procurar uma maneira simpática de corrigir a professora da minha filha , que é também em parte dona da escola. Veja bem que situação ingrata…Como corrigir uma professora portuguesa sem parecer arrogante?

    Assim até dói mais

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  4. Oi, Erika!

    Realmente, é uma situação na qual é preciso muito tato, eu diria. Afinal, a correção de alguém que deveria saber como escrever corretamente, pode parecer que sabemos mais do que essa pessoa. Entretanto, acredito que devamos tentar ser o mais sinceros possível para que entendam que foi cometido um erro e isso pode ser corrigido.

    Abraços.

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