Crepúsculo na orla do Rio de Janeiro e Pink Floyd

Morro Dois Irmãos, Rio de Janeiro. © Paulo Fridman/Corbis

O dia estava especialmente bonito na cidade. Um pouco de calor e uma leve brisa soprava pela zona sul da cidade que, segundo Milton Nascimento e Fernando Brant, não é tão representativa do Brasil como querem pensar os outros brasileiros. “A novidade é que o Brasil não é só litoral. É muito mais. É muito mais que qualquer Zona Sul”.

Acabara de ir a uma livraria e decidi voltar para casa através da orla. Moro num bairro que permite que eu possa ir ou voltar ao centro da cidade passando por toda extensão da orla marítima e, acredite, isso faz um bem danado para quem está indo ou voltando do trabalho.

Cabe aqui uma explicação: o Rio de Janeiro continua lindo e continua, mais ainda, complicado de se achar uma vaga para estacionar o carro. Mesmo que tentemos pagar por uma vaga “oficial”, isto é, administrada pela prefeitura, estas são dificílimas de encontrar em determinados pontos da cidade; imagine então na beira da praia. Pois bem, estava em Copacabana e acabara de achar uma vaga que reluzia para mim como se fosse o pote de ouro que está no fim do arco-íris.

Vou até a livraria e fico cerca de uma hora conversando com a proprietária. Ao sair, olhei para o relógio e vi que já deveria voltar pra casa. Tomo um singelo copo de suco de maracujá com guaraná e entro no carro. Copacabana marca quase o início da orla, ou o final. Depende do ponto de vista. Olhei para o mar e vi que o crepúsculo se aproximava. Fui em frente passando por Ipanema e Leblon.

Não quis fazer o caminho mais curto que seria usar a Lagoa-Barra. Por um lado, naquele momento, já deveria haver um enorme engarrafamento e por outro não veria a praia e o crepúsculo.

Liguei o tocador de CD e nem preciso dizer que o volume era “aos berros”. Tocava “The Delicated Sound Of Thunder”, um cd do Pink Floyd gravado ao vivo com vários de seus sucessos. E lá fui eu tocando minha guitarra imaginária, curtindo o crepúsculo, vendo a praia. Lá pelas tantas o David Gilmour canta: “Remember when you’re young. You shone like the sun. Shine on you crazy diamond”. Todos nós na juventude e na infância brilhamos, mas quando chegamos à adolescência, imagino, brilhamos como um diamante louco. Sei lá o que os caras querem dizer com isso na letra, mas é legal pra caramba.

E vou seguindo. Agora estou subindo a Niemeyer, no fim do Leblon. É uma estrada que fica na encosta de uma montanha (poético demais pra dizer que logo ali está a favela do Vidigal). Há um mirante que permite ver quase toda a orla até onde os olhos conseguem enxergar. Logicamente que de carro é meio complicado de se fazer isso, mas a gente vai lembrando de como é.

Sigo meu rumo tocando minha guitarra imaginária, cantando no meu inglês arrevesado e um pouquinho mais contente por saber que o visual dali em diante ainda é mais bonito.

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