Teu rastro a chuva lavou do chão

Foto original Corbis. Edição Jorge Alberto

Nestas noites de não dormir por que o sono não vem, ainda relembro e sinto falta daqueles momentos de total entendimento. Muito estranho não ter mais este comprometimento em mostrar tudo o que eu escrevia para corrigir os meus erros e rir dos mesmos. Gargalhar da minha paranóia em não repetir a mesma palavra na mesma frase ou em sentenças próximas. Viu só? Eu repeti! Do olhar carinhoso quando eu me desesperava por separar sujeito do verbo com uma vírgula e a minha eterna incompreensão do uso do porque e sei lá mais o quê.

Todas as palavras, sílabas e letras são como mensagens de náufrago em busca de duas mãos e um par de olhos que saberiam entender o que eu estava querendo dizer. E agora? Como um náufrago deixei a barba crescer. O sorriso é sincero, pois foi dado para os matizes que lembram folhas secas.

E as descobertas que eram mostradas como se uma criança houvesse encontrado uma concha numa praia e dela se maravilhasse com o som. Droga… está tocando Ribeirão…

Você não sabe nem vai saber, que sem você pouca coisa sou. Sou só rasteiro capim do chão, água sem ribeirão. Chuva que cai fora da estação. Eu preparei sem poder mandar um telegrama de vem me ver, pois ninguém sabe onde te encontrar… Qual lugar? Mar, sertão? Hotel, navio vapor, pensão? Teu rastro a chuva lavou do chão ou mesmo o vento já desmanchou. Mas tá marcado em meu coração cada lugar que você pisou.

Vez ou outra encontro escritos antigos, aqueles que não rasguei, apaguei ou incinerei da minha memória e os leio. Não consigo conceber como eu pude ter escrito tudo aquilo, que tudo aquilo foi escrito tendo um único endereço. Outro dia, quer dizer, outra noite, ao ler um livro eu fiquei sem saber se deveria continuar ou não. Para quem eu contaria primeiro as impressões sobre o que lia, o que aprendi e o que gostaria de mostrar?

Quanto tempo faz? Não sei… não quero saber. O tempo é relativo… O tempo é infinito e foi finito. A memória é traiçoeira e os quereres são os mesmos. Estático é o meu tempo. Cápsula de tempo que relembro. Droga… Agora toca Me Faça Um Favor…

Quero que você me faça um favor, já que a gente não vai mais se encontrar. Cante uma canção que fale de amor e seja bem fácil de se guardar. Meu amor, o que eu sou todo mundo vê. Me perdi, me esqueci dentro do seu mundo procurando a vida com você. Mesmo que as pessoas lembrem de nós, mesmo que eu me lembre desta canção não vai haver nada pra recordar. Nada que valeu ou que houve de bom. Meu jardim. Seu quintal. Sempre a mesma flor. Hoje, não. Cada um dentro do seu mundo navegando contra a solidão.

Um grande marasmo, um vazio do tamanho do Universo. Nunca mais, acredite, consegui escrever um verso. E…

Eu ainda sou aquele sonhador. Desculpe se o que eu sinto é muito antigo. Desculpe o que eu fizer, que é por amor. Eu ainda vivo no mundo da Lua fazendo planos simples pro futuro. Eu, na verdade, sou um menestrel medieval assombrado por imagens e televisão. Assustado pelas coisas que acontecem dentro do meu coração. Por isso eu penso que essas coisas não deviam ser como elas são. Eu ainda estou querendo descobrir um jeito de mostrar meus sentimentos. Um jeito claro e simples de viver sem precisar fingir.

Ouça as músicas no Recanto das Palavras – Galeria

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4 comentários sobre “Teu rastro a chuva lavou do chão

  1. E o cavaleiro segue, magnifico, na sua reluzente armadura. Ser especial, repleto de encanto, corresponde a todas expectativas. Só ele sabe da profundidade e da dor do q, para os outros, nada mais é do q um quase imperceptivel arranhão na roupa de metal q o recobre. Afinal,se viver é opcional, seguir é preciso.
    Beijos, menino lindo.

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  2. QUERIDO DIS….
    MUITO BOM ESTAR NESSSE TEU RECANTO.
    ACONCHEGANTE E ACOLHEDOR.
    PARABÉNS..
    E OBRIGADA POR VC EXISTIR.
    BEIJOS

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