Suplementos Literários: Coleta de informações

Resolvi fazer uma pesquisa sobre as opiniões a respeito dos nossos cadernos literários. Procurei não citar nomes de cadernos ou resenhistas, ou até mesmo de jornalistas. Mesmo porque, os textos foram encontrados na Internet e nomes não são citados. De certa forma, a crítica e os elogios são feitos de forma geral. Escolhi dois textos que são apresentados abaixo, com algumas observações feitas por mim.O que se percebe é que há posições bem marcadas de escritores, jornalistas e acadêmicos sobre o assunto. Por exemplo, abaixo estão partes de um texto escrito em 2001 por Deonísio da Silva, para o Observatório da Imprensa e uma entrevista concedida por Vera Lúcia Follain de Figueiredo, doutora em Literaturas de Língua Portuguesa, coordenadora da graduação do curso de Comunicação Social da PUC-Rio e professora da pós-graduação de Letras da Uerj, a Paula Barcellos no site Traça On-line.

CADERNOS LITERÁRIOS
Somos todos necrófilos
Deonísio da Silva (2001)

Cita o fato que só se fala sobre coisas velhas nos cadernos literários:

“aqui está mais um fato literário digno de registro e comentário em nossos cadernos literários, mas é pouco provável que isso seja feito. Quando se trata de autores e livros, sobram rabecões e faltam parteiras. Todas as semanas nossos suplementos literários estão infestados de coisas velhas. E se pululam artigos sobre autores mortos, nem os cemitérios escapam à falta de critérios”.

Mais adiante, ele afirma que, tanto editores quanto jornalistas ou são muito jovens ou não têm a bagagem suficiente para tal e criam uma espécie de simbiose com os autores de pouca qualidade: “(…) devido ao rebaixamento intelectual da mão-de-obra juvenil nesses cadernos, aliado ao despreparo de vários de seus editores, temos uma sinistra parceria”. Ao mesmo tempo em que cita o fato de os autores acadêmicos escreverem para seus pares numa linguagem hermética e enfadonha, o que dificulta o acesso de seus livros aos suplementos literários “(…) Porque nas universidades criamos um dialeto que leva nossos schollars a escreverem apenas para eles mesmos, para as bancas ou, no máximo, para seus pares. Que a linguagem das teses seja um tanto hermética, vá lá. Mas trazer este estilo para a imprensa é demais”. E quando fazem algum trabalho de maior profundidade, nada mais é que bricolagem. Em relação aos autores novos, segundo Deonísio da Silva, a coisa se dá da seguinte forma: “(…)Os cadernos são quase sempre insossos e pernósticos. Os autores vivos são destacados por motivos extra literários, não por suas obras. Vale quase tudo. Suas sexualidades, suas idiossincrasias, seus outros ofícios – esses, quanto menos significativos para o ato de escrever, tanto melhor”.

E lá na frente, aquilo que todos temiam, isto é, os cadernos literários “macaqueiam” o que já foi escrito: “Quando deixam de lado os mortos, nossos suplementos repetem os nomes dos vivos, não apenas dizendo as mesmas coisas sobre eles, já ditas e escritas ali e em muitos lugares, mas também dando-lhes a palavra para que eles repitam o que já sabíamos, já que parecem ter gravado, não um antigo LP, mas um compacto simples”.

E termina o texto com bom-humor e se desculpando: “Por favor, não me tomem por birrento. Há bons suplementos literários entre nós, mas são raros. Como tenho conversado com os leitores Brasil afora, lamento que suas queixas e sugestões não sejam ouvidas e nenhum ombdusman se ocupe de seus desejos neste campo. Afinal, são os leitores que nos pagam para escrever. Merecem o melhor que pudermos fazer. E merecem, principalmente, respeito, informação, análise. Café no bule, enfim”.

“Quem lê no Brasil espera mais dos cadernos literários”
Especialista em literatura analisa nova maneira de olhar a arte
Paula Barcellos
20/03/2003

Aqui, a autora apresenta a questão Jornalistas/Autores acadêmicos como um embate e, que provavelmente está em vias de acabar. Entretanto, o embate se dá justamente no ponto do sabido despreparo dos resenhistas/jornalistas, ao não entenderem ou fazerem parte do universo acadêmico. Sim, é muito mais fácil fazer uma resenha sobre um livro de ficção, preferencialmente de um medalhão ou já lançado lá fora – basta observar a maioria dos artigos que saem nos suplementos literários.

O ringue está armado nos cadernos literários. Jornalistas de um lado, acadêmicos do outro. É o texto leve de um versus a força erudita do outro. Os rounds passam e o impasse permanece até o momento em que se ouve um grito: A oposição entre o texto dos acadêmicos e o dos jornalistas está caduca!”

Você acredita, então, ser imprescindível uma formação mais específica dos jornalistas que trabalham nos cadernos literários?

Um dos maiores problemas dos suplementos literários é apresentar resenhas que não são escritas pelos estudiosos daquele assunto ou daquele autor. Por exemplo, se a resenha é sobre um livro do Manuel Bandeira, o resenhista deveria ser um especialista em Bandeira. Isso seria o ideal. Mas o jornalismo trabalha com o eterno improviso, o que prejudica a qualidade crítica. Os jornalistas de um caderno literário deveriam ser especializados em literatura. Analisar um livro nunca é analisar apenas aquele livro. É preciso estabelecer relações pertinentes e situar a obra. E isso, com raras exceções, só o crítico literário, que pode ser um jornalista com uma formação mais específica, consegue fazer.

E termina a entrevista citando a relação da literatura com o jornalismo ao dizer que “(…) Jornal e literatura andaram sempre juntos. Não se pode esquecer que obras de Machado de Assis e José de Alencar, por exemplo, foram publicadas em folhetins. As linguagens jornalística e literária dialogam. E nesse ponto, as duas esferas (jornalismo e literatura) se misturam e se confundem com muita facilidade. Não podemos, entretanto, esquecer a diferença de objetivos de cada uma das atividades e as diferenças que se devem às condições de produção; no jornalismo, há a urgência que o trabalho de informação impõe”.

Para ler os textos na íntegra:

CADERNOS LITERÁRIOS: Somos todos necrófilos

Quem lê no Brasil espera mais dos cadernos literários – Especialista em literatura analisa nova maneira de olhar a arte.

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3 comentários sobre “Suplementos Literários: Coleta de informações

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