Que os deuses digam que estou errado

Hoje pela manhã eu tive um presságio. Queria que fosse um presságio como dos habitantes do Lácio, os latinos, que viram no vôo das aves a fundação de Roma e eu tive um mau presságio, assim como os presságios dos sacerdotes de Montezuma que previram a chegada do Cortez. Ninguém merece…

Acordei, tomei banho e saí para comprar pão. A natureza resplandecia (parece letra de samba-enredo antigo, não?). Pardais gorjeando, rolinhas arrulhando, abelhas zunindo e de repente um [RAIOS! COBRAS! LAGARTOS! TACHINHA! TUFÃO! CAVEIRA COM FACA ESPETADA!] de um beija-flor passa à minha frente e fica colhendo néctar, uma água com açúcar manjadíssima, de um daqueles bebedouros de plástico que se colocam nos alpendres. Pronto, pensei comigo mesmo, vai dar Beija-Flor de novo.

Não poderia ser um urubu? Não! Urubu, não! Lembra outra coisa que eu não gosto. Então, eu lembrei de um blues do Johnny Winter, que diz assim: “I make my living feeling rotten, but I feel good when I play blues”, que agora ouço e toquei em frente. O violão está aqui do meu lado, mas não estou me atrevendo a tocar um blues para espantar essa praga de urubu[1], digo beija-flor.


[1] Obrigado, Noel Rosa.

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2 comentários sobre “Que os deuses digam que estou errado

  1. Pingback: Jorge via Rec6
  2. Bom, depende de quem era o alpendre, pode ser também que o beija-flor estivesse bebendo do verdadeiro vencedor, hehehe.

    Obrigada pelo sábio comentário de Arachne, Jorge, linkei seu blog lá nos amigos…

    E que os deuses te sejam favoráveis! ;*

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