Febre Amarela 2008: Revolta da Vacina ao Contrário

Os três grandes males, a var�ola, a peste bubônica e a febre amarela trocam impressões sobre as campanhas que lhes move Oswaldo Cruz

Há pouco mais de cem anos, por absoluta falta de informação e uma total campanha de desinformação de monarquistas ressentidos, a população foi às ruas para não tomar a vacina contra varíola, que juntamente com a peste bubônica e a febre amarela atormentavam a população do Rio de Janeiro. Além disso, havia no espírito das mentes de algumas autoridades e médicos brasileiros da recente república, um atávico positivismo que impedia o combate à doença que não entendiam como as epidemias deveriam ser combatidas antes de aparecerem. Preferiam pensar em cuidar do corpo. Em linguagem atual, não havia medicina preventiva. Preferiam uma medicina curativa. Este mesmo pensamento havia tanto na Inglaterra como nos Estados Unidos, onde surgiram ligas contra vacinações.

Flagrante da Revolta da Vacina

Como na Idade Média imaginavam algo próximo da abiogênese[2]. Um rato só existiria fisicamente se você colocasse um pedaço de pão ou um pedaço de carne num canto e da junção de um deles ou de um desses dois elementos “nasceria” o roedor. Imaginavam, aqui, no início do século XX que a observância da moral, da família e dos bons costumes erradicariam as doenças. Temo que as autoridades ainda continuem pensando assim.

O porto do Rio de Janeiro era área proibida para os navios estrangeiros. A cidade era um aglomerado de ruelas, cortiços e praticamente não havia saneamento básico. A sujeira campeava. Invariavelmente epidemias grassavam devido a falta de higiene. O presidente de Rodrigues Alves (1902-1906) deu plenos poderes a Oswaldo Cruz para erradicar estas doenças. Na mesma época, Pereira Passos, o prefeito da capital, que ficou conhecido como o “bota abaixo”, urbanizou o centro da cidade, afastando a população miserável para outras áreas da cidade

Lembro de um tempo em que o Brasil era governado com mão de ferro e as autoridades censuravam as notícias. A inconseqüência foi tamanha que, notícias sobre um surto de meningite foram proibidas de ser veiculadas. Não adianta esconder. A verdade sempre surge. Como agora com os casos de febre amarela.

O Brasil tem um centro de excelência mundial, que é referência em doenças tropicais, a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e é certo que seus pesquisadores estão trabalhando mais intensamente para dar um basta no que está acontecendo.

————————————————–

[1]
Charge na Revista Radis – Fiocruz (O cartum é do início do século 20; 100 anos depois, novos e antigos flagelos desafiam a saúde pública: Aids, tuberculose e hanseníase.)
Os três grandes males, a varíola, a peste bubônica e a febre amarela trocam impressões sobre as campanhas que lhes move Oswaldo Cruz:
Febre amarela – Mas… Oswaldo é um talento. Descobriu que o mosquito é meu servidor e não faz outra coisa a não ser matar mosquitos – é um meirinho!
Peste bubônica – Qual; faz coisa melhor: caça ratos com a trompeta e caixa. É um gatão!
Varíola – Pois com o meu aparecimento, não querendo ele responsabilizar as moscas e baratas, deu para matar as pobres crianças com ferros envenenados, a tal vacina obrigatória. É um pavão!

[2]
Hipótese da geração espontânea, segundo a qual os organismos vivos poderiam originar-se seguida e espontaneamente de matéria inanimada.

[3]
Revista Radis – Fiocruz

[4] Leia o artigo “O Carnaval da Gripe”, de Carlos Heitor Cony, no blog Próxima Página.

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3 comentários sobre “Febre Amarela 2008: Revolta da Vacina ao Contrário

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