Pensando em palavras…

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Hoje é um daqueles dias/noites em que não tenho o menor tesão em escrever sobre coisa alguma. Eu bem poderia fazer o que os jornalistas da era pré-informática chamavam de Gillette-Press, ou seja, recortar e colar. Um antigo CTRL C / CTRL V, que muitas vezes ajudou o pessoal nestes momentos de verdadeira encruzilhada marásmica do ato colocar no papel, não tão antigamente, ou em forma de bits e bytes, um pouco mais modernamente, as nossas idéias.

Fico percorrendo a memória e de repente surge uma lembrança. Digo que não estou a fim para mim mesmo e sigo olhando para o nada e o tudo ao mesmo tempo. Abrindo portas da memória e também buscando curiosamente o saber. Sim, eu sou fascinado por saber e aprender. Não pretendo, como nunca pretendi, ser catedrático em um único assunto. De tudo quero saber um pouco.

Por isso que sempre lembro da alegria quando consegui, aos 18 anos, ainda no primeiro período da graduação ao ler em um livro sobre o Império Romano, uma tradução espanhola da série francesa Que sais je?, a relação entre as palavras ekklesia, iglesia e igreja. Pareceu-me tão fantástico descobrir o significado de uma palavra e a relação que ela tem com o nosso cotidiano que fiquei parado curtindo aquele momento. Tudo isso por que, sei lá como, em minha mente eu consegui me conectar com o passado e o presente através da palavra “ekklesia”. Ora, é apenas a palavra “assembléia”. Mas para mim valeu como um passaporte para o amor às palavras, seus significados e significantes. Tanto que o sentido original não tinha nada de sagrado ou religioso. Era apenas uma assembléia popular na qual os gregos se reuniam.

Não, eu não pretendo teorizar e muito menos adotar o academicismo aqui ou em qualquer lugar. Eu apenas escrevi o que, neste momento, serviu para preencher a mente com um pensamento.

Engraçado como fica mais fácil ensinar quando sabemos o significado e, principalmente, a etimologia das palavras. Podemos começar por rastrear nossos nomes. Vejamos que interessante. Meu nome “Jorge” é a forma aportuguesada de duas palavras gregas, a saber: Geo e Orgoi, que designava uma pequena classe de agricultores. Basta fazer a correlação e perceber que Geo = Terra e Orgoi = Trabalho, que remete a lavrador ou agricultor.

Não ficaria mais fácil se fosse explicado que CITO é célula e FAGOS é alimentação para entendermos o conceito da fagocitose, a alimentação celular? Ou que LOIKOS é branco e CITO é célula e entenderemos que as células brancas estão em nossas corrente sangüínea assim como as HEMUS é Vermelho e hemácias são as células vermelhas? Certamente, o conceito de Absolutismo será melhor compreendido se soubermos que o significado AB SOLUTO (duas palavras em latim) é aquilo que não se dissolve.

E como os nossos políticos esquecem da RES (coisa) Publica e metem os pés pelas mãos na República, que é a coisa pública, o governo do povo.

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3 comentários sobre “Pensando em palavras…

  1. É, saber é uma delícia. Muitas vezes angustiante, mas ”ligar” as coisas que, por muitas vezes, não parecem óbvias…é muito bom! Sinto isso mais quando estou estudando com alguém ou quando estou ”ensinando”, as descobertas são maravilhosas também.

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  2. Pingback: Jorge via Rec6
  3. O saber é uma das maiores virtudes do homem,varios meses de luz já aqui nos ensinaram o saber..o saber ao mesmo tempo é o ensinar e o conhecer….
    Pois todas as vertentes do saber chega a uma só reta…
    O respeito…
    Descobrindo por ele….
    Adorei seu blog cara!
    Parabens!

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