Afinal de contas, o que quer uma mulher?

Romance! Sim, isso mesmo. Freud fez esta pergunta e não deixou resposta. Agora a resposta foi descoberta. O que quer uma mulher é um fato comprovado pela literatura e pela evolução da espécie humana.

Pela literatura pelo fato de as publicações que são classificadas como romances açucarados ou cor de rosa são aqueles que mais vendem no mercado editorial brasileiro como um todo. Séries como Sabrina e Jéssica, cada uma de uma editora especializada no assunto, têm números assombrosos para mostrar. E estes números são resultado de um componente fundamental para o ser humano, principalmente as fêmeas de espécie, isto é, o desejo de um final feliz.

Este final feliz é comprovado pela evolução da espécie, que não sei se o Darwin percebeu. Mas, até aí tudo bem, pois os antropólogos e psicólogos tem muito a dizer a respeito como, por exemplo, dentre as várias fantasias sexuais identificadas, cerca de 80, a que mais toca a alma feminina é o desejo de casar, e isto desde os tempos dos romances medievais de cavalaria, povoa o inconsciente coletivo feminino. Todas querem ser salvas do dragão por um príncipe montado num cavalo branco.

Para nós, homens, o sexo é importante. Para elas, mulheres, também é mas tem que ter romance. E é aí que entra a antropologia para explicar que desde os tempos das cavernas e a divisão das tarefas, que nós somos disseminadores de sêmen e elas as que deviam gerar a descendência. Porém, um fato ficava martelando a cabeça das trogloditas, além da celebre cacetada, aquela prova de amor que todo troglodita dava na cabeça de sua escolhida e a arrastava para dentro da caverna (isto é coisa do cinema, ok?). É o seguinte: A mulher sempre teve muito mais afazeres e preocupações com a prole do que o homem. Numa situação em que o sexo era, digamos, nômade a mulher ficava com uma carga a mais caso engravidasse. Teria filhos e deveria cuidar deles até que estivessem aptos a se defenderem dos predadores. Portanto, a idéia de ter um companheiro permanente, mesmo que ainda não possa ser classificado como amor, era uma forma de garantir a sua sobrevivência como também da prole.

O que para os homens funciona como estímulo, o visual; para as mulheres não funciona tanto assim. Elas preferem o terreno da fantasia, da imaginação. Por isso que não há revistas femininas no estilo Playboy. Por este motivo, este tipo de literatura, que para alguns é considerada como um estilo subliterário faz tanto sucesso. O já falado final feliz não é a vida a dois após o casamento. O que as mulheres idealizam e pretender congelar é o “E viveram felizes para sempre…”.

Em termos de formação de leitores, este tipo de literatura pode não ser uma garantia de porta de entrada para o mundo da leitura em geral. Não é pelo fato de gostar de ler este tipo de livro que as leitoras sairão em busca de livros mais substanciais. E esta fórmula de romance vem desde o século XIX e apenas muda o contexto e o nome dos personagens, tendo no enredo, basicamente, os mesmos componentes: homem e mulher se apaixonam, passam por diversos percalços e no final conseguem a plenitude do amor.

As duas editoras líderes deste segmento informam que mantém canais abertos para que suas leitoras opinem sobre os livros e as autoras. Sim, na maioria são mulheres escrevendo para mulheres, ou quem sabe alguns homens usando pseudônimos femininos, mas que conseguem captar este desejo de plenitude do amor nas mulheres. Há, por conta destes canais, algumas curiosidades. As editoras não descuidam de seu público, caso contrário perdem receita. Romances com crianças vendem mais. O casal que está na foto da capa destes livros tem que ter as características físicas dos personagens que estão dentro do livro. E, se não gostam de uma autora em particular, dizem que é uma porcaria mesmo.

Também é fato que o gosto por determinado tipo de literatura tem relação com a formação cultural das pessoas. Você lê aquilo que está mais próximo do seu modo de viver e encarar o mundo. Os seus referenciais te levam a este ou aquele tipo de leitura.

 

Números sobre o tema:
Editoras: 2

Nova Cultural (Editora Abril) e Harlequin Books Brasil (Editora Record)

Títulos/Séries – Nova Cultural
Sabrina (1978) – Líder do mercado
Julia Históricos, Julia Mulheres Modernas, Sabrina Sensual, Bianca, Clássicos Históricos, Clássicos Históricos Especial e BestSeller.

Títulos publicados anualmente: 400

Vendas
Sabrina: Em média 40 mil exemplares/mês

Todas as séries juntas: Em média 170 mil exemplares/mês ou 2 milhões exemplares/ano

Preço em Reais
Varia de R$ 5,90 (Sabrina) a R$ 12,00 (BestSeller)

Público: 99% mulheres

Faixa etária: 40% entre 20 e 29 anos e 33% na faixa dos 30 aos 39 anos.

Atividade econômica: 70% trabalham fora, 19% são donas-de-casa e 10% são estudantes

Escolaridade: 43% completaram o ensino médio e 28% têm curso superior completo.

Classe Social
Classe A – 9%
Classe B – 42%
Classe C – 33%
Classe D – 15%

Títulos comprados por mês: 3 em média

 

Harlequin Books Brasil

Títulos/Séries – Harlequin Books Brasil

Jéssica, Paixão, Desejo, Grandes Romances, Grandes Romances Históricos e Harlequin Romances

Tiragem média: 12 mil exemplares/mês

Preço em Reais
Varia entre R$ 7,50 e R$ 10,90

Público: Feminino

Faixa Etária: 26 a 50 anos

Situação econômica: 66% exercem alguma atividade profissional

Títulos comprados por mês: 3 em média

 

Bibliografia
Com açúcar e com afeto
In: Panorama Editorial – CBL (Câmara Brasileira do Livro)

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6 comentários sobre “Afinal de contas, o que quer uma mulher?

  1. Obrigada por sua visita ao Espartilho e pelos seus comentários. Procurava uma imagem sensual de mulher e ser morena é um atributo que considero adicional. Ainbda não tinha visitado seu blog e esse post sobre romantismo tem tudo a ver com o Espartilho tbm. Virei aqui com mais freqüência. Abraço e volte sempre.

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  2. Querido Jorge, falar de mulher é meu lema, vivo uma delas. Garanto que o princípio do teu artigo fáz sentido, toda mulher quer casar sim, mas quanto ao aspecto romance, garanto que o homem também quer, tb sente o desejo de ter uma mulher frágil ao seu lado que ele possa provar que é forte, a ponto de matar o dragão, e se a mulher se mantém romântica, isso é necessário, garanto, devido a uma desumanização imposta pela atual sociedade capitalista, digo até, que as mulheres serão as salvadoras desse mundo frio. Por isso deixe-mo-lás governar.

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  3. Querido Jorge!

    Adorei esse artigo, e concordo plenamente somos movidas por romances em nossos relacionamentos e eu sou uma delas…rsrs

    beijosssssss mil no seu coração!

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