Tempura vem de tempero

Há palavras que são internacionais, isto é, tem o mesmo significado em qualquer lugar do mundo. Pense um pouco e se dará conta que palavras como Táxi, Hotel, Café, Iglu, Software, Vodca, Jaguar entre outras são usadas sem qualquer problema de não compreensão. Isto até nos facilita a vida. Imagine que você está em um país em que pouco domina a língua e precisa se locomover rapidamente. Basta esticar o dedo e verá um carro com uma placa com a palavra “táxi” escrita, mas sem o acento como na nossa língua. Complicado será fazer o motorista compreender para onde você quer ir.

Então, como se sabe, as palavras são entidades que mudam, ampliam ou diminuem seu significado. Dão origem a outras e porque não, são antropofagicamente, como conceituava Oswald de Andrade, adicionadas à língua de um país que não tem a menor ligação cultural com o de origem daquela palavra específica.

Tudo isto serve para mostrar que lá no longínquo Oriente, a presença da Língua Portuguesa, se não é mais tão marcante como quando da chegada dos Jesuítas no século XVI, algumas palavras ficaram e há quem afirme, como Mário Prata em seu impagável livro “Shifaizfavoire, Dicionário de Português”, que é possível que você não passe fome no Japão caso não goste de comer arroz com peixe ou peixe cru enrolado em tubinhos de algas. Basta falar a palavra “pão”, que prontamente um descendente de samurais e xoguns lhe dara este alimento. Ainda, no mesmo livro, ele informa que a palavra arigatô, o agradecimento tradicional dos japoneses é uma corruptela de “obrigado”, ainda devido à presença de missionários jesuítas na Terra do Sol Nascente.

Agora, recentemente, um escritor espanhol afirma que a culinária japonesa foi fortemente influenciada pela portuguesa. O tempura, aquele bolinho de peixe e legumes, que é frito envolto em massa, nada mais é que uma adaptação de um prato lusitano, o “peixinhos da horta. Este é composto de feijões verdes cozidos envolto em massa. A palavra tempura é muito próxima da palavra tempero. E foi por causa desses temperos e as tais especiarias que nós, brasileiros, falamos esta língua tão melodiosa e sonora.

E por falar em brasileiros, na Veja desta semana, o articulista Stephen Kanitz, cita a etimologia da palavra que serve como nosso gentílico. Eu sempre falo isto para meus alunos, para explicar que o problema do Brasil é muito mais semântico do que propriamente econômico. O sufixo “eiro” designa atividade ou profissão. Quem faz pão é o padeiro. Quem entrega o leite é o leiteiro. Quem traficava pau-brasil era chamado de brasileiro. Portanto, já começamos de uma forma não muito nobre, digamos. Quem nasce no Brasil deveria ser conhecido como brasilês ou brasiliense. Mas, como a nossa formação inicial foi servir a interesses econômicos, acabamos por ser conhecidos por uma palavra que lembra uma atividade excusa.

Ó pá! Quem é que não gosta de um pastel de Belém, hein? Eu aprendi a comer papas, uma espécie de angu à baiana, mas à moda lusitana, que graças aos céus não tem vísceras (BLEARGH) como um dos ingredientes.

Se você quer aprender um pouco do português que é falado em Portugal, lendo e se divertindo com o Shifaizfavoire, Dicionário de Português, clique aqui.

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4 comentários sobre “Tempura vem de tempero

  1. É um prazer ler artigos escritos corretamente, em bom português, sem coisas como “eu vô falá, vô escrevê e entaum vô printá”.
    O Professor Claudio Moreno, de português, afirma que a suposta origem da palavra arigatô na palavra “obrigado” é uma lenda urbana. Confira neste artigo.

    http://tyrannosaurus.wordpress.com

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  2. Se bem que poderíamos usar Brasilianos,
    Afinal nossos vizinhos são Peruanos, Bolivianos, etc, em inglês é assim já Brasilian.

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