Lembro, quando pequeno, ouvir meu pai declamar “Navio Negreiro” lá em casa. Não havia um motivo especial para isto. Era comum meu pai declamar trechos de poemas não importando a ocasião. Apenas, digamos, o ritmo e a sonoridade das rimas, como “Auriverde pendão de minha terra, Que a brisa do Brasil beija e balança,/Estandarte que a luz do sol encerra/E as promessas divinas da esperança…/Tu que, da liberdade após a guerra,/Foste hasteado dos heróis na lança/ Antes te houvessem roto na batalha,/Que servires a um povo de mortalha!… ” serviam de pretexto, da mesma forma que usei uma frase do poema de Castro Alves para dar título a este artigo
Tudo bem, sabemos que a historiografia atual (não oficial), fez (e faz) um revisionismo nos estudos sobre a escravidão e sua repercussão no Brasil. Foi divulgada uma pesquisa onde o brasileiro, ao contrário do que sempre se disse é um povo racista. Quer dizer, está sendo esclarecida uma das questões mais delicadas da sociedade brasileira. A data oficial para a libertação dos escravos, 13 de maio, é uma data que os grupos do movimento negro não aceitam como comemorativa, pois esta representa mais um problema social do que um motivo para comemoração. A História do Brasil está sendo reescrita a partir de novas teorias e enfoques.
A escravidão que se implantou no Brasil diferia da escravidão da Antigüidade, onde alguém se tornava escravo por dívida ou derrota em batalhas. A escravidão é tão antiga quanto a civilização. Povos escravizaram e oprimiram outros em todo decurso da História humana, e a África sempre apareceu como fornecedora da mão-de-obra escrava desde tempos imemoriais. Diversos autores discutem o porquê disso ou como se dava a escravidão no continente africano. Sim, pois entre os vários povos africanos também havia escravidão e a transposição de pessoas na condição de escravos teve vários fluxos, do Império Romano à Península Arábica islamizada, culminando com a vinda de africanos para o continente americano quando da chegada dos europeus.
Estes conquistadores, a princípio escravizaram os nativos. Quem nunca ouviu falar da Mita e da Encomienda, as formas pelas quais os espanhóis escravizaram civilizações inteiras para trabalhar nas minas e haciendas? Quem nunca ouviu falar do Bandeirantismo de apresamento, onde os desbravadores do sertão brasileiro iam em busca dos índios já aculturados nas Reduções e Missões jesuíticas? Pois bem, a escravidão indígena seguiu durante séculos, mesmo que Bartolomé de Las Casas, Vieira e outros “humanistas” levantassem suas vozes contra a escravidão indígena. Entretanto, para a maioria destes, o negro não merecia a mesma atenção, já que havia até mesmo teorias de cunho religioso para corroborar a ideologia da escravidão, chegando ao ponto de atribuírem como ancestral dos negros o primeiro grande pecador, Caim. Além, é claro, de constituir uma atividade comercial extremamente lucrativa e que não deveria ser combatida pelo poder sagrado.
Como compreender essa gente mestiça e racista. Sincrética na religião, separada por disparidades econômicas e reflexo da diversidade étnica?
eu a doro historia estou estudando este mesmo asunto
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Viviane,
Espero que o post tenha te ajudado a conhecer um pouco mais este assunto.
Abraço.
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