KOLAI KOLGATOI

Esta frase dita pelos gregos antigos significava “aquilo que é belo é bom”. Sabemos que nem tanto, mas o que seria da estética sem algumas filigranas ou ornamentos? O que seria de um objeto sem o “acabamento”. Dizem que Cleópatra era bela, mas o seu nariz lhe dava mais beleza? É o ornamento que realmente nos chama a atenção quando nos deparamos com uma obra de arte ou um projeto arquitetônico? Quem nos responderá isso? Baseado nos pensamentos de diversos artistas, críticos e arquitetos, como Clement Greenberg, Frank Lloyd-Wright, Le Corbusier e outros mais, que expressaram suas opiniões em debates acalorados ou nem tão acalorados durante o período compreendido entre 1850 e 1950, ou seja, um século de Modernismo, movimento estético/cultural que rompeu com as bases academicistas na arte, arquitetura e literatura.

Vendo um desenho da série Os Simpsons, quando Homer se encontra com um irmão que não conhecia e este era dono de uma fábrica de automóveis, talvez fique um pouco mais claro entender a questão do debate sobre ornamentos. Homer é convidado pelo irmão a desenhar um automóvel, já que ele é um homem comum e seu irmão desejava vender carros comuns para pessoas comuns. O carro foi um fracasso de vendas, muito mais pelos “ornamentos” que foram colocados por Homer na hora de desenhar o carro do que por outra coisa qualquer. O carro andava, ou seja, era funcional. Entretanto, tinha tantos penduricalhos que mais parecia uma mistura de nave espacial com letreiro luminoso, isto é, não era estético. Em resumo: os ornamentos em demasia estragaram o projeto.

Podemos, sim, disfarçar o que não é tão belo, mesmo que o senso estético comum nos indique que a beleza é algo subjetivo. Como fazemos isso é o que está sendo analisado aqui, mas não deixando de ter a abrangência estrutural que os debates obtiveram. Michelangelo achou tão perfeito o seu Moisés que só faltava falar (parla!), ou seja, a palavra também era um ornamento à beleza da perfeição estética.

E vamos nós, mais uma vez, buscar na História, outra frase que dá bem a medida das coisas. Shakespeare, através de Hamlet, dizia: “Que obra de arte é Homem. Tão perfeito…”. A beleza em si não indica necessariamente a perfeição. Vejamos, ao analisar esta frase de Shakespeare, que ele não está falando da estética, mas da perfeição funcional e até mesmo, se podemos admitir, da integração entre Homem e Natureza. Mas, nada impede que usemos ornamentos que podem ajudar a embelezar mais ainda a aparência física como roupas, objetos brilhantes ou corte de cabelo.

É difícil se chegar a um termo em relação à funcionalidade ou estética, ainda mais quando as opiniões são tão díspares e diametralmente opostas.

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Um comentário sobre “KOLAI KOLGATOI

  1. acho que nesses casos a perfeição ocorre quando conseguimos unir a funcionalidade com a estética.
    a vaidade nunca nos abandonará.

    mas sobre o que é belo não é algo que se posa delimitar (“isso é belo e isso não é). não num sentido subjetivo, ainda acho que o sentido de beleza é parte do senso comum, algo que nos e passado pela cultura em que vivemos. mas num objeto algo pode ser belo e em outro não.
    na maioria das coisas há regras para as pessoas acharem algo belo ou não, como a moda que diz “menos é mais” ou em outras coisas visuais você tem que ter uma combinação correta de cores, para não chocar nossa percepção (também está nisso não matar a perspectiva, p.e.). mas ocorre casos quando certas regras são quebradas e mesmo assim a achamos lindas.

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