Todas as vezes que nos despedimos


Everytime We Say Goodbye, com John Coltrane. Clique, ouça e entre no clima

Somente os enamorados sabem o tamanho da eternidade quando se despedem, ou como na canção de Cole Porter, que diz “todas as vezes que dizemos adeus, eu morro um pouco”. A saudade é dor que mata a gente; aproveito outra frase, de uma outra música para mostrar que há dois tipos de saudade.

Muitos não sabem nem mesmo mensurar. Sabem apenas sentir e perceber o quanto pode ser dolorido, lá no fundo da alma, quando existe a maior de todas as distâncias, e esta não é possível medir em latitudes ou longitudes. Não há compasso que meça o descompasso da saudade da presença. Esta difere totalmente da saudade da ausência, que sabemos não trazer mais de volta fisicamente quem já não está mais aqui. Conformamo-nos e seguimos a vida.

A saudade da presença machuca o amor-próprio. Corrói a auto-estima. Amarga a alma. Sabe-se que a pessoa existe, que houve um envolvimento, mas tal pessoa não permite estar perto. Algumas pessoas perdem o rumo da vida, tudo se torna cinza. Outros criam formas de expurgar, arrancar, extirpar esta sua dor e podem surgir páginas, formas e sons de raríssima beleza, como “quando você foi embora fez-se noite em meu viver”.

Da existência humana até hoje não se sabe o sentido da vida, mas muito provavelmente deve ser algo próximo de ser feliz e fazer alguém feliz. Nem sempre é possível e aí se encontra o impossível entender como conseguimos viver sem entender o significado de uma palavra que rima com dor.

Mora na filosofia: pra quê rimar amor e dor?

Não me atrevo a traduzir a letra de Everytime We Say Goodbye, de Cole Porter. Por isso a transcrevo na íntegra.

Everytime we say goodbye, I die a little,
Everytime we say goodbye, I wonder why a little,
Why the gods above me, who must be in the know.
Think so little of me, they allow you to go.
When youre near, theres such an air of spring about it,
I can hear a lark somewhere, begin to sing about it,
Theres no love song finer, but how strange the change from major to
Minor,
Everytime we say goodbye.

When youre near, theres such an air of spring about it,
I can hear a lark somewhere, begin to sing about it,
Theres no love song finer, but how strange the change from major to
Minor,
Everytime we say goodbye.

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2 comentários sobre “Todas as vezes que nos despedimos

  1. Amor rima com amor, com calor, ardor, louvor, e mais amor…. pelo menos eu acho!

    Saudade dói, aperta o peito, nos deixa tristes às vezes. “Corrói a auto-estima. Amarga a alma.” ôoo e como!

    Mas ela é o sinal claro de que essa pessoa foi importante, faz falta… seja da forma que for. E que estamos vivos, pq sentimos..

    Como disse em algum post perdido no meu blog, o contrário de amor não é o ódio, é a apatia. É qdo não sentimos nada mais.. isso sim é grave, esvaziar-se dos sentimentos.

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