É a roupa que faz o homem?

Estava lendo num jornal que há uma verdadeira disputa pelos lugares de destaque nos desfiles de moda. Coisa estranha. A princípio, as pessoas vão a este tipo de evento para ver. Porém, querem mesmo ser vistas e mostrar para a plebe que fazem parte da camada social mais importante, ou seja, aquela que sabe se vestir. Será que nos tempos das cavernas também era assim? Quem sabe uma pele tigre de dente-de-sabre conferisse mais importância do que, digamos, a pele de um simples búfalo. Será que havia preconceitos em relação àqueles que usavam pele de renas?

O que importa mesmo é saber que a moda é algo efêmero, passageiro. O que hoje é moderno, amanhã já é ultrapassado. Quantos que agora estão lendo estas mal traçadas deixaram de ter uma calça boca de sino, ou usaram cabelos compridos na era do “Paz e Amor”? Há coisas que nunca saem de moda. Em termos de tecido, o índigo blue está aí mesmo para provar sua vitalidade. Como o capitalismo sabe capitalizar a voz do povo, virou moda ser jovem usando uma calça jeans e uma camiseta. Diziam até num anúncio que liberdade era uma calça azul, velha e desbotada. Grande bandeira dos jovens que viviam sob uma ditadura aqui no Brasil e o nome da marca vinha bem a calhar: U.S. Top. Nada mais contra o regime do que escrever nos muros Yankees Go Home usando o uniforme que a mídia impunha.

A moda é um fenômeno social tão importante que confere status. A burguesia descobriu uma forma de se diferenciar um pouco mais da turma que compunha o 3º estado ao usar perfumes. Sabe aquela coisa de cheiro de povo? Pois é…a burguesia não queria feder. Vale a pena dar uma conferida sobre o assunto. E pensar que já foi moda entre os nobres usar a toalha das mesas para limpar os narizes durante o jantar. As roupas têm sua função social ao distinguir, além de cobrir o corpo. Até mesmo as listras têm sua história e que confere um caráter meio marginal e outsider para quem as usava. Cabe aqui uma pergunta: será que é por isso que o Botafogo está sempre na pindaíba?

Também é um fato econômico tão significativo que as tais casas que lançam coleções de roupas que ninguém vai usar para cada estação a todo ano nem se preocupem muito se o modelito venderá, mas o que se segue ao tal evento é o que gera receitas. A propaganda, o nome do estilista (antigamente se chamavam costureiros), a ousadia, as modelos (a coisa tá feia, descobriram celulite num montão de mulheres magérrimas e consideradas símbolos de beleza). Isso tudo fará com que as outras produções da empresa, como batons, perfumes, bolsas, etc vendam em proporções planetárias. Há quem não possa dizer que viajou para tal lugar sem ter as malas de alguma grife famosa.

O vídeo com o anúncio antigo da U.S. Top

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3 comentários sobre “É a roupa que faz o homem?

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