Uma lamparina, um barril e o dorme-sujo que queria mudar o mundo ou o cão cínico

diogenes_von_sinopeEste seria o pai de todas as grandes figuraças da história. Tanto é que passou para a História como a alcunha de Diógenes, o cínico. Nasceu na Grécia, mais precisamente em Sinope (atualmente na Turquia) no ano 400 a.C. e o ano de sua morte varia entre 325 a.C. e 323 a.C.

Pergunte porque ele era conhecido como cínico. Bem, para os gregos antigos a pa-lavra kynikos signifcava “como um cão”, ou seja, falta de vergonha. A filosofia cíni-ca, ou melhor, a escola cínica foi representada radicalmente por Diógenes e, sendo assim, podemos dizer que os gregos chamavam estes filósofos de “filósofo cão”.

Para tudo há uma explicação: Esta filosofia defendia a idéia de que os valores natu-rais é que teriam a verdade. Os atos naturais, portanto, não deveriam ter as “amar-ras”, isto é, as convenções e hierarquias da sociedade. Tudo que é natural é real. Segundo sua principal idéia, a maneira correta de viver seria abster-se das futili-dades e usufruir apenas das necessidades básicas; as mais simples possíveis. Por este e outros motivos é que Diógenes morava num tonel e tinha apenas uma única capa para proteger-lhe o corpo das intempéries.

Via com desdém saudável, dizem alguns estudiosos, os prazeres e sofrimentos próprios. A filosofia consistia no domínio dos desejos e necessidades. Sendo assim, a felicidade exige que nada se deseje, para que não se sinta falta de coisa alguma. Faziam do escárnio anti-social o motivo para serem notados e mostrar as frivolida-des e ilusões da vida social.

Não há textos completos de Diógenes. O que se tem, são fragmentos de textos pos-teriores a ele contados por alguém outro que não o filósofo em questão. Também há uma série de histórias a seu respeito que bem mostram como ele pode ser con-siderado um dos primeiros “outsiders” da História.

Como foi dito acima, morava num tonel, ou barril se assim preferirem. Contam que Alexandre, o grande, ao encontrá-lo, viu-o estirado ao solo num dia de sol. Alexandre pergunta-lhe o que poderia fazer por ele, Diógenes. Este o responde dizendo para não se interpor ao sol. Em resumo: Alexandre estava atrapalhando e fazendo sombra.

Outros contam que ao saber que Platão dissera que o Homem é um bípede sem penas, depenou um galo e o apresentou como sendo o Homem de Platão. Ao ver um jovem tomando água num córrego com as mãos em concha, destruiu sua pró-pria cuia e passou a fazer o mesmo. Perguntaram-lhe o que havia feito para ser chamado de cão, e a resposta foi: “Balanço a cauda alegremente para quem me dá qualquer coisa, ladro para os que recusam e mordo os patifes”.

Certa vez, ao ver um sacerdote ser levado a julgamento por seus pares por ter rou-bado uma taça, exclamou: Os grandes ladrões sempre são presos pelos pequenos ladrões.

Diógenes afirmava que a maneira mais correta do homem viver consiste em ter as necessidades mais simples possíveis, “para o homem, basta-lhe a vida”, e satisfa-zendo-a do modo mais correto, “na vida precisamos de razão, ou uma corda para nos enforcarmos”. O viver bem, “o viver natural”, para ele era muito importante, pois tudo o que é natural , é respeitável, e decente , e de direito extremo, portanto pode ser feito em público, a qualquer hora do dia ou da noite sem nenhuma ver-gonha, qualquer convenção contraria a esta abertura de espírito deve ser ignorada pois se caracteriza em um viver não natural.

Talvez a mais famosa das histórias sobre Diógenes, e que resume sua filosofia, seja a que conta que um dia claro ele andava com uma lanterna acesa. Ao ser inquirido sobre o motivo de tão estranho ato, responde: “Estou a procura de um homem!”.

Podemos ver que ele não acreditava nas convenções da sociedade humana. Ao procurar um homem, dizia estar procurando o que faz do Homem um ser real. Talvez a humanidade esteja procurando até hoje.

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5 comentários sobre “Uma lamparina, um barril e o dorme-sujo que queria mudar o mundo ou o cão cínico

  1. Simplesmente fantástico! É o que realmente ser humano busca e não sabe como fazer acontecer.
    idéias socialistas e comunistas provém do pensamento de diógenes, de forma ainda convencional da sociedade moderna.

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