Walfrido Roberto

Walfrido Roberto é o tipo de homem que toda mulher gostaria de amar. Usa calça branca de tergal, sapatos brancos e meias vermelhas, cinto branco, camisa vermelha sempre aberta no peito a mostrar uma medalha de São Jorge, o santo guerreiro. Bigode do tipo Errol Flinn (antes de surgirem notícias duvidosas sobre sua masculinidade) e cabelo repleto de gomalina. No canto da boca; além do dente de ouro, o eterno palito de dentes. Isso sem esquecer o fato de palitar os dentes usando a língua e produzindo o indefectível silvo.

As unhas são cuidadosamente polidas todas as semanas no Juvenal’s, salão de barbearia onde Jussara, mulatinha jeitosa, se esmera em fazer a manicure de seu amor secreto. Dizem que a paixão teve início após uma partida de futebol onde Walfrido atuava de centro-avante e levou uma porrada do zagueirão adversário Fator Psicológico, um negro enorme e que na boca, contava com apenas dois titulares já meio que contundidos. Dizem que ao levar a traulitada, Walfrido foi ao chão contorcendo-se em dor, e Jussara, não agüentando de aflição lançou-se em desabalada carreira para ver se estava doendo e ao perguntar onde doía, foi brindada com um sonoro: “nas bolas!”. A coitada ao querer ajudar, num impulso inconsciente, tocou com as mãos o local da traulitada e recebeu uma porrada nas fuças e um outro elogio: “Não aperta, porra!”.

(1998)

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