O DIA DA TERRA – CARTA DO ÍNDIO


Por volta de 1852, o governo dos Estados Unidos fez um inquérito sobre a aquisição de terras tribais para os imigrantes que chegavam ao país e o Chefe Seattle escreveu em resposta uma carta maravilhosa. Essa carta expressa, na verdade toda a moral da nossa conversa.

“O presidente em Washington, informa que deseja comprar ou vender o céu, ou a terra? A idéia nos é estranha. Se não possuímos o frescor do ar e a vivacidade da água, como vocês poderão comprá-los.

Cada parte desta terra é sagrada parra meu povo. Cada arbusto brilhante do pinheiro, cada porção de praia, cada bruma da floresta escura, cada campina, cada inseto que zune. Todos são agrados na memória e na experiência do meu povo.

Conhecemos a seiva que circula nas árvores, como conhecemos o sangue que circula em nossas veias. Somos parte da terra, e ela é parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs. O urso, o gamo e a grande águia são nossos irmãos. O topo das montanhas, o húmus das campinas, o calor do corpo do pônei, e o homem pertencem todos a mesma família.

A água brilhante que se move nos rios e riachos não é apenas água, mas o sangue de nossos ancestrais. Se lhe vendermos nossa terra, vocês deverão lembrar-se que ela é sagrada. Cada reflexo espectral nas claras águas dos lagos fala de eventos e memórias na vida do meu povo. O Murmúrio da água é a voz do pai do meu pai.

Os rios são nossos irmãos. Eles saciam nossa sede, conduzem nossas canoas e alimentam nossos filhos. Assim, é preciso dedicar aos rios a mesma bondade que se dedicaria a um irmão.

Se lhe vendermos a nossa terra, lembre-se de que o ar é precioso para nós, o ara partilha seu espírito com toda a vida que ampara. O vento, que deu ao nosso avô seu primeiro alento, também recebe seu último suspiro. O vento também dá às nossas crianças o espírito da vida. Assim, se lhe vendermos nossa terra, vocês deverão mantê-la à parte e sagrada, como um lugar onde o homem possa apreciar o vento, adocicado pelas flores da campina.

Ensinarão vocês às suas crianças o que ensinamos às nossas? Que a terra é nossa mãe? O que acontece à terra acontece a todos os filhos da terra.

O que sabemos é isto: a terra não pertence ao homem, o homem pertence à terra. Todas as coisas estão ligadas, assim como o sangue une a todos. O homem não teceu a rede de vida, é apenas um dos fios dela. O que quer que ele faça à rede, fará a si mesmo.

Uma coisa sabemos: nosso deus é também o seu deus. A terra é preciosa para ele e magoa-lo é acumular sobre seu criador.

O destino de vocês é um mistério para nós. O que acontecerá quando os búfalos forem todos sacrificados? Os cavalos selvagens, todos domados? O que acontecerá quando os cantos secretos da floresta forem ocupados pelo odor de muitos homens e a vista dos montes floridos for bloqueada pêlos fios que falam? Onde estarão as matas? Sumiram! Onde estará a águia? Desapareceu! E o que se dizer adeus ao pônei arisco e a caça? Será o fim da vida e o início da sobrevivência.

Quando o último pele-vermelha desaparecer, junto com sua vastidão selvagem e a sua memória for apenas a sombra de uma nuvem se movendo sobre a planície à estas praias e a estas florestas ainda estarão aí? Alguma coisa do espírito do meu povo ainda restará?

Amamos esta terra como o recém-nascido ama as batidas do coração da mãe. Assim, se lhe vendermos nossa terra, amem-na como a temos amado. Cuidem dela como temos cuidado. Gravem em suas mentes a memória da terra tal como estiver quando a receberem. Preservem a terra para todas as crianças e amem-na, com Deus nos ama a todos.

Assim como somos parte da terra, vocês também são parte da terra. Esta terra é preciosa para nós, também é preciosa para vocês. Uma coisa sabemos: existe apenas um Deus. Nenhum homem, vermelho ou branco, pode viver à parte, somos todos irmãos”.

A foto do Chefe Seattle (1786-1866), que ilustra este artigo, foi tirada em 1860.

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3 comentários sobre “O DIA DA TERRA – CARTA DO ÍNDIO

  1. O que mais me impresionou neste texto foi essa parte que diz assim:

    Uma coisa sabemos: nosso deus é também o seu deus. A terra é preciosa para ele e magoa-lo é acumular sobre seu criador.

    O destino de vocês é um mistério para nós. O que acontecerá quando os búfalos forem todos sacrificados? Os cavalos selvagens, todos domados? O que acontecerá quando os cantos secretos da floresta forem ocupados pelo odor de muitos homens e a vista dos montes floridos for bloqueada pêlos fios que falam? Onde estarão as matas? Sumiram! Onde estará a águia? Desapareceu! E o que se dizer adeus ao pônei arisco e a caça? Será o fim da vida e o início da sobrevivência.

    NÃO SERIA ESSE NOSSO DESTINO QUE ESTAMOS VIVENDO HOJE?

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  2. O que mais me impresionou neste texto foi essa parte que diz assim:

    Uma coisa sabemos: nosso deus é também o seu deus. A terra é preciosa para ele e magoa-lo é acumular sobre seu criador.

    O destino de vocês é um mistério para nós. O que acontecerá quando os búfalos forem todos sacrificados? Os cavalos selvagens, todos domados? O que acontecerá quando os cantos secretos da floresta forem ocupados pelo odor de muitos homens e a vista dos montes floridos for bloqueada pêlos fios que falam? Onde estarão as matas? Sumiram! Onde estará a águia? Desapareceu! E o que se dizer adeus ao pônei arisco e a caça? Será o fim da vida e o início da sobrevivência.

    NÃO SERIA ESSE NOSSO DESTINO QUE ESTAMOS VIVENDO HOJE?

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