Lapa, cidade da música
O circuito cultural do Samba e Choro da Lapa permite repensar a crise e as alternativas para a indústria da música e para o Estado do Rio de Janeiro. É possível identificar na trajetória de sucesso deste fascinante circuito pistas capazes de nos fazerem refletir sobre a importância estratégica da cultura e, em particular, da indústria da música local para o desenvolvimento de diferentes regiões do país.No contexto atual, em que o desafio de promover o crescimento equilibrado aparece como uma verdadeira obsessão para as novas gerações, este livro busca contribuir de alguma maneira para a reelaboração de políticas públicas mais efetivas e democráticas.
Abaixo, o texto da orelha do livro por Hermano Vianna:
“Que a indústria fonográfica tradicional está em declínio, disso ninguém duvida. Mesmo assim – no meio da crise – nunca se produziu e consumiu tanta música como hoje. Há certamente artistas e públicos para todos os estilos, contudo há obstáculos e problemas graves na mediação entre produção e consumo. A verdade é que o modelo desenvolvido pelas gravadoras no século XX não dá mais conta dos negócios. É esse contexto atual de crise e a necessidade de se buscar inovação que Herschmann avalia neste livro, dando importantes sugestões para entendermos o futuro da indústria da música.
Já há algum tempo, o público vem se conscientizando de que as novas músicas pop de periferia produzidas no Brasil – tais como o funk carioca, o tecnobrega paraense e o forró eletrônico cearense, entre outras – não dependem das grandes gravadoras e tampouco da grande mídia para manter sua enorme popularidade nas ruas e grandes festas da maioria das cidades do país. São novos business musicais (cada um com seu modelo diferente) apresentando propostas e soluções bem criativas para os dilemas gerais da indústria fonográfica. Entretanto, lendo Lapa, cidade da música, é possível constatar que outros gêneros musicais, com histórias mais longas e de maior credibilidade junto à crítica mais conservadora, vivem situações semelhantes, nas quais a “falta de apoio” tem obrigado os atores sociais a inventar outros novos modelos de negócios, em sua maioria dissociados do sistema que as majors gostariam de eternizar.
Apesar das dificuldades enfrentadas pelo setor musical no Brasil, o renascimento da Lapa e a visibilidade cada vez maior de uma nova geração de músicos de “samba-choro de raiz” evidenciam como – de forma inovadora, sem o incentivo do Estado ou das grandes gravadoras (e com a colaboração apenas da “mídia espontânea”) – estes atores sociais que atuam neste novo circuito cultural vêm conseguindo mudar a geografia da vida noturna do Rio de Janeiro.
Esse processo, que é resultante da articulação e ação de inúmeros agentes sociais, é estudado de forma detalhada e cuidadosa neste livro. O autor sugere, a partir de sua análise do caso da Lapa, que é preciso se apoiar soluções endógenas – afinal, elas foram o ponto de partida para se construir a “nova Lapa”, com grande sucesso. Um sucesso que deveria servir de lição para todos”.
Machado de Assis: afro-descendente
Duvido que alguém aqui tenha gostado de ler Machado de Assis quando adolescente. As professoras nos empurravam quase toda literatura brasileira do século XIX e nós tínhamos que ler. Certamente, muitos de nós que ainda poderiam ter aquele gostinho pela leitura despertado, tiveram, sim, o gosto solapado. Quem sabe o que estou falando entende perfeitamente.
Agora, se por acaso, assim como aconteceu comigo, você estiver com 25 anos e de repente vai procurar alguma coisa numa antiga prateleira de livros e lhe cai aos pés, diretamente da prateleira, um exemplar de O Alienista, que alguma Tia dos tempos do primeiro grau lhe mandou ler, pegue-o e leia. Você vai se maravilhar e não se contentará apenas com este livro do Machado de Assis.
O mais interessante é saber não apenas o que ele escreveu, mas também sobre a sua vida. Vejamos o que diz o livro Machado de Assis Afro-descendente:
“Mulato, neto de escravos alforriados, nascido livre no morro do Livramento, no Rio de Janeiro, em 1839; órfão, na adolescência trabalha como balconista e operário gráfico; autodidata, passa da oficina à redação e, daí, ao emprego público e à literatura. Considerado um dos maiores escritores da língua portuguesa, Machado de Assis é acusado de aburguesamento. Esta reunião de textos convida o leitor a reavaliar o posicionamento machadiano em relação à escravidão e às relações inter-raciais existentes no Brasil do século XIX”.
Este livro é uma coletânea de textos (poemas, contos, crônicas e ficção) que mostra a figura dos negros e mulatos em Machado de Assis e também promove uma revisão da, agora errada, afirmativa “Machado negava sua origem” ou coisa parecida. Pelo contrário, ele a afirma através de suas palavras e personagens, mesmo que estes sejam figurantes em vez de protagonistas.
Lê-se pouco na terra de Gabriel Gárcia Márquez
Lê-se pouco, os eventos culturais ficam lotados, o Plano de Bibliotecas é um sucesso e o preço dos livros representa 10% do salário.
Fonte de criação literária, de bons narradores e poetas, mas de poucos leitores. É uma parte dos paradoxos da Colômbia, onde o alto custo dos livros representa 10% do salário mínimo, o Plano Nacional de Leitura e Bibliotecas começa a ser um sucesso e o público costuma lotar os eventos culturais e participar, perguntar, debater.
Para surpresa de muitos, a última pesquisa de Hábitos de Leitura 2007 revela que os 42 milhões de colombianos passaram de ler 2,4 livros por ano em 2000 para 1,6 em 2005. O paradoxal é que nunca antes foram feitos tantos esforços para promover e fomentar a leitura. Isso deu origem a teorias segundo as quais os culpados seriam a situação econômica, o alto preço dos livros ou o pouco tempo para ler fora do trabalho.
Carmen Barvo, diretora da Fundalectura (instituição dedicada ao fomento da leitura), considera que o problema é a falta de hábito. “A idéia de que é importante popularizar o livro e a leitura é nova. Pela primeira vez na história deste país a leitura e as bibliotecas fazem parte de um plano de desenvolvimento e contam com um orçamento”, afirma. Para ela, o mais importante é que isto inclui não somente a construção de espaços, onde ficava o dinheiro, mas que o governo dota as bibliotecas de títulos, filmes, televisores e computadores.
Os diversos eventos literários que se realizam na Colômbia, como o Hay Festival de Cartagena e Bogotá39, que aconteceu no âmbito da Bogotá Capital Mundial do Livro, também ajudaram a chamar a atenção de um público que não tinha qualquer relação com a literatura.
Envolvimento editorial
Embora o mercado de livros na Colômbia seja muito pequeno, as editoras fazem cada vez mais esforços para tornar seus produtos mais acessíveis e conquistar novos públicos. Mas não funciona. “Estou convencido de que há um temperamento nacional, um ambiente que não convida à leitura”, diz o editor geral da Planeta Colômbia, Gabriel Iriarte Núñez. A isto soma-se que “os colégios ajudam pouco e as universidades menos ainda no fomento à leitura. E o império das fotocópias literalmente acabou com o texto universitário“, afirma. Não há outra maneira de explicar por que todos os setores da economia cresceram em um bom ritmo, enquanto o mercado editorial se manteve nos últimos três anos em um crescimento próximo de 8% ao ano.
A principal característica da indústria nestes últimos anos, segundo Iriarte, é que a oferta de livros de autores nacionais passou a ocupar um lugar de destaque, diferentemente do que acontecia em décadas anteriores. Hoje, um primeiro romance de um autor colombiano pode vender entre 1 mil e 1,5 mil exemplares, o que supera muitas vezes o que se vende de um autor estrangeiro editado pela primeira vez no país. Também há exceções, como “El Olvido que Seremos”, de Héctor Abad, que no último ano vendeu mais de 50 mil exemplares.
“Na Colômbia há uma explosão de autores jovens que sem dúvida é interessante, mas é cedo demais para julgá-la”, opina Marianne Ponsford, diretora da revista cultural “Arcadia”. As editoras praticamente brigam pelos novos nomes da literatura e do jornalismo, como contratações para um time de futebol. E a verdade é que essa nova geração está recebendo muito mais atenção da mídia que a anterior. O surgimento da “Arcadia”, junto com o da revista “Piedepágina”, também ajudou a dar maior destaque à leitura e aos livros.
Hoje é o único veículo exclusivo sobre meios culturais na Colômbia.
ps. No Brasil não é muito diferente.
Fonte [Folha de São Paulo - UOL]
Em blogs e e-mails, a classe em pé de guerra
O Globo - 19/04/2008 - por Miguel Conde
Notícias de plágios de tradução na Nova Cultural e na editora Martin Claret fizeram com que os tradutores iniciassem uma campanha de valorização da profissão. Bem à moda dos tempos atuais, é uma militância que tem sido exercida por meio de blogs e e-mails. Além de fazerem cotejos de traduções em páginas da internet, eles organizaram um abaixo-assinado com mais de 300 adesões e têm enviado mensagens a suplementos culturais reclamando sempre que uma reportagem ou artigo deixa de mencionar o nome do tradutor de um livro. O movimento se articula em torno do blog http://assinado-tradutores.blogspot.com
Polícia apreende 4 mil livros didáticos em SP
A Polícia Civil fez ontem, na região central de São Paulo, a maior apreensão do País dos chamados livros do professor, que não podem ser vendidos e estavam sendo comercializados em sebos. Foram recolhidos cerca de 4 mil exemplares de diferentes editoras. A blitz faz parte de campanha da Associação Brasileira de Editores de Livros (Abrelivros) e da Associação Brasileira para a Proteção dos Direitos Editoriais e Autorais (ABDR) que, por meio de denúncias, já apreendeu livros em Goiânia, Belo Horizonte e Fortaleza.
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Fonte [Abrelivros]
Uso de papel reciclado em livros poderá ser obrigatório
De acordo com o projeto, a cota inclui tanto a utilização do papel reaproveitado de sobras de papel produzidas pelo fabricantes antes do consumo, como o uso do produto obtido a partir da coleta após o consumo. “O Brasil pode melhorar seu desempenho no setor da reciclagem, e a criação de um mercado de papel reciclado nas editoras de livros pode contribuir para isso. É uma medida importante para o controle da poluição urbana”, reforça o parlamentar.
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Acervos literários comporão 17 mil bibliotecas de ensino médio
Mais de 7,7 milhões de alunos do ensino médio público terão em suas escolas acervos literários, obras de referência e de pesquisa de todas as áreas do conhecimento tratadas no currículo. Os livros, que comporão acervos com 139 títulos cada um, serão distribuídos pelo Programa Nacional Biblioteca da Escola para o Ensino Médio (Pnbem), uma das ações do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), lançado em abril de 2007.
(…) os estudantes terão acesso a títulos que vão de Os Botões de Napoleão: as 17 moléculas que mudaram a História, de autoria de Penny Lê Couteur e Jay Burreson, à obra completa do poeta João Cabral de Melo Neto; do Guia de Calorias de A-Z, de José Danon e Luciana Polini Hebeisen, ao romance Memorial do Convento, do português José Saramago, até O Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna.
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Fonte [Ministério da Educação e Cultura]
Projeto prevê compra de livros para professores - 24/01/2008
A Câmara analisa o Projeto de Lei 1649/07, do Senado, que propõe a recriação do programa Biblioteca do Professor pelo governo federal, para compra de livros de formação para professores da educação básica. A exemplo do que ocorre hoje com o Programa Nacional do Livro Didático, professores indicariam livros de referência a serem disponibilizados para reforçar os programas de formação e aperfeiçoamento dos professores da rede pública brasileira de educação.
Maiores informações no site da Câmara dos Deputados.
As estantes virtuais das bibliotecas
Fonte [O Globo]
Universalizar o acesso às obras disponíveis nas bibliotecas é a função dos braços virtuais de várias instituições culturais que, antes, só existiam no “mundo físico”. Atualmente, acervos preciosos como os da Biblioteca Nacional e das bibliotecas Lúcio de Mendonça e Rodolfo Garcia, da Academia Brasileira de Letras, estão disponíveis a um clique, esteja o indivíduo onde estiver. Dentro de cada uma delas, no universo digital, está a chance de conhecer obras raras, pesquisando por autor, título, assunto, local de publicação, data, coleção etc. A Fundação Biblioteca Nacional (FBN) está apostando na internet para promover a universalização do acesso a boa parte das obras de seu gigantesco acervo (que soma mais de dois milhões de livros).
A venda de livros aumentou em todo o Brasil
A boa notícia vem acompanhada de outra ainda melhor: o crescimento foi motivado por novos e jovens leitores.
Férias. E eles escolheram passar mais tempo entre os livros. Mas o que tanto procuram nessas páginas?
“Aventura e complicações que aí eu sempre fico mais excitada para saber”, diz Bruna.
“Gosto de ler livros sem figura e livro que tem muita página”, comenta Erick.
Diante de tanta curiosidade as máquinas andam a mil. A Associação Nacional dos Livreiros constatou que, no ano passado, a venda de livros cresceu 15%. Uma gráfica precisou de 400 toneladas de papel a mais.
Para o editor Sergio Machado, foi mais que novidade.
“Foi uma surpresa que a gente estava esperando há mais de 30 anos”, diz ele.
Os motivos? A isenção de alguns impostos sobre o livro, maior poder aquisitivo das classes C e D e o grande interesse da criançada e dos adolescentes, loucos por aventura.
“Acabou e muito em muitos colégios aquela coisa que todo mundo tem que ler o mesmo livro. Porque o que faz crescer a vontade de ler é você ler o que você quer”, afirma a livreira Claudia Amorim.
São vários os fatores que estimulam as crianças e os jovens a se interessar pela leitura. Mas um deles é fundamental: o hábito de ler começa a ser formado em casa, com o exemplo dos pais.
“É uma coisa que vem lá da família. Desde muito tempo. Eu fiz isso, as avós, a minha mãe, todo mundo, vem mesmo”, admite uma avó.
Bruna e Gabriel sabem disso. Ler em casa nem é novidade.
“Você desenvolve seu raciocínio, você pode se dar muito bem em português”, lembra Gabriel Antonelle, de 12 anos.
“Porque faz bem para a saúde. Para mim, leitura dá inteligência e é saudável”, afirma Bruna.
Fonte [Jornal Nacional, 21/01/2008]
Autora de Harry Potter vende manuscrito por US$ 4 milhões
Um livro ilustrado sobre magia escrito à mão por J. K. Rowling, autora da série Harry Potter, foi arrematado pelo preço recorde de 3,98 milhões de dólares em um leilão em Londres na quinta-feira, superando 40 vezes seu preço estimado.
“Os Contos de Beedle, o Bardo” é um livro mencionado em “Harry Potter e as Relíquias da Morte”, o último da série. Um exemplar da obra é deixado pelo professor Albus Dumbledore para Hermione, amiga de Harry.”
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Fonte [Reuters]
Retrato da Leitura no Brasil
O Sindicato Nacional dos Editores de Livros e a Câmara Brasileira do Livro estão elaborando uma nova pesquisa que irá traçar o retrato da leitura no Brasil. Em matéria do jornal Gazeta Mercantil, o coordenador geral do Livro e Leitura, Jéferson Assumção, afirma que o índice hoje pode ser bem diferente do apurado em 2001 e que registrava a leitura anual de 1,8 livro per capita no país. “Nós temos a expectativa de que esse número já seja maior”, disse o Assumção em entrevista à Agência Brasil. O resultado da nova pesquisa deverá ser anunciado no início de 2008.
As ações de estímulo ao hábito de leitura têm crescido em todas as regiões brasileiras. A constatação é da gerente do Prêmio VivaLeitura e representante da Organização dos Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI), Rosália Guedes. Para ela, as crianças de hoje têm uma nova visão sobre a literatura, e o livro não é mais encarado como um castigo. “Hoje é ler como cultura, ler como aprendizagem. Tem essa mudança social de visão do livro, essa preocupação até política”, ressaltou. Leia mais.
Livros Grátis
Um clube de livros na Internet, cujos membros cultivam a prática de deixar um livro em um local público para ser pego e lido por outros. Esse é o BookCrossing.com, que registra os livros e coloca uma identificação neles antes desta ação de incentivo à leitura. O leitor que encontrá-lo também deve fazer um registro, informando aos demais que o livro está em suas mãos. Com isso, é possível rastrear o trajeto dos exemplares, com os membros do BookCrossing.com formando uma comunidade virtual de leitores, onde podem trocar idéias sobre os livros que leram. O projeto integra o Eixo 1 (Democratização do acesso) do PNLL.
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9 Abril, 2008 at 1:37 pm
Estou procurando o seguinte livro, PASSERON, Jean-Claude. A Reprodução. Elementos para uma teoriado sistema de ensino. 2. ed. Tradução de Reynaldo Bairão. Rio de Janeiro, Francisco Alves, 1982. Podem me ajudar ? Atenciosamente
9 Abril, 2008 at 1:55 pm
Fernando, infelizmente só tenho como lhe ajudar com a indicação de um site contendo os sebos do Rio de Janeiro.
Acredito que uma busca por sebos na Internet possa vir a ser interessante.
http://riobr.com.br/cultura/sebos_rio.php