Recanto das Palavras

Rio 2016 – Orgulho de ser carioca

E não é que nós chegamos lá? Que me perdoem as outras cidades, mas beleza é fundamental e o Rio de Janeiro tem beleza para dar e vender. Foi emocionante ver a vibração e o entusiasmo que contagiaram todos os brasileiros.

 

Tudo bem, sempre haverá gente do contra. Mas, cá pra nós, era para ser agora mesmo. Não, não é ufanismo e muito menos patriotada o que escrevo. Falo, sim, do orgulho de ser brasileiro. Falo de poder ser contemporâneo dessa alegria coletiva. A primeira vez que me percebi contagiado por essa alegria foi em 1970, quando tinha 7 anos e assisti a vitória do Brasil na Copa do México. Ah, nem me importo se lágrimas rolaram hoje ao ver o resultado. Tô nem aí. Sou carioca!

Como disse o Millôr certa vez, ser carioca é um estado de espírito e os membros do COI, no momento em que cravaram o nome da Cidade Maravilhosa como sede para as Olimpíadas de 2016, mostraram que não importa em que lugar nasceram, foram todos cariocas nesse momento. Portanto, há cariocas-germânicos, cariocas-senegaleses, cariocas-franceses e, acredite, cariocas-portenhos.

Minha alma canta… vejo o Rio de Janeiro.

O Brasil não será o país do futuro como pregou o escritor austríaco Stefan Zweig, que veio parar nestas plagas tupiniquins, após ser perseguido por questões políticas. O Brasil é país que mais tardou a construir o seu futuro e acredito que agora poderá delimitar: O nosso futuro começou no século XXI.

Os olhos do mundo estarão voltados para este país que é o primeiro da sigla BRIC, que denomina os países emergentes neste início de século. Ah, meu Brasil brasileiro… Chegou mesmo a hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor.

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Racismo e esporte

O racismo é uma coisa nojenta, amorfa e dissimulada na maioria da vezes. Em se tratando das relações humanas muito dificilmente um grupo aceita alguém de fora que seja diferente. E quando isso se dá, é porque foi criado um juízo de valor de que o diferente é pior, não presta, é sujo e tudo o mais que possa haver de pejorativo e excludente.

Ao mesmo tempo, por ser em muitas vezes uma coisa sem forma, hoje, já há quem seja da KKK e não considere o Obama como sendo negro. Estranho, não? Mas é a mesma visão que temos numa cena do filme “Faça a coisa certa” (Do The Right Thing), do Spike Lee. Para quem não viu ou pretende ver, a cena se passa dentro da pizzaria do Sal (Dani Aiello) e um de seus filhos, Pino, interpretado pelo excelente ator John Turturo, discute com Mookie, o entregador de pizza negro, interpretado pelo diretor Spike Lee, o quão negro ele, Pino, seria apesar da origem italiana. E como exemplo, pede para que ele cite seus ídolos: No basquete, Magic Johnson; no cinema, Eddie Murphy; na música, Prince e por aí vai, até que Pino tenta criar uma teoria para dizer que estes e outros negros não são bem negros. São, digamos, diferentes. Por acaso, a música, o cinema, o esporte e outros campos de atividade têm cor? O que conta é o talento, certo?

Infelizmente não encontrei uma versão com legendas.

Apenas a título de curiosidade, nesse mesmo filme também há um personagem que é um daqueles negros que embarcam na onda de Black Power, mas sem grande informação, interpretado pelo ator Giancarlo Esposito, que apesar do nome italiano é negro e, nos bastidores do filme, para quem tem a versão oficial em DVD, percebe que o Dani Aiello até se espanta ao saber que o Giancarlo nasceu em Copenhague (Dinamarca) resultado de um casamento entre uma negra norte-americana e um italiano. O mesmo espanto, guardada as proporções, é claro se deu comigo ao saber que um entregador de uma editora que eu conheço tinha um sobrenome italiano. Achei interessante e perguntei o motivo e ele me respondeu: é do meu avô. Foi aí que eu me dei conta que parte dos imigrantes italianos que vieram para o Brasil também se estabeleceram no Rio de Janeiro e, ali na altura do morro da Providência (Centro), havia uma colônia italiana em integração com moradores da região que tinham origem africana (ex-escravos e seus descendentes).

Lógico que no campo do esporte e da cultura negros se destacam. Muitos tiveram apenas esta oportunidade para “chegarem lá”. Agora, o chato mesmo é ver que, num esporte, o futebol, que é o esporte mais popular do mundo, grupos racistas incitem a violência por questões raciais. A violência no esporte, por si só, não é coisa que deveria acontecer; mas não podemos negar que o esporte coletivo, é, digamos, um traço cultural das batalhas entre grupos e clãs que se diferenciavam não apenas por questões étnicas, mas também sociais ou econômicas. Assumiam cores, estandartes e símbolos pelos quais nutriam adoração e que desejavam fazer prevalecer sobre seus oponentes.

Recentemente, na Alemanha, um clube de futebol de uma cidadezinha de 800 habitantes teve a genial ideia de realizar uma partida amistosa e grupos neonazistas decidiram que perturbariam o ambiente. Uma lástima, pois essa cultura raivosa de achar que cor de pele é motivo para mensurar caráter ou vida é algo que não deveria mais existir. Porém, infelizmente, essa praga se espraia novamente e, hoje, no globalizado esporte coletivo, a ação de racistas chegam as raias da insanidade.

A coisa não é nova, mas não se encaixa mais, a meu ver, em qualquer campo de atividade. Torcidas que imitam macacos quando um jogador negro toca na bola – como fez a torcida do Grêmio no jogo contra o Cruzeiro – ou arremessar cachos de banana em campo, são provocações que só servem para demonstrar o nível da mediocridade humana. Essas mesmas bestas se esquecem que, ao berrarem para todos os gringos, que somos pentacampeões é porque o Brasil, a Seleção Brasileira, foi a síntese da mescla, da mistura, da união de etnias e o maior jogador de futebol de todos os tempos é negro e o Garrincha, o segundo maior era cafuzo, uma mistura de índio com negro. Então, por qual motivo essa idiotice de fazer mímica de macacos, ainda mais num estado em que o maior símbolo do folclore é o Negrinho do Pastoreio? Idiotice pura!

Escrevo este artigo após ter lido um outro artigo sobre o tal time da cidadezinha alemã na Spiegel Online. Vejam, por exemplo, a quantidade de notícias no G1 sobre o racismo nos esportes. É alarmante, quando sabemos que o atual campeão de Fórmula 1 é um negro, a final do torneio feminino de tênis de Wimbledon será disputada por duas negras e o maior jogador de basquete de todos os tempos é negro.

Em seu livro, O Negro no Futebol Brasileiro, Mario Filho, o jornalista que dá nome ao maior estádio de futebol do mundo, o Maracanã, nos apresenta as razões pelas quais somos uma potência futebolística. É justamente pela presença do negro, e outros intelectuais como Gilberto Freyre afirmavam que essa é uma verdade incontestável. Conta, Mario Filho, que muitos negros não eram aceitos nos clubes de futebol, que era um esporte das elites brancas, mas, que, com o passar do tempo e o friedenreich surgimento do profissionalismo essas besteiras foram acabando, mesmo que no campeonato carioca uma cisão tenha acontecido justamente por este motivo, ou os dois, o profissionalismo e o racismo. O próprio negro não se reconhecia como negro para poder participar desses grupos. Conta que Friendereich, o maior jogador brasileiro de futebol da era amadorística, era um mulato filho de um alemão com uma negra e que, antes de cada jogo, passava horas alisando o cabelo para parecer menos negro. E há também o folclórico, mas verídico, caso dos jogadores do Fluminense que usavam pó de arroz para “clarear” a pele.

Ainda no campo de futebol brasileiro, até antes de ganharmos a primeira Copa do Mundo, em 1958, na Suécia, alguns “inteligentes” dirigentes de futebol temiam que a presença de negros na seleção nos fizesse apresentar uma imagem ruim do Brasil – barbaridade!!! –, e que também perderíamos a Copa, assim como as anteriores, devido ao banzo, aquela saudade ancestral que acometia os negros que vinham da África para serem escravos na lavoura ou nas minas. E o que foi que aconteceu? Um negro de 17 anos e um cafuzo das pernas tortas encantaram o mundo. O maior jogador dessa Copa, escolhido pela Fifa, foi o Didi, um negro.

Quando o Uruguai ganhou a Copa do Mundo de 1930, a primeira, havia um jogador negro no time titular, o meio-campista José Andrade. Portanto, a presença do negro no futebol, faz este esporte ser este esporte. Assim como outros representantes de outra etnias, mas isso não impede que as bestas racistas vejam a importância do esporte como congraçamento humano.

A perseguição não se dá apenas aos negros, mas aos judeus também. Por exemplo, o clube inglês Tottenham tinha – e ainda tem – uma ligação com os judeus ingleses. Por isso, durante décadas, as torcidas adversárias cantavam músicas pejorativas e incitavam violência contra seus jogadores. Quanta idiotice, não?

Façamos a coisa certa. Sejamos, antes de tudo, seres humanos.

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Estados Unidos não aceitam derrota nas Olimpíadas de Beijing 2008

Desde 1936, nas Olimpíadas de Berlim, que os Estados Unidos lideravam o quadro de medalhas. A evolução esportiva da antiga União Soviética e alguns de seus satélites como a finada Alemanha Oriental, que competiam ferozmente pela supremacia olímpica contra os EUA, não foram capazes de fazer esse país perder a majestade esportiva e, digamos, a empáfia que parece ser permanente.

moscou80

A única vez, nos últimos 72 anos, que não lideraram uma Olimpíada foi em 1980, nas Olimpíadas de Moscou, quando o presidente Jimmi Carter decretou o boicote a esse evento devido a questões de política internacional. A União Soviética invadira o Afeganistão um pouco antes.

Na Olimpíada seguinte, a de 1984 em Los Angeles, foi a vez dos Soviéticos fazerem o mesmo, o que só deu mais medalhas para os EUA, como numa quase compensação ao fato de não terem ganho uma sequer na anterior.


Quadro de medalhas apresentado pelo New York Times

Hoje, após o término das Olimpíadas de Beijing (eu ainda prefiro falar Pequim), os Estados Unidos não querem admitir que foram derrotados por um país que se preparou para isso. O quadro de medalhas é apresentado nos principais jornais norte-americanos (leia o artigo Quadro de medalhas manipulado-Olimpíadas 2008 Beijing) , mostrando os EUA como primeiro colocado em número de medalhas. Esta foi a forma que encontraram para dizer que ainda são os grandes campeões olímpicos de todos os tempos.

O quadro de medalhas sempre serviu para que o mundo soubesse quem fora o grande vencedor, sempre de acordo com o padrão Ouro, isto é, o maior número de medalhas de ouro conferia a posição no quadro de medalhas. Portanto, a China foi a grande vencedora, pois conquistou mais medalhas de ouro do que os EUA, o segundo colocado, que obteve 36 medalhas de Ouro, contra 51 dos chineses.

Portanto, os EUA estão contando o somatório geral de medalhas, não importando qual seja o metal, para se colocarem no topo com 110 medalhas, contro um total de 100 medalhas dos chineses.

marion-jones O que isto tudo demonstra? Em minha opinião, demonstra que os EUA já não são mais a potência olímpica de antes; outros países estão se esforçando para ter mais e melhores atletas em todas as modalidades. Ao mesmo tempo, acredito que a cerrada marcação do COI (Comitê Olímpico Internacional), na questão do dopping, esteja afastando aqueles atletas que tomavam bomba para ter um desempenho melhor. Os EUA podem ter sido fortemente afetados por isso. Vide o último caso daquela corredora, a bela Marion Jones, que nas Olimpíadas de Sidney, Austrália, em 2000, ganhou várias medalhas de ouro, e que acabou levada aos tribunais e presa por ter se dopado.

Agora, esperemos mais quatro anos, nas Olimpíadas de Londres, em 2012, para comprovarmos esses e alguns outros fatos que provavelmente surgirão. Como o vexame nos revezamentos 4×100 masculino e feminino, nos quais foram eliminados por deixarem cair os bastões e verem os jamaicanos ganharem as principais provas de velocidade no atletismo, competições que os EUA dominavam literalmente com um pé nas costas.

* A imagem de Micha, o mascote das Olimpíadas de Moscou, está no blog
Tudo Sobre Natação.

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Quadro de medalhas manipulado-Olimpíadas 2008 Beijing

Ao que parece, os EUA não admitem que outro país tenha vencido as Olimpíadas e, por isso, os principais jornais desse país mudaram a forma como classificar a ordem no quadros de medalhas para, assim, aparecerem como os vencedores desta Olimpíada.

O restante do mundo manteve a contagem tradicional e verdadeira.

Desde que me entendo por gente e vejo olimpíadas, o país que vence é o que tem o maior número de medalhas de ouro. Entretanto, esse ano, como os EUA não conseguiram ter mais medalhas de ouro que a China, o quadro de medalhas foi manipulado e a contagem, segundo os comedores de rotidógui, mudou para quem tem mais medalhas não importando o se é de ouro, prata ou bronze.

Compare os quadros:

New York Times

Clique para ver completo

The Times (Inglaterra)

Clique para ver quadro completo

Le Monde (França)

Clique para ver quadro completo

Terra (Brasil)

Clique para ver quadro completo

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Vôlei Feminino de Ouro: Mulher Brasileira em Primeiro Lugar

Até que enfim o vôlei feminino do Brasil ganhou uma medalha de ouro olímpica.

Agora chegou a vez
Vou cantar
Mulher brasileira
Em primeiro lugar…(4x)

₢ GloboEsporte

 

Ao perdemos para a Rússia em Atenas 2004, na semifinal, quando vencíamos o último set por 24×19 e as russas viraram o jogo, confesso que fiquei decepcionado e achei que nunca mais chegaríamos lá. Hoje, quando elas, as meninas do vôlei, perderam um set, o único perdido em toda campanha dessa Olimpíada, eu pensei com os meus botões: “Pronto, voltou o complexo de vira-lata”. Este foi o conceito que o Nelson Rodrigues criou para dizer que nós, brasileiros, nos postávamos diante das grandes disputas esportivas e enfiávamos o rabo entre as pernas. Esse complexo de vira-lata só acabou quando ganhamos primeira Copa do Mundo. Porém, de vez em quando sentimos, digamos, uma saudade atávica daquela baba viscosa que escorre dos ruminantes que ficam esperando a morte da bezerra sem pensar em nada mais. Repito: Ainda bem que o vôlei feminino ganhou a medalha de ouro.

₢ GloboEsporte

Norte a sul
Do meu Brasil
Caminha sambando
Quem não viu
Mulher de verdade
Sim senhor!
Mulher brasileira
É feita de amor…

Outra confissão que faço está relacionada a Maurren Maggi, que ao ser pega no antidoping, eu pensei: “Pronto. Já era. Essa aí nunca mais faz nada”. E o que vimos? Vimos uma mulher que lutou e superou os revezes e conquistou uma medalha de ouro olímpica por seu esforço e determinação.

E o que dizer da primeira medalha individual de uma mulher brasileira, conquistada em todos os tempos,  pela judoca Ketleyn Quadros, em Olimpíadas? Sensacional!

kaytlen_uol   

Sei que muitos acharão que é breguice, e eu digo que é breguice mesmo, mas a música que me veio à mente quando pensei em escrever esse artigo foi uma do, perdão da má palavra, Benito di Paula, que serve como título.  Mas, como todo fubá tem seu dia de araruta, e hoje é dia de festa, vamos lá:

Mulher Brasileira
Composição: Benito Di Paula

Agora chegou a vez
Vou cantar
Mulher brasileira
Em primeiro lugar…(2x)

Norte a sul
Do meu Brasil
Caminha sambando
Quem não viu
Mulher de verdade
Sim senhor!
Mulher brasileira
É feita de amor…

Agora chegou a vez
Vou cantar
Mulher brasileira
Em primeiro lugar…(7x)

Ah, sim. Não nos esqueçamos do futebol feminino e todas as outras atletas que ganharam medalhas nesta Olimpíada. Elas foram guerreiras e suaram sangue. O ouro não veio mais uma vez, mas foram muito mais dignas de vestir a camisa amarela do que aquela mulambada que levou um baile da Argentina na semifinal do futebol masculino, nas Olimpíadas de Pequim 2008.

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