Recanto das Palavras

Bach e Mozart: aqui jazz

Eu sempre me impressiono com a capacidade que os músicos tem de se sentirem felizes enquanto tocam seus instrumentos. Eu, particularmente, nunca vi um músico, de tocador de caixa de fósforos – se você não sabe, requer afinação – até um concertista, tocarem seus instrumentos de cara amarrada.

Desde que começamos a perceber que tínhamos ritmo, inventamos os primeiros instrumentos musicais. E como dizem que quando tocam para Deus, os anjos tocam Bach, mas para si e entre si tocam Mozart, gostaria de apresentar duas peças musicais;  uma inspirada em Mozart e a outra do próprio Bach, em versões jazzísticas desses dois gênios, parafraseando Nelson Rodrigues "Há seis mil anos estava escrito" que ambos influenciariam a música até a eternidade.

Blue Rondo a la Turk, inspirado em Rondo alla turca, de Mozart e que abre o antológico álbum Time Out, do The Dave Brubeck Quartet e Air in G string (Suíte nº 3 para orquestra, em Ré Maior BWV 1068). , com o Modern Jazz Quartet e Swingle Singers.

Blue Rondo a la Turk

 

Air in G String (Suíte nº 3 para orquestra, em Ré Maior BWV 1068). O vídeo Fuga ad Alcatraz, que foi feito tendo a música como pano de fundo é muito bacana.

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Egberto Gismonti, uma síntese musical do Brasil

O Egberto Gismonti tem a capacidade de sintetizar o Brasil em sua música . É muito difícil não sentir o cheiro da terra, o sabor de nossa comida, o jeito de nosso povo ao ouvir suas composições. Eu nem vou falar que ele é um virtuose, pois sou seu fã há muito tempo.

sonho, egberto gismonti Uma das primeiras aquisições que fiz quando comecei a trabalhar – Menor estagiário do Banco do Brasil – foi comprar um LP seu, pois eu escutava muito na casa de vizinhos a música “Sonho”, que dá nome ao LP citado. Depois fui comprando outros de seus discos. E, se você ainda não tem, trate de correr para a primeira loja de discos e comprar, ou encomendar, o CD em que ele gravou músicas do Villa-Lobos. A gravação do Trenzinho do Caipira é sensacional.

Há alguns meses eu criei um slide sobre a Lapa e seus murais e utilizei como tema musical, a gravação de Palhaço. Música que, segundo um comentário feito no Youtube, cria uma atmosfera de tristeza e alegria ao mesmo tempo. Perfeita esta definição. Você pode ouvir ao ver os slides aqui no Recanto das Palavras.

A emoção que sua música provoca ultrapassa fronteiras. No caso específico, trata-se da versão ao vivo de Palhaço, para a televisão alemã. Colhi alguns exemplos nos comentários do Youtube. Preferi os que estão em castelhano para uma melhor compreensão do que acabei de dizer.

Por que al escuchar esta cancion siento una tristeza tan grande dentro de mi? Pero al mismo tiempo tanta alegria, tanta felicidad por tanta belleza!!!

No vieron cómo toca?
Es la reencarnación viva de uno de aquellos genios, un medium inspirado, un poseído por la fuerza magnética irresistible de las armonías de la naturaleza, un maestro que al igual que ayer Bartok y tantos otros aún hoy realiza estudios de campo para dotar a su música de la infinita belleza de la naturaleza…

Con esta maravillosa pieza me acerque por primera vez a este artista, al mismo tiempo leia La Encilopedia de los Muertos de Danilo Kis. Tanta belleza y nostalgia se fundieron dentro de mi y me produjeron un placer celestial.

Outra de suas músicas que é emocionante é “Loro”, uma reminiscência dos tempos de infância. Veja o vídeo e se emocione.

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Os Roqueiros Morrem aos 27

Livro relata e analisa a carreira de vários músicos que morreram aos 27 anos.

Quando eu era guri, lembro de uma propaganda antidrogas que passava na televisão informando que três ídolos do Rock – Jimi Hendrix, Jim Morrison e Janis Joplin –,  morreram jovens aos 27 anos. Morreram em consequência de overdose. Lembrei desse anúncio ao tomar conhecimento do livro The 27s: The Greatest Myth of Rock & Roll, de Eric Segalstad, que passou alguns anos pesquisando sobre essa estranha coincidência que reúne músicos de talento e a morte justamente aos 27 anos, por excessos, desventuras e dramas. O autor até criou um site chamado The 27’s, em que reúne todos esses e outros mitos como Kurt Cobain, por exemplo, que cometeu suicídio há 15 anos. O site é excelente.

slidenprrockClique sobre a imagem para ver um slide show

O autor propõe uma análise para o número 27 que, segundo declarou numa entrevista ao NPR, "É um número estranho", e ainda completa informando que esta seria a idade em que o jovem começa a passagem para uma idade mais madura e, de uma forma que não se pode explicar, eles não conseguem. Nem todos morreram devido aos excessos da conjunção Sexo, Drogas e Rock and Roll. Alguns tiveram morte por acidente ou acontecimentos trágicos, como o do vocalista punk Mia Zapata, assassinado em Seattle, em 1993. Também há alguns casos de roqueiros que não eram exagerados, mas que foram vítimas do negócio do Rock, isto é, agentes e empresários gananciosos que roubaram tudo que podiam e, como no caso Pete Ham do Bandfinger, cometeu suicídio ao se enforcar, devido a uma grande depressão por saber que fora passado para trás.

Nem todos os roqueiros puderam cantar When I´m 64, dos Beatles.

Quando eu ficar mais velho, perdendo meus cabelos
Muitos anos adiante
Você ainda irá me mandar presentes no dia dos namorados,
Saudações no aniversário, garrafa de vinho?
Se eu estiver fora até quinze pras três
Irá trancar a porta?
Você ainda irá precisar de mim, ainda irá me alimentar
Quando eu estiver com sessenta e quatro?

Janis Joplin declarou que "as pessoas gostam de saber que seus ídolos levam uma vida um tanto miserável – ao estilo blues, com muita melancolia -, e isso as faz sentir que expressam seus sentimentos. É uma profissão perigosa".

Ao contrário do que muitos podem pensar, o livro não é um relato deprimente, mas sim uma forma de celebrar o talento desses músicos.

Agora, se você não sabe,um dos nossos maiores gênios musicais, o Noel Rosa, também morreu aos 27 anos, em 1937, vitimado pela tuberculose, devido a sua vida de boemia e amores desafortunados.

Incrível mesmo é o caso do Keith Richards. Ainda está vivo!

* Este artigo foi escrito baseado na tradução feita por mim, da matéria Before I Get Old: ‘The 27s’ Made Early Exits, que saiu no NPR.

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O Verão chegou. Lá vem o Sol!

Chegou a estação do ano mais esperada pelos brasileiros, o verão! Somos seres tropicais, os trópicos são a nossa casa e, portanto, o calor, os dias longos, as repentinas e fortes chuvas marcam os três meses que vão do solstício de verão, 21 de dezembro, até o equinócio de outono, em 20 de março no hemisfério sul. Todos estes fatos são apenas um refresco, um motivo a mais para esperar a renovação, pois a água e o calor são purificantes para os espíritos e mentes. Como diz a letra da música, lá vem o Sol.


Você pode clicar sobre a imagem para ouvir as músicas enquanto lê o artigo. 
Uma nova janela abrirá o
Recanto das Palavras Galeria.

Como toda seleção é subjetiva, que o digam os técnicos de futebol cabeçudos que insistem em esquemas que acorrentam o nosso futebol, escolhi algumas músicas que falam em verão, sol, amores de verão, mar. As músicas escolhidas foram:

  1. Here Comes The Sun – Beatles

  2. Lá Vem o Sol – Versão do Lulu Santos para Here Comes The Sun (interpretação do Brazilian Love Affair Project)

  3. Summersamba/So Nice (Samba de Verão) – Marcos Valle (interpretação de Astrud Gilberto)

  4. Uma Noite e Meia – Marina Lima (interpretação de Claudinho e Buchecha)

  5. Wipeout – The Surfaris

  6. Como Uma Onda – Tim Maia

  7. Summer Breeze – Seals & Croft

  8. Verão (As Quatro Estações. Concerto Nº 2 G Menor) – Antônio Vivaldi

  9. Summer 68 – Pink Floyd

E por causa do verão, minha pequena querida, o sorriso voltou ao seu rosto, por que aí vem o Sol, já cantavam os quatro ingleses que moravam naquele frio porto da Inglaterra. Você viu só que amor? Nunca vi coisa assim… Imagine isso numa calçada à beira da praia. Você ali paradão vendo a vida e sabendo que nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia (tenho certeza absoluta que o Nelson Motta, o compositor, leu Heráclito antes de escrever este verso) e todas de bundinha de fora. Por isso que os gringos endoidam quando ultrapassam a linha do Equador, em direção ao sul.

O verão pode marcar o início de um amor, como no samba de verão; ou um reencontro do tipo podemos ser amigos simplesmente. Ressentimentos são como vento. São coisas de momento. São chuvas de verão. Mas, também, o verão pode marcar uma despedida, como a do verão de 68, que cantam os caras que se inspiraram, segundo a lenda, nos nomes de dois bluesmen, Pink Anderson e Floyd Council. Além disso, a brisa do verão faz sentir bem.

Peço perdão por não encontrar registros na internet para “chuvas de verão”, de uma forma que pudesse utilizar e mostrar “Chuvas de Verão”, do Fernando Lobo e, também, por apenas ter encontrado a versão de Claudinho e Buchecha para “Uma noite e meia”, da Marina Lima.

É isso aí: o verão chegou!

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Quando pensei que Simply Red fosse uma cantora negra

Há muito tempo, quando voltava da praia, o rádio do carro começou a tocar uma música, que não lembro o nome mas lembro do comentário que fiz ao ouvir a canção: “Pô, essa negona canta pra caramba”. Só quando anunciaram o nome da música e quem cantava, eu fiquei sabendo que a tal negona era, na verdade, um inglês chamado Simply Red ou Mick Hucknall. O cara é ruivo; porém, o timbre da sua voz naquela canção era muito parecido com o timbre das cantoras negras norte-americanas.

Eu poderia enumerar todas ou várias, mas preferi fazer o contraste entre algumas cantoras negras e cantores, ou músicos brancos, como nos vídeos abaixo.

Dizem, por exemplo, que Frank Sinatra era fã de carteirinha da Billie Holiday, da mesma forma que adorava cantar junto com Ella Fitzgerald.

Ao mesmo tempo, vemos que uma levada mais Rythm & Blues, para Jumping Jack Flash, dos Rolling Stones, na voz da Aretha Franklin recebe um molho totalmente diferente e saborosíssimo.

Vemos, também, numa antiga canção do Stevie Wonder, a Mari Jay Blige dar uma jantada no George Michael; quer dizer, acrescentar um balanço e uma sonoridade muito bacana para essa música.

E, para encerrar, caso contrário ficaria dias e dias apontando essas maravilhosas vozes negras femininas, Oleta Adams junto com o Tears For Fears, em Woman In Chains. Espero que gostem.

Simply Red – Everytime we say goodbye

Aretha Franklin e Keith Richards – Jumpin’ Jack Flash

Frank Sinatra e Ella Fitzgerald – Can´t We Be Friends

George Michael e Mary J. Blige – As

Tears For Fears e Oleta Adams

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