Recanto das Palavras

Que tal um sambinha em inglês?

Ouça a versão de Ever Fallen in Love, do Fine Young Cannibals, interpretada pelo grupo francês Nouvelle Vague em um jeito bem sambalanço com a deliciosa voz de Melanie Pain, que parece sussurrar em nossos ouvidos.

Não podemos esquecer do Matt Bianco, que na década de 1980, andou compondo umas Bossas Novas em inglês e ganhou o mundo com música como Half a Minute, que conhecemos na voz da polonesa Basia.

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O Verão chegou. Lá vem o Sol!

Chegou a estação do ano mais esperada pelos brasileiros, o verão! Somos seres tropicais, os trópicos são a nossa casa e, portanto, o calor, os dias longos, as repentinas e fortes chuvas marcam os três meses que vão do solstício de verão, 21 de dezembro, até o equinócio de outono, em 20 de março no hemisfério sul. Todos estes fatos são apenas um refresco, um motivo a mais para esperar a renovação, pois a água e o calor são purificantes para os espíritos e mentes. Como diz a letra da música, lá vem o Sol.


Você pode clicar sobre a imagem para ouvir as músicas enquanto lê o artigo. 
Uma nova janela abrirá o
Recanto das Palavras Galeria.

Como toda seleção é subjetiva, que o digam os técnicos de futebol cabeçudos que insistem em esquemas que acorrentam o nosso futebol, escolhi algumas músicas que falam em verão, sol, amores de verão, mar. As músicas escolhidas foram:

  1. Here Comes The Sun – Beatles

  2. Lá Vem o Sol – Versão do Lulu Santos para Here Comes The Sun (interpretação do Brazilian Love Affair Project)

  3. Summersamba/So Nice (Samba de Verão) – Marcos Valle (interpretação de Astrud Gilberto)

  4. Uma Noite e Meia – Marina Lima (interpretação de Claudinho e Buchecha)

  5. Wipeout – The Surfaris

  6. Como Uma Onda – Tim Maia

  7. Summer Breeze – Seals & Croft

  8. Verão (As Quatro Estações. Concerto Nº 2 G Menor) – Antônio Vivaldi

  9. Summer 68 – Pink Floyd

E por causa do verão, minha pequena querida, o sorriso voltou ao seu rosto, por que aí vem o Sol, já cantavam os quatro ingleses que moravam naquele frio porto da Inglaterra. Você viu só que amor? Nunca vi coisa assim… Imagine isso numa calçada à beira da praia. Você ali paradão vendo a vida e sabendo que nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia (tenho certeza absoluta que o Nelson Motta, o compositor, leu Heráclito antes de escrever este verso) e todas de bundinha de fora. Por isso que os gringos endoidam quando ultrapassam a linha do Equador, em direção ao sul.

O verão pode marcar o início de um amor, como no samba de verão; ou um reencontro do tipo podemos ser amigos simplesmente. Ressentimentos são como vento. São coisas de momento. São chuvas de verão. Mas, também, o verão pode marcar uma despedida, como a do verão de 68, que cantam os caras que se inspiraram, segundo a lenda, nos nomes de dois bluesmen, Pink Anderson e Floyd Council. Além disso, a brisa do verão faz sentir bem.

Peço perdão por não encontrar registros na internet para “chuvas de verão”, de uma forma que pudesse utilizar e mostrar “Chuvas de Verão”, do Fernando Lobo e, também, por apenas ter encontrado a versão de Claudinho e Buchecha para “Uma noite e meia”, da Marina Lima.

É isso aí: o verão chegou!

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Rio de Janeiro, patrimônio mundial da humanidade

O WordPress já sabia. Tanto que, ao editar uma imagem num post, quando você clica sobre ela surgem dois ícones, um deles é o Pão de Açúcar. Portanto, não há carioca, nascido aqui ou não, que deixe de querer ver a Cidade Maravilhosa como Patrimônio Mundial da Humanidade. Em breve, a Unesco poderá escolher o Rio de Janeiro como um desses patrimônios. O que isso representa? Muito! É, antes de tudo, um reconhecimento para com uma das mais importantes metrópoles do mundo, um das primeiras cidades que surgiram no Novo Mundo e capital do país por dois séculos.

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A Natureza foi pródiga com a cidade. Não é em qualquer lugar do mundo que se tem um relevo e geografia com tantos privilégios naturais. Não é qualquer cidade do mundo que tem, não apenas uma, mas duas florestas urbanas completas – os maciços da Pedra Branca e da Tijuca. 

Localize o Rio de Janeiro no Google Maps usando as seguintes coordenadas:

-22°56′56″ -43°09′23″

Quase todas as cidades do mundo têm uma, ou duas, músicas que as representa. Paris tem várias, New York também, Roma idem. O Rio de Janeiro tem uma coleção completa. Que vai desde Cidade Maravilhosa, marchinha de Carnaval que virou hino da cidade até a mundialmente famosa Garota de Ipanema, de Tom e Vinícius. Isso para não falar em Copacabana, a princesinha do mar.

O Cristo Redentor é uma das 7 maravilhas do mundo moderno.

Minha alma canta… Façamos do Rio de Janeiro um patrimônio mundial da Humanidade.

Ser carioca não é apenas nascer no Rio de Janeiro. Ser carioca é um estado de espírito. Portanto, cariocas de todos os quadrantes e latitudes, agora é a hora de fazer algo em prol desta cidade que é a mais bela do mundo. 

Você pode ser alemão, italiano, argentino, norte-americano, francês, grego, palestino, israelense, gaúcho, paulista e paulistano, amazonense, baiano, boliviano, guatemalteco, inglês ou australiano, moçambicano, lituano, russo, esloveno, romeno, georgiano, ganenense, ugandense, filipino, japonês, chinês e até mesmo marciano. Se você vive sorrindo, ama a vida e a Natureza e tudo mais é motivo para congraçamento, saiba que você é um carioca nato!

Aqui pele é questão de amor e não de ódio. Branco, preto, amarelo e vermelho. Isso é o Rio de Janeiro.

 

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Samba, Samba: a história da música brasileira

Programa original da BBC, chamado Brasil, Brasil: Samba to Bossa narrado em Inglês com legendas em Português, que foi divido em 6 partes de aproximadamento 10 minutos, em que a música brasileira é analisada desde a origem do Samba até a Bossa Nova; contando com depoimentos de historiadores e músicos como Paulinho da Viola, Carlos Lyra, Roberto Menescal entre outros. Além disso, são apresentadas as várias “músicas” do Brasil, de Norte a Sul, bem como a forma pela qual os vários governos se aproveitaram dessa manifestação cultural. Atenção ao fato de Getúlio Vargas ter percebido que a música seria um fator de integração nacional. 

“Um documentário sobre música brasileira e músicos brasileiros, procurando a verdadeira identidade do Brasil através de sua música – a música como uma metáfora cultural e nacional do verdadeiro eu. Muito interessante e por vezes revelando mesmo para nós brasileiros” (Salmax, em seu canal do Youtube).

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Músicas Brasileiras, Latino-Americanas e os Gringos

Você talvez não imagine, mas os Beatles gravaram bolero. Os Rolling Stones e os Talking Heads, cada qual, usaram ponto de macumba nos arranjos de uma de suas músicas mais famosas, além do fato dos gringos sempre aparecem por aqui para beber na fonte e reinventarem sua música.

Foi pensando nisso e lembrando de outras músicas decidi organizar uma coletânea musical, que considero um passeio pelo mundo da música de origem latino-americana, que traz músicas gravadas, compostas ou arranjadas por gringos e que contenham pitadas latinas. São 18 gravações que você pode ouvir no Recanto das Palavras Galeria. Será aberta uma nova janela e você poderá continuar lendo aqui. Espero que gostem. Se tiverem sugestões e críticas, será melhor ainda.

Recanto das Palavras Galeria

 
Clique sobre a imagem para ouvir as Músicas

Também preferi fazer uma divisão tendo por base o aspecto geocultural da América Latina, cuja fronteira fica mais ao Norte, justamente no Rio Grande, o curso de água que separa o México dos Estados Unidos, marcando, assim, uma fronteira cultural, social, política e econômica em vez da divisão em hemisférios Norte e Sul.

Brasil

O Brasil inicia a série com a gravação de Garota de Ipanema por Frank Sinatra, tendo Tom Jobim no violão, acompanhando e cantando em Português na parte final. Eu preferi esta à gravação feita por João Gilberto, Astrud Gilberto e Stan Getz.

Em seguida, um quase samba-canção, a música Happy Man, do conjunto Chicago que à época, início dos anos 70, contava com o percusionista brasileiro Laudir de Oliveira em sua formação e que sugeriu um molho diferente para esta composição de Peter Cetera.

rollistoneshotrocks

Em 1968, Mick Jagger veio ao Brasil passar férias e tomou conhecimento de nossa cultura. Foi levado a vários lugares, inclusive a terreiros de Candomblé. Achou interessante usar atabaques na gravação de Sympathy For The Devil. Pode-se perceber no início da música sons que provavelmente ouviu quando das visitas aos terreiros.

O escocês radicado em New York, David Byrne, líder do grupo Talking Heads, parece ter um caso de paixão com a música brasileira. Levou para o exterior a cantora Margarete Menezes, repaginou o Tom Zé, produziu músicas do Jorge Ben e deu um mergulho profundo em nossas raízes religiosas africanas. No filme True Stories, dirigido por ele, há uma cena que um pai de santo faz um “trabalho” para que uma mulher consiga se casar. A música de fundo é Papa Legba[1]. Ele faz uma mistureba, onde se vê a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe, um alguidar, velas de sete dias e parte da “oração” tem uma frase em espanhol: “Rompiendo la monotonia del tiempo”.

Nos anos 90, quando foi gravado o CD Red Hot + Blue, contendo regravações das músicas do compositor Cole Porter com intuito de angariar fundos na luta contra a Aids, ele fez um arranjo calcado no Samba para Don´t Fence Me In [2].

Não poderia faltar a música Aquarela do Brasil, que é a música brasileira mais apreciada no exterior. Achei uma gravação com o jazzista Chick Corea. Tenho certeza que esta gravação será apreciada, pois há um toque de chorinho pelo bandolim que faz parte do arranjo.

Como o produtor e trompetista Quincy Jones vem para o Carnaval desde a década de 50, ele logicamente bebeu na fonte para criar Soul Bossa Nova. Tem cuíca, tamborim, pífano. Tudo misturado no estilo do swing das Big Bands, com naipe de metais bem característico e bossanovista no balanço.

E se você achava que Chorinho e Be Bop não tinham qualquer ligação musical, pode parar de pensar assim: Charlie Parker gravou Tico Tico no Fubá.

México e Caribe

Nesta região da América Latina temos ritmos como salsa, rumba e bolero entre outros. Os dois primeiros ficam para as ilhas do Caribe e o bolero para o México, país de origem deste ritmo, mesmo que outros países latino-americanos, como o Chile, também possam ser incluídos.

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O mais famoso bolero de todos os tempos é Bésame Mucho, que causou até queda de Ministro da Justiça e Ministra da Economia no Brasil. A gravação é dos Beatles em Inglês. Muito interessante mesmo. Dentre os inúmeros boleros também famosos, uma das gravações mais bacanas que encontrei foi Quizás, Quizás, Quizás com Nat King Cole. Apesar da belíssima voz, dá pra perceber um certo esforço para driblar o sotaque ao cantar em espanhol. Não poderia faltar o bolero Adíos na gravação do Glenn Miller e sua Big Band. Numa levada totalmente jazzística, o pianista Ahmad Jamal reinventa mais um bolero, Perfídia.

Stevie Wonder que não é bobo e enxerga longe, andou gravando umas músicas com toques de salsa como Don’t You Worry ´Bout A Thing. Ainda na linha da salsa, agora mais suave, temos a excelente Samba Pa Ti, que conta com a participação do Carlos Santana, o autor, acompanhando na guitrra, ao fundo, o violão de Ottmar Liebert.

A salsa definitiva, Tequila, é aqui adoçada pelo genial guitarrista de jazz Wes Montgomery.

Andes

Da região originária de um dos maiores impérios que o mundo já conheceu, o Império Inca, Paul Simon e Art Garfunkel gravaram, em inglês, El Cóndor Pasa que hoje é patrimônio cultural peruano, pois ao que parece antes de ser aproveitada em uma peça teatral homônima, foi recolhida (composta) por dois peruanos no século XX.

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E pra finalizar, uma composição do guitarrista de Jazz, George Benson, muito antes de virar cantor pop e fazer plástica no nariz, chamada My Latin Brother.

Breve nota sobre as músicas brasileira, latino-americana e norte-americana

instumentosafricanos

Desde que fomos descobertos e colonizados pelos povos ibéricos, que dentre as várias mazelas provenientes deste processo, podemos tirar algumas coisas muito interessantes e formadoras da cultura dos vários países que se encontram abaixo do Rio Grande.

A mistura de povos africanos, nativos e europeus nos permitiu o sincretismo religioso. A título de exemplo, temos no Brasil o Candomblé e em Cuba a Santeria, cujos orixás e rituais são muito próximos. Afinal, a mão-de-obra escrava era basicamente a mesma, vinda dos mesmos lugares da África. E este mesmo sincretismo não impediu, ao contrário do que aconteceu nas regiões colonizadas por protestantes, o uso de instrumentos musicais de origem africana como atabaques e demais instrumentos de percussão, que passaram do terreno mítico/religioso para o cotidiano nas festas populares como o Carnaval. Em se tratando de colonização de base religiosa protestante, como nos Estados Unidos, é interessante notar que o sincretismo se deu justamente na área colonizada tendo como base religiosa o catolicismo, a região da Lousiana [3], que foi comprada aos franceses pelos norte-americanos em 1803. New Orleans era um dos portos de entrada dos escravos vindos do Caribe e trocados por algodão, por exemplo, naquele famoso comércio triangular praticado pelos colonizadores. Por este motivo, é possível encontrar manifestações religiosas de origem africana e também festas populares como o Mardi Gras, a nossa Terça-Feira Gorda, em que há grupos que se assemelham muito aos ranchos, agremiações que originaram os blocos carnavalescos e escolas de samba [4].

É fato que não foi permitido aos negros reverenciarem seus deuses nas Plantations e muito menos utilizarem seus instrumentos musicais. Tudo isso para que fosse abafada qualquer tentativa de união contra a sua situação de escravos. Portanto, foram sendo convertidos a várias vertentes do protestantismo como, por exemplo, a Igreja Batista. Gradativamente, nos cultos desta nova religião foram adaptando suas expressões culturais ancestrais, em alguns casos esquecendo as origens e absorvendo mais e mais os conceitos da religião de base judaico-cristã. Esta adaptação também envolveu os instrumentos musicais e a estrutura da música em si, quando introduziram a blue note, aquela nota musical que não havia na escala européia e que é a base do blues e do jazz. Não se pode negar a influência destes estilos musicais na cultura do século XX e certamente perdurará até a eternidade.

Então, como hoje o mundo é globalizado, se bem que este conceito remonte a alguns milhares de anos, desde que as primeiras trirremes fenícias singraram o Mediterrâneo, a música não tem mais fronteiras e os irmãos da parte de cima da citada fronteira, não importando a cor da pele, sentem a saudade ancestral das florestas e savanas africanas e vêm aqui, na parte de baixo do Equador, buscar inspiração para reinventarem sua música e dar aquele molho que sentem que está faltando. E como aqui a mistura foi total e ainda vem acontecendo, eles se deliciam ouvindo música andina, bolero, tango, samba, salsa, rumba e tudo mais que seja reconhecido por eles como latino.


[1] Veja o vídeo no Youtube.

[2] Veja o vídeo no Youtube.

[3] Nome dado em homenagem ao Rei Luís XIV (1643-1715)

[4] Leia o artigo Carnaval pelo mundo: Krewe of Oshun no Mardi Gras de New Orleans

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