Recanto das Palavras

Harmônicas (gaitas) e gatas: Blues em rosa

O Mr. brBlues, blogueiro e blueseiro, esteve aqui no Recanto das Palavras e gostou do artigo Mulher tocando blues: Saffire e indicou o post abaixo, que está em seu blog, o brBlues, para que mais amantes do blues possam conhecer um pouco mais sobre as mulheres e esse estilo musical.

 

Harmônicas ga(i)tas!

Publicado em Novembro 19, 2009 por Mr. brBlues

Gatas, mulheres fatais ou não, sempre foram fontes de inspiração para corações dilacerados de muito bluesman por aí. Elas próprias, as mulheres, não são apenas musas, participam ativamente como compositoras, cantoras e músicas. A lista é imensa. Mas a novidade aqui são algumas gatas que mandam muito bem na harmônica e deram o seu recado em evento realizado no SESC Ipiranga em 09/02/2008.

Confesso que nem soube do evento e ainda bem que o YouTube –broadcast yourself – permite aos fãs desavisados recuperarem o registro, fica a dica, meninos, para seus ouvidos e corações.

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Três meninas paulistanas e Sampa

Rodoviária de São Paulo, manhã de quarta-feira por volta das 8h30min. Após a viagem confortável em um ônibus leito (super-hiper-ultra); me aboleto num banco da parte de cima da rodoviária e começo a ler a Folha de S. Paulo – em Roma faça como os romanos –, em busca de notícias sobre o apagão que quase me fez prisioneiro no elevador do prédio em que moro, e deixou às escuras vários estados, o Distrito Federal e parte dos territórios do Paraguai e Argentina; que dividem conosco a energia elétrica produzida por Itaipu.

Um pouco antes de vir para o segundo andar da rodoviária, permaneci sentado num dos bancos da parte debaixo e acabei dando cochilos do tipo "mergulho", que é aquele em que sua cabeça afunda no vazio do ar logo abaixo do seu nariz e, sei lá por qual motivo, o corpo nos avisa que há algo errado – o ouvido interno diz: "cérebro, we have a problem" –, e você, como se voltasse das profundezas do mar sem equipamentos, acorda como se estivesse próximo de seus pulmões acenderem o alerta “FALTA DE AR! FALTA DE AR!”. É constrangedor perceber os olhares de seus vizinhos de banco e também dos transeuntes. A sorte é que não dá tempo de produzir aquela babinha, essa mesma que todo mundo deixa na fronha – alguns preferem morder fronha. Aí é questão de gosto e eu não vou discutir, mas apenas lamentar.

Então, resolvi subir. Na parte de cima têm mais lojas e movimento. Acredito, assim, que não dormirei até que um amigo venha me buscar para irmos a USP. Durante a leitura do jornal observo as pessoas à minha volta. Há uma mistura de cores e etnias. Sampa é realmente a maior cidade japonesa fora do Japão. A quantidade de japoneses, nisseis, sanseis e nãoseis é enorme. Resultado de uma saudável mistura entre negros, asiáticos e europeus. Isso me fez despertar a atenção para três meninas, ali por volta dos 20 anos, que estavam sentadas num ponto diagonal, à esquerda, do meu campo de visão. Não estavam longe e era possível perceber suas feições e movimentos. Duas eram de ascendência europeia e uma era claramente de ascendência do grupo “sei”. Estavam com valises do tipo nécessaire sobre seus joelhos e freneticamente passavam pós e sei lá mais o quê para realçar a estética, apesar de uma delas ter o cabelo com uma mistura de preto com rosa cheguei.

Abriam as valises, trocavam objetos entre si e era um tal de pincel espalhando coisas no rosto, lápis contornando os olhos, brilhos para os lábios; que eu pensei: deve ser marketing. Não, não poderia ser, pois, no meu campo de visão estavam uma gringa com uma mochila do tamanho do Himalaia, cujos cabelos estavam, digamos, acumulando os ventos vindos de todos os pontos cardeais pelos quais ela transitou em seu périplo. Esse tipo de gringo é comum na Lapa. Chegam com a cara rosada e com mochilas imensas. Essa não era muito diferente. Alguns bancos à frente, à direita, um casal de idosos também lia um jornal assim como eu. Ao meu lado, cerca de 4 bancos à esquerda, um homem vestido em andrajos dormia seu sono descalço.

Continuei observando. Elas pouco falavam e misturavam os “ingredientes”. Olhavam-se em espelhos. Não satisfeitas, repetiam ou experimentavam novas “fórmulas”. Isso durou uns dez ou quinze minutos. Eu as observava e lia meu jornal. Até que começaram a guardar os objetos e fechar as valises. Elas não transportavam malas. Sinal que a viagem seria curta. Ao se levantarem, pude perceber que as alturas eram variáveis também, sendo as de ascendência europeia bem maiores que a “sei”. E, lá do fundo da memória vieram os versos de Sampa, aquela canção do Caetano Veloso que enaltece a terra da garoa. Após cantar mentalmente “Alguma coisa acontece no meu coração”, veio o verso “…da deselegância discreta de suas meninas” e “O avesso do avesso do avesso”. Por incrível que pareça, elas combinavam com o concretismo da cidade.

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Mulher também escreve carta de amor

Você já recebeu carta de amor escrita por aquela mulher que você sempre amou? Muito provavelmente, sim. Acredite em uma coisa, meu amigo: Para elas chegarem a escrever palavras românticas é porque amam mesmo e de forma incondicional. Com toda certeza essa é uma das maiores, senão a maior demonstração do que elas sentem pelo homem que realmente amam.

© Tom Grill/Corbis

Imagem © Tom Grill/Corbis

Mesmo que o poeta tenha dito que todas as cartas de amor são ridículas por serem, justamente, cartas de amor; quem não gosta de ser ridículo de vez em quando? (ouça o poema Cartas de Amor, do Fernando Pessoa, na voz da Maria Bethânia). A palavra escrita é tão forte quanto a palavra dita. Talvez seja até um pouco mais significante, pois, ali, está registrado e concretizado o pensamento mais profundo e, como sabemos, palavras ditas esvaem-se no ar, mesmo que sejam verdadeiras. Não, eu não estou desmerecendo a palavra de amor quando proferida. Apenas estou tentando explicar que, ao escrever o que sente, a mulher está demonstrando exatamente o que está em seu coração. Vejamos, por exemplo, algumas palavras de Cecília Meirelles que nas linhas abaixo apresenta a mágoa de um amor.

Encostei-me a ti, sabendo bem que eras somente onda.
Sabendo bem que eras nuvem, depus a minha vida em ti.
Como sabia bem tudo isso, e dei-me ao teu destino frágil,
fiquei sem poder chorar, quando caí.

Várias e várias poetas – no meu tempo era poetisa – escreveram palavras para seus amados. Exemplos de séculos passados como Gaspara Stampa e Louise Labé (século XVI); além de Elizabeth Barrett Browning (Século XIX), mostram que houve felicidade ou não em suas vidas românticas (faça o download do slide – Três Mulheres Apaixonadas – com um poema de cada uma delas). Já dizia o bom e velho Monsueto: “Mora na filosofia. Pra quê rimar amor e dor?”. Não deveria ser assim, mas na maioria das vezes é, infelizmente.

Também tenho certeza que muitos e muitas conhecem os poemas, ou pelo menos um poema da Florbela Espanca, que teve uma vida trágica e amores também, digamos, trágicos, que podem ser exemplificados nos versos abaixo:

Minh´alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer a razão de meu viver,
Pois que tu és já toda minha vida!

Escrevi este artigo após a leitura de uma matéria no Times Online, intitulada The Most Romantic Love Letters Ever (algo como “As mais românticas cartas de amor de todos os tempos”), e, para indicar a profundidade do tema e dos escritos, ainda no título da matéria está escrito: “Entre as palavras mais românticas jamais colocadas no papel, essas cartas capturam o desejo e o desespero das mulheres extremamente apaixonadas, em todas as épocas”.

Na verdade, o artigo traz trechos do livro Love Letters of Great Women, que será lançado em novembro, na Inglaterra. São, então, apresentados trechos de cartas de amor escritas por Catarina de Aragão, a primeira esposa que Henrique VIII; pela rainha Vitória, que sofria a dor da viuvez de seu amado Albert; Emily Dickinson, a poeta norte-americana que publicou apenas um livro em vida e jamais se casou, mas deixou centenas de poemas. Dizem alguns estudiosos que suas cartas para a cunhada eram de tom lésbico. Além dessas mulheres, também são apresentados os motivos e trechos das cartas de Jane Welsh (1801-1866), que fora secretária do escritor escocês Thomas Carlyle. Entre os escritos de Jane, que hoje é considerada uma das maiores escritoras da língua inglesa, após sua morte, foram encontradas as seguintes palavras dentre sua obra: "Ontem ele passou uma hora comigo e foi como o céu. Eu o amo tanto” e “Esperei durante todo o dia para ouvir os passos dele no corredor, mas agora já é tarde. Acho que não virá hoje”. Nota-se, pelas palavras, que Carlyle negligenciava sua mulher em função de seu trabalho como escritor e palestrante.

As cartas de amor também são excelentes para revelar segredos de alcova, aquela parte do amor que é erótica. Amor sem sexo não dá, certo? Vejamos, por exemplo, o que a contista neozelandesa Katherine Mansfield (1888-1923) escreveu para seu marido:

Na noite passada, houve um momento antes de ir para a cama. Você estava completamente nu, inclinado para frente. Foi só por um instante. Eu vi você – Eu te amo tanto – amei seu corpo com tanta ternura – Ah meu querido – E eu não estou pensando sobre "paixão" agora. Não, claro que é outra coisa que me faz sentir que cada centímetro de você é tão precioso para mim. Seus ombros macios – sua pele quente sedosa, seus ouvidos como conchas são frias – suas pernas longas e pés que eu amo enredar com meus pés – sentir sua barriga – e costas suavemente jovens – Logo abaixo, na parte de trás do seu pescoço você tem um sinal de nascença. É, em parte porque somos jovens que eu sinto essa ternura – Eu amo a sua juventude – Eu não poderia suportar, mesmo que eu fosse o Senhor, que ela deva ser tocada nem pelo mais frio dos ventos.

Permita-me, senhora ou senhorita que chegou até aqui, mostrar-lhe o que a poeta Adélia Prado escreveu sobre um segredo de alcova no poema Objeto de Amor.

Portanto, meninas, demonstrem através de palavras o que sentem por seus amados. Tenha certeza que ele ficará mais apaixonado ainda.

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Acordar com música na cabeça

Isso já deve ter acontecido com você e com todo mundo: acordar com uma música na cabeça. Você fica cantando como se fosse a mais recente descoberta em seu arsenal de descobertas futuras, mas que, na verdade, estão no passado. O que motiva o ressurgimento dessa ou aquela música é um mistério. Porém, no subconsciente algo te diz que essa música te remete a algo ou alguém. Geralmente, e com toda certeza, remete a alguém. É uma espécie de mensagem que vem lá do fundinho da mente e, em muitos casos, passa pelo coração para corroborar a lembrança.

Pois bem. E não é que eu hoje acordei com uma música do Jorge bem rondando minha cabeça?  – Não adianta. Eu não consigo me referir a ele com o novo nome adotado há alguns anos–. Agora à noite, resolvi entrar no Youtube e procurar pela música. Ah, sim. Ela se chama “A minha teimosia”. A letra é de uma simplicidade avassaladora e a melodia é contagiante mesmo.

Que homem não foi teimoso ao querer conquistar uma mulher, em especial, aquela mulher que o faz ter pensamentos que vão dos mais românticos aos mais libidinosos? Em minha opinião, essa música é uma grande verdade, além de ter um balanço pra lá de gostoso. Dá vontade de estender a mão para a mulher desejada e convidar: vem…

guitarrinhaSe você pretende fazer uma graça e mandar uma mensagem direta para a mulher que deseja e sabe tocar violão, clique na imagem ao lado e estude as cifras. Te garanto que em 5 minutos você já pode começar a pensar em pegar a viola e ir para debaixo da janela da amada.

Boa sorte.

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O primeiro GRITO da moda

A moda contribuiu para a formação do pensamento simbólico da humanidade.

Essa é uma história que começou há cerca de 80 mil anos, segundo os arqueólogos que encontraram indícios de que conchas pequeninas serviam de ornamento para nossos antepassados. Qual o significado desta descoberta? Enorme, se você não sabe. Veja a imagem.

Não se trata apenas de uma questão fashion, mas uma questão de consciência e simbolismo dado a um objeto, não necessariamente tendo propriedades sagradas ou comerciais. Mas, sim, propriedades estéticas. Portanto, essas conchas que seriam usadas como miçangas em cordões ou pulseiras, adornavam nossos antepassados e, certamente, diferenciando um elemento do outro dentro de um grupo ou identificando grupos sociais.

A moda, antes de tudo, é um fator de diferenciação social. Basta lembrar, por exemplo, que os sans-culotte (sem-calção), o povo – todos que não fossem nobres ou egressos do alto clero –, a parcela da sociedade francesa do século XVIII, foi à luta e cabeças rolaram com a ajuda da guilhotina. O tal culotte distinguia nobres e não-nobres. Veja as imagens abaixo:

sans-culottes-1

Besenval-baron-de-1

Sans-culotte. Estes usavam calças compridas de algodão.

Nobre usando culotte. Peça de vestuário que cobria as pernas até os joelhos.

Voltando às conchas, segundo os pesquisadores, essas que foram encontradas em sítios arqueológicos no Marrocos, corroboram as informações a respeito de objetos similares, mas que foram datados de 100 mil anos e encontrados em Israel, Argélia e África do Sul. A pesquisa é parte do programa EUROCORES Origin of Man, Language and Languages (Origens do homem, línguas e linguagens), da European Science Foundantion (Fundação Europeia de Ciência). O que chama a atenção e designa o uso consciente com simbolismos e significados é o fato de as 25 conchas encontradas terem sido perfuradas de forma a se fazer um encadeamento e, também, haver sinais de pigmentação e desgaste por uso contínuo.

As conchas pertencem a moluscos marinhos gastrópodes do gênero Nassarius, e que foram encontradas em vários sítios arqueológicos, o que pressupõe um fenômeno cultural repassado entre grupos humanos durante milhares de anos, o que também sugere trocas comerciais. De acordo com Francesco d’Errico, pesquisador do CNRS (Centre national de la recherche scientifique), “as relações econômico-culturais da época podem nos levar a afirmar que “as conchas eram coletadas e, a partira daí, criou-se uma rede de intercâmbio entre as populações costeiras e interioranas das regiões estudadas, o que demonstra que essas coisas já recebiam um significado simbólico”. Ele ainda completa com a informação de que, muito provavelmente, houve intercâmbio genético além do cultural.

O estudo dessas conchas proporciona inferir que não são apenas trabalhos estéticos ou decorativos, mas também, uma forma de tecnologia que transmitia informações através de uma linguagem codificada, provando, assim, que a evolução de um pensamento mais avançado entre nossos antepassados pode nos indicar a propagação da humanidade desde a África, o berço da humanidade. É interessante saber que “a invenção do ornamento pessoal é uma das mais fascinantes experiências culturais da humanidade”. Acho que por isso que a resposta da Marilyn Monroe foi Chanel 5, quando perguntaram o que ela usava para dormir. Prova cabal da assertiva dos pesquisadores, não? Isso significa que ao usar algo de forma diferente você transmite uma imagem simbólica de si.

Um outro fato curioso em relação as conchas encontradas é que elas negam a antiga ideia de que os ornamentos pessoais tenham surgido há 40 mil anos, quando a Europa começou a ser ocupada pelos humanos. Portanto, o pensamento simbólico e a capacidade cognitiva surgiram milhares de anos antes, ainda na África.

A madame sabe por qual motivo usa batom?

A tradução e adaptação do artigo Tiny Ancient Shells – 80,000 years old – Point to earlist fashion trend, da Science News (27/08/2009), foram feitas por mim, Jorge Alberto.

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