Recanto das Palavras

O que é que a espanhola tem?

O que é que a espanhola tem?
O que é que a espanhola tem?

Tem ouro que era asteca, tem!
Tem prata que era peruana, tem!
Tem ETA que é terrorista, tem!
Tem buço que é bigode, tem!
Tem tourada que é imbecil, tem!
Tem telefónica que não fala, tem!
Tem Alonso que é barbeiro, tem!

Quando você quiser conquistar
Mate um índio assim
Mate um índio assim
Mate um índio assim

O que é que a espanhola tem?
O que é que a espanhola tem?
O que é que a espanhola tem?
O que é que a espanhola tem?

Tem buço que é bigode, tem!
Tem ouro que era asteca, tem!
Tem prata que era peruana, tem!
Tem ETA que é terrorista, tem!
Tem tourada que é imbecil, tem!
Tem telefónica que não fala, tem!
Tem Alonso que é barbeiro, tem!

Só rouba no Potosi quem tem
(O que é que a espanhola tem?)
Só rouba no Potosi quem tem
Só rouba no Potosi quem tem

Um Rosário de ouro roubado, uma gripe assim
Quem não tem Pizarro não mata índio assim
(Oi, não vai no Potosi)
(Oi, não vai no Potosi)

Para cantar ao ritmo e melodia de “O que é que a baiana tem?”

Esta paródia foi escrita após ter lido no site da BBC Brasil só notícia ruim do Brasil em relação a Espanha. Parece que todas as meninas de vida fácil, todos os travestis, todos os trambiqueiros do mundo são apenas brasileiros e que adoram passar os moradores daquele outro país ibérico, que não é Portugal, para trás.

Não é uma retaliação, mas apenas uma constatação que, se no Brasil tem coisa ruim, neste outro país ibérico também tem e aos montes. E, pasme, até terroristas em potencial nós somos agora; além das já conhecidas mazelas que nos afligem.

A lista de advertências do governo espanhol aos turistas que escolham destinos brasileiros ainda inclui alertas sobre a violência, febre amarela, dengue e até terrorismo. Segundo a nota ministerial sobre o Brasil, “neste momento nenhuma região do mundo e nenhum país está a salvo de possíveis atos terroristas

É. Se depender dos comedores de paella, o Brasil é o pior país do mundo e tem o pior povo do mundo. Mesmo assim, eu prefiro falar das coisas boas da Espanha, como Salvador Dali, Pablo Picasso, El Greco, Luis Buñuel, Flamenco, Paco de Lucia, Goya, Pablo Casals, Concerto de Aranjuez, Gaudí e mais um montão de gente e coisas bacanas deste país.

Arquivado como:Astecas, Brasil, Comportamento, Cotidiano, Cultura, Fórmula 1, MPB, Política, Samba , , , , , , , , , ,

Deus está no céu, o Rei está na Espanha e aqui mando eu!

Cortez e Malinche

De todos os casos relativos à Conquista e conseqüente colonização das Américas, o mais significativo talvez seja a conquista do México por Hernan Cortez. Dele, retirada de um livro que li durante a graduação, usei como título deste artigo.

La espada, la cruz y el hambre. Outro dia, ao responder a um comentário no blog de um amigo aqui do WordPress, quando comentávamos sobre o polêmico carro alegórico da Viradouro, eu citei esta frase do Pablo Neruda, que é uma constatação do que foi feito por parte do Conquistador em relação aos indígenas do continente americano. Todos, mas absolutamente todos, os nativos sofreram perdas irreparáveis e tiveram suas culturas aniquiladas em nome da ganância econômica.

Bastaram alguns cavalos, pólvora e a aliança com tribos inimigas dos Astecas para que este império, assim como tantos outros baseados no poder teocrático ruísse. Ao decepar a cabeça, isto é, findar com o deus vivo e a classe sacerdotal, que eram os detentores e mantenedores do poder, o restante da sociedade se viu perdida e dominada por um outro senhor, agora, talvez muito mais cruel. Sim, os astecas eram conquistadores e também exigiam tributos e obrigações de seus dominados.

Acredito que a maioria de nós já tenha ouvido falar dos presságios que precederam ao desembarque de Cortez no México, quando a maior coincidência que se tem notícia na história universal aconteceu. Quetzalcoatl, o deus representado por uma serpente emplumada e que afirmou retornar um dia, foi confundido com Cortez e chegou praticamente na hora marcada.

A verdadeira conquista se deu não apenas pela força militar ou econômica, mas também pelo imaginário e pela palavra. Os espanhóis impuseram suas imagens e sua língua, que infere o seu modo de pensar e dominar, além de sua religião e cultura e estas mesmas imagens sacras, impostas por força fragmentaram e apagaram toda organização da estrutura do pensamento dos indígenas. Não foi por outro motivo que, tanto os administradores quanto os religiosos se incumbiram tenazmente em apagar, destruir e calcinar imagens, códices e tudo aquilo que servia como elo de ligação e pilar de sustentação daquela sociedade.

A conquista espanhola na América Latina foi legitimada por essa “guerra de imagens”, associada a destruição da memória. Visto que em sociedades onde a escrita é inexistente ou feita por pictogramas, é através das imagens que se dá toda a sua legitimação, quer religiosa, cultural ou política. A imagem transforma-se em sua memória, pois esta atuava como um referencial para a sociedade asteca, sendo assim, a destruição ou mesmo a transformação dessas imagens, implicará não apenas numa transformação de formas, mas de memória, e do referencial da sociedade. É neste sentido que se dá a conquista e a derrocada do povo mexica.

Leia mais no blog Iconografia Pré-Colombiana, sobre a dissertação de mestrado da professora Luzia Carneiro.

Recanto Galeria03
Ouça algumas músicas sobre o assunto
no Recanto das Palavras – Galeria

Continente Perdido – Ruy Mauryti
Duerme, Duerme Negrito – Mercedes Sosa
Poema 15 (Pablo Neruda) – Mercedes Sosa
Todas las Voces – Mercedes Sosa
El Condor Pasa – Tradicional

Ouça diretamente em seu computador
Insira o link em seu programa de áudio preferido (WMP, iTunes ou Winamp)
http://n90.mediamaster.com:8000/plist/3000127146/jadc01

Continente Perdido (terra de Montezuma)
Composição: Ruy Maurity e José Jorge(1976)

Lua de pau-a-pique, pequeno reino – América
Filho de muitas léguas, bandido, índio – América
És uma palavra solta ou mesmo outra – América
Um batuque de meninos de pé descalço – América

Contam que Montezuma não foi guerreiro nem foi capaz
De defender a terra, o ouro, a prata e muito mais
Nem de calar a boca da Musa branca de sangue azul
Pelos mares nunca dados aos navegantes aqui do sul

Contam do Feiticeiro, rei das províncias, dos Carnavais
Da mula-sem-cabeça nos espetáculos teatrais
Contam das borboletas, do arco-íris, dos temporais
Nesse reino perdido, sumido, dividido demais!

Aqui você vê um vídeo da música Cortez the Killer, do Neil Young

Arquivado como:Arte, Astecas, Cultura, Educação, História, México, Música, Palavras , , , , , , , ,

O Quinto Sol

Os povos pré-colombianos tinham uma estrutura de vida bastante diversa do mundo europeu. A partir dos primeiros contatos que se dão no final do século XV, e de forma mais intensa, a partir do século XVI, percebe-se que toda a organização destas sociedades será destruída pelo conquistador.

Entre estes povos, principalmente os astecas, a contagem do tempo era feita de forma cíclica, onde a cada período de 52 anos, dava-se uma nova era, um novo recomeço do mundo, que tinha seu início e fim marcados por uma catástrofe, já que foram tentativas infrutíferas de criação de um mundo ideal. O Império Asteca estava no decurso do Quinto Sol, o seu apogeu, já que se consideravam os eleitos dos deuses, para assim dominar os seus vizinhos. O estudo destes calendários mostrou que as profecias relativas ao Quinto Sol marcariam o possível fim desta civilização, que pasmou Cortez quando este entrou em Tenochtitlán, capital do Império Asteca. Ele relatou seu fascínio ao ver ruas urbanizadas, coleta de lixo, museus e zoológicos (o que não havia na Europa de então).

Dentre os vários presságios, treze para ser mais preciso, um deles está relacionado a Quetzalcoatl, a serpente emplumada, deus que tinha sua representação humana com as características bastante diferentes do povo asteca. A pele clara, barba (símbolo de sabedoria) e a suas vestimentas eram próximas das européias. Este deus que foi enganado por outros deuses, partiu pelo mar deixando a mensagem que um dia voltaria para reaver seu lugar. Quando se dá o desembarque de Hernán Cortez, que coincide justamente com o presságio, este foi associado ao deus que prometera voltar. Hoje se discute o quanto de apropriação desta idéia foi assimilada pelo conquistador.

E nas palavras de Neruda, “la espada, la cruz y el hambre iban diezmando la familla salvaje…” (Pablo Neruda), foram os meios de conquista da América pelos europeus.

A seguir o vídeo e a letra de Cortez The Killer, de Neil Young.

He came dancing across the water
With his galleons and guns
Looking for the new world
In that palace in the sun.

On the shore lay Montezuma
With his coca leaves and pearls
In his halls he often wondered
With the secrets of the worlds.

And his subjects gathered ’round him
Like the leaves around a tree
In their clothes of many colors
For the angry gods to see.

And the women all were beautiful
And the men stood straight and strong
They offered life in sacrifice
So that others could go on.

Hate was just a legend
And war was never known
The people worked together
And they lifted many stones.

They carried them to the flatlands
And they died along the way
But they built up with their bare hands
What we still can’t do today.

And I know she’s living there
And she loves me to this day
I still can’t remember when
Or how I lost my way.

He came dancing across the water
Cortez, Cortez
What a killer.

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