Recanto das Palavras

Um pouco de barroco no Rio de Janeiro

Por vezes nós nem prestamos atenção ao que temos ao nosso redor em termos de arte e conhecimento; isso para não falar de cultura sendo apresentada, ou melhor, que está ali ao alcance de alguns passos e nem nos damos conta de sua importância.

Terça-feira, após o almoço, resolvi voltar a explorar as cercanias da Lapa, que como todos sabem é o bairro boêmio do Rio de Janeiro. Mesmo que esteja em andamento um processo de revitalização desse pedaço da cidade, o ar de decadência com elegância ainda é o mais percebido. Este ar não é no sentido pejorativo. É um certo charme, eu diria. Pois bem, decidi entrar na igreja de Nossa Senhora do Carmo da Lapa do Desterro para ver o seu interior.

Veja o vídeo e ouça a música

Eu já sabia que a construção tem como estilo o barroco, que tanto marcou o século XVIII, muito mais na região das Minas Gerais, mas que aqui no Rio também é percebido, bastando apenas apurar a visão e procurar nos lugares certos. Ao entrar constatei que é realmente uma bela construção e que foi feita com todo esmero dos artistas e arquitetos da época. O que eu não imaginava é que ouviria música sacra – barroca – vinda de um órgão como aqueles que, imagino, Johann Sebastian Bach utilizava para criar suas músicas.

Timidamente perguntei a uma pessoa que estava próxima e que pertencia a administração da igreja, se era possível fotografar. Me surpreendi com a resposta positiva, pois como fui assíduo visitante de Ouro Preto e demais cidades do ciclo do ouro, sabia que era proibido fotografar e até mesmo filmar o interior das igrejas. A luz do flash das câmeras danifica o acabamento das pinturas e demais filigranas que compõem a decoração. Lendo a descrição sobre a história da igreja foi possível saber que uma parte dessa construção foi obra do Mestre Valentim.

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Abricó de macaco: um cheiro forte

O Rio de Janeiro sabidamente é uma das mais belas cidades do mundo, mesmo que ainda enfrente problemas que sejam comuns a todas as megalópoles, a nossa topografia ajuda um pouco mais para que determinados fatos sejam mais presentes e os meios de comunicação adoram explorar esse lado, que teve origem no descaso público desde a última reforma urbanística, o famoso “bota abaixo”, do início do século XX.

Anos depois, o Rio de Janeiro foi, remodelado em algumas regiões como o Aterro do Flamengo, por exemplo. Algumas praias desapareceram e alguns recantos foram criados. E nesse novo plano urbanístico, adotaram-se várias árvores para embelezar a paisagem. O que a gente não sabia, e agora fica sabendo, é que uma das árvores mais adotadas foi (é) o abricó de macaco (Couroupita guianensis), que é uma árvore ornamental. Dá uns frutos esféricos e a sua floração é bem impressionante. Veja a foto.

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Foto Franz Xaver. Fonte: Wikipedia

O que impressiona além de sua beleza é o odor proveniente da decomposição de suas flores e frutos. É desagradável ao olfato mais sensível. Quando o fruto cai, estoura (ficando azul por dentro) e o cheiro da decomposição fica mais forte ainda. Mais impressionante ainda é que neste ano, a partir de junho mais ou menos, o odor tomou conta de um pedaço da Lapa, o que dá para os lados do Passeio Público, um micro bosque bem no meio do centro da cidade e pouco conhecido pelos cariocas de outras latitudes que não costumam visitar essa parte da cidade.

Tive notícias que em Botafogo o odor também está um tanto acentuado e eu próprio já o identifiquei na altura da Praça da Bandeira. Também há uma grande quantidade dessa árvore na UFRJ, na alameda que dá para a Avenida Venceslau Brás.

Botânicos, paisagistas, urbanistas e arquitetos, o que devemos fazer? Usar máscaras cirúrgicas ou gastar tubos e mais tubos de odorizadores?

Veja mais informações sobre o abricó-de-macaco no blog Imaginação Ativa.

Se tiver interesse científico/paisagístico: Árvores e Arbustos nativos do Brasil

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Caminhada na Lapa em vídeo

Outro dia, recebi um recado no blog escrito pela Vanessa, que assina um blog muito bacana, o Asas Tortas, em que ela expõe muito bem, por sinal, os seus pensamentos e sentimentos.

O recado falava sobre um artigo postado aqui, que imagino ter sido um vídeo  ou um contendo slide show da Lapa – bairro boêmio do Rio de Janeiro – em que eu fotografara alguns murais e um pouco da arquitetura da região. Talvez, motivado por isso, resolvi, pela primeira vez, gravar um vídeo com menos de um minuto com um dos mais conhecidos lugares da cidade e que identifica o bairro, os Arcos da Lapa, um antigo aqueduto dos tempos coloniais que, hoje, além de ser um cartão postal é, também, o caminho do bondinho que leva até Santa Tereza, uma espécie de Montmartre carioca.

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Cenas Cariocas I

O que contarei aqui poderia acontecer em qualquer cidade do Brasil ou do mundo. Porém, como eu presenciei e moro no Rio de Janeiro, achei interessante compartilhar.

Cena 1
Ônibus linha 238 – Água Santa- Praça XV. Rua  Uruguai quase esquina com a Rua Maxwell, o motorista estaciona para que o fiscal faça a marcação do horário. Segue o diálogo:

- Good morning…
- Good morning…
- Ó, se eu voltar no horário da tarde é good afternoon, ok?
- Ok
- E de noite é good night…
- Ok

Cena 2
Lapa, fundos da Escola de Música da UFRJ que é cercado por prédios. Os músicos ensaiam escalas e põem seus fôlegos à prova. Flautas, saxofones e clarinetas. Da janela de um dos prédios surge o pedido:

- Ô! Ô do sax! Fecha a janela aí… Tá ruim pra caramba!!!

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Carnaval 2009 – Vai começar a brincadeira

Assim como nas saturnálias e dionisíacas, as festas originárias do carnaval na Antiguidade, o povo vai sair por aí cantando Mamãe que quero! Mamãe eu quero! Mamãe eu quero mamar…

O maior espetáculo da Terra, o Carnaval, terá início no próximo dia 20 de fevereiro, indo até a quarta-feira de cinzas, dia 25. Em todo os cantos do Brasil e do mundo, o povo, exceto os tementes, esquecerá das agruras e problemas do cotidiano.800px-Carnival_in_Rio_de_Janeiro

Muitos casais terminarão o namoro na sexta-feira e, com cara de boi fujão, retomarão o relacionamento na quinta-feira. Outros, começarão um relacionamento. Ele vestido de pirata e ela de pistoleira. Se a coisa entre um pirata e uma pistoleira vai dar certo só o tempo dirá. Da mesma forma como o relacionamento entre um sheik das arábias e uma melindrosa também pode vir a dar certo ou não. Alguns, por conta da birita em doses tsunâmicas, podem ficar meio ceguetas e agarrar a primeira coelhinha(?) da Playboy que aparecer pela frente e, ao acordar ao lado da coelhinha no dia seguinte, além da ressaca, sentirá no toque das mãos a barba por fazer no rosto da suposta coelhinha da Playboy. Quem mandou encher a cara?

Também teremos aquele ritual do “mostra no pé” que todo repórter que faz a cobertura do carnaval, tanto na quadra durante os ensaios, ou nos desfiles na Sapucaí, pede para o sambista começar a fazer. Além disso, é claro, teremos os comentários meio insossos dos “entendidos” em desfile de escola de samba e a indefectível frase associando suposta intimidade, nome de batismo e toponímia, a saber: “Essa é a tia fulana de tal da comunidade da Lacraia Esfolada”, como se a frase fosse garantia de alguma coisa em termos de conhecimento de causa.

Não deixaremos de ver atores (?) e atrizes (?) de novelas, em vez de passistas, componentes e detalhes interessantes do enredo de cada escola. A dica que eu dou é: ouça o desfile pelo rádio. Escolha uma estação diferente daquela que é líder de audiência e você terá muito mais informações pertinentes a cada escola de samba. Outro assunto que adoram mostrar é gringo tentando sambar e também como componente de bateria.

- Estamos aqui com o Takaniko Nakaneka, que veio do Tóquio, onde aprendeu a tocar frigideira e hoje é componente da bateria da Unidos do morro da Cochinchina.

Mostra aqui, diz a repórter para o cinegrafista,  ao chamar um gringo louro e gordo, com a pele mais rosada que a capa do Jornal dos Sports…

- What is your name?

- Was? (esticando a orelha em direção à boca da repórter)

- Como te llamas?

- Was? (Rindo como um boboca e com a orelha já quase colada na boca da repórter. Uma cena quase erótica)

- Seu nome! (berra a repórter)

- Ah… Herman Goering!

- Mostra no pé aí pra gente ver… (a repórter matou as aulas de história)

O gringo levanta o braço direito, espalma a mão e diz em alto e bom  som…

- HEIL!

- CORTA! CORTA! CORTA! (grita o diretor)

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