Recanto das Palavras

A cultura do Brasil de lá pra cá

Neste exato momento, estou assistindo a um documentário em 4 partes sobre o Jackson do Pandeiro, no programa De lá pra cá, que é apresentado por Ancelmo Gois e Vera Barroso na TV Brasil. Este programa,que vai ao ar às segundas, às 22h e é reapresentado aos domingos, às 17h, é, na verdade, um delicioso bate-papo com figuras que representam o Brasil e sua cultura.

Cada vez mais eu me maravilho com essa tal de internet. A dica é: faça parte de redes sociais, escreva em seu blog e troque informações com pessoas no mundo inteiro. É lógico que é preciso um certo critério para ir em busca daquilo que te interessa ou encontrar algo que seja interessante para compartilhar com seus amigos.

Você encontrará, por exemplo, vídeos completos dos programas sobre:

  • Jackson do Pandeiro
  • Remoção da Favela da Praia do Pinto
  • Guerra dos Emboabas
  • Mestre Vitalino
  • Carmen Miranda
  • Burle Marx
  • Caramuru

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Heleno de Freitas, o Gilda: 50 anos de sua morte.

Poucos jogadores de futebol tiveram a aura e proeminência de Heleno de Freitas, que encantou nos gramados e na alta sociedade do Rio de Janeiro, a então capital federal, nas décadas de 1930 e 1940.

Heleno de Freitas Morreu aos 39 anos, em 1959 (8 de novembro), em um sanatório em Barbacena (MG). Foi astro do Botafogo – sua história se confunde com a do clube –. Nasceu em berço de ouro, formou-se em Direito. Gostava de Dostoievski, jazz, blues, Cole Porter, Billie Holiday. Frequentava boates e cassinos.

Em novembro serão completados 50 anos da morte de Heleno de Freitas, o primeiro jogador de futebol a fazer a ponte entre o futebol e a alta sociedade e que foi um dos maiores ídolos do período considerado o mais romântico do futebol brasileiro.

Perto dele, Edmundo, alcunhado de O Animal, não passava de um bichinho de estimação. É essa a constatação que eu, botafoguense, que nem em sonho viu o Heleno jogar, soube de algumas de suas histórias através do meu pai, de quem herdei o sangue alvinegro.

Outros jogadores temperamentais passaram pelos gramados brasileiros, sendo que, além do Animal havia também o Almir Pernambuquinho, que aprontou o maior bafafá na final do campeonato carioca de 1966 contra o Bangu. Este, assim como alguns dos temperamentais, morreu assassinado. Em seu caso numa briga de bar.

Em 2004, a ESPN Brasil produziu o documentário 300 anos de futebol, contando a história de três clubes cariocas fundados em 1904 – Botafogo, Bangu e América –. No programa sobre Botafogo há uma parte especial dedicada a Heleno. Clique sobre a imagem para assistir.

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Clique sobre a imagem

Quando do lançamento do livro Nunca houve um homem como Heleno, de Marcos Eduardo Neves, o autor concedeu várias entrevistas e achei muito interessante resgatar a sua ida ao programa do Jô e também um podcast, o Bom de Bola, que foi criado em homenagem a Heleno de Freitas. Clique no link para ouvir. Vale a pena.

Entrevista de Marcos Eduardo Neves no Programa do Jô.

O Gilda

 gilda2Além de sua sabida doença, um outro fato que marcou Heleno foi o seu temperamento, que levou os torcedores adversários a apelidá-lo de Gilda, o personagem de Rita Hayworth, no filme homônimo. Daí em diante, em todos os jogos, além das confusões já tidas como normais, Heleno tinha que enfrentar a torcida adversária chamando-o de Gilda! Gilda! Gilda!. A provocação parece que era mútua. O recentemente falecido compositor Zé Rodrix, juntamente com Miguel Paiva, escreveram o musical Heleno, um homem chamando Gilda, em que contavam a vida e a obra desse grande jogador de futebol que viveu no limite da razão no campo e na vida. Há uma outra versão para o apelido. Este teria sido dado por seus companheiros do Clube dos Cafajestes, um grupo de rapazes ricos da Zona Sul, que promoviam reuniões.

Em um comentário ao artigo do jornalista botafoguense Roberto Porto em seu blog, o leitor João Almeida, citou a seguinte passagem do livro "O Homem que Sonhou com a Copa do Mundo", de Carlos Rangel:

"Em um asilo em Barbacena, num campinho de terra Heleno corria, gordo e sem dentes, imaginando-se num jogo imaginário, onde ele com a camisa do Botafogo fazia o gol do campeonato. Saía comemorando como um criança. Para ele era realidade. (…) Poucos dias antes de morrer Heleno tira do bolso um amassado pedaço de jornal, onde dizia que o Botafogo precisava do Heleno. Louco, doente e quase moribundo ele dizia eu preciso salvar o Botafogo".

 

Os extremos de uma mesma paixão e tragédia

Posso pecar por omissão ou por desconhecimento, porém, posso falar que dos casos trágicos ou como quiserem, românticos, do futebol brasileiro, o Botafogo teve dois representantes, se não os maiores, certamente os mais significantes: Heleno de Freitas e Garrincha. Não são anti-heróis. Pelo contrário. Foram, sim, dois apaixonados pelo que faziam levando ao extremo seu amor pela bola. Um, o perfeito fisicamente e economicamente, Heleno. O outro, o mestiço pobre, descendente de índios e com um defeito físico, as pernas tortas. O primeiro foi levado pela sífilis à loucura e morte. O outro foi levado pelo álcool à morte. O que emociona, acredito que mesmo aos que não torcem pelo Botafogo, é saber da paixão de ambos pela estrela solitária. Heleno foi jogador do Botafogo antes da fusão, quando o escudo ainda era formado pelas letras B, F e C entrelaçadas. A estrela só veio quando da fusão com o Botafogo de Regatas, pois este era o seu símbolo.

Ainda seguindo pelo caminho paralelo entre vida e arte, muitos consideravam Garrincha como uma espécie de Carlitos, o personagem mais famoso de Charles Chaplin. Quanto a Heleno, segundo, os cronistas esportivos e da crônica social, davam-lhe a fama de um verdadeiro galã de Hollywood. Sempre bem vestido, andando em carros importados, namorando belas mulheres e convivendo com a alta sociedade do Rio de Janeiro, a Capital Federal. Por essas e por outras é que o futebol realmente é um esporte democrático. Entre as quatro linhas todos são iguais não importando a origem social.

heleno04 Mas, por qual motivo falar de um jogador de futebol que morreu louco há 50 anos? Não se espantem. O ser humano é ávido por conhecer os dramas da vida e, em especial, as tragédias. Estão aí até hoje sendo encenadas as peças de Ésquilo, Sófocles e Eurípides. E a história de Heleno tem todos os elementos de uma perfeita tragédia. O tipo apolíneo, o deus da perfeição da beleza, o artista da bola. Amado pelas mulheres e invejado pelos homens. Filho de boa família e nascido em berço de ouro, que terminou seus dias louco em um sanatório. É esse o fascínio que arrebata quem o viu, quem não o viu e quem soube de suas histórias por ouvir contar. Seu futebol foi decantado por escritores do porte de Eduardo Galeano e Gabriel Garcia Marques que o viram jogar. A ele, como presente de casamento com a filha de um diplomata, Vinícius de Moraes dedicou o “Poema dos Olhos da Amada”.

O Botafogo talvez seja o clube de futebol, pelo menos do Brasil, que teve a história mais cercada de glamour. As histórias de seus craques se confundem com a do futebol brasileiro. Da seleção de todos os tempos da Fifa lá estão três jogadores do Botafogo, a saber: Didi, Nilton Santos e Garrincha. De todos os clubes brasileiros foi o que mais cedeu jogadores para a Seleção Brasileira até hoje. Acredito que só um clube, ou melhor, só o Botafogo seria capaz de ter a história que tem. Assim como os dois personagens mais famosos citados aqui, ser botafoguense é algo que requer extrema paixão e abnegação. É preciso muito amor para enfrentar períodos de seca de títulos. Por isso que ser botafoguense é, antes de tudo, conhecer a sua história e reverenciar seus ídolos. Ou vocês pensam que, por exemplo, naquele esquisito esporte norte-americano chamado baseball, não se reverenciam jogadores de décadas para lá de passadas? Há um caso interessantíssimo que bem exemplifica o amor ao esporte, não importa qual, antes de qualquer coisa. É o caso de uma espécie de Garrincha do baseball chamado Shoeless Joe. A sua história também tem contornos de tragédia e foi contada em parte no filme Eight Men Out. Aqui recebeu o título de Fora da Jogada.

 

O ocaso do ídolo

Toda sua carreira foi construída na era pré-Maracanã, exceto por exatos 35 minutos. Com a doença bastante avançada, em 1951, foi contratado pelo América e, em sua estreia no Maracanã  foi expulso de campo.

Heleno de Freitas jogou vários anos no Botafogo e jamais foi campeão pelo clube de seu coração. Quando foi vendido ao Boca Juniors, em 1948, o Botafogo foi campeão vencendo o Vasco pelo placar de 3 x 1.

Atuou pelos seguintes clubes: Botafogo, Vasco, Boca Juniors, Atlético de Barranquilla (Colômbia), Santos e América (RJ).

 

Sobre Heleno de Freitas

Artigo acadêmico intitulado A marca da elegância no ídolo esportivo Heleno de Freitas.

A vida de Heleno de Freitas. Excelente artigo de Marcio Sabones.

Artigo de Ivan Lessa, intitulado “Minhas botinadas com a fama”,  sobre uma passagem sua, quando garoto em Copacabana ao encontrar Heleno de Freitas.

Artigo El “Gran Gitano” Heleno de Freitas no blog do Atlético Junior de Barranquilla (Colômbia)

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Há 70 anos começava a II Guerra Mundial

A Polônia foi invadida por tropas nazistas e começava a maior de todas as guerras que a humanidade já presenciara até então: a 2ª Grande Guerra. Dezenas de milhões de pessoas foram mortas e afetadas por este conflito que durou 6 anos (1939/1945). A princípio foram apenas conflitos locais, resultantes de ódios étnicos, políticos e econômicos, muitos dos quais tendo origem ainda na formação dos nacionalismos durante o século XIX.

Convido você a assistir o documentário A Conspiração Nazista, um documentário em 7 partes de não mais que 9′30” cada uma  e que mostrarão como se forma uma ideologia em que as pessoas se tornam cegas e perdem o senso da racionalidade.

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O inferno dentro dos ônibus

Por que certos passageiros cismam em ouvir música ruim sem fones de ouvido?

Descobri o inferno dentro dos ônibus urbanos do Rio de Janeiro e nem estou fazendo referência aos já sabidos e meganoticiados assaltos, motoristas que podem ser considerados verdadeiros kamikazes, buracos no asfalto… Tudo isso aí a gente tira de letra.

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© Adam Woolfitt/CORBIS

Mas o que incomoda mesmo são as caixas de abelha que alguns passageiros resolvem carregar consigo. Ah, sim, não sabe o que é caixa de abelha? Pegue um telefone celular que toca mp3, não regule graves e exerça todo o poder dos agudos. Coloque no maior volume possível. Feito isto, a distorção dos agudos logo será percebida e seus ouvidos, que não precisam ter conhecido Bach, Bethoven, Mozart, Beatles, Tom Jobim, Paul Desmond e tudo de bom que há em termos de música, estão prontos para ouvir um zumbido que parece um enxame acondicionado em uma caixa diminuta. É o inferno em termos de música!

Por qual motivo é um inferno musical? Os passageiros, que não tem um pingo de educação e semancol resolvem que todos nós, infelizes passageiros dessa, agora, bad trip, seremos obrigados a ouvir as desgraças de pagodeiros que levaram o pé na bunda da amada e cantam (?) suas mazelas. Isso para não falar dos inapropriados “proibidões”. Um tipo de funk de 5ª categoria em que, imagino, estejam expressando alguma coisa em uma suposta língua assemelhada a última flor do Lácio que, no caso específico, é muito mais inculta e horrorosa!

Esta praga vem se alastrando mais que a tal gripe suína. Torna-se mais comum que derrotas do Botafogo para qualquer timeco de garçons que jogam no Aterro e, pior ainda, são tão ruins quanto o time de Fluminense. Os tais passageiros acham que estão prestando um bem ao nos apresentar essas porcarias. Isto só faz bem para o seu ego que é desproporcional em relação aos dos outros passageiros e suas (deles) mentalidades é comparável a de qualquer ameba que se preze. Como todos nós sabemos, ameba é um protozoário, mas, pelo menos, exerce uma função na Natureza, mesmo tendo apenas uma célula. Esses infelizes, ao que parece, não tem um neurônio sequer.

Me dei ao trabalho de procurar aquele aviso de uma tal lei que proíbe o uso de aparelhos sonoros no interior dos veículos de transporte de massa como os ônibus urbanos. Ou eu estou ficando cego, ou esse aviso não existe mais. Temo que a lei tenha caído no esquecimento.

Dá vontade de fazer como fui obrigado a fazer, ao ter minhas manhãs de Domingo invadidas pelos berros, urros e desacordes de uma rádio evangélica que uma vizinha passou a ouvir. Não me dei por vencido. Quis manter o meu direito ao silêncio nas manhãs domingueiras e deixar minhas janelas abertas, pois, como sabemos, o verão no Rio de Janeiro, por vezes, é uma verdadeira canícula senegalesca. Peguei minha guitarra, coloquei o amplificador no parapeito e o volume de ambos no máximo e ataquei de Johnny B. Goode, o riff inicial é inconfundível e não há inimigo do KPTA que não o conheça. Parece que a mensagem foi compreendida. O rádio da vizinha voltou ao volume normal. Não sei se pela qualidade da música ou se pela mensagem que foi passada. Só sei que deu certo.

Se, ao menos, os tais infelizes de ego gigantesco e capacidade cerebral diminuta gostassem de músicas boas, tudo bem. A gente até não reclamaria tanto, mas, por qual desígnio divino acham que somos obrigados a lidar com essas porcarias que costumam escutar?

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Lutero, meu nego: te enganaram!

Ainda vendem entrada no céu!

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Adiantou você botar a boca no trombone e bater de frente com o Papa? Tudo bem… tudo bem… a burguesia e a nobreza alemãs adoraram suas ideias. Mas cá pra nós, sabe aquela piada sobre o povo que Deus colocaria no Brasil? Pois é… esse povinho acabou aprendendo a vender entrada no céu e, pior de tudo, com assinatura do filho do homem. Parece até psicografia: Jesus Cristo assinando documento em pleno século XXI! Em puro carioquês isso é o famoso 171.

Então, assim como a Igreja Católica fazia até você dar um basta na pouca vergonha que era a venda de indulgências; o cara podia ter sido o maior facínora, mas ao estar próximo de bater as botas, poderia muito bem comprar uma entrada no céu e seus pecados eram esquecidos. Agora isso nem importa tanto quanto antes. O negócio é conseguir cada vez mais “almas”, não para o rebanho, mas para os depósitos em conta corrente.

O pessoal universal, aqui, faz mais bacana ainda. Manda a grana das velhinhas, doentes, desmiolados e bobos em geral, para paraísos fiscais. É ou não é o que está na Bíblia? Alguma coisa vai para o paraíso, nem que seja fiscal, e o dinheiro seja dos coitados dos fiéis. Eu não sabia que fidelidade se comprava… Quanta ingenuidade, hein, Lutero?

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