Recanto das Palavras

O futebol carioca anda na maior pindaíba

Tirante o Império do Mal que anda ganhando uns jogos e enganando a plebe ignara e o Vasco que parece prometer sair do Tártaro, o inferno mitológico dos gregos, ou melhor, a Segundona, dois dos mais tradicionais clubes do Brasil caminham celeremente, de mãos dadas, para um encontro com Hades, o deus grego das profundezas.

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O engraçado é que nos primórdios do futebol, tanto carioca quanto brasileiro, Botafogo e Fluminense praticamente davam as cartas. Flamengo e Vasco só vieram depois que algumas glórias foram conquistadas pelo tricolor e o alvinegro. Hoje, infelizmente, disputam para quem vai cair mais vezes ou perde vergonhosamente. Ou ainda, qual dos dois teria o pior elenco. Por pouco não reeditam o famoso scratch dos pernas-de-pau, que toda semana o Otelo Caçador coletava nas escalações de times em todos recantos do Brasil.

O fantasma do rebaixamento se tornou uma entidade que nem precisa de muita coisa para baixar em General Severiano ou nas Laranjeiras. As sedes, antes assombradas pelos espíritos de torcedores ilustres e jogadores que amavam as camisas desses clubes, agora são mal-assombradas por esse Macobeba que se chama 2ª divisão. Vade retro!

A coisa já está virando folclore e brincadeiras de péssimo gosto são feitas, como o recente caso da seleção sub-20, em que jogadores do Fluminense e demais clubes em vias de serem rebaixados treinam à parte. Que coisa mais boboca!

Pelo bem do futebol brasileiro e do carioca em primeiro lugar, ambos clubes devem pensar em formas de reverter esta situação, se bem que o tricolor esteja praticamente rebaixado, a diretoria tem que fazer todos os esforços para que, caso se confirme essa desgraça, volte para a primeira divisão com todos os méritos. O aviso também serve para o Glorioso.

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Heleno de Freitas, o Gilda: 50 anos de sua morte.

Poucos jogadores de futebol tiveram a aura e proeminência de Heleno de Freitas, que encantou nos gramados e na alta sociedade do Rio de Janeiro, a então capital federal, nas décadas de 1930 e 1940.

Heleno de Freitas Morreu aos 39 anos, em 1959 (8 de novembro), em um sanatório em Barbacena (MG). Foi astro do Botafogo – sua história se confunde com a do clube –. Nasceu em berço de ouro, formou-se em Direito. Gostava de Dostoievski, jazz, blues, Cole Porter, Billie Holiday. Frequentava boates e cassinos.

Em novembro serão completados 50 anos da morte de Heleno de Freitas, o primeiro jogador de futebol a fazer a ponte entre o futebol e a alta sociedade e que foi um dos maiores ídolos do período considerado o mais romântico do futebol brasileiro.

Perto dele, Edmundo, alcunhado de O Animal, não passava de um bichinho de estimação. É essa a constatação que eu, botafoguense, que nem em sonho viu o Heleno jogar, soube de algumas de suas histórias através do meu pai, de quem herdei o sangue alvinegro.

Outros jogadores temperamentais passaram pelos gramados brasileiros, sendo que, além do Animal havia também o Almir Pernambuquinho, que aprontou o maior bafafá na final do campeonato carioca de 1966 contra o Bangu. Este, assim como alguns dos temperamentais, morreu assassinado. Em seu caso numa briga de bar.

Em 2004, a ESPN Brasil produziu o documentário 300 anos de futebol, contando a história de três clubes cariocas fundados em 1904 – Botafogo, Bangu e América –. No programa sobre Botafogo há uma parte especial dedicada a Heleno. Clique sobre a imagem para assistir.

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Clique sobre a imagem

Quando do lançamento do livro Nunca houve um homem como Heleno, de Marcos Eduardo Neves, o autor concedeu várias entrevistas e achei muito interessante resgatar a sua ida ao programa do Jô e também um podcast, o Bom de Bola, que foi criado em homenagem a Heleno de Freitas. Clique no link para ouvir. Vale a pena.

Entrevista de Marcos Eduardo Neves no Programa do Jô.

O Gilda

 gilda2Além de sua sabida doença, um outro fato que marcou Heleno foi o seu temperamento, que levou os torcedores adversários a apelidá-lo de Gilda, o personagem de Rita Hayworth, no filme homônimo. Daí em diante, em todos os jogos, além das confusões já tidas como normais, Heleno tinha que enfrentar a torcida adversária chamando-o de Gilda! Gilda! Gilda!. A provocação parece que era mútua. O recentemente falecido compositor Zé Rodrix, juntamente com Miguel Paiva, escreveram o musical Heleno, um homem chamando Gilda, em que contavam a vida e a obra desse grande jogador de futebol que viveu no limite da razão no campo e na vida. Há uma outra versão para o apelido. Este teria sido dado por seus companheiros do Clube dos Cafajestes, um grupo de rapazes ricos da Zona Sul, que promoviam reuniões.

Em um comentário ao artigo do jornalista botafoguense Roberto Porto em seu blog, o leitor João Almeida, citou a seguinte passagem do livro "O Homem que Sonhou com a Copa do Mundo", de Carlos Rangel:

"Em um asilo em Barbacena, num campinho de terra Heleno corria, gordo e sem dentes, imaginando-se num jogo imaginário, onde ele com a camisa do Botafogo fazia o gol do campeonato. Saía comemorando como um criança. Para ele era realidade. (…) Poucos dias antes de morrer Heleno tira do bolso um amassado pedaço de jornal, onde dizia que o Botafogo precisava do Heleno. Louco, doente e quase moribundo ele dizia eu preciso salvar o Botafogo".

 

Os extremos de uma mesma paixão e tragédia

Posso pecar por omissão ou por desconhecimento, porém, posso falar que dos casos trágicos ou como quiserem, românticos, do futebol brasileiro, o Botafogo teve dois representantes, se não os maiores, certamente os mais significantes: Heleno de Freitas e Garrincha. Não são anti-heróis. Pelo contrário. Foram, sim, dois apaixonados pelo que faziam levando ao extremo seu amor pela bola. Um, o perfeito fisicamente e economicamente, Heleno. O outro, o mestiço pobre, descendente de índios e com um defeito físico, as pernas tortas. O primeiro foi levado pela sífilis à loucura e morte. O outro foi levado pelo álcool à morte. O que emociona, acredito que mesmo aos que não torcem pelo Botafogo, é saber da paixão de ambos pela estrela solitária. Heleno foi jogador do Botafogo antes da fusão, quando o escudo ainda era formado pelas letras B, F e C entrelaçadas. A estrela só veio quando da fusão com o Botafogo de Regatas, pois este era o seu símbolo.

Ainda seguindo pelo caminho paralelo entre vida e arte, muitos consideravam Garrincha como uma espécie de Carlitos, o personagem mais famoso de Charles Chaplin. Quanto a Heleno, segundo, os cronistas esportivos e da crônica social, davam-lhe a fama de um verdadeiro galã de Hollywood. Sempre bem vestido, andando em carros importados, namorando belas mulheres e convivendo com a alta sociedade do Rio de Janeiro, a Capital Federal. Por essas e por outras é que o futebol realmente é um esporte democrático. Entre as quatro linhas todos são iguais não importando a origem social.

heleno04 Mas, por qual motivo falar de um jogador de futebol que morreu louco há 50 anos? Não se espantem. O ser humano é ávido por conhecer os dramas da vida e, em especial, as tragédias. Estão aí até hoje sendo encenadas as peças de Ésquilo, Sófocles e Eurípides. E a história de Heleno tem todos os elementos de uma perfeita tragédia. O tipo apolíneo, o deus da perfeição da beleza, o artista da bola. Amado pelas mulheres e invejado pelos homens. Filho de boa família e nascido em berço de ouro, que terminou seus dias louco em um sanatório. É esse o fascínio que arrebata quem o viu, quem não o viu e quem soube de suas histórias por ouvir contar. Seu futebol foi decantado por escritores do porte de Eduardo Galeano e Gabriel Garcia Marques que o viram jogar. A ele, como presente de casamento com a filha de um diplomata, Vinícius de Moraes dedicou o “Poema dos Olhos da Amada”.

O Botafogo talvez seja o clube de futebol, pelo menos do Brasil, que teve a história mais cercada de glamour. As histórias de seus craques se confundem com a do futebol brasileiro. Da seleção de todos os tempos da Fifa lá estão três jogadores do Botafogo, a saber: Didi, Nilton Santos e Garrincha. De todos os clubes brasileiros foi o que mais cedeu jogadores para a Seleção Brasileira até hoje. Acredito que só um clube, ou melhor, só o Botafogo seria capaz de ter a história que tem. Assim como os dois personagens mais famosos citados aqui, ser botafoguense é algo que requer extrema paixão e abnegação. É preciso muito amor para enfrentar períodos de seca de títulos. Por isso que ser botafoguense é, antes de tudo, conhecer a sua história e reverenciar seus ídolos. Ou vocês pensam que, por exemplo, naquele esquisito esporte norte-americano chamado baseball, não se reverenciam jogadores de décadas para lá de passadas? Há um caso interessantíssimo que bem exemplifica o amor ao esporte, não importa qual, antes de qualquer coisa. É o caso de uma espécie de Garrincha do baseball chamado Shoeless Joe. A sua história também tem contornos de tragédia e foi contada em parte no filme Eight Men Out. Aqui recebeu o título de Fora da Jogada.

 

O ocaso do ídolo

Toda sua carreira foi construída na era pré-Maracanã, exceto por exatos 35 minutos. Com a doença bastante avançada, em 1951, foi contratado pelo América e, em sua estreia no Maracanã  foi expulso de campo.

Heleno de Freitas jogou vários anos no Botafogo e jamais foi campeão pelo clube de seu coração. Quando foi vendido ao Boca Juniors, em 1948, o Botafogo foi campeão vencendo o Vasco pelo placar de 3 x 1.

Atuou pelos seguintes clubes: Botafogo, Vasco, Boca Juniors, Atlético de Barranquilla (Colômbia), Santos e América (RJ).

 

Sobre Heleno de Freitas

Artigo acadêmico intitulado A marca da elegância no ídolo esportivo Heleno de Freitas.

A vida de Heleno de Freitas. Excelente artigo de Marcio Sabones.

Artigo de Ivan Lessa, intitulado “Minhas botinadas com a fama”,  sobre uma passagem sua, quando garoto em Copacabana ao encontrar Heleno de Freitas.

Artigo El “Gran Gitano” Heleno de Freitas no blog do Atlético Junior de Barranquilla (Colômbia)

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Racismo e esporte

O racismo é uma coisa nojenta, amorfa e dissimulada na maioria da vezes. Em se tratando das relações humanas muito dificilmente um grupo aceita alguém de fora que seja diferente. E quando isso se dá, é porque foi criado um juízo de valor de que o diferente é pior, não presta, é sujo e tudo o mais que possa haver de pejorativo e excludente.

Ao mesmo tempo, por ser em muitas vezes uma coisa sem forma, hoje, já há quem seja da KKK e não considere o Obama como sendo negro. Estranho, não? Mas é a mesma visão que temos numa cena do filme “Faça a coisa certa” (Do The Right Thing), do Spike Lee. Para quem não viu ou pretende ver, a cena se passa dentro da pizzaria do Sal (Dani Aiello) e um de seus filhos, Pino, interpretado pelo excelente ator John Turturo, discute com Mookie, o entregador de pizza negro, interpretado pelo diretor Spike Lee, o quão negro ele, Pino, seria apesar da origem italiana. E como exemplo, pede para que ele cite seus ídolos: No basquete, Magic Johnson; no cinema, Eddie Murphy; na música, Prince e por aí vai, até que Pino tenta criar uma teoria para dizer que estes e outros negros não são bem negros. São, digamos, diferentes. Por acaso, a música, o cinema, o esporte e outros campos de atividade têm cor? O que conta é o talento, certo?

Infelizmente não encontrei uma versão com legendas.

Apenas a título de curiosidade, nesse mesmo filme também há um personagem que é um daqueles negros que embarcam na onda de Black Power, mas sem grande informação, interpretado pelo ator Giancarlo Esposito, que apesar do nome italiano é negro e, nos bastidores do filme, para quem tem a versão oficial em DVD, percebe que o Dani Aiello até se espanta ao saber que o Giancarlo nasceu em Copenhague (Dinamarca) resultado de um casamento entre uma negra norte-americana e um italiano. O mesmo espanto, guardada as proporções, é claro se deu comigo ao saber que um entregador de uma editora que eu conheço tinha um sobrenome italiano. Achei interessante e perguntei o motivo e ele me respondeu: é do meu avô. Foi aí que eu me dei conta que parte dos imigrantes italianos que vieram para o Brasil também se estabeleceram no Rio de Janeiro e, ali na altura do morro da Providência (Centro), havia uma colônia italiana em integração com moradores da região que tinham origem africana (ex-escravos e seus descendentes).

Lógico que no campo do esporte e da cultura negros se destacam. Muitos tiveram apenas esta oportunidade para “chegarem lá”. Agora, o chato mesmo é ver que, num esporte, o futebol, que é o esporte mais popular do mundo, grupos racistas incitem a violência por questões raciais. A violência no esporte, por si só, não é coisa que deveria acontecer; mas não podemos negar que o esporte coletivo, é, digamos, um traço cultural das batalhas entre grupos e clãs que se diferenciavam não apenas por questões étnicas, mas também sociais ou econômicas. Assumiam cores, estandartes e símbolos pelos quais nutriam adoração e que desejavam fazer prevalecer sobre seus oponentes.

Recentemente, na Alemanha, um clube de futebol de uma cidadezinha de 800 habitantes teve a genial ideia de realizar uma partida amistosa e grupos neonazistas decidiram que perturbariam o ambiente. Uma lástima, pois essa cultura raivosa de achar que cor de pele é motivo para mensurar caráter ou vida é algo que não deveria mais existir. Porém, infelizmente, essa praga se espraia novamente e, hoje, no globalizado esporte coletivo, a ação de racistas chegam as raias da insanidade.

A coisa não é nova, mas não se encaixa mais, a meu ver, em qualquer campo de atividade. Torcidas que imitam macacos quando um jogador negro toca na bola – como fez a torcida do Grêmio no jogo contra o Cruzeiro – ou arremessar cachos de banana em campo, são provocações que só servem para demonstrar o nível da mediocridade humana. Essas mesmas bestas se esquecem que, ao berrarem para todos os gringos, que somos pentacampeões é porque o Brasil, a Seleção Brasileira, foi a síntese da mescla, da mistura, da união de etnias e o maior jogador de futebol de todos os tempos é negro e o Garrincha, o segundo maior era cafuzo, uma mistura de índio com negro. Então, por qual motivo essa idiotice de fazer mímica de macacos, ainda mais num estado em que o maior símbolo do folclore é o Negrinho do Pastoreio? Idiotice pura!

Escrevo este artigo após ter lido um outro artigo sobre o tal time da cidadezinha alemã na Spiegel Online. Vejam, por exemplo, a quantidade de notícias no G1 sobre o racismo nos esportes. É alarmante, quando sabemos que o atual campeão de Fórmula 1 é um negro, a final do torneio feminino de tênis de Wimbledon será disputada por duas negras e o maior jogador de basquete de todos os tempos é negro.

Em seu livro, O Negro no Futebol Brasileiro, Mario Filho, o jornalista que dá nome ao maior estádio de futebol do mundo, o Maracanã, nos apresenta as razões pelas quais somos uma potência futebolística. É justamente pela presença do negro, e outros intelectuais como Gilberto Freyre afirmavam que essa é uma verdade incontestável. Conta, Mario Filho, que muitos negros não eram aceitos nos clubes de futebol, que era um esporte das elites brancas, mas, que, com o passar do tempo e o friedenreich surgimento do profissionalismo essas besteiras foram acabando, mesmo que no campeonato carioca uma cisão tenha acontecido justamente por este motivo, ou os dois, o profissionalismo e o racismo. O próprio negro não se reconhecia como negro para poder participar desses grupos. Conta que Friendereich, o maior jogador brasileiro de futebol da era amadorística, era um mulato filho de um alemão com uma negra e que, antes de cada jogo, passava horas alisando o cabelo para parecer menos negro. E há também o folclórico, mas verídico, caso dos jogadores do Fluminense que usavam pó de arroz para “clarear” a pele.

Ainda no campo de futebol brasileiro, até antes de ganharmos a primeira Copa do Mundo, em 1958, na Suécia, alguns “inteligentes” dirigentes de futebol temiam que a presença de negros na seleção nos fizesse apresentar uma imagem ruim do Brasil – barbaridade!!! –, e que também perderíamos a Copa, assim como as anteriores, devido ao banzo, aquela saudade ancestral que acometia os negros que vinham da África para serem escravos na lavoura ou nas minas. E o que foi que aconteceu? Um negro de 17 anos e um cafuzo das pernas tortas encantaram o mundo. O maior jogador dessa Copa, escolhido pela Fifa, foi o Didi, um negro.

Quando o Uruguai ganhou a Copa do Mundo de 1930, a primeira, havia um jogador negro no time titular, o meio-campista José Andrade. Portanto, a presença do negro no futebol, faz este esporte ser este esporte. Assim como outros representantes de outra etnias, mas isso não impede que as bestas racistas vejam a importância do esporte como congraçamento humano.

A perseguição não se dá apenas aos negros, mas aos judeus também. Por exemplo, o clube inglês Tottenham tinha – e ainda tem – uma ligação com os judeus ingleses. Por isso, durante décadas, as torcidas adversárias cantavam músicas pejorativas e incitavam violência contra seus jogadores. Quanta idiotice, não?

Façamos a coisa certa. Sejamos, antes de tudo, seres humanos.

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Desculpem, mas eu sou Botafogo!

Ouça poema/crônica “Olhe aqui, Mr. Buster” declamado por Vinícius de Moraes. Uma nova janela abrirá. Ouça e depois leia o artigo.

Olhem aqui, meus caros Misters Busters:

Não há outra forma de afirmar este fato. Alguns podem até achar que não há como torcer por este clube. Outros, como eu, mantém e manterão sempre a paixão, que é coisa que não se explica, pela estrela solitária. É aquela paixão que não tem limites. Apenas acontece.

No final do texto, você encontrará 4 imagens para usar como fundo de tela.

Perdemos um campeonato? Partimos para o próximo. E o faremos como se nada houvesse acontecido. A paixão será a mesma e até mais intensa. Não me importa se foi para o clube A, B ou C. Importa é que estivemos lá e continuaremos lutando para estar e vamos ganhar.

Dizem que vivemos de passado. Os quase 200 milhões de brasileiros também vivem de passado. Somos pentacampeões; mas não se pode esquecer que o Botafogo foi – e ainda é – o clube que mais jogadores cedeu para a Seleção Brasileira até hoje. E, me desculpem a falta de modéstia, trouxe a Jules Rimet para o Brasil em definitivo. Ainda me desculpando pela falta de modéstia, o Botafogo é o único clube do mundo a ter três jogadores na Seleção de todos os tempos da Fifa.

Me desculpem novamente. Vocês podem ter José Lins do Rego, Chico Buarque e Aldir Blanc. Um flamenguista, um tricolor e um vascaíno. Mas, cá pra nós, meus caros Misters Busters, vocês não tem o Vinícius.

Desculpem mais uma vez, mas em nenhum lugar do mundo, a não ser em General Severiano, ao mesmo tempo conviveram a sabedoria e a felicidade, o senso e o contrassenso. Falo de Nilton Santos,   a Enciclopédia do Futebol e de Garrincha, a Alegria do Povo.

Não há poesia que seja mais bela que a da origem da estrela solitária que, por sinal, segundo uma recente votação, o escudo do Botafogo foi escolhido como o mais belo do mundo.

E ninguém cala!

Botafoguense, você pode baixar. Clique para ampliar a imagem.

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Coisas que só acontecem ao Botafogo no Twitter

Um site chamado “Siga seu time”, que se arvora em divulgar notícias dos clubes de futebol através do Twitter, particularmente os grandes clubes brasileiros, começa a twittar a emocionante partida entre o Santo André e o tal botafogo de Ribeirão Preto. E, pasme, o escudo apresentado é o da Estrela Solitária. Os intrépidos trepidantes twittescos mandaram 7 mensagens – número da camisa do Garrincha, mas duvido que saibam disso –  informando sobre esse jogo e não se tocaram que “cobriam” o jogo errado. Eu vi isso hoje, ao fazer uma pesquisa no Twitter, e me deparei com o resultado mostrado na imagem abaixo. Sim, eu salvei como imagem que é para não pensarem que é picuinha ou lorota. Leia as mensagens de baixo para cima.

botafogotwitterClique sobre a imagem para ampliar

Um internauta ainda informou “Esse aí não é o Botafogo”, ali pela altura da segunda mensagem errada, mas os jornalistas (sic) do tal site Siga Seu Time continuaram na banheira. Certamente não estavam no estádio e cometiam caneladas com a famosa dupla de ataque, CTRL C e CTRL V, que vampirizavam as mensagens de algum site ou portal que acompanha os jogos e vai informando através de mensagens curtas como, por exemplo, o UOL e o Terra fazem.

Então, quando a emocionante partida entre o Santo André e o tal botafogo de Ribeirão Preto já estava 2×1, e começaria o segundo tempo, eles informam com a mais singela das mensagens: “Da equipe técnica: em razão de uma falha técnica estamos transmitindo o jogo do Botafogo de SP. Estamos trabalhando na solução”. Vai ter gerundismo em menos de 140 caracteres assim lá na China – Cantão, que fala Português –. Acho que o radinho de pilha estava sintonizado em alguma estação de Ribeirão Preto ou Santo André, ou pior, ouviam o jogo online, mas nem se tocaram que o sotaque dos locutores, comentaristas e repórteres de campo era do tipo “não estou inteindeindo”.

E mesmo após o anúncio da tal solução – sugiro uma solução de água e sabão nos pavilhões auriculares – mandaram mais uma mensagem ainda usando o escudo do Botafogo para informar que começara o segundo tempo da emocionante peleja.

Decididamente, o clube da Estrela Solitária, que é internacionalmente conhecido, e é o único a ter três jogadores na seleção de todos os tempos da Fifa, não é dos mais bafejados pela sorte. Por este motivo a frase mais conhecida sobre o Botafogo é a que dá nome a este artigo. Além disso, saibamos, há outros clubes no Brasil que ostentam a palavra “Botafogo”, como o da Paraíba.

Há alguns anos a paulistada, principalmente a imprensa da terra garoa e, em especial a Folha de São Paulo, a qual sou assinante, cismava em falar do Botafogo como “Botafogo do Rio” ou “Botafogo-RJ”, como se por algum acaso (aborto) histórico – Êpa! O arcebispo vai me excomungar? –, um clube da cidade de Ribeirão Preto que sabe-se, lá o motivo pelo qual utiliza o nome Botafogo, fosse o original. Mandei alguns e-mails e até recebi resposta do onbudsman – isso parece anagrama – e acordaram para o fato de que Sampa não tem praia, muito menos Ribeirão Preto também tem praia e um bairro chamado Botafogo. E o pior de tudo é que este clube de Ribeirão Preto fez uma das piores combinações de cores que poderia existir: juntou a cor preta com a vermelha. Em termos cromáticos do Glorioso, essa combinação de cores é mais apropriada ao Império do Mal. Eu não pronuncio ou escrevo palavras de baixo calão como a que denomina um clube situado na Gávea.

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