Recanto das Palavras

Racismo e esporte

O racismo é uma coisa nojenta, amorfa e dissimulada na maioria da vezes. Em se tratando das relações humanas muito dificilmente um grupo aceita alguém de fora que seja diferente. E quando isso se dá, é porque foi criado um juízo de valor de que o diferente é pior, não presta, é sujo e tudo o mais que possa haver de pejorativo e excludente.

Ao mesmo tempo, por ser em muitas vezes uma coisa sem forma, hoje, já há quem seja da KKK e não considere o Obama como sendo negro. Estranho, não? Mas é a mesma visão que temos numa cena do filme “Faça a coisa certa” (Do The Right Thing), do Spike Lee. Para quem não viu ou pretende ver, a cena se passa dentro da pizzaria do Sal (Dani Aiello) e um de seus filhos, Pino, interpretado pelo excelente ator John Turturo, discute com Mookie, o entregador de pizza negro, interpretado pelo diretor Spike Lee, o quão negro ele, Pino, seria apesar da origem italiana. E como exemplo, pede para que ele cite seus ídolos: No basquete, Magic Johnson; no cinema, Eddie Murphy; na música, Prince e por aí vai, até que Pino tenta criar uma teoria para dizer que estes e outros negros não são bem negros. São, digamos, diferentes. Por acaso, a música, o cinema, o esporte e outros campos de atividade têm cor? O que conta é o talento, certo?

Infelizmente não encontrei uma versão com legendas.

Apenas a título de curiosidade, nesse mesmo filme também há um personagem que é um daqueles negros que embarcam na onda de Black Power, mas sem grande informação, interpretado pelo ator Giancarlo Esposito, que apesar do nome italiano é negro e, nos bastidores do filme, para quem tem a versão oficial em DVD, percebe que o Dani Aiello até se espanta ao saber que o Giancarlo nasceu em Copenhague (Dinamarca) resultado de um casamento entre uma negra norte-americana e um italiano. O mesmo espanto, guardada as proporções, é claro se deu comigo ao saber que um entregador de uma editora que eu conheço tinha um sobrenome italiano. Achei interessante e perguntei o motivo e ele me respondeu: é do meu avô. Foi aí que eu me dei conta que parte dos imigrantes italianos que vieram para o Brasil também se estabeleceram no Rio de Janeiro e, ali na altura do morro da Providência (Centro), havia uma colônia italiana em integração com moradores da região que tinham origem africana (ex-escravos e seus descendentes).

Lógico que no campo do esporte e da cultura negros se destacam. Muitos tiveram apenas esta oportunidade para “chegarem lá”. Agora, o chato mesmo é ver que, num esporte, o futebol, que é o esporte mais popular do mundo, grupos racistas incitem a violência por questões raciais. A violência no esporte, por si só, não é coisa que deveria acontecer; mas não podemos negar que o esporte coletivo, é, digamos, um traço cultural das batalhas entre grupos e clãs que se diferenciavam não apenas por questões étnicas, mas também sociais ou econômicas. Assumiam cores, estandartes e símbolos pelos quais nutriam adoração e que desejavam fazer prevalecer sobre seus oponentes.

Recentemente, na Alemanha, um clube de futebol de uma cidadezinha de 800 habitantes teve a genial ideia de realizar uma partida amistosa e grupos neonazistas decidiram que perturbariam o ambiente. Uma lástima, pois essa cultura raivosa de achar que cor de pele é motivo para mensurar caráter ou vida é algo que não deveria mais existir. Porém, infelizmente, essa praga se espraia novamente e, hoje, no globalizado esporte coletivo, a ação de racistas chegam as raias da insanidade.

A coisa não é nova, mas não se encaixa mais, a meu ver, em qualquer campo de atividade. Torcidas que imitam macacos quando um jogador negro toca na bola – como fez a torcida do Grêmio no jogo contra o Cruzeiro – ou arremessar cachos de banana em campo, são provocações que só servem para demonstrar o nível da mediocridade humana. Essas mesmas bestas se esquecem que, ao berrarem para todos os gringos, que somos pentacampeões é porque o Brasil, a Seleção Brasileira, foi a síntese da mescla, da mistura, da união de etnias e o maior jogador de futebol de todos os tempos é negro e o Garrincha, o segundo maior era cafuzo, uma mistura de índio com negro. Então, por qual motivo essa idiotice de fazer mímica de macacos, ainda mais num estado em que o maior símbolo do folclore é o Negrinho do Pastoreio? Idiotice pura!

Escrevo este artigo após ter lido um outro artigo sobre o tal time da cidadezinha alemã na Spiegel Online. Vejam, por exemplo, a quantidade de notícias no G1 sobre o racismo nos esportes. É alarmante, quando sabemos que o atual campeão de Fórmula 1 é um negro, a final do torneio feminino de tênis de Wimbledon será disputada por duas negras e o maior jogador de basquete de todos os tempos é negro.

Em seu livro, O Negro no Futebol Brasileiro, Mario Filho, o jornalista que dá nome ao maior estádio de futebol do mundo, o Maracanã, nos apresenta as razões pelas quais somos uma potência futebolística. É justamente pela presença do negro, e outros intelectuais como Gilberto Freyre afirmavam que essa é uma verdade incontestável. Conta, Mario Filho, que muitos negros não eram aceitos nos clubes de futebol, que era um esporte das elites brancas, mas, que, com o passar do tempo e o friedenreich surgimento do profissionalismo essas besteiras foram acabando, mesmo que no campeonato carioca uma cisão tenha acontecido justamente por este motivo, ou os dois, o profissionalismo e o racismo. O próprio negro não se reconhecia como negro para poder participar desses grupos. Conta que Friendereich, o maior jogador brasileiro de futebol da era amadorística, era um mulato filho de um alemão com uma negra e que, antes de cada jogo, passava horas alisando o cabelo para parecer menos negro. E há também o folclórico, mas verídico, caso dos jogadores do Fluminense que usavam pó de arroz para “clarear” a pele.

Ainda no campo de futebol brasileiro, até antes de ganharmos a primeira Copa do Mundo, em 1958, na Suécia, alguns “inteligentes” dirigentes de futebol temiam que a presença de negros na seleção nos fizesse apresentar uma imagem ruim do Brasil – barbaridade!!! –, e que também perderíamos a Copa, assim como as anteriores, devido ao banzo, aquela saudade ancestral que acometia os negros que vinham da África para serem escravos na lavoura ou nas minas. E o que foi que aconteceu? Um negro de 17 anos e um cafuzo das pernas tortas encantaram o mundo. O maior jogador dessa Copa, escolhido pela Fifa, foi o Didi, um negro.

Quando o Uruguai ganhou a Copa do Mundo de 1930, a primeira, havia um jogador negro no time titular, o meio-campista José Andrade. Portanto, a presença do negro no futebol, faz este esporte ser este esporte. Assim como outros representantes de outra etnias, mas isso não impede que as bestas racistas vejam a importância do esporte como congraçamento humano.

A perseguição não se dá apenas aos negros, mas aos judeus também. Por exemplo, o clube inglês Tottenham tinha – e ainda tem – uma ligação com os judeus ingleses. Por isso, durante décadas, as torcidas adversárias cantavam músicas pejorativas e incitavam violência contra seus jogadores. Quanta idiotice, não?

Façamos a coisa certa. Sejamos, antes de tudo, seres humanos.

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Acordo Ortográfico 2009: Guia para não esquecer

Baixe um guia em formato .pdf com as novas regras ortográficas no portal G1. Há um link no artigo “Confira o guia rápido das mudanças da reforma ortográfica”.

A partir do dia 1º de janeiro de 2009 passa a valer o novo acordo ortográfico da Língua Portuguesa. Todos nós sabemos que algumas modificações sutis, porém, importantes deverão ser feitas e, como todo blogueiro que se preza, a primeira preocupação para que seu blog possa ter qualidade é o bom uso do idioma.

Mesmo que a ortografia atual possa ser usada até 2012, já é bacana começar a se acostumar em escrever “leem” em vez de “lêem”, por exemplo, para indicar quantas pessoas leram artigos em seus blogs.

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O que é que a espanhola tem?

O que é que a espanhola tem?
O que é que a espanhola tem?

Tem ouro que era asteca, tem!
Tem prata que era peruana, tem!
Tem ETA que é terrorista, tem!
Tem buço que é bigode, tem!
Tem tourada que é imbecil, tem!
Tem telefónica que não fala, tem!
Tem Alonso que é barbeiro, tem!

Quando você quiser conquistar
Mate um índio assim
Mate um índio assim
Mate um índio assim

O que é que a espanhola tem?
O que é que a espanhola tem?
O que é que a espanhola tem?
O que é que a espanhola tem?

Tem buço que é bigode, tem!
Tem ouro que era asteca, tem!
Tem prata que era peruana, tem!
Tem ETA que é terrorista, tem!
Tem tourada que é imbecil, tem!
Tem telefónica que não fala, tem!
Tem Alonso que é barbeiro, tem!

Só rouba no Potosi quem tem
(O que é que a espanhola tem?)
Só rouba no Potosi quem tem
Só rouba no Potosi quem tem

Um Rosário de ouro roubado, uma gripe assim
Quem não tem Pizarro não mata índio assim
(Oi, não vai no Potosi)
(Oi, não vai no Potosi)

Para cantar ao ritmo e melodia de “O que é que a baiana tem?”

Esta paródia foi escrita após ter lido no site da BBC Brasil só notícia ruim do Brasil em relação a Espanha. Parece que todas as meninas de vida fácil, todos os travestis, todos os trambiqueiros do mundo são apenas brasileiros e que adoram passar os moradores daquele outro país ibérico, que não é Portugal, para trás.

Não é uma retaliação, mas apenas uma constatação que, se no Brasil tem coisa ruim, neste outro país ibérico também tem e aos montes. E, pasme, até terroristas em potencial nós somos agora; além das já conhecidas mazelas que nos afligem.

A lista de advertências do governo espanhol aos turistas que escolham destinos brasileiros ainda inclui alertas sobre a violência, febre amarela, dengue e até terrorismo. Segundo a nota ministerial sobre o Brasil, “neste momento nenhuma região do mundo e nenhum país está a salvo de possíveis atos terroristas

É. Se depender dos comedores de paella, o Brasil é o pior país do mundo e tem o pior povo do mundo. Mesmo assim, eu prefiro falar das coisas boas da Espanha, como Salvador Dali, Pablo Picasso, El Greco, Luis Buñuel, Flamenco, Paco de Lucia, Goya, Pablo Casals, Concerto de Aranjuez, Gaudí e mais um montão de gente e coisas bacanas deste país.

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Fórmula 1, uma quase marmelada


Bons tempos aqueles em que os campeonatos eram decididos e os pilotos brasileiros não precisavam fazer papel de coadjuvante. Madrugadas de tensão e emoção para ver Piquet e Senna ganharem e, até mesmo, numa batida ter o campeonato decidido, como foi quando Prost, numa chicane em Suzuka, tentou tirar o Senna da pista e este voltou e venceu; mas foi desclassificado. Depois, no tapetão, o Jean-Marie Ballestre deu o campeonato para o compatriota. No ano seguinte, com o Prost já na Ferrari, foi a vez de ser posto pra fora da corrida e, por saber que jogara sujo no ano anterior, ficou de bico calado.

Hoje, nem marmelada sabem mais fazer. Não discuto o talento do Lewis Hamilton, mas aquela história de gasolina batizada dos carros da Williams e da BMW não dava para engolir. Entregar um campeonato para um piloto que o jogou fora, assim dessa forma, beirou a tragicomédia.

Temo que em 2008, o Felipe Massa passe pelas mesmas coisas que o Barrichello passou enquanto dividiu o box da Ferrari com o Schumacher. Uma pena.

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