Recanto das Palavras

Primavera dos Livros 2009 – Rio de Janeiro

Uma feira de livro das pequenas e médias editoras brasileiras com tudo que as grandes feiras de livro tem e um pouco mais: o contato direto com os editores e autores.

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A Primavera dos livros do Rio de Janeiro este ano, que será entre os dias 26 e 29 de novembro, das 10h às 22h, no jardim do Museu da República (Palácio do Catete), terá como tema a Literatura de Cordel, em homenagem ao poeta Patativa do Assaré, que completaria 100 anos de nascimento. Este evento é o resultado do esforço da Libre – Liga Brasileira de Editoras, tendo patrocínio da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro e apoio da Biblioteca Nacional e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo. Este ano a feira se internacionaliza ao contar com profissionais do mercado editorial latino-americano e africano, recebendo representantes do Chile, Peru, Argentina, Equador, México, Guiné-Bissau e Angola.

São 86 estandes apresentando livros de todos os gêneros literários (Biografia, Romance, Romance Policial, Infantil, Infanto-Juvenil, Arte, etc.)

Além das editoras comerciais, também haverá participação de editoras universitárias e institucionais como a Biblioteca Nacional e a Fiocruz.

A entrada é franca e haverá promoções com descontos de até 40%

 

Como chegar

Metrô

primavera02Clique sobre a imagem para ampliar

Ônibus

Entre no Google maps e faça a busca. Hoje, o Rio de Janeiro é uma das poucas cidades do mundo em que o Google fornece informações acuradas sobre o transporte coletivo.

 

Programação de lançamentos

Entre os dias 27 e 29, haverá diversos lançamentos e sessões de autógrafos para o público adulto e infantil. No sábado, 28/11, às 14h, será lançado o livro “Botafogo desde menino”, de Luís Pimentel com ilustrações do Amorim.

 

Mesas de debate

Também haverá mesas de debates para todos os gostos como, por exemplo, no dia especial para os professores (27/11, mesa 3, às 10h), o tema será “Os mestres Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro na escola do século XXI”.

Nomes de peso dos universos literário e cultural brasileiros como Lygia Bojunga, Laura Sandroni, Joel Rufino dos Santos, Braulio Tavares, Ruth de Souza, Jorge Mautner, Luiz Carlos Maciel, Milton Gonçalves, Arthur Dapieve, Ruy Castro, Heloisa Seixas, Geraldinho Carneiro, Carlito Azevedo, Deonísio Silva e outros mais participarão das mesas de debate.

Serão discutidos temas como o universo da criação literária, o Rio de Janeiro e as Olimpíadas de 2016, racismo e a mulher negra na TV brasileira. Numa das mesas o debate será em torno da biografia como gênero literário e por qual motivo é um dos segmentos de maior vendagem do mercado editorial. Em outra mesa, Ruy Castro e Heloísa Seixas batem um papo com o público e também haverá uma mesa dedicada à obra e vida de Augusto Boal.

As novas mídias não foram esquecidas, tanto que uma das mesas discutirá os sites de relacionamento como o Facebook e outros do mesmo porte como canais para a arte, mídia e cultura digital.

Veja a programação abaixo:

Dia 27/11

DIA DO PROFESSOR

9h Chegada e certificação

  • 10h – 11h – sexta-feira
    Mesa 3 – Os mestres Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro na escola do século XXI
    Participantes:
    Yolanda Lobo (escritora)
    Guti Fraga (projeto Nós do Morro)
    Mediação: Bia Hetzel (Editora Manati)
  • 11h30 – sexta-feira
    Mesa 4 – Leitura e Paixão: uma homenagem a Lygia Bojunga e Tatiana Belinky (em depoimento virtual)
    Homenagem a duas das mais importantes personalidades da cultura brasileira com inestimável contribuição na área de literatura, leitura e mercado de livros
    Participantes:
    Lygia Bojunga
    Laura Sandroni (escritora e jornalista)
    Joel Rufino dos Santos (escritor)
    Mediação: Ninfa Parreiras (escritora e pesquisadora da FNLIJ)
  • 15h – sexta-feira
    Mesa 5 – Universos da criação literária. Escrever se aprende?
    A criação literária, assunto muito controvertido entre especialistas. Escrever se aprende? Como se forma um escritor? Quais os caminhos a percorrer até que aulas ou oficinas contribuam para sua formação? Aprendemos samba no colégio, afinal?
    Participantes:
    Nilza Rezende (escritora e professora de oficinas de criação literária)
    Luís Pimentel (escritor e jornalista/professor)
    Bia Albernaz (escritora e professora de oficinas de criação literária)
    Mediação: Marcus Vinicius Quiroga (poeta e professor)
  • 18h30 – sexta-feira
    Mesa 6 – O Brasil em cordel – Homenagem a Patativa do Assaré
    O cordel como literatura, como música, como criação e como expressão mais genuína da nossa literatura. O cordel como mercado e como profissão. A arte do poeta de cordel encarnada nesta homenagem a Patativa do Assaré, um dos maiores profissionais do gênero, morto em 2002, aos 93 anos.
    Participantes:
    Bráulio Tavares (escritor e especialista em Literatura de Cordel)
    Olegário Alfredo (cordelista)
    Chico Sales (cordelista)
    Mediação: Marcus Lucena (cordelista e Presidente da Academia Brasileira de Cordel)

Dia 28/11

  • 10h30 -12h30 – sábado
    Mesa 7 – Olimpíadas 2016: a cidade e o esporte
    Rio: capital turística do Brasil, escolhida para ser o palco das Olimpíadas de 2016, com diversas promessas de melhorias para seus problemas mais cruciais. Até que ponto o desenvolvimento de uma pode estar atrelado a um evento? O futuro de uma cidade depende dessas efemérides?
    Participantes:
    Mauricio Drummond (escritor e professor)
    Jorge Maranhão (escritor)
    Saturnino Braga (escritor e ex- prefeito do RJ)
    Mediação: Alvanísio Damasceno (editor da Quartet)
  • 12h30h – 14h – sábado
    Mesa 8 – Aqui ninguém é branco: mídia e Racismo – a mulher negra na TV
    Homenagem a Ruth de Souza
    Participantes:
    Ruth de Souza (atriz)
    Rosália Diogo (escritora e pesquisadora)
    Ângela Randolpho (escritora e pesquisadora)
    Mediação: Laura Padilha (escritora e prova UFF)
  • 15h – 16h30 – sábado
    Mesa 9 – Face a face com o Facebook e congêneres: arte, mídia e cultura digital
    As novas mídias, arte e cultura  digital e a revolução que representam no século XXI. Como afetam as nossas relações pessoais e de trabalho. A internet e suas possibilidades de comunicação jamais imaginadas. A vida na rede.
    Participantes:
    Artur Matuck (escritor e professor USP)
    Maria Carmem Barbosa (escritora e roteirista de TV)
    Nízia Villaça (escritora e pesquisadora)
    Mediação: Valéria Martins
  • 17h – 18h30 – sábado
    Mesa 10 – O Brasil em cordel – Homenagem a Patativa do Assaré
    Participantes:
    Bráulio Tavares
    Olegário Alfredo
    Chico Sales
    Mediação: Marcus Lucena
  • 19h – 20h30 – sábado
    Mesa 11 – Tal Brasil, qual teatro? Tributo a Augusto Boal
    Reflexão sobre o papel do teatro na sociedade contemporânea e homenagem a Augusto Boal, criador do Teatro do Oprimido.
    Participantes:
    Jorge Mautner (poeta e músico)
    Luiz Carlos Maciel (ator e diretor de teatro)
    Nelson Xavier (ator e diretor)
    Milton Gonçalves (ator)
    Helen Saratek (socióloga/Centro do Teatro do Oprimido)
    Mediação: Geo Britto (pesquisador/Centro Teatro do Oprimido)

Dia 29/11

  • 10h – 11h30 – domingo
    Mesa 12 – Biógrafos e biografáveis : que mercado é esse que só faz crescer?
    Os caminhos da biografia como gênero na contemporaneidade. Quais são eles? Quais as novas formas de escrita que admitem? O profissional de biografias e sua ética num mercado que cresce cada dia mais.
    Participantes:
    Arthur Dapieve (cronista, jornalista e biógrafo /Renato Russo)
    Carlos Didier (compositor e biografo / Noel Rosa)
    Ana Arruda Callado (roteirista e biógrafa / Maria Martins)
    Euclides Penedo Borges (músico e biógrafo / Euclides da Cunha)
    Mediação: Felipe Pena (autor de Teoria da Biografia sem Fim)
  • 11h30 – 13h – domingo
    Mesa 13 – Leitores apaixonados: um encontro com Ruy Castro e Heloisa Seixas
    A paixão pela leitura e pelos livros é o tema deste encontro com dois craques da escrita, apaixonados pelos livros e pela profissão.
    Participantes:
    Heloisa Seixas (escritora )
    Ruy Castro (escritor)
    Mediação: Suzana Vargas (especialista em leitura)
  • 15h – 16h – domingo
    Mesa 14 – Sustentabilidade / biodiversidade: por uma nova ética cultural
    A sustentabilidade como solução para garantir novas formas de sobrevivência para o planeta. Até onde afetará a vida em comunidade, gerando novas formas de convivência
    Participantes:
    Leonardo Boff (escritor)
    Fernando Gabeira (deputado federal/PV)
    Mediação: Felipe Pena
  • 17h – 18h30 -  domingo
    Mesa 15 – O máximo no mínimo – um olhar sobre as poéticas contemporâneas
    A poesia como gênero minimalista, que diz muito com a maior economia verbal possível, de vasta produção e pouca inserção no mercado. Que caminhos percorre hoje até chegar ás prateleiras das livrarias. O que é ser poeta hoje?
    Participantes:
    Ângela Melim
    Geraldinho Carneiro
    Carlito Azevedo
    Mediação: Suzana Vargas
  • 19h – 20h30 – domingo
    Mesa 16 – Questões de Lusofonia. Por onde anda o acordo ortográfico?
    O acordo ortográfico que completa dois anos e sua adoção brasileira. Por onde anda Portugal e os países de língua portuguesa nessa importante fase de implantação?
    Participantes:
    Deonísio da Silva (escritor e etimologista)
    Adriano de Freixo(escritor especialista)
    Marcelo Moutinho (jornalista e escritor)
    Mediação: Cecília Costa (jornalista e escritora)

[Fonte: Libre]

Mapa dos Expositores

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Editora participantes em ordem alfabética

7 Letras
Alameda
Alis
Almádena Editora
Altana
Andrea Jakobson
Apicuri
Argvmentvm
Arquivo Nacional
Artes e Ofícios
Autêntica
Azougue
Bem-Te-Vi
Biruta
Brinque-Book
C/Arte
Calibán
Callis
Capivara
Casa da Palavra
Casa de Rui Barbosa
Cia. de Freud
Claridade
Conta Capa
Contraponto
Cosac Naify
Crisálida
Cuca Fresca
Dueto
Duna
Ed. da UFF
Ed. da UFRJ
Ed. da Unesp
Ed. De Cultura
Ed. Fiocruz
Ed. Independentes
Ed. Museu da República
Editora 34
EdUERJ
Estação Liberdade
Frente Editora
Fund. Biblioteca Nacional
Fund. Perseu Abramo
Galo Branco
Garamond
Gift Shop
Girafa
Ibis Libris
Iluminuras
Imprensa Oficial SP
Literalis
Livro Falante
Maco
Manati
Mar de Idéias
Matrix
Mauad X
Memória Visual
Mirabolante
Musa
Myrrha
Nau
Nitpress
Nova Alexandria
Odysseus
Outras Letras
Pallas
Papagaio
Paz e Terra
Pinakotheke
Prazer de Ler
Publisher do Brasil
Quartet
Roma Victor
Sá Editora
Terceiro Nome
Terra Virgem
Uapê
Versal
Versal
Vieira & Lent
Zit

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Mais vídeos culturais grátis

Se você, assim como eu, tem curiosidade por descobrir vídeos e documentários sobre os mais diversos assuntos, não importando a sua área de atuação, certamente já deve ter percebido que aqui no Recanto das Palavras, estou sempre indicando e informando links e portais, nos quais é possível assistir e até mesmo baixar material que enriquecerão seu acervo cultural.

pontocom

Clique sobre a imagem

Agora mesmo acabei de descobrir o portal Ponto comunidade, que é um repositório de vídeos hospedado no Instituto Embratel contendo palestras, debates e tudo o mais que possa ser transmitido, em termos culturais, é claro, para que, assim como está denominado, a comunidade (leia-se todos nós) tenha acesso à cultura.

Há várias categorias, como Internet, Filosofia, Educação, Geografia, Música e Saúde. Mas, se você desejar pesquisar um pouco mais, há também uma seção de Palestras e outra de Obras raras da Biblioteca Mário de Andrade (em formato .jpg)nas quais você pode escolher entre assistir ou baixar o vídeo de seu interesse. As palestras, a título de curiosidade, são vídeos que apresentam formas de como usar uma biblioteca, assim como há dois vídeos sobre um Ciclo de Literatura Infanto-Juvenil.

Você também pode verificar a programação das transmissões. A programação é ininterrupta e você pode assistir, na TV PontoCom, vários vídeos e programas gravados ou ao vivo.

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Hipácia de Alexandria, a primeira cientista

Mulher de rara beleza e extrema inteligência (filósofa, astrônoma e matemática), que foi assassinada, em 415, devido a disputas religiosas que ocorreram em Alexandria, fundada por Alexandre, o grande, e famosa por sua biblioteca e museu, quando o Egito era governado pelos romanos.

hypatia02Hipácia (Hipátia ou Hypatia) por Rafael de Sânzio

Na verdade, Hipácia foi condenada devido a uma disputa de egos e política entre o novo patriarca de Alexandria (412), São Cirilo de Alexandria, um ferrenho combatente de heresias e Orestes, o prefeito romano da cidade e que fora aluno de Hipácia. Ele a protegia dos abutres cristãos até então, que torciam o nariz para a sua inteligência e identificavam o paganismo em sua figura, justamente por, já à época, simbolizar o conhecimento e a ciência. Inventou o astrolábio e o densímetro [2].

"Há cerca de 2000 anos, emergiu uma civilização científica esplêndida na nossa história, e a base era em Alexandria. Apesar das grandes chances de florescer, ela decaiu. A última cientista foi uma mulher, considerada pagã. O nome era Hipácia. Com uma sociedade conservadora a respeito do trabalho da mulher e do papel, com o aumento progressivo do poder da Igreja, formadora de opiniões e conservadora quanto à ciência, e devido a Alexandria estar sob domínio romano, após o assassinato de Hipácia, em 415, essa biblioteca foi destruída. Milhares dos preciosos documentos dessa biblioteca foram em grande parte queimados e perdidos para sempre, e com ela todo o progresso científico e filosófico da época." (Carl Sagan) [3]

Além do invejável intelecto, Hipácia mantinha uma rotina de exercícios físicos que lhe garantia um corpo perfeito e sadio. Antecipando em dezenas de séculos o perfil da mulher moderna. Em sua época, as mulheres mal podiam sair de casa e deveriam apenas prover herdeiros para os homens, sem terem direito ou acesso ao conhecimento. O responsável  por ela ter sido essa extraordinária mulher foi seu pai, o filósofo Teon de Alexandria, diretor do museu de Alexandria, que a instruiu e afirmava que deseja que sua filha fosse um ser humano perfeito. Em favor de seu desenvolvimento intelectual, consta que Hipácia não aceitou diversas propostas de casamento.

Hypatia_(Charles_William_Mitchell)Hipácia por Charles William Mitchell (1885)

Em setembro de 2009 deverá estrear uma produção internacional dirigida pelo chileno Alejandro Amenábar (Mar adentro), estrelada por Rachel Weisz, ganhadora do Oscar, que interpretará Hipácia no filme Ágora. [1]

Leia a sinopse e assista o trailer do filme.

Um drama histórico fixado no Egito romano, sobre um escravo que viu na crescente onda do cristianismo a esperança de liberdade, e se apaixona por sua mestra, a famosa filosofa Hipácia de Alexandria.

Hoje se discute até que ponto ciência e religião estão unidas ou não. Eu, particularmente, acredito que uma coisa é uma coisa outra coisa é outra coisa. Quando a religião se mete na ciência, o resultado não é dos melhores e vemos algumas barbaridades acontecerem ou serem ditas, como as mancadas do atual Papa, o Bento XVI.

Que a Igreja Católica nunca foi amiga da ciência todos nós sabemos e exemplos de perseguição a cientistas e pensadores, além da ocultação de fatos científicos que poderiam colocar seu poder em cheque, não é novidade. Interessante é também notar que as vertentes cristãs como os protestantes são tão ou mais reacionários em termos religiosos quanto os católicos e aparecem com uma balela de um tal de design inteligente querendo provar que houve alguma “mão” invisível que criou tudo que há no Universo ou Universos. Oh, Ser Humano, como crias mitos quando não conheces a ciência – Caramba, parece até frase do Shakespeare! –.

 

hipatya01Hipácia de Alexandria (370- 415)

Mas, voltando ao assunto religião X ciência, percebo que a coisa não é nova e por causa dela, Hipácia, a primeira mulher realmente cientista da história, foi assassinada durante uma revolta cristã em Alexandria, quando o Egito estava sob o domínio romano, no século IV d.C., e devemos lembrar que neste mesmo século ocorreu o primeiro Concílio de Nicéia (325), quando foram fundadas as bases do catolicismo. Hipácia viveu entre 370 e 415. Portanto, tudo em que ela acreditava, visto ser astrônoma, matemática e filósofa ia de encontro às idéias que o Império Romano começara a propagar como suas, desde que Constantino convertera-se ao Cristianismo. Sendo assim, ter sido considerada herética foi, infelizmente, o caminho natural para o seu assassinato, que, segundo fontes históricas, aconteceu de forma trágica. Foi torturada até a morte tendo seu corpo dilacerado por conchas afiadas – ou cacos de cerâmica, segundo outras fontes – e depois jogado em uma fogueira. Diria que foi uma preliminar das fogueiras da Inquisição que proliferariam séculos depois.

O fato é que, após seu fim trágico, o mundo ocidental mergulhou em um período de verdadeira obscuridade científica.

__

[1] praça pública; assembleia de povo na praça pública (entre os gregos). In: Aulete Dicionário Digital.
[2] O astrolábio permite a navegação por estrelas e o densímetro mede a massa específica de um líquido. 
[3] Wikipédia

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Os Árabes inventaram o Ocidente: a Casa da Sabedoria

Nos dias de hoje, principalmente após os atentados de 11 de setembro, a nossa compreensão do mundo muçulmano ficou um pouco mais distorcida do que já era desde os tempos das Cruzadas. Infelizmente, algumas pessoas que professam uma religião a fazem de base ideológica para suas pretensões pessoais e, em muitas vezes, percebe-se um desvio psicológico por uma sede de vingança infundada. A visão do outro nunca foi bem compreendida. Nem sempre se entende que há apenas diferenças e não conceitos qualitativos inferiores ou superiores. Foi isso que o Ocidente também fez, ainda nas Cruzadas, ao combater o suposto infiel e, ao mesmo tempo, negar que boa parte da evolução cultural e científica do Ocidente se deve ao mundo árabe. Um erro, ou uma omissão direcionada, na melhor das hipóteses.

The Expansion of the Muslim Empire under Muhammad and the Four Rashidun Caliphs

Império abássida (₢ ocw.nd.edu)
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Há muito tempo, ainda durante a graduação, comprei um livro sobre documentos medievais num sebo e desde então, de vez em quando, eu o folheio. Por isso, posso dizer que algumas passagens da Idade Média são tão atuais que parecem ter sido escritas ontem em algum jornal, ou, também, encontro em seus vários documentos boa parte das fundações do mundo ocidental da atualidade como, por exemplo, a divulgação do conhecimento e a sua necessária preservação para as gerações futuras.

Você pode clicar sobre a imagem para ouvir as músicas enquanto lê o artigo. 
Uma nova janela abrirá o
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Por um desses felizes acasos da vida, eu acabei me deparando com um interessante artigo, uma resenha para ser mais claro, a respeito de um livro sobre a “Casa da Sabedoria”, ou em sua língua original, Bait al-Hikma, fundada em Bagdá (dádiva de Alá), no atual Iraque (antiga Pérsia), no século VIII pelo califa Haroun al-Shid, da dinastia abássida, que governou o mundo árabe islâmico por vários séculos, até meados do século XIII, quando a cidade foi conquistada pelo império Mongol. Estes quase 500 anos são conhecidos como a Idade do Ouro do mundo islâmico.

Em termos de referência, guardando todas as proporções, era uma espécie de biblioteca de Alexandria, na qual, também, o principal objetivo será a tradução de documentos vindos de todas as partes do mundo conhecido e centro de estudos envolvendo a ciência conhecida à época. Para suas dependência, a Casa da Sabedoria, convergiam sábios e eruditos de todo o mundo islamizado, principalmente oriundos da Pérsia. Se hoje estudamos a filosofia grega e outras fontes de conhecimento, devemos tudo a esses estudiosos que traduziram e escreveram livros sobre medicina, astronomia, química, literatura. Por exemplo, Platão, Euclides, Hipócrates e Pitágoras chegaram até nós através da Casa da Sabedoria. Dentre estes sábios estava Al-Khawarizmi (origem da palavra algarismo), tido como o pai da álgebra devido a seu livro Kitab al-Jabr e também Al-Masudi, o geógrafo.

“Ao ocupar regiões tão diferentes e culturalmente ricas como a Pérsia, a Síria e o Egito, o Árabe vencedor pouco podia oferecer no plano civilizacional. (…) Pouco numerosos, os Árabes foram étnica e culturalmente assimilados pelos povos vencidos. Mas foi na língua árabe que se exprimiu a maior parte dos cientistas, pensadores e poetas que souberam fundir e mesclar a heterogeneidade cultural do vasto Império Muçulmano” (In: ESPINOSA, Fernanda. Antologia de textos históricos medievais. p. 101/2. Livraria Sá da Costa Editora).

A importância da Casa do Saber foi tamanha que, segundo Jonathan Lyons, autor do livro The House of Wisdom: How the Arabs Transformed Western Civilization, o ocidente é uma invenção árabe, pois não foram poucos os europeus, entre eles reis e príncipes, que estudaram a língua árabe, ao ponto de alguns filósofos ocidentais traduzirem as obras de  Ibn Rushd e Ibn Sina (Avicena) que, em muito, ajudaram a construir o pensamento ocidental e dar início, juntamente com a cultura bizantina, ao Renascimento. A título de exemplo, Roger Bacon, o filósofo e cientista britânico, viajou pelo mundo árabe da Espanha vestindo e se comportando como um muçulmano para aprender e entender tudo aquilo que os árabes sabiam. Sobre Avicena há um artigo aqui no Recanto das citacaoPalavras, em que ele relata a sua relação com o livro A Metafísica de Aristóteles. Neste mesmo artigo, você encontrará uma pequena biografia de um outro filósofo árabe, Abu Nasr al-Fàràbi.

A grande questão que se levanta é: como os árabes, que tiveram cinco séculos de domínio da cultura e da ciência, hoje, estão estagnados em um pensamento retrógrado e diametralmente oposto ao progresso científico-tecnológico da atualidade? Um especialista, Ehsan Masood, arrisca uma resposta em seu livro Science and Islam: A History. Segundo sua proposta, a concentração do poder na mão de governantes que se assemelham a ditadores, uma característica da cultura árabe dos séculos passados, fazia com que os mesmos também concentrassem em si as diretrizes do conhecimento e da ciência. Eram, digamos, déspotas-mecenas. Portanto, a conclusão se coloca em termos de que a ciência na cultura muçulmana carecia de uma base social e institucional.

Se você pensa que Romeu e Julieta é uma história original, pode ir tirando o cavalinho da chuva. Sugiro que tome conhecimento da história de Layla e Majnun. Ah, quer dizer que já viu este nome feminino em algum lugar? É isso mesmo: Layla é a personagem que inspirou Eric Clapton a compor a música.

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Matemática divertida: a história do número 1

O que seria de nós se não fosse inventado o número 1? Muito provavelmente ainda continuaríamos contando tudo como algumas sociedades ditas primitivas que só conhecem dois conceitos de quantidade: um e muitos. Portanto, não deixe de ver o documentário A História do Número 1, produzido pela BBC e apresentado por Terry Jones.

 

São 6 partes de aproximadamente 10 minutos cada uma. Ao clicar sobre cada uma, você poderá assistir no Youtube.

  1. Das origens até os Sumérios
  2. Egito e Grécia (Pitágoras)
  3. Grécia (Arquimedes), Roma e Índia
  4. Índia (invenção do zero e dos algarismos) e Arábia (al –Khawarizmi, matemático persa muçulmano)
  5. Europa: O capitalismo precisou dos algarismo indo- arábicos (Fibonacci)
  6. Dos Número Binários (Leibniz) ao Computador

O documentário traça a história (e as histórias) envolvendo o surgimento deste número, que está intrinsecamente relacionada à história da civilização. Então, nos últimos 10 mil anos, nós aprendemos a contar partindo da noção mais básica, a contagem dos bens (gado) e, para isso, começamos com traços verticais feitos em um osso. Depois, marcas cuneiformes em tabletes de argila, pictogramas que representavam o 1 e os números que ultrapassavam a quantidade de dedos em cada uma das mãos e chegamos ao computador que é capaz de fazer n cálculos por segundo. Dizem até que a segunda profissão mais antiga do mundo é a de contador. Todos sabem qual foi a primeira profissão do mundo, não?

passa7a2 Se você leciona matemática ou outras matérias relacionadas e, até mesmo história ou geografia, não poderá deixar de apresentar o documentário A História do Número 1 para seus alunos. O motivo é simples: não se trata apenas de matemática. Na verdade, é uma excelente aula de história, antropologia, geografia e tudo mais que servir como embasamento e conhecimento.

A dica é: use a tal da interdisciplinaridade.

Veja também:

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