Recanto das Palavras

Mais vídeos culturais grátis

Se você, assim como eu, tem curiosidade por descobrir vídeos e documentários sobre os mais diversos assuntos, não importando a sua área de atuação, certamente já deve ter percebido que aqui no Recanto das Palavras, estou sempre indicando e informando links e portais, nos quais é possível assistir e até mesmo baixar material que enriquecerão seu acervo cultural.

pontocom

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Agora mesmo acabei de descobrir o portal Ponto comunidade, que é um repositório de vídeos hospedado no Instituto Embratel contendo palestras, debates e tudo o mais que possa ser transmitido, em termos culturais, é claro, para que, assim como está denominado, a comunidade (leia-se todos nós) tenha acesso à cultura.

Há várias categorias, como Internet, Filosofia, Educação, Geografia, Música e Saúde. Mas, se você desejar pesquisar um pouco mais, há também uma seção de Palestras e outra de Obras raras da Biblioteca Mário de Andrade (em formato .jpg)nas quais você pode escolher entre assistir ou baixar o vídeo de seu interesse. As palestras, a título de curiosidade, são vídeos que apresentam formas de como usar uma biblioteca, assim como há dois vídeos sobre um Ciclo de Literatura Infanto-Juvenil.

Você também pode verificar a programação das transmissões. A programação é ininterrupta e você pode assistir, na TV PontoCom, vários vídeos e programas gravados ou ao vivo.

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Hipácia de Alexandria, a primeira cientista

Mulher de rara beleza e extrema inteligência (filósofa, astrônoma e matemática), que foi assassinada, em 415, devido a disputas religiosas que ocorreram em Alexandria, fundada por Alexandre, o grande, e famosa por sua biblioteca e museu, quando o Egito era governado pelos romanos.

hypatia02Hipácia (Hipátia ou Hypatia) por Rafael de Sânzio

Na verdade, Hipácia foi condenada devido a uma disputa de egos e política entre o novo patriarca de Alexandria (412), São Cirilo de Alexandria, um ferrenho combatente de heresias e Orestes, o prefeito romano da cidade e que fora aluno de Hipácia. Ele a protegia dos abutres cristãos até então, que torciam o nariz para a sua inteligência e identificavam o paganismo em sua figura, justamente por, já à época, simbolizar o conhecimento e a ciência. Inventou o astrolábio e o densímetro [2].

"Há cerca de 2000 anos, emergiu uma civilização científica esplêndida na nossa história, e a base era em Alexandria. Apesar das grandes chances de florescer, ela decaiu. A última cientista foi uma mulher, considerada pagã. O nome era Hipácia. Com uma sociedade conservadora a respeito do trabalho da mulher e do papel, com o aumento progressivo do poder da Igreja, formadora de opiniões e conservadora quanto à ciência, e devido a Alexandria estar sob domínio romano, após o assassinato de Hipácia, em 415, essa biblioteca foi destruída. Milhares dos preciosos documentos dessa biblioteca foram em grande parte queimados e perdidos para sempre, e com ela todo o progresso científico e filosófico da época." (Carl Sagan) [3]

Além do invejável intelecto, Hipácia mantinha uma rotina de exercícios físicos que lhe garantia um corpo perfeito e sadio. Antecipando em dezenas de séculos o perfil da mulher moderna. Em sua época, as mulheres mal podiam sair de casa e deveriam apenas prover herdeiros para os homens, sem terem direito ou acesso ao conhecimento. O responsável  por ela ter sido essa extraordinária mulher foi seu pai, o filósofo Teon de Alexandria, diretor do museu de Alexandria, que a instruiu e afirmava que deseja que sua filha fosse um ser humano perfeito. Em favor de seu desenvolvimento intelectual, consta que Hipácia não aceitou diversas propostas de casamento.

Hypatia_(Charles_William_Mitchell)Hipácia por Charles William Mitchell (1885)

Em setembro de 2009 deverá estrear uma produção internacional dirigida pelo chileno Alejandro Amenábar (Mar adentro), estrelada por Rachel Weisz, ganhadora do Oscar, que interpretará Hipácia no filme Ágora. [1]

Leia a sinopse e assista o trailer do filme.

Um drama histórico fixado no Egito romano, sobre um escravo que viu na crescente onda do cristianismo a esperança de liberdade, e se apaixona por sua mestra, a famosa filosofa Hipácia de Alexandria.

Hoje se discute até que ponto ciência e religião estão unidas ou não. Eu, particularmente, acredito que uma coisa é uma coisa outra coisa é outra coisa. Quando a religião se mete na ciência, o resultado não é dos melhores e vemos algumas barbaridades acontecerem ou serem ditas, como as mancadas do atual Papa, o Bento XVI.

Que a Igreja Católica nunca foi amiga da ciência todos nós sabemos e exemplos de perseguição a cientistas e pensadores, além da ocultação de fatos científicos que poderiam colocar seu poder em cheque, não é novidade. Interessante é também notar que as vertentes cristãs como os protestantes são tão ou mais reacionários em termos religiosos quanto os católicos e aparecem com uma balela de um tal de design inteligente querendo provar que houve alguma “mão” invisível que criou tudo que há no Universo ou Universos. Oh, Ser Humano, como crias mitos quando não conheces a ciência – Caramba, parece até frase do Shakespeare! –.

 

hipatya01Hipácia de Alexandria (370- 415)

Mas, voltando ao assunto religião X ciência, percebo que a coisa não é nova e por causa dela, Hipácia, a primeira mulher realmente cientista da história, foi assassinada durante uma revolta cristã em Alexandria, quando o Egito estava sob o domínio romano, no século IV d.C., e devemos lembrar que neste mesmo século ocorreu o primeiro Concílio de Nicéia (325), quando foram fundadas as bases do catolicismo. Hipácia viveu entre 370 e 415. Portanto, tudo em que ela acreditava, visto ser astrônoma, matemática e filósofa ia de encontro às idéias que o Império Romano começara a propagar como suas, desde que Constantino convertera-se ao Cristianismo. Sendo assim, ter sido considerada herética foi, infelizmente, o caminho natural para o seu assassinato, que, segundo fontes históricas, aconteceu de forma trágica. Foi torturada até a morte tendo seu corpo dilacerado por conchas afiadas – ou cacos de cerâmica, segundo outras fontes – e depois jogado em uma fogueira. Diria que foi uma preliminar das fogueiras da Inquisição que proliferariam séculos depois.

O fato é que, após seu fim trágico, o mundo ocidental mergulhou em um período de verdadeira obscuridade científica.

__

[1] praça pública; assembleia de povo na praça pública (entre os gregos). In: Aulete Dicionário Digital.
[2] O astrolábio permite a navegação por estrelas e o densímetro mede a massa específica de um líquido. 
[3] Wikipédia

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Os Árabes inventaram o Ocidente: a Casa da Sabedoria

Nos dias de hoje, principalmente após os atentados de 11 de setembro, a nossa compreensão do mundo muçulmano ficou um pouco mais distorcida do que já era desde os tempos das Cruzadas. Infelizmente, algumas pessoas que professam uma religião a fazem de base ideológica para suas pretensões pessoais e, em muitas vezes, percebe-se um desvio psicológico por uma sede de vingança infundada. A visão do outro nunca foi bem compreendida. Nem sempre se entende que há apenas diferenças e não conceitos qualitativos inferiores ou superiores. Foi isso que o Ocidente também fez, ainda nas Cruzadas, ao combater o suposto infiel e, ao mesmo tempo, negar que boa parte da evolução cultural e científica do Ocidente se deve ao mundo árabe. Um erro, ou uma omissão direcionada, na melhor das hipóteses.

The Expansion of the Muslim Empire under Muhammad and the Four Rashidun Caliphs

Império abássida (₢ ocw.nd.edu)
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Há muito tempo, ainda durante a graduação, comprei um livro sobre documentos medievais num sebo e desde então, de vez em quando, eu o folheio. Por isso, posso dizer que algumas passagens da Idade Média são tão atuais que parecem ter sido escritas ontem em algum jornal, ou, também, encontro em seus vários documentos boa parte das fundações do mundo ocidental da atualidade como, por exemplo, a divulgação do conhecimento e a sua necessária preservação para as gerações futuras.

Você pode clicar sobre a imagem para ouvir as músicas enquanto lê o artigo. 
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Por um desses felizes acasos da vida, eu acabei me deparando com um interessante artigo, uma resenha para ser mais claro, a respeito de um livro sobre a “Casa da Sabedoria”, ou em sua língua original, Bait al-Hikma, fundada em Bagdá (dádiva de Alá), no atual Iraque (antiga Pérsia), no século VIII pelo califa Haroun al-Shid, da dinastia abássida, que governou o mundo árabe islâmico por vários séculos, até meados do século XIII, quando a cidade foi conquistada pelo império Mongol. Estes quase 500 anos são conhecidos como a Idade do Ouro do mundo islâmico.

Em termos de referência, guardando todas as proporções, era uma espécie de biblioteca de Alexandria, na qual, também, o principal objetivo será a tradução de documentos vindos de todas as partes do mundo conhecido e centro de estudos envolvendo a ciência conhecida à época. Para suas dependência, a Casa da Sabedoria, convergiam sábios e eruditos de todo o mundo islamizado, principalmente oriundos da Pérsia. Se hoje estudamos a filosofia grega e outras fontes de conhecimento, devemos tudo a esses estudiosos que traduziram e escreveram livros sobre medicina, astronomia, química, literatura. Por exemplo, Platão, Euclides, Hipócrates e Pitágoras chegaram até nós através da Casa da Sabedoria. Dentre estes sábios estava Al-Khawarizmi (origem da palavra algarismo), tido como o pai da álgebra devido a seu livro Kitab al-Jabr e também Al-Masudi, o geógrafo.

“Ao ocupar regiões tão diferentes e culturalmente ricas como a Pérsia, a Síria e o Egito, o Árabe vencedor pouco podia oferecer no plano civilizacional. (…) Pouco numerosos, os Árabes foram étnica e culturalmente assimilados pelos povos vencidos. Mas foi na língua árabe que se exprimiu a maior parte dos cientistas, pensadores e poetas que souberam fundir e mesclar a heterogeneidade cultural do vasto Império Muçulmano” (In: ESPINOSA, Fernanda. Antologia de textos históricos medievais. p. 101/2. Livraria Sá da Costa Editora).

A importância da Casa do Saber foi tamanha que, segundo Jonathan Lyons, autor do livro The House of Wisdom: How the Arabs Transformed Western Civilization, o ocidente é uma invenção árabe, pois não foram poucos os europeus, entre eles reis e príncipes, que estudaram a língua árabe, ao ponto de alguns filósofos ocidentais traduzirem as obras de  Ibn Rushd e Ibn Sina (Avicena) que, em muito, ajudaram a construir o pensamento ocidental e dar início, juntamente com a cultura bizantina, ao Renascimento. A título de exemplo, Roger Bacon, o filósofo e cientista britânico, viajou pelo mundo árabe da Espanha vestindo e se comportando como um muçulmano para aprender e entender tudo aquilo que os árabes sabiam. Sobre Avicena há um artigo aqui no Recanto das citacaoPalavras, em que ele relata a sua relação com o livro A Metafísica de Aristóteles. Neste mesmo artigo, você encontrará uma pequena biografia de um outro filósofo árabe, Abu Nasr al-Fàràbi.

A grande questão que se levanta é: como os árabes, que tiveram cinco séculos de domínio da cultura e da ciência, hoje, estão estagnados em um pensamento retrógrado e diametralmente oposto ao progresso científico-tecnológico da atualidade? Um especialista, Ehsan Masood, arrisca uma resposta em seu livro Science and Islam: A History. Segundo sua proposta, a concentração do poder na mão de governantes que se assemelham a ditadores, uma característica da cultura árabe dos séculos passados, fazia com que os mesmos também concentrassem em si as diretrizes do conhecimento e da ciência. Eram, digamos, déspotas-mecenas. Portanto, a conclusão se coloca em termos de que a ciência na cultura muçulmana carecia de uma base social e institucional.

Se você pensa que Romeu e Julieta é uma história original, pode ir tirando o cavalinho da chuva. Sugiro que tome conhecimento da história de Layla e Majnun. Ah, quer dizer que já viu este nome feminino em algum lugar? É isso mesmo: Layla é a personagem que inspirou Eric Clapton a compor a música.

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Matemática divertida: a história do número 1

O que seria de nós se não fosse inventado o número 1? Muito provavelmente ainda continuaríamos contando tudo como algumas sociedades ditas primitivas que só conhecem dois conceitos de quantidade: um e muitos. Portanto, não deixe de ver o documentário A História do Número 1, produzido pela BBC e apresentado por Terry Jones.

 

São 6 partes de aproximadamente 10 minutos cada uma. Ao clicar sobre cada uma, você poderá assistir no Youtube.

  1. Das origens até os Sumérios
  2. Egito e Grécia (Pitágoras)
  3. Grécia (Arquimedes), Roma e Índia
  4. Índia (invenção do zero e dos algarismos) e Arábia (al –Khawarizmi, matemático persa muçulmano)
  5. Europa: O capitalismo precisou dos algarismo indo- arábicos (Fibonacci)
  6. Dos Número Binários (Leibniz) ao Computador

O documentário traça a história (e as histórias) envolvendo o surgimento deste número, que está intrinsecamente relacionada à história da civilização. Então, nos últimos 10 mil anos, nós aprendemos a contar partindo da noção mais básica, a contagem dos bens (gado) e, para isso, começamos com traços verticais feitos em um osso. Depois, marcas cuneiformes em tabletes de argila, pictogramas que representavam o 1 e os números que ultrapassavam a quantidade de dedos em cada uma das mãos e chegamos ao computador que é capaz de fazer n cálculos por segundo. Dizem até que a segunda profissão mais antiga do mundo é a de contador. Todos sabem qual foi a primeira profissão do mundo, não?

passa7a2 Se você leciona matemática ou outras matérias relacionadas e, até mesmo história ou geografia, não poderá deixar de apresentar o documentário A História do Número 1 para seus alunos. O motivo é simples: não se trata apenas de matemática. Na verdade, é uma excelente aula de história, antropologia, geografia e tudo mais que servir como embasamento e conhecimento.

A dica é: use a tal da interdisciplinaridade.

Veja também:

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Acordo Ortográfico 2009: Guia para não esquecer

Baixe um guia em formato .pdf com as novas regras ortográficas no portal G1. Há um link no artigo “Confira o guia rápido das mudanças da reforma ortográfica”.

A partir do dia 1º de janeiro de 2009 passa a valer o novo acordo ortográfico da Língua Portuguesa. Todos nós sabemos que algumas modificações sutis, porém, importantes deverão ser feitas e, como todo blogueiro que se preza, a primeira preocupação para que seu blog possa ter qualidade é o bom uso do idioma.

Mesmo que a ortografia atual possa ser usada até 2012, já é bacana começar a se acostumar em escrever “leem” em vez de “lêem”, por exemplo, para indicar quantas pessoas leram artigos em seus blogs.

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