Recanto das Palavras

Um jeito classe média de ser

Classe média que se preza não entra em livraria. Entra em Book Store.

Seguindo uma dica do meu filho, fui visitar um blog cujo inusitado nome é Classe Média Way of Life. Resumindo: É muito bom mesmo. Ele trata daqueles assuntos que todo componente dessa parcela da sociedade – para mim, classe média é estado de espírito – acha que o fará diferente do restante da população, a famosa plebe ignara.

Os posts são muito bem-humorados. Talvez  não sejam  para quem acredita que o must  é pensar  que tudo que é gringo é bom, que não há racismo no Brasil, ter sobrenome italiano (ou qualquer sobrenome anglo-saxão) é quase um título de nobreza, ler a Veja é sinal de informação definitiva, achar o Brasil um lugar horrível para se viver, comer sushi – peixe cru –, gostar do Cirq du Soleil  e o crème de la crème (coisa de classe média mesmo, não?) é ler os livros da moda, os Best-Sellers fabricados.

Confira o artigo dica 028 – Compra Best-Sellers e não deixe de ler os outros.

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Educação vem mesmo do berço

E quanto a isso não podemos negar que são os pais os responsáveis pela educação que nos formou e formará para o resto de nossas vidas. Por qual motivo digo isso? Simples: hoje, à noite, um garoto de uns seis anos que tomou o ônibus com sua mãe, que estava com uma menina de meses no colo, teve um lugar cedido para que pudesse se sentar.

IMAGEM: © Owen Franken/CORBIS

IMAGEM: © Owen Franken/CORBIS

Ele, o menino, carregava o carrinho de bebê – de sua irmã – dobrado, de modo que ficasse do tamanho exato para ser transportado sem problema.

O menino, que descobri se chamar Gabriel, me pareceu bastante esperto. Tanto ele quanto sua mãe tinham um ar humilde. Porém, a nobreza do gesto não está no que aparentamos, mas no que somos o que trazemos no coração e na alma.

Tão logo a mãe se sentou, tendo ao colo a criança a mastigar algo que parecia um pedaço de doce, babando-se toda mas feliz da vida, o garoto teve sua atenção chamada por um rapaz que disse para ele sentar no banco que estava vazio. Todos nós estávamos no fundo do ônibus que não estava lotado, mas os lugares vagos eram poucos. O garoto disse que não sentaria, pois iria pagar a passagem com a seguinte frase: “Vou lá na frente dar o dinheiro para a trocadora”. E seguiu se esquivando entre as pessoas que estavam de pé. Ninguém se sentou no banco que estava vago.

Ao voltar, novamente foi convidado a sentar e recusou: “Criança é pra ficar em pé”, disse o menino. As pessoas, que já prestaram atenção a ele quando disse que pagaria a passagem, olharam quase ao mesmo tempo para ele. A mãe disse para se sentar: Ele recusou com uma certa veemência, mas mesmo assim obedeceu sua mãe. O rapaz que o convidara a sentar, ainda disse: “Pode sentar o lugar está vago e não tem essa de criança não pode sentar. Se está vazio você pode sentar”.

O mais interessante é que a cada pessoa que se aproximava e, logicamente, não sabia o que acontecera um pouco antes, ele dizia: “Quer sentar?”. As pessoas que presenciaram e presenciavam esperavam para ver a reação do adulto que estava de pé. Todos agradeciam e o faziam com um sorriso. Parecia, então, que as outras pessoas, mesmo sem dizer uma palavra sequer, admiravam a atitude do Gabriel. Certamente, pensavam o mesmo que eu: educação vem de berço.

Quando estava chegando perto do ponto em que desceriam, o menino arrematou: “Moça, pode sentar que a gente já vai descer”.

Tenho certeza que todos desejaram bater palmas para o guri. Não o fizemos. Entretanto, todos que estavam naquela parte do ônibus, guardaram em suas memórias a atitude desse menino, o Gabriel. Devemos, sim, dar parabéns à sua mãe por ensinar-lhe a ser educado.

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O que você anda pendurando nas paredes?

Uma das grandes dificuldades estéticas de se manter uma casa de um jeito bacana é saber o que vamos pendurar nas paredes dos diversos cômodos. Somos seres estéticos e isso é algo que nos molda desde as cavernas, vide as grutas de Lascaux (França) e Altamira (Espanha).

Agora, como é que nós vamos ornar e conferir prazer visual a nós mesmos e aos nossos visitantes se não sabemos o que pendurar nas paredes? Eu, por exemplo, já vi um pôster do Che Guevara na parede em que se encostava o espaldar da cama. Ele ficava ali, justamente, no lugar em que geralmente se colocava o símbolo que representa aquele rapaz judeu que foi parar na cruz dos romanos. Bom, como eram um professor de história e uma professora de artes, esse casal de amigos rezava pela cartilha do materialismo dialético. Logo, símbolos religiosos não pegavam bem. Tudo é uma questão de gosto e estética e cada um tem o seu.

Eu estou relendo um livro sobre a Hollywood dos anos 1930 e 1940 (City of Nets – A portrait of Hollywood in the 1940´s), que, segundo o autor, Otto Friedrich, foi o período áureo da indústria do cinema norte-americano e que, certamente, não volta mais. Nesse livro são analisados e apresentados vários fatos e também todos – ou quase todos – os personagens  importantes que transitaram por ruas, sets de filmagem e estúdios nesse período. Um dos filmes retratados é Casablanca, um dos maiores clássicos da sétima arte. São contadas algumas curiosidades como as recusas do papel principal, até chegar às mãos de Humphrey Bogart, por exemplo.

12102009

Uma das coisas boas da internet é que ela nos permite ler um livro procurando imagens de pessoas e lugares citados em seus parágrafos. Portanto, aqui, diante da tela do computador eu fui rever as informações sobre esse filme no IMDb (Internet Movie Database), um referencial para qualquer um que goste de saber sobre o cinema e tudo mais que o envolve. Assim, vendo as fotos da filmagens, lá estavam dezenas de reproduções dos pôsteres do lançamento do filme, em 1942. E o mais legal é que aqui ao meu lado, pendurado na parede (imagem acima), está um desses pôsteres. Ainda me deliciando com o que estava vendo, decidi procurar uma imagem para fundo de tela aqui do meu computador. Me deparei com uma loja online de pôsteres e qual não foi a minha surpresa? Há pôster de tudo que é filme que você possa imaginar e a loja até ajuda você a escolher o melhor lugar para pendurar esse ou aquele pôster. Abre uma janela que apresenta alguns ambientes que podem ser assemelhados aos de sua casa e lá colocam a imagem.

E como todos nós temos uma coisa chamada bicho carpinteiro a nos instigar as idéias, ao ir até a cozinha buscar café, logo após ter começado a escrever o artigo, observei a parede da sala. E não é que, desligado que sou, me dei conta que há diversos quadros pendurados; com reproduções de papiros, um autorretrato da Frida Kahlo, uma miniatura da Pedra do Sol, uma réplica de uma faca cerimonial Inca e alguns quadros menores.

Então, voltamos ao primeiro parágrafo, quando se fala do senso estético entre nós. Para alguns, ter este tipo de representação iconográfica pode não ser interessante. Para outros, certamente é. Portanto, o que penduramos nas paredes representa muito mais o que pensamos a respeito de nós mesmos e do mundo que nos cerca e exprime um tanto de nossas personalidades.

Uma curiosidade: o que você anda pendurando e pintando nas paredes de sua “caverna”?

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O futebol carioca anda na maior pindaíba

Tirante o Império do Mal que anda ganhando uns jogos e enganando a plebe ignara e o Vasco que parece prometer sair do Tártaro, o inferno mitológico dos gregos, ou melhor, a Segundona, dois dos mais tradicionais clubes do Brasil caminham celeremente, de mãos dadas, para um encontro com Hades, o deus grego das profundezas.

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O engraçado é que nos primórdios do futebol, tanto carioca quanto brasileiro, Botafogo e Fluminense praticamente davam as cartas. Flamengo e Vasco só vieram depois que algumas glórias foram conquistadas pelo tricolor e o alvinegro. Hoje, infelizmente, disputam para quem vai cair mais vezes ou perde vergonhosamente. Ou ainda, qual dos dois teria o pior elenco. Por pouco não reeditam o famoso scratch dos pernas-de-pau, que toda semana o Otelo Caçador coletava nas escalações de times em todos recantos do Brasil.

O fantasma do rebaixamento se tornou uma entidade que nem precisa de muita coisa para baixar em General Severiano ou nas Laranjeiras. As sedes, antes assombradas pelos espíritos de torcedores ilustres e jogadores que amavam as camisas desses clubes, agora são mal-assombradas por esse Macobeba que se chama 2ª divisão. Vade retro!

A coisa já está virando folclore e brincadeiras de péssimo gosto são feitas, como o recente caso da seleção sub-20, em que jogadores do Fluminense e demais clubes em vias de serem rebaixados treinam à parte. Que coisa mais boboca!

Pelo bem do futebol brasileiro e do carioca em primeiro lugar, ambos clubes devem pensar em formas de reverter esta situação, se bem que o tricolor esteja praticamente rebaixado, a diretoria tem que fazer todos os esforços para que, caso se confirme essa desgraça, volte para a primeira divisão com todos os méritos. O aviso também serve para o Glorioso.

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Animais e música: eu não sou cachorro não

São 11 músicas (Bossa Nova, Rock, Chorinho, Hip Hop, Brega, Funk…) e uma faixa bônus, em que os animais aparecem no título e, de alguma forma, uma história sobre o animal ou serve para ilustrar um fato. Atenção para a faixa bônus: uma versão para Inglês ver, ouvir e gargalhar.

musicanimal

O reino animal também é motivo para músicas que encantam os adultos. O critério da seleção obedeceu a dois pequenos detalhes: 1 – o nome do animal deveria constar do título da música; 2 – não foram citadas músicas infantis, visto que sempre tem musiquinha falando de bichinho.

Temos, então, insetos, aracnídeos (aranha não é inseto, ok?), répteis, aves, cães e cavalos. Se você lembrar de outras músicas que obedeçam aos critérios acima citados, será um prazer aceitar as sugestões.

minirecantogaleria Você pode ver e ouvir os vídeos com as músicas na Galeria do Recanto, ou ver e ouvir uma a uma clicando nos nomes das músicas.

 

Rock das Aranhas – Raul Seixas
Atenção para a dedicatória assim que a música começa.

Rock das Aranhas – Dercy Gonçalves/DJ Marlboro
Uma performance impressionante da Dercy Gonçalves numa montagem feita pelo DJ Marlboro, É a versão inversa (êpa!) da composição original.

Mosca na Sopa – Raul Seixas
Ele mistura alguns toques do tipo “ponto de macumba” com batidas de rock para explicar como uma pessoa pode ser tão chata como uma mosca que cai na sua sopa.

Pantera Cor de Rosa (Pink Panther) – Henry Mancini
Composição original para o filme de mesmo nome, dirigido por Blake Edwards.

Crocodile Rock – Elton John
Dizem que o Keith Richards foi perguntado por que os Stones não usavam animais no palco, já que era moda na época. A resposta foi: “Nós já tocamos com o Elton John”.

A Horse With No Name – America
Um dos clássicos dos anos 70. Letra original e tradução para o Português

Who Lets Dogs Out? – Baha Men
Fica a dúvida: Soltaram os cachorros ou fizeram uma cachorrada?

O Pato (Lá vem o pato) – Vinícius de Moraes. Gravação MPB4
Exceção feita às músicas infantis. Afinal, é Vinícius!

O Pato – João Gilberto e Caetano Veloso
Contam que no auge do sucesso dessa música, João Gilberto já estava de saco cheio de cantar. Um dia, num show, ele começou a cantar e a plateia, na hora do “vinha cantando alegremente”, mandou um sonoro QUÉN! QUÉN! (Sem trema perde a graça, não?), e ele se levantou do banquinho para não voltar mais.

Tico-Tico no Fubá – Carmem Miranda
Chorinho clássico composto por Zequinha de Abreu. Até Woody Allen gostou. Há uma cena no filme Radio Days, em que Denise Dumont interpreta a música cantando em Português e Inglês. A orquestra é do genial Tito Puentes. Na sequência toca South American Way, com Carmem Miranda . Os atores “dançam” conforme a música.

Eu não sou cachorro não – Waldick Soriano
Clássico dos clássicos da música brega. Que homem não cantou baixinho esta música após um grande amor desfeito?

Imperdível interpretação do autor dessa pérola do cancioneiro nacional acompanhado de forma entusiasmada pela plateia.

Faixa bônus para os gringos: Falcão em sua magistral interpretação da versão de Eu não sou cachorro não, denominada. I´m not dog no.

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