Recanto das Palavras

O que você anda pendurando nas paredes?

Uma das grandes dificuldades estéticas de se manter uma casa de um jeito bacana é saber o que vamos pendurar nas paredes dos diversos cômodos. Somos seres estéticos e isso é algo que nos molda desde as cavernas, vide as grutas de Lascaux (França) e Altamira (Espanha).

Agora, como é que nós vamos ornar e conferir prazer visual a nós mesmos e aos nossos visitantes se não sabemos o que pendurar nas paredes? Eu, por exemplo, já vi um pôster do Che Guevara na parede em que se encostava o espaldar da cama. Ele ficava ali, justamente, no lugar em que geralmente se colocava o símbolo que representa aquele rapaz judeu que foi parar na cruz dos romanos. Bom, como eram um professor de história e uma professora de artes, esse casal de amigos rezava pela cartilha do materialismo dialético. Logo, símbolos religiosos não pegavam bem. Tudo é uma questão de gosto e estética e cada um tem o seu.

Eu estou relendo um livro sobre a Hollywood dos anos 1930 e 1940 (City of Nets – A portrait of Hollywood in the 1940´s), que, segundo o autor, Otto Friedrich, foi o período áureo da indústria do cinema norte-americano e que, certamente, não volta mais. Nesse livro são analisados e apresentados vários fatos e também todos – ou quase todos – os personagens  importantes que transitaram por ruas, sets de filmagem e estúdios nesse período. Um dos filmes retratados é Casablanca, um dos maiores clássicos da sétima arte. São contadas algumas curiosidades como as recusas do papel principal, até chegar às mãos de Humphrey Bogart, por exemplo.

12102009

Uma das coisas boas da internet é que ela nos permite ler um livro procurando imagens de pessoas e lugares citados em seus parágrafos. Portanto, aqui, diante da tela do computador eu fui rever as informações sobre esse filme no IMDb (Internet Movie Database), um referencial para qualquer um que goste de saber sobre o cinema e tudo mais que o envolve. Assim, vendo as fotos da filmagens, lá estavam dezenas de reproduções dos pôsteres do lançamento do filme, em 1942. E o mais legal é que aqui ao meu lado, pendurado na parede (imagem acima), está um desses pôsteres. Ainda me deliciando com o que estava vendo, decidi procurar uma imagem para fundo de tela aqui do meu computador. Me deparei com uma loja online de pôsteres e qual não foi a minha surpresa? Há pôster de tudo que é filme que você possa imaginar e a loja até ajuda você a escolher o melhor lugar para pendurar esse ou aquele pôster. Abre uma janela que apresenta alguns ambientes que podem ser assemelhados aos de sua casa e lá colocam a imagem.

E como todos nós temos uma coisa chamada bicho carpinteiro a nos instigar as idéias, ao ir até a cozinha buscar café, logo após ter começado a escrever o artigo, observei a parede da sala. E não é que, desligado que sou, me dei conta que há diversos quadros pendurados; com reproduções de papiros, um autorretrato da Frida Kahlo, uma miniatura da Pedra do Sol, uma réplica de uma faca cerimonial Inca e alguns quadros menores.

Então, voltamos ao primeiro parágrafo, quando se fala do senso estético entre nós. Para alguns, ter este tipo de representação iconográfica pode não ser interessante. Para outros, certamente é. Portanto, o que penduramos nas paredes representa muito mais o que pensamos a respeito de nós mesmos e do mundo que nos cerca e exprime um tanto de nossas personalidades.

Uma curiosidade: o que você anda pendurando e pintando nas paredes de sua “caverna”?

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A biblioteca que inspirou Star Wars 2

Veja a reportagem, em Português, sobre a Trinity College Library, em Dublin, Irlanda, que abriga um acervo impressionante e cujos corredores serviram de inspiração para uma cena do filme Star Wars2 (O Ataque dos Clones).

bilbiotecaclone Clique sobre a imagem para ver o vídeo

Há muito tempo eu usei esta mesma imagem, a original, como wallpaper. É muito interessante mesmo.

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Eu quero comer carne: Um pouco do cinema nacional dos anos 80

O filme que eu queria falar mesmo é o Marvada carne, que junto a mais dois filmes apresentados no decorrer do artigo, mostram um pouco do Brasil que não vemos – e nem se via – nas novelas. Esse, por exemplo, é um grande causo contado na primeira pessoa por Nhô Quim, cujo maior sonho era comer carne de boi. As situações são muito engraçadas como o seu encontro com o Curupira e algumas outras figuras do nosso folclore. Além, é claro, da promessa que Santo Antônio deveria cumprir para arranjar um marido para Carula. Curtam e se deliciem com esse Brasil que parece não existir mais. São 8 vídeos, e cada um tem cerca de 10 minutos. Vale a pena.

 

 

Sinopse

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A Marvada Carne é um filme de 1985, produzido por Cláudio Kanhs, da Tatu Filmes, dirigido por André Klotzel e estrelado por Fernanda Torres, Adilson Barros e Regina Casé. Ganhou onze prêmios no Festival de Gramado, no mesmo ano em que foi lançado, incluindo Melhor Filme pelo Júri Oficial e pelo Júri Popular. A Marvada Carne é uma comédia que mostra as hilariantes aventuras de Carula (Fernanda Torres, num papel inesquecível), uma garota simples, do interior, que tem um grande sonho na vida: casar-se. E para isso ela está disposta a tudo.  (Youtube, Canal Enico171)

 

Um pouco de memória

Que o cinema nacional está em franca ascensão ninguém duvida. Alguns filmes nacionais se tornaram verdadeiros blockbusters, como os cadernos culturais e críticos de cinema gostam de anunciar. Porém, na década de 1980, quando o nosso cinema meio que agonizava, surgiram algumas produções escassas mas significantes em que alguns filmes marcaram como, por exemplo, Gaijin – Os caminhos da liberdade, da cineasta Tizuka Yamazaki, em que reconta a imigração japonesa no Brasil, no início do século XX. Um outro filme também marcante foi O homem que virou suco, de João Batista de Andrade, que conta a história de um retirante que chega a São Paulo.

Nessa época, boa parte da produção cinematográfica era destinada ao mercado das pornochanchadas, o que garantia faturamento para as salas de cinema até que alguma igreja evangélica comprasse o imóvel e o transformasse em um templo. Isso aconteceu de forma quase imperceptível com algumas salas de cinema tradicionais como Santa Alice (Engenho Novo), Baronesa, na Praça Seca (Jacarepaguá) e o Carioca, na Praça Saens Peña (Tijuca).

Conheça mais o cinema brasileiro. Meu cinema brasileiro.

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Palavras de amor lembradas daqui a 400 anos

Indique poemas, músicas e cenas de filme que falem de amor e que serão lembradas nos próximos 400 anos.

amor Você, pelo menos uma vez na vida, declamou, copiou e enviou, ou mesmo escreveu um poema de amor para alguém. Ao mesmo tempo, também pelo menos uma vez na vida, indicou ou representou o amor que sentia por alguém usando uma música. Que tal, então, indicar como sendo “As palavras de amor que serão lembradas daqui a 400 anos? Para isso, basta escrever a letra de música ou a poesia nos comentários ao final deste artigo.

Que o poder das palavras de amor seja, preferencialmente, escrito em Língua Portuguesa. Traduções são também recomendadas. Devem ser indicadas poesias, músicas e até mesmo cenas de filme (com legenda) que falem de e do amor.

Foi feita uma pesquisa nos EUA, pela NPR (National Public Radio), motivada pela eternidade das palavras de Shakespeare, que até hoje é encenado e seus poemas, que parecem ser declamados a cada segundo, sobre quais as poesias e músicas da atualidade seriam eternizadas durante os próximos 400 anos. Isto é, o que as pessoas do século 25 declamarão e quais músicas cantarão para as suas almas gêmeas.

Lá nos EUA, em termos de poesia, foram escolhidas obras como o “Soneto 20”, de Pablo Neruda e Quando Fores Velha (When You Are Old), de W.B. Yeats. Veja um vídeo com a tradução deste poema no Youtube.

No campo musical, Bob Dylan foi teve algumas de suas músicas indicadas. Além dessas, In My Life, dos Beatles também foi bastante indicada. Eu mesmo, bem antes de tomar conhecimento dessa pesquisa, já escrevera algo sobre essa música, no artigo intitulado Em minha vida. Por toda minha vida.

Como poesia, eu indico Aparição Amorosa, de Carlos Drummond de Andrade.

E música, eu indico Travessia, do Milton Nascimento.

Travessia

Milton Nascimento

Composição: Milton Nascimento / Fernando Brant

Quando você foi embora fez-se noite em meu viver
Forte eu sou mas não tem jeito, hoje eu tenho que chorar
Minha casa não é minha, e nem é meu este lugar
Estou só e não resisto, muito tenho prá falar
Solto a voz nas estradas, já não quero parar
Meu caminho é de pedras, como posso sonhar
Sonho feito de brisa, vento vem terminar
Vou fechar o meu pranto, vou querer me matar
Vou seguindo pela vida me esquecendo de você
Eu não quero mais a morte, tenho muito que viver
Vou querer amar de novo e se não der não vou sofrer
Já não sonho, hoje faço com meu braço o meu viver
Solto a voz nas estradas, já não quero parar
Meu caminho é de pedras, como posso sonhar
Sonho feito de brisa, vento vem terminar
Vou fechar o meu pranto, vou querer me matar

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Última Tempestade: um filme em 24 livros

O filme Prospero´s Book, de Peter Greenway foi baseado em The Tempest (A Tempestade), considerada a última peça escrita por Shakespeare, e se trata de uma festa para os olhos, mesmo que alguns críticos, à época do lançamento (1991), tenham-no considerado surrealista por demais – será possível haver limite para o Surrealismo? Perguntem para André Breton, ok? –. Esse filme foi um tanto pioneiro por utilizar técnicas e tecnologias que, hoje, são comuns em qualquer filme B que se preze.

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George Romney – The Tempest. Ato:1; Cena:1

O mote da peça – e do filme – são os livros que criam uma atmosfera de mitologia, humanismo, magia, vingança e redenção. Próspero, no filme, é representado por John Gielgud, um daqueles excelentes atores shakespearianos que Hollywood importa para dar peso às suas produções, o que é ótimo para quem gosta de cinema. Os elementos mitológicos da cultura Clássica, que bem exprimem uma época ainda marcada pelo Renascimento (séculos XVI e XVII), conduz-nos ao conhecimento de Caliban, um ser mitológico misto de humano e besta. Próspero é, ao mesmo tempo, escritor e personagem dos livros que vai escrevendo para dar prosseguimento à vingança imaginada contra aqueles que tomaram o poder e o exilaram.

Assista a uma apresentação reunindo os 24 livros de Próspero.

Por obra de sua magia, consegue reunir vários deles na ilha após um naufrágio engendrado com o auxílio de Ariel, uma figura mitológica que pode se transmutar em água, ar e demais elementos para atender aos caprichos do mago. Assim como Caliban – meio homem meio animal –, que mantém uma relação de ódio e obediência com ele, Próspero.

As imagens desse filme sempre foram marcantes para mim, que vi, assim, uma quase materialização de uma época em que os autores usavam e abusavam da sua genialidade ao remeterem à Cultura Clássica. Quem gostar de Arte, História, Filosofia, Ciência, Literatura etc, terá neste filme, já com quase duas décadas desde a estreia, um motivo para se deliciar e compreender um momento prolífico da humanidade.

Para compor a cena introdutória, Greenaway utilizou-se de vários recursos de HDTV (high definition television) e técnicas sofisticadas de montagem. O efeito foi uma atmosfera de conflito e tempestade, não apenas como fenômeno natural, mas como tempestade de imagens, palavras, pensamentos, sons e ruídos. O que possibilitou a tradução da cena dramática para o cinema, através do uso de imagens e sons eloquentes, foi a reunião de variados recursos que a montagem e que o HDTV oferecem, os quais foram empregados não só nesta cena, mas ao longo de todo o filme. Estes recursos podem ser enumerados como: os enquadramentos inusitados e sobreposições na tela, a mesclagem de vozes e o uso da palavra escrita.”

(Costa, Erika V; Diniz, Thais F. N. A Última Tempestade de Peter Greenway como tradução Intersemiótica de “A Tempestade” de William Shakespeare)

Voltando aos livros, sempre eles, vemos que são eles, os livros, que constroem toda nossa cultura e a perpetuam. “O Livro das Águas” , “Livro dos Espelhos, “Livro do Amor”, “Livro das Cores” etc. Hoje, estamos vivendo o início de uma nova era para a difusão e divulgação do conhecimento. Os livros como os conhecemos, feitos de papel já começam a ser vistos como peças de museu. A cultura será difundida por meios eletrônicos através de máquinas que conterão uma biblioteca inteira e que, talvez, levemos uma vida para ler. Próspero, em seu exílio, tinha apenas 24 livros de sua vasta biblioteca e eles seguiram para o exílio, por sorte quando Gonzalo, seu antigo e fiel conselheiro os coloca no bote em que os condenados estavam rumo ao navio que os levaria para o exílio.

E, para finalizar, cito um trecho do artigo já mencionado acima, situando esse filme num momento de transição e adaptação das técnicas e tecnologias que, hoje, são tão comuns:

“(…) ele realizou uma adaptação/transposição/tradução de sistemas nos quais considerou não só o público atual como utilizou os recursos tecnológicos disponíveis da atualidade.”

 

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