Recanto das Palavras

Foi descoberto o local em que Robinson Crusoé viveu

Muito provavelmente você deve ter assistido ao filme “O náufrago”, com Tom Hanks. Todos sabemos que foi sucesso mundial de bilheterias e há cenas realmente interessantes como, por exemplo, quase no final, quando ele retorna e vê que no chaveiro que guardava as chaves do carro, também havia um item de enorme importância que teria facilitado em muito a sua sobrevivência na ilha, ou seja, um canivete suíço.

Fac-Simile da 1a. edição

Fac simile da 1a. edição (1719)

Imagine, então, como um homem sobreviveria solitariamente numa ilha há cerca de 300 anos. Difícil, não? Pois foi justamente o que Alexander Selkirk, o marinheiro escocês fez – e escolheu fazer – quando decidiu deixar o navio em que estava para viver numa ilha deserta, cerca de 750km de distância da costa chilena. Para quem não sabe, Selkirk e sua história são verdadeiros e motivaram Daniel Defoe a escrever o clássico da literatura universal Robinson Crusoé. Apenas no Brasil o nome do personagem é acentuado.

Segundo agências de notícias, arqueólogos descobriram o local exato em que Silkirk/Crusoé viveu. O artigo foi publica na revista acadêmica Post-Medieval Archaeology. Foram encontrados alguns apetrechos e, possivelmente, restos de um abrigo feito por ele.

A história é emblemática, pois envolve diversos fatores como, a quase onipresença da marinha britânica no mundo. Marinha que foi responsável pelo alargamento e consolidação do império britânico, aquele em que diziam que “O Sol jamais se punha”. Também podemos citar o fato de que esse livro foi um dos primeiros a inagurarem o Romance como estilo literário [Leia o artigo sobre esse estilo literário aqui no Recanto das Palavras] e seu sucesso foi tamanho que derivações da história original são escritas e filmadas, como o filme citado e até Marte serviu como pano de fundo para um filme (que já vi) chamado “Robinson Crusoe on Mars”.

Localização da Ilha de Robinson Crusoé

Ilha de Robinson Crusoé

Coleção de capas de algumas das diversas edições desse clássico da Literatura

Veja uma coleção de capas

Leia o artigo na íntegra no site do Estadão.

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A Lapa Fala Portunhol

Se você pensa que o portunhol é exclusivo das fronteiras do Brasil com seus vizinhos mais próximos, não se espante por saber que num pedaço do Rio de Janeiro, a Lapa, o Portunhol é quase língua franca.

No quadrilátero formado pelas ruas Joaquim Silva, Teotônio Regadas; a confluência da Avenida República do Paraguai com a Mem de Sá, que prossegue pela Rua da Lapa e a Travessa do Mosqueira há uma profusão de chilenos, argentinos, mexicanos, peruanos e bolivianos. Bem, estes dois últimos eu não posso garantir qual a procedência, pois todos parecem descendentes dos Incas, que como sabemos se espalhavam por quase toda costa da América do Sul banhada pelo Oceano Pacífico.

É muito interessante observar e ouvir como falam, quase chegando ao ponto de, assim como aquele personagem do Jô Soares, um general argentino que apoiou golpes de Estado e fugiu para o Brasil quando o Alfonsin começou a levá-los para os tribunais, que afirmava: “Yo soy bracilero… y minha mãe é baiana  vendedora de acarajé, vissi”? Estes irmãos latino-americanos falam desse jeito mesmo.

Um deles é um chileno que às vezes canta músicas em Portunhol aos brados na rua e é divertidíssimo. Quase todas as manhãs entra no botequim e pede… “Quiero um pão na tchapa torradchinho e una média”. Eu mesmo já comprei um CD onde ele gravou os fatos da queda do Allende. Sempre conversamos sobre as coisas da latino-américa e de vez em quando eu o comparo, de brincadeira é claro, ao cantor de boleros chileno Lucho Gatica, alcunhado de El Rey del Bolero, chamando-o de O Lucho Gatica da Lapa.

Outro chileno da Lapa é o Selaron, artista que constrói incessantemente uma escadaria formada por azulejos de todas as partes do mundo. Vários murais  e também paredes dos bares e restaurantes da Lapa têm obras suas. O detalhe interessante é que ele só usa as cores preta, branca e vermelha nestes quadros. e murais. A escadaria é famosa. Vira e mexe aparece uma equipe de cinema ou televisão para gravar filmes como o Incrível Hulk, séries de TV como CSI Miami, clip de cantor de Rap como o Snoopy Doggy Dog e também serve de cenário para novelas globais. Até comercial para TV polonesa já foi gravado na escadaria Selaron. Também chegam grupos de gringos rosados para ver a tal escadaria e a língua em que todos se comunicam é uma algaravia de Inglês, Português, Espanhol e Portunhol. Uma verdadeira escada de Babel.

Hoje pela manhã, numa padaria da Rua da Lapa, uma menina baixinha estava se despedindo dos balconistas. Um deles desejou boa viagem e até calculou o tempo que levaria o vôo de volta. Vamos ao diálogo:

- Deve levar umas três horas, né?
- Nada. Fica a lejos. Unas 14 horas”. (Disse um rapaz que acompanhava a baixinha).
- Ué? Mas não vai para a Argentina?
- Yo soy arrentino. Ela é mexicana…
- Sim, soy metchicana! Me vou para Métchico.

E todos se despediram usando aquele cumprimento informal em italiano (ciao), que também serve de despedida e aportuguesamos… TCHAU!

Leia também os artigos:

Lapa, um pedaço especial do Rio de Janeiro
Lapa, cidade da música
Selaron, uma escadaria de azulejos
Hulk in Rio

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Gracias a la Vida!

Houve tempo, antes mesmo da formação do Mercosul, que os povos latino-americanos estavam unidos por uma triste sina e um objetivo comum. A triste sina foram as ditaduras que grassaram por quase todo continente. Tanto que fomos conhecidos por Repúblicas das Bananas – aí envolvendo a América Central também -, em alusão a uma vocação agrário-exportadora e monocultora, como também aos fantoches-bananas, que tomavam o poder e eram “assessorados” pelo grande irmão do norte. Exemplos nunca faltaram, como os nefandos Fulgêncio Batista em Cuba e Augusto Pinochet no Chile, que tomou o poder num golpe de estado dos mais sanguinários. Aqui, como não poderia deixar de ser, apesar das arbitrariedades e da pavorosa repressão, podemos dizer que a coisa foi algo folclórica. O golpe militar de 1964 se deu na madrugada de 1º de abril de 1964 e não no dia 31 de março como bradavam. Logo, como toda mentira, não duraria muito tempo; assim como não durou. O objetivo comum seria a formação de países livres de governos arbitrários. Para isso, as artes e a cultura procuravam meios de tornar a irmandade Latino-Americano algo palpável. Acredito que tenha sido um dos períodos de maior integração já vistos no continente.

Neste mesmo Chile nasceram algumas das pessoas que pensaram em mudar não apenas suas vidas, mas o mundo em que viviam. Neruda, Vitor Jara e Violeta Parra. O primeiro, poeta ganhador do Nobel de Literatura, morreu dias depois do golpe, em 1973. Certamente morreu de desgosto. O segundo, músico, cantor e diretor de teatro, foi assassinado nas entranhas do Estádio Nacional do Chile, dias depois do golpe ao ser preso. Violeta Parra suicidou-se em 1967, deixando um legado cultural até hoje cultuado.

Violeta Parra (1917-1967) foi cantora, poeta, folclorista, artista plástica e humanista; no sentido da luta pelos direitos das pessoas de viverem suas vidas. Todos nós conhecemos ao menos duas de suas canções. Sim, conhecemos Gracias a la Vida e Volver a los 17. Vários cantores e cantoras tupiniquins gravaram estas canções. Há, entretanto, gravações definitivas em Português, como a de Elis Regina para Gracias a la Vida e Milton Nascimento para Volver los 17.

Então, para dar um toque latino-americano, aqui está a argentina Mercedes Sosa cantando Gracias a la Vida.

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