Recanto das Palavras

Um jeito classe média de ser

Classe média que se preza não entra em livraria. Entra em Book Store.

Seguindo uma dica do meu filho, fui visitar um blog cujo inusitado nome é Classe Média Way of Life. Resumindo: É muito bom mesmo. Ele trata daqueles assuntos que todo componente dessa parcela da sociedade – para mim, classe média é estado de espírito – acha que o fará diferente do restante da população, a famosa plebe ignara.

Os posts são muito bem-humorados. Talvez  não sejam  para quem acredita que o must  é pensar  que tudo que é gringo é bom, que não há racismo no Brasil, ter sobrenome italiano (ou qualquer sobrenome anglo-saxão) é quase um título de nobreza, ler a Veja é sinal de informação definitiva, achar o Brasil um lugar horrível para se viver, comer sushi – peixe cru –, gostar do Cirq du Soleil  e o crème de la crème (coisa de classe média mesmo, não?) é ler os livros da moda, os Best-Sellers fabricados.

Confira o artigo dica 028 – Compra Best-Sellers e não deixe de ler os outros.

Arquivado como:Blogosfera, Blogs, Brasil, Comportamento, Cotidiano, Humor, Livros, Opinião, Sociedade

Jornalistas e o chapéu panamá

panama01É impressão minha ou agora para ser jornalista é preciso usar chapéu panamá? Eu já vi pelo menos três jornalistas – certamente diplomados antes da queda da exigência – usando seu adereço no alto do coco em avatares de redes sociais internéticas. Como dizia São Jorge após matar o dragão… Tem mais “ogum” aí?

Lembrei do professor Pardal que usava um chapéu que o ajudava a pensar. Será que o chapéu ajuda os jornalistas internéticos a escrever melhor? Mistéééério (tom de barítono). Ou seria apenas a composição de um personagem? Como diz o ditado… se barba fosse sinal de respeito bode não tinha chifre. Logo, chapéu na cuca não significa que se escreve melhor. Se fossem carecas, o que imagino, até vá lá. Mas, em se tratando de vaidade, chapéu é menos estranho que aquelas perucas que mais parecem um cachorro pequinês sobre cabeça. Por falar nisso, há um filme engraçadíssimo chamado “A guerra das perucas”. Vá até a locadora e alugue. É diversão garantida.

Até meados dos anos 1960, o chapéu fazia parte da indumentária masculina. Quem saísse à rua sem seu chapéu certamente se sentiria quase nu. Mas, hoje, em pleno século XXI, em que os bonés reinam absolutos em todos os campos, usar chapéu panamá em avatar da internet é o mesmo que ir a uma festa e sacar um cachimbo acompanhado de tabaco aromático só pra tirar onda.

Arquivado como:Artigos, Blogosfera, Blogs, Brasil, Citações, Comportamento, Comunicação, Cotidiano, Crônicas, Curiosidades, Internet, Jornalismo, Moda, Opinião, Sociedade, Twitter , , ,

Saramago e os 140 caracteres

O prestigiadíssimo ganhador do Nobel de Literatura, José Saramago, disse, numa entrevista ao O Globo, que o uso do Twitter, o microblog que limita as mensagens ao número máximo de 140 caracteres nos fará involuir ao nível da comunicação por grunhidos. Até entendo e quem sou eu para confrontar um escritor, ainda mais quando ele foi premiado com o Nobel e, para quem não sabe, o único que utiliza a língua portuguesa para escrever seus livros a ter recebido este prêmio. Entretanto, acredito que possa ter havido alguma desinformação ou informação pela metade.

Em apenas 380 caracteres, Fernando Pessoa nos deu isto:

marsalgado

Tudo bem que, hoje, o pessoal não seja lá muito amigo das palavras e o oceano vernacular se limite a, quem sabe, 600 palavras dentro do Universo que é a Língua Portuguesa. Mas, mesmo assim, há que se encarar o Twitter, não como um meio de comunicação para mensagens longas. Tanto que as empresas, as organizações capitalistas, vislumbram estes mesmos 140 caracteres como sendo extremamente válidos para indicarem seus produtos. Mensagens rápidas e certeiras, o que constitui o sonho de todo marqueteiro e, talvez, dependendo do ponto de vista, o paraíso ou o inferno para os redatores das agências de publicidade. Lógico que sabemos que se faz necessário separar o joio do trigo. Imagino que o Saramago tenha dito que percebera uma enorme massa de informações imbecis e idiotizantes circulando por aí. Mas, o que é a humanidade se não alguns bilhões de almas que seguem seu rumo ajudadas pela genialidade de algumas poucas milhares de almas geniais que passaram por aqui até hoje? Deixemos que a bobagem prossiga, mas que possamos ter como nos defendermos dessas barbaridades como o internetês e o miguxês, por exemplo.

Fico aqui a me perguntar se, quando surgiram as primeiras tabuinhas de argila contendo aquilo que os arqueólogos e historiadores classificaram como os primeiros documentos escritos produzidos pela humanidade, se havia algum tipo de limitação à quantidade de caracteres – os cuneiformes dos sumérios – se isso faria com que chegássemos ao que temos hoje. Fico também imaginando que, hoje, temos no alfabeto latino 26 sinais que, ao serem misturados, formam as palavras que compõem a maioria das línguas ocidentais e, também, o alfabeto cirílico com seus 33 sinais, sendo que 10 deles são vogais, se isso impediria que escrevêssemos uma, dez, mil, um milhão de palavras. Claro que não. E eu nem vou falar sobre os alfabetos orientais que, em dois ou três traços uma idéia pode ser expressa com poesia. A quantidade de sinais e a formação das palavras, para quem as conhece suficientemente, serão, sim, um manancial inesgotável de alternativas para que nós, pobres mortais que brincamos de escrever, possamos nos comunicar. Sim, eu odeio o internetês. Vocês jamais lerão um texto meu contendo palavras escritas com esses “grunhidos”.

E, em se falando em comunicação, como esquecer a escrita utilizada nos antigos telegramas em que “pt” e “vg” significavam respectivamente um ponto e um vírgula. As mensagens eram sucintas e diretas e, nem por isso, a língua involuiu. O que faz a língua involuir é a má distribuição de renda que não permite que tenhamos acesso à cultura, aos livros, aos dicionários, por exemplo. E, por falar em dicionários até pouco tempo eu não sabia que participava de uma confraria dos, digamos, amantes dos dicionários.

Tudo isso porque, um belo dia, recebo um telefonema de uma repórter do Jornal do Brasil, que me pediu para passar o telefone de um amigo meu que é editor e, alguém lhe disse, que ele era um desses amantes de dicionários e enciclopédias. A conversa evoluiu e acabei sendo entrevistado ali mesmo e contando para ela que eu também tenho o hábito de ler dicionários e isso, acredite, vem desde a mais tenra idade; com toda certeza, motivado por meu pai que me presenteou com um dicionário enciclopédico da Lello quando eu fiz dois anos de idade. Na bagunça que se transformou a minha biblioteca, mais conhecida por Bagunçoteca, e após algumas mudanças de residência, eu me deparei com esse dicionário e li a dedicatória que meu pai escreveu. Comecei a folhear e a chorar. Não dá pra explicar. (Leia o artigo Enciclopédias, uma grata surpresa).

Voltando aos tais 140 caracteres, eu ainda acho que, se o pessoal passar a ler mais não teremos mensagens que nos levarão a grunhir, mas sim, teremos pessoas que passarão a fazer uso de toda pujança e diversidade que a língua portuguesa nos permite. É tão simples saber como usá-la que até nos complicamos.

Arquivado como:Arte, Artigos, Autor, Aventura, Blogosfera, Blogs, Citações, Comportamento, Comunicação, Cotidiano, Crônicas, Cultura, Educação, Escritores, História, Internet, Jornalismo, Literatura, Literatura Brasileira, Livros, Língua Portuguesa, Mídia, Opinião, Palavras, Português, Reflexões, Sociedade, Tecnologia, Textos, Twitter

10 revelações sobre o Twitter

O Brasil é o maior usuário do Twitter depois dos países angloparlantes (EUA – 62%; Inglaterra – 8%; Canadá – 5,7% e Austrália – 2,8%), que são os que “dominam” o Twitter. O Brasil é o país que detém o maior número de usuários (2%) após os líderes.

 

twitter_bird

Vejamos, então, as 10 revelações mais recentes sobre o Twitter.

  1. 21% das contas criadas no twitter estão sem qualquer atividade e nunca publicaram uma twittada sequer;
  2. Cerca de 94% das contas no Twitter tem menos de 100 seguidores;
  3. Apenas 5% dos usuários produzem 75% de atividades em toda a rede;
  4. Metade dos usuários não são assíduos. Levam até uma semana para dar um pio;
  5. Março e abril de 2009 foram os meses de maior crescimento do Twitter. Isto se deveu ao efeito Ashton Kutcher , que se propôs a alcançar 1 milhão de seguidores numa disputa com a rede CNN, para ver quem atingiria o primeiro esta marca;
  6. Os twitteiros conseguem seguir e interagir com 150 pessoas no máximo, mantendo certa regularidade. Do 151º em diante, baixa consideravelmente a vontade de seguir alguém;
  7. Terça-feira é o dia de maior atividade no Twitter. Quarta-feira e sexta-feira são os dois outros dias, a seguir, com maior número de twittadas;
  8. 55% dos usuários não utilizam a página oficial do Twitter para dar seus pios;
  9. A língua inglesa domina o Twitter: EUA – 62%; Inglaterra – 8%; Canadá – 5,7% e Austrália – 2,8%. O Brasil é o país com o maior número de twitteiros após os líderes, contando com cerca de 2% de usuários de todo o universo piante;
  10. O fenômeno que o Twitter representa vem sendo liderado por usuários que podem ser considerados experts em uso ou que atuam na área das redes sociais.

Após a leitura dos itens, o que podemos concluir sobre nós, os nativos destas plagas tupiniquins?

  • Os brasileiros são internautas assíduos;
  • A fofoca, ainda é um dos esportes nacionais mais prestigiados;
  • Adoramos seguir alguém ou ser seguidos por mais um montão de gente;
  • Que, sem o Brasil, a língua portuguesa está fadada a se tornar língua morta.

Brincadeiras à parte, a informação acima foi obtida no jornal mexicano De10.com.mx que traz, em sua edição de 24 de julho, uma pesquisa feita pela empresa Sysomos , sobre os usuários e suas atividades no Twitter. No mesmo artigo há trechos de uma entrevista com James Breiner, diretor do centro de jornalismo digital da Universidade de Guadalajara, que diz o seguinte:

O uso do Twitter e outras ferramentas digitais desse tipo têm sido muito importantes para o desenvolvimento democrático da imprensa.

Quem quiser me seguir no Twitter é só clicar na imagem. :)

Twitter_logo

Arquivado como:Artigos, Blogosfera, Blogs, Brasil, Citações, Comportamento, Comunicação, Cotidiano, Curiosidades, Economia, Educação, Internet, Jornalismo, Língua Portuguesa, Opinião, Português, Sociedade, Twitter

Caminhada na Lapa em vídeo

Outro dia, recebi um recado no blog escrito pela Vanessa, que assina um blog muito bacana, o Asas Tortas, em que ela expõe muito bem, por sinal, os seus pensamentos e sentimentos.

O recado falava sobre um artigo postado aqui, que imagino ter sido um vídeo  ou um contendo slide show da Lapa – bairro boêmio do Rio de Janeiro – em que eu fotografara alguns murais e um pouco da arquitetura da região. Talvez, motivado por isso, resolvi, pela primeira vez, gravar um vídeo com menos de um minuto com um dos mais conhecidos lugares da cidade e que identifica o bairro, os Arcos da Lapa, um antigo aqueduto dos tempos coloniais que, hoje, além de ser um cartão postal é, também, o caminho do bondinho que leva até Santa Tereza, uma espécie de Montmartre carioca.

Arquivado como:Arte, Blogs, Citações, Comportamento, Comunicação, Cotidiano, Cultura, Educação, Lapa, Opinião, Vídeo

Receba as atualizações

Posts antigos

Flickr Photos

coracaoasfalto1

27082009

28072009(004)

28072009(003)

28072009(002)

More Photos
Watch videos at Vodpod and other videos from this collection.

Blogosfera

hitcounter

Adicione

Bookmark and Share

Categorias

Agenda

Novembro 2009
S T Q Q S S D
« Out    
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
30  

del.icio.us