Recanto das Palavras

A cada dia nasce um cientista

© Ian Boddy/Science Photo Library/CorbisLeia (faça o download) de um livro em que vários cientistas apresentam as razões pelas quais se apaixonaram pela ciência. É ideal para que professores possam despertar o interesse pela ciência nas crianças e adolescentes.

Porém, isto só é possível quando um sistema educacional propicie meios e estímulos para que as crianças e adolescentes levem adiante o interesse pela ciência que, muitas vezes, foi despertado dentro de sua própria casa ou através de amigos.

Então, uma das coisas mais bacanas da internet é podermos ler e compartilhar informações como o livro de depoimentos “Algumas razões para ser cientista” (download em pdf), um projeto do Ministério da Ciência e Tecnologia, que, em 2004, organizou a Semana Nacional da Ciência e Tecnologia. O livro em questão foi baseado numa outra publicação, One hundred reasons to be a scientist (Cem razões para ser um cientista), em comemoração dos 40 anos de fundação do Centro Internacional de Física Teórica (ICTP), que tem por finalidade promover a cooperação científica nas áreas da Física e da Matemática entre os países desenvolvidos e não-desenvolvidos.

A edição brasileira conta com alguns depoimentos da publicação original e também com os depoimentos de cientistas brasileiros, que contam como enveredaram pelo caminho fascinante da ciência. Uma coisa é comum a todos: a curiosidade pelo conhecimento.

Abaixo está o sumário para que você veja quem são os cientistas e o livro pode ser lido online ou fazer o download, no site do Domínio Público.

Eu já estou lendo.

Sumário

STEPHEN L. ADLER | Dos elementos do rádio à física das partículas
elementares ………………………………………… 06

MICHAEL BERRY | Vivendo com a física …………………… 12

JAMES W. CRONIN | Cientistas nascem a todo minuto ………… 18

ELISA FROTA-PESSÔA | Quebrando barreiras ……………….. 22

VITALY L. GINZBURG | Educação, ciência e acaso ……………. 26

MARCELO GLEISER | O mundo é belo e a gente tem que mostrar isso para

as pessoas …………………………………………. 32

JOHN J. HOPFIELD | Crescendo na ciência ………………… 36

BELITA KOILLER | A competência não escolhe gênero ………… 42

LEON M. LEDERMAN | Cientistas são exploradores ……………. 46

JOSÉ LEITE LOPES | Uma parte da história da física no Brasil .. 50

DOUGLAS D. OSHEROFF | Explorando o universo ………………. 54

MARTIN M. PERL | Fazendo ciência experimental ……………. 60

HELEN R. QUINN | Você poderia ser uma matemática …………… 66

MARTIN REES | A ciência é uma busca sem fim ……………… 74

SÉRGIO REZENDE | O desafio de enfrentar o desconhecido ……. 80

VERA C. RUBIN | Nós precisamos de vocês ………………… 84

ROBERTO A. SALMERON | Sorte, dedicação e perseverança …….. 90

JAYME TIOMNO | Trabalho duro ………………………….. 96

CHARLES H. TOWNES | A história dos lasers ………………. 100

CONSTANTINO TSALLIS | Beleza e intuição ……………….. 106

DANIEL C. TSUI | A curiosidade foi a curva em meu caminho …. 110

STEVEN WEINBERG | O Camaro vermelho …………………… 114

MARIANA WEISSMANN | Memórias de uma física latino-americana .. 118

FRANK WILCZEK | A pesquisa científica me deu liberdade …… 124

EDWARD WITTEN | Olhando para o passado ………………… 128

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Trajes espaciais em 15 imagens

A moda do espaço deve ser extremamente funcional e pensar um pouco menos na estética. O ideal seria que as roupas usadas pelos astronautas de ontem, de hoje e de amanhã fosse parecida com o modelito Star Trek, desde que você não use as famosas camisas de malha vermelha; sinal que você morreria naquele episódio. Acompanhe a evolução dos trajes espaciais em 15 imagens.

1_1444579iImagem ₢ NASA-Dayli Telegraph

Clique sobre a imagem para ver o slide show

Arquivado como:Astronomia, Aventura, Ciência, Curiosidades, Jornada nas Estrelas, Moda, Star Trek, Tecnologia, Viagens

Não estamos sós no Universo

Esta é a afirmação, em uma entrevista concedida ao Spiegel Online, de Frank Drake[1], um dos diretores do Projeto SETI (Search for Extra-Terrestrial Intelligence, ou Busca por Inteligência Extraterrestre), e que, desde 1999, conta com a colaboração de voluntários através do SETI@home. Esse é mais um dos fatos que marcam 2009 como o Ano da Astronomia.

Mensagem da Pioneer. Imagem ₢ Spiegel Online A entrevista[2] é muito bem-humorada e reveladora de a quantas anda o projeto de contatar prováveis emissões de rádio extraterrestres através de uma rede de radiotelescópios, tanto que ele afirma que “um dos meus piores pesadelos é receber como retorno aos nossos sinais, alguma convocação para um culto religioso”, quando perguntado sobre isso. Interessante a visão, que considero bem-humorada, pois, todos aqueles que viram o filme ou leram o livro Contato, escrito por Carl Sagan, hão de se lembrar que o primeiro sinal que os ETs nos enviaram foi uma reprodução das imagens do discurso de Hitler abrindo os Jogos Olímpicos de Berlim, em 1936, época das primeiras transmissões de TV, ainda experimentais. Sinais de rádio e televisão vagam no espaço durante aproximadamente 200 anos.

Ao mesmo tempo, e baseado nesse receio, Frank Drake também teme que os ETs captem imagens que mostrem a humanidade como seres violentos e ridículos. Violentos devido a enorme quantidade de programas sobre casos de polícia (CSI e que tais, digamos), anúncios de comida gororoba (junk food), ou capítulos de novelas tipo de dramalhão mexicano, que classifica como “muito assustador”.

Disco na Voyager. Imagem₢Spiegel Online

A dificuldade para encontrarmos alguma emissão se dá, ainda segundo o entrevistado, devido ao fato de serem mais inteligentes e não usarem qualquer tipo de tecnologia que se desperdice no espaço, assim como nós fazemos e, consequentemente, eles não se expõem e, também, não devem transmitir sinais de rádio regularmente; sendo possivelmente mais avançados que nós e utilizarem uma tecnologia de transmissão de informações diferente das que conhecemos.

O projeto tem que ser contínuo e receber recursos para que possa vir a ter sucesso. Entretanto, nem todos os governos estão dispostos a investir em algo que não dá retorno imediato, de qualquer tipo, e ainda pode enfrentar  críticas e escárnio da opinião pública. Até mesmo os radioastrônomos têm medo de serem considerados idiotas e ridículos. Por isso, o Projeto SETI desenvolveu o SETI@home (SETI em casa), em que qualquer pessoa que tenha um computador em casa, poderá ceder voluntariamente Logo SETI@homeparte do seu tempo de uso para que o SETI possa analisar os dados coletados utilizando a base de computadores domésticos instalada em todo o mundo. A título de curiosidade, o Brasil está em 30º lugar com alguns milhares de voluntários. Drake informa que o houve uma ligeira queda no número de voluntários e acredita que seja resultado direto da crise econômica que se abate sobre o mundo desde a segunda metade de 2008. Ainda aguardam que voluntários traduzam a página para a Língua Portuguesa, especialmente, o Português falado no Brasil.

No site do Projeto SETI@home, você poderá fazer parte de vários grupos de discussão e listas de pesquisadores voluntários, obter informações científicas sobre o espaço, criar equipes e, também, enviar imagens ou músicas criadas por você, em apoio ao projeto.

Entretanto, como muitos podem imaginar, nada foi contatado. Ledo engano. Em 1970, um contato foi feito e o denominaram como Wow contact (contato uau!). Na verdade, não se sabe ao certo se tudo não passou de uma falha ou se foi mesmo um sinal. Até hoje pesquisam as mesmas coordenadas e nem sinal do sinal foi novamente obtido.

Os primeiros sinais que enviamos se parecem com as famosas garrafas de náufragos. Um deles foi o código Arecibo (Porto Rico), em 1974. O código arecibo é uma mensagem composta por 1679 caracteres e este número foi escolhido por ser um número semiprimo, o que faria os “receptores” concluírem que é um código binário criado por uma civilização pouquinha coisa mais inteligente que os animais. Veja a lógica da mensagem e entenda como ela foi elaborada. O outro sinal foi através da sonda Voyager, que carregou um disco feito em ouro contendo Arecibo_message. In: Wikipediainformações para que os ETs soubessem quem nós somos. Tem um pouco de tudo, inclusive músicas de Bach, Mozart e a gravação de Jonny B. Goode, do Chuck Berry. Veja a imagem no início do artigo.

O fato de buscarmos vida inteligente em outros planetas pode gerar a paranóia que estamos nos mostrando e oferecendo para sermos invadidos. Neste ponto, Drake até faz pouco caso da pergunta e dessa paranóia, ao informar que, qualquer civilização mais próxima, estaria a pelo menos 100 anos-luz de nós e invadir a Terra seria uma tarefa pra lá de onerosa. Podemos concluir, então, que realmente tempo é dinheiro! E no caso dos ETs é dinheiro em proporções astronômicas. Além disso, ele afirma que toda civilização altamente desenvolvida já passou da fase em que loucos ficam doidos para apertar aquele botão vermelho (o Kim Jong-il, ditador nortecoreano que começou a brincar de louco atômico, não parece um ET?). Portanto devem ser pacíficos.


[1] Frank Drake, 79, é um astrônomo e astrofísico norte-americano. Ele é o fundador do projeto SETI, uma tentativa de pesquisar transmissões extraterrestres. Em 1961, ele criou a Equação Drake, como uma forma de calcular o número de civilizações desenvolvidas na Via Láctea – uma equação que ainda não pode ser resolvidos devido à falta de dados. Em 1974, Drake utilizou o rádio telescópio Arecibo, em Porto Rico, para enviar uma mensagem para a estrela cluster M13, a 25.000 anos-luz de distância da Terra. Ele ajudou na criação de placas para a nave espacial "Pioneer" (1972) e do "Golden Record" da "Voyager" (1977). Ambas são mensagens de civilizações alienígenas.

[2] Tradução e adaptação feitas por mim, do artigo “We Are Definitely not Alone in the Universe”, de Christoph Seidler, para a revista Spiegel Online.

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Hipácia de Alexandria, a primeira cientista

Mulher de rara beleza e extrema inteligência (filósofa, astrônoma e matemática), que foi assassinada, em 415, devido a disputas religiosas que ocorreram em Alexandria, fundada por Alexandre, o grande, e famosa por sua biblioteca e museu, quando o Egito era governado pelos romanos.

hypatia02Hipácia (Hipátia ou Hypatia) por Rafael de Sânzio

Na verdade, Hipácia foi condenada devido a uma disputa de egos e política entre o novo patriarca de Alexandria (412), São Cirilo de Alexandria, um ferrenho combatente de heresias e Orestes, o prefeito romano da cidade e que fora aluno de Hipácia. Ele a protegia dos abutres cristãos até então, que torciam o nariz para a sua inteligência e identificavam o paganismo em sua figura, justamente por, já à época, simbolizar o conhecimento e a ciência. Inventou o astrolábio e o densímetro [2].

"Há cerca de 2000 anos, emergiu uma civilização científica esplêndida na nossa história, e a base era em Alexandria. Apesar das grandes chances de florescer, ela decaiu. A última cientista foi uma mulher, considerada pagã. O nome era Hipácia. Com uma sociedade conservadora a respeito do trabalho da mulher e do papel, com o aumento progressivo do poder da Igreja, formadora de opiniões e conservadora quanto à ciência, e devido a Alexandria estar sob domínio romano, após o assassinato de Hipácia, em 415, essa biblioteca foi destruída. Milhares dos preciosos documentos dessa biblioteca foram em grande parte queimados e perdidos para sempre, e com ela todo o progresso científico e filosófico da época." (Carl Sagan) [3]

Além do invejável intelecto, Hipácia mantinha uma rotina de exercícios físicos que lhe garantia um corpo perfeito e sadio. Antecipando em dezenas de séculos o perfil da mulher moderna. Em sua época, as mulheres mal podiam sair de casa e deveriam apenas prover herdeiros para os homens, sem terem direito ou acesso ao conhecimento. O responsável  por ela ter sido essa extraordinária mulher foi seu pai, o filósofo Teon de Alexandria, diretor do museu de Alexandria, que a instruiu e afirmava que deseja que sua filha fosse um ser humano perfeito. Em favor de seu desenvolvimento intelectual, consta que Hipácia não aceitou diversas propostas de casamento.

Hypatia_(Charles_William_Mitchell)Hipácia por Charles William Mitchell (1885)

Em setembro de 2009 deverá estrear uma produção internacional dirigida pelo chileno Alejandro Amenábar (Mar adentro), estrelada por Rachel Weisz, ganhadora do Oscar, que interpretará Hipácia no filme Ágora. [1]

Leia a sinopse e assista o trailer do filme.

Um drama histórico fixado no Egito romano, sobre um escravo que viu na crescente onda do cristianismo a esperança de liberdade, e se apaixona por sua mestra, a famosa filosofa Hipácia de Alexandria.

Hoje se discute até que ponto ciência e religião estão unidas ou não. Eu, particularmente, acredito que uma coisa é uma coisa outra coisa é outra coisa. Quando a religião se mete na ciência, o resultado não é dos melhores e vemos algumas barbaridades acontecerem ou serem ditas, como as mancadas do atual Papa, o Bento XVI.

Que a Igreja Católica nunca foi amiga da ciência todos nós sabemos e exemplos de perseguição a cientistas e pensadores, além da ocultação de fatos científicos que poderiam colocar seu poder em cheque, não é novidade. Interessante é também notar que as vertentes cristãs como os protestantes são tão ou mais reacionários em termos religiosos quanto os católicos e aparecem com uma balela de um tal de design inteligente querendo provar que houve alguma “mão” invisível que criou tudo que há no Universo ou Universos. Oh, Ser Humano, como crias mitos quando não conheces a ciência – Caramba, parece até frase do Shakespeare! –.

 

hipatya01Hipácia de Alexandria (370- 415)

Mas, voltando ao assunto religião X ciência, percebo que a coisa não é nova e por causa dela, Hipácia, a primeira mulher realmente cientista da história, foi assassinada durante uma revolta cristã em Alexandria, quando o Egito estava sob o domínio romano, no século IV d.C., e devemos lembrar que neste mesmo século ocorreu o primeiro Concílio de Nicéia (325), quando foram fundadas as bases do catolicismo. Hipácia viveu entre 370 e 415. Portanto, tudo em que ela acreditava, visto ser astrônoma, matemática e filósofa ia de encontro às idéias que o Império Romano começara a propagar como suas, desde que Constantino convertera-se ao Cristianismo. Sendo assim, ter sido considerada herética foi, infelizmente, o caminho natural para o seu assassinato, que, segundo fontes históricas, aconteceu de forma trágica. Foi torturada até a morte tendo seu corpo dilacerado por conchas afiadas – ou cacos de cerâmica, segundo outras fontes – e depois jogado em uma fogueira. Diria que foi uma preliminar das fogueiras da Inquisição que proliferariam séculos depois.

O fato é que, após seu fim trágico, o mundo ocidental mergulhou em um período de verdadeira obscuridade científica.

__

[1] praça pública; assembleia de povo na praça pública (entre os gregos). In: Aulete Dicionário Digital.
[2] O astrolábio permite a navegação por estrelas e o densímetro mede a massa específica de um líquido. 
[3] Wikipédia

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Galileu: Uma exposição astronômica virtual

“Ora (direis) ouvir estrelas!” é uma das frases mais conhecidas da poesia e nela estão contidas todas as esperanças e mistérios do ser humano quando se trata de conhecer o Cosmos. Sempre fomos fascinados por ele e até hoje o estudamos. Por este motivo, eu os convido a ver a exposição virtual Galileu: imagens do universo desde a Antiguidade até o telescópio.

expogalileu

O Instituto e Museu de História da Ciência, em Firenze (Florença), Itália, disponibiliza uma exposição online cujo tema é a astronomia e se denomina Galileo Images of the Universe From Antiquity to the Telescope (Galileo Imagini Dell’Universo Dalla’Antichitá al Telescopio).Você pode visitar (e deve!) cada seção ao clicar sobre as divisões do Zodíaco. Cada uma delas te leva a uma parte da exposição. Se me permitir uma dica, abra uma outra janela caso não leia inglês ou italiano e chame acesse algum tradutor online. Se não tem os ouvidos treinados para uma dessas duas línguas, ouça os vídeos em italiano. É uma língua latina e dá para entender várias palavras; assim, é possível compreender os conceitos. A exposição tem início ao clicar sobre a constelação de Câncer e ao girar no sentido horário, você verá o título de cada seção. Todas são recheadas de textos, imagens e vídeos. Vejamos, então, quais são:

1 – O Homem e as Estrelas;
2 – O Início da Astronomia: Mesopotâmia, Egito e o Cosmos Bíblico;
3 – O Cosmos se torna uma esfera;
4 – A Geometria do Cosmos;
5 – Os Céus do Islã;
6 – Evangelização do Cosmos;
7 – O Renascimento da Astronomia;
8 – Galileo, o Cosmos através do telescópio;
9 – De Galileo a Newton;
10 – Biblioteca Digital;
11 – Palazzo Strozzi (Informações sobre visitação)
12 – Créditos.

Eu também sugiro que você guarde este site (Istituto e Museo di Storia della Scienza)em seus favoritos e o visite regularmente, caso goste ou tenha interessa pela história da Ciência e não deixe de ver uma outra exposição sobre Galileu também neste museu, no Portale Galileo.

* A imagem que ilustra este artigo pertence ao IMSS.

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