Recanto das Palavras

Um pouco de barroco no Rio de Janeiro

Por vezes nós nem prestamos atenção ao que temos ao nosso redor em termos de arte e conhecimento; isso para não falar de cultura sendo apresentada, ou melhor, que está ali ao alcance de alguns passos e nem nos damos conta de sua importância.

Terça-feira, após o almoço, resolvi voltar a explorar as cercanias da Lapa, que como todos sabem é o bairro boêmio do Rio de Janeiro. Mesmo que esteja em andamento um processo de revitalização desse pedaço da cidade, o ar de decadência com elegância ainda é o mais percebido. Este ar não é no sentido pejorativo. É um certo charme, eu diria. Pois bem, decidi entrar na igreja de Nossa Senhora do Carmo da Lapa do Desterro para ver o seu interior.

Veja o vídeo e ouça a música

Eu já sabia que a construção tem como estilo o barroco, que tanto marcou o século XVIII, muito mais na região das Minas Gerais, mas que aqui no Rio também é percebido, bastando apenas apurar a visão e procurar nos lugares certos. Ao entrar constatei que é realmente uma bela construção e que foi feita com todo esmero dos artistas e arquitetos da época. O que eu não imaginava é que ouviria música sacra – barroca – vinda de um órgão como aqueles que, imagino, Johann Sebastian Bach utilizava para criar suas músicas.

Timidamente perguntei a uma pessoa que estava próxima e que pertencia a administração da igreja, se era possível fotografar. Me surpreendi com a resposta positiva, pois como fui assíduo visitante de Ouro Preto e demais cidades do ciclo do ouro, sabia que era proibido fotografar e até mesmo filmar o interior das igrejas. A luz do flash das câmeras danifica o acabamento das pinturas e demais filigranas que compõem a decoração. Lendo a descrição sobre a história da igreja foi possível saber que uma parte dessa construção foi obra do Mestre Valentim.

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Amor eterno – Taj Mahal: música e visita virtual

Faça uma visita virtual ao maior monumento erigido em nome do amor e ouça aquela canção do Jorge Ben, que não nos deixa ficar parados.

Eu estava aqui tentando entender, se é possível entender, a longevidade do amor. E fui juntando fragmentos de pensamentos – próprios e alheios – até que me lembrei ou fui motivado a escrever após a audição/visualização de uma música do Jorge Ben. Trata-se de Taj Mahal, em que na curta porém abrangente letra, ele conta toda história de um amor que atravessou séculos, mesmo após a morte de seus protagonistas.

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Clique sobre a imagem para iniciar a visita.

Histórias de amor que não se completam, certamente, são muito mais observadas do que as que se completam. Caso contrário não estaríamos aqui criando poemas, músicas, palácios e obras de arte. Sim, pois, a força que nos motiva a caminhar não é a economia, mas a busca pelo amor e, se possível, ao encontrá-lo tentar mantê-lo como no primeiro dia em que surgiu diante de nossos olhos e corações. Mas, quando se completam, surge um pequeno Taj Mahal em nossos corações, que ocupa todo o espaço que existe dentro de nossas almas.

Já se passaram quinhentos anos desde a construção de uma das mais belas obras arquitetônicas que já foram construídas, o Taj Mahal. É a maior celebração concreta de um amor. Todos nós já tivemos um amor que nos motivou a escrever e fazer o que era possível para mostrar ao mundo o quanto nos tornamos felizes ao estarmos com a pessoa que nos faz ver a vida de outra maneira.

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O que você anda pendurando nas paredes?

Uma das grandes dificuldades estéticas de se manter uma casa de um jeito bacana é saber o que vamos pendurar nas paredes dos diversos cômodos. Somos seres estéticos e isso é algo que nos molda desde as cavernas, vide as grutas de Lascaux (França) e Altamira (Espanha).

Agora, como é que nós vamos ornar e conferir prazer visual a nós mesmos e aos nossos visitantes se não sabemos o que pendurar nas paredes? Eu, por exemplo, já vi um pôster do Che Guevara na parede em que se encostava o espaldar da cama. Ele ficava ali, justamente, no lugar em que geralmente se colocava o símbolo que representa aquele rapaz judeu que foi parar na cruz dos romanos. Bom, como eram um professor de história e uma professora de artes, esse casal de amigos rezava pela cartilha do materialismo dialético. Logo, símbolos religiosos não pegavam bem. Tudo é uma questão de gosto e estética e cada um tem o seu.

Eu estou relendo um livro sobre a Hollywood dos anos 1930 e 1940 (City of Nets – A portrait of Hollywood in the 1940´s), que, segundo o autor, Otto Friedrich, foi o período áureo da indústria do cinema norte-americano e que, certamente, não volta mais. Nesse livro são analisados e apresentados vários fatos e também todos – ou quase todos – os personagens  importantes que transitaram por ruas, sets de filmagem e estúdios nesse período. Um dos filmes retratados é Casablanca, um dos maiores clássicos da sétima arte. São contadas algumas curiosidades como as recusas do papel principal, até chegar às mãos de Humphrey Bogart, por exemplo.

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Uma das coisas boas da internet é que ela nos permite ler um livro procurando imagens de pessoas e lugares citados em seus parágrafos. Portanto, aqui, diante da tela do computador eu fui rever as informações sobre esse filme no IMDb (Internet Movie Database), um referencial para qualquer um que goste de saber sobre o cinema e tudo mais que o envolve. Assim, vendo as fotos da filmagens, lá estavam dezenas de reproduções dos pôsteres do lançamento do filme, em 1942. E o mais legal é que aqui ao meu lado, pendurado na parede (imagem acima), está um desses pôsteres. Ainda me deliciando com o que estava vendo, decidi procurar uma imagem para fundo de tela aqui do meu computador. Me deparei com uma loja online de pôsteres e qual não foi a minha surpresa? Há pôster de tudo que é filme que você possa imaginar e a loja até ajuda você a escolher o melhor lugar para pendurar esse ou aquele pôster. Abre uma janela que apresenta alguns ambientes que podem ser assemelhados aos de sua casa e lá colocam a imagem.

E como todos nós temos uma coisa chamada bicho carpinteiro a nos instigar as idéias, ao ir até a cozinha buscar café, logo após ter começado a escrever o artigo, observei a parede da sala. E não é que, desligado que sou, me dei conta que há diversos quadros pendurados; com reproduções de papiros, um autorretrato da Frida Kahlo, uma miniatura da Pedra do Sol, uma réplica de uma faca cerimonial Inca e alguns quadros menores.

Então, voltamos ao primeiro parágrafo, quando se fala do senso estético entre nós. Para alguns, ter este tipo de representação iconográfica pode não ser interessante. Para outros, certamente é. Portanto, o que penduramos nas paredes representa muito mais o que pensamos a respeito de nós mesmos e do mundo que nos cerca e exprime um tanto de nossas personalidades.

Uma curiosidade: o que você anda pendurando e pintando nas paredes de sua “caverna”?

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Gruta de Lascaux, uma visita virtual em 3D

Veja as imagens feitas por nossos antepassados nas paredes da gruta de Lascaux, como se estivesse ao lado de um deles. Você será levado às diversas câmaras. Sugiro que deixe o roteiro (em flash) carregar até o final. Vale a pena. Clique na imagem para iniciar a viagem.

lascaux

 Clique sobre a imagem

Imagine que você voltou no tempo e é um dos primeiros seres humanos a ter percepção de si próprio e, além disso, sente uma necessidade enorme de representar o que pensa a respeito do mundo que o cerca. Isso também tem a ver com rituais xamânicos de caça e, assim, você começa a pintar nas paredes de sua caverna cenas representando os animais que caçará, e magicamente se apodera de suas formas e vida.

Os textos explicativos podem ser lidos em Francês, Inglês, Alemão e Espanhol. Também há uma versão em linguagem de sinais.

Também são apresentadas as diversas fases da exploração arqueológica, desde a descoberta, em 1940, até os dias atuais. As datações das pinturas nas paredes da caverna (Arte parietal), remontam a 30 mil. anos. A caverna foi ocupada até 10 mil anos antes da nossa era. Assim, vários grupos podem tê-la utilizado como santuário durante milênios.

Hoje, o grande desafio é conservar as condições do microclima da caverna, responsável pela permanência e manutenção das imagens no estado em que foram encontradas. A presença de público (turistas) foi proibida, pois, imagine, a respiração dos que lá se encontravam faziam a concentração de CO² atingir níveis perigosos para as imagens. Foram, então, instaladas máquinas de regeneração do ar e também outros aparelhos para controlar a umidade, responsável pelo surgimento de fungos – a praga verde –, que os pesquisadores identificaram.

Atualmente, estão sendo feitos novos experimentos para impedir a rápida deterioração desse santuário da humanidade.

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Câmera fotográfica feia, mas que faz tudo

Cientistas criam câmera com sistema operacional Linux e que promete uma revolução na arte da fotografia.

Hoje, a tecnologia nos permite fazer tudo aquilo que apenas se espera de uma máquina fotográfica, isto é, olhou, gostou, apertou o botão e pronto. O que estão prometendo é uma câmera que fará não apenas o que a maioria já faz hoje em dia, mas que crie fotos para nós. Você está se perguntando como seria isso. É simples. Segundo, Marc Levoy, pesquisador da Universidade de Stanford (EUA), a Frankencamera – uma alusão ao ser criado pelo Imagem ₢ Linda A. Cicero/Stanford News ServiceDr. Frankenstein –, um protótipo de câmera digital montado a partir de partes recicladas de outras câmeras. Ela terá tantas aplicações quanto, por exemplo um iPhone. Ela poderá ser alterada em sua operacionalidade quase infinita, bastando apenas usar o aplicativo específico para a solução desejada ao fotografar.

A promessa é que essa câmera, cujo sistema operacional embutido é o Linux, visto, ainda segundo as palavras de Levoy: “Toda câmera digital é essencialmente um minicomputador”. Portanto, será possível para a máquina tirar várias fotos de um mesmo objeto ou pessoa, juntar todas e, a partir daí, apresentar a melhor solução de imagem. Confira as imagens no artigo ‘Frankencamera’: A Giant Leap For Digital Photos?, que está no NPR do dia 11 de outubro de 2009.

Todo mundo gosta de fotografia. Afinal, é a aquele momento de sua vida ou de seus parentes ou de quem mais quer que seja, que será eternizado. Antigamente isso era possível numa placa de vidro ajudado por processos químicos. Depois, isto passou a ser feito em celulose e, atualmente, em meios eletrônicos.

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Imagem © Henry Horenstein/Corbis

Não se precisa mais tanto do papel para que possamos ver as fotos, Basta um monitor e meios de armazenagem eletrônica como CDs e pen drives, por exemplo.

Todo mundo tem pelo menos uma foto de quando era criança ou de algum lugar que visitou. Porém, nem sempre a foto é de boa qualidade técnica – nem vou falar da estética, pois ser fotogênico é uma questão de sorte –, devido a um, digamos, não-conhecimento das técnicas da arte da fotografia. Tudo o que a maioria das pessoas deseja é apertar o botão do obturador, ouvir o click e depois mostrar – ou guardar – essa ou aquela imagem.

Com o advento dos programas de tratamento gráfico, operam-se verdadeiros milagres, tanto que eu vos digo que o Photoshop não é Jesus, mas opera milagres; transformando verdadeiras aberrações – Que me desculpem as feias, mas beleza é fundamental – em modelos que observam os padrões de beleza estética vigente no momento, ou que estão na moda. Às vezes o pessoal que trata as imagens erra na mão ou tem tanto zelo em transformar alguém que já é bonita por natureza em mais bonita que comete erros que beiram a atrações daqueles shows em circos dos horrores. A Veja desta semana traz um fato assim (p. 102): Uma modelo que já é bonitinha teve sua fotografia tão retocada que os quadris ficaram menores que a cabeça. Logo, um pequeno monstrengo estético surgiu em anúncios de uma conhecida grife norte-americana. O dono da grife ameaçou processar quem divulgasse a tal foto.

* Imagem no início do artigo – ₢ Linda A. Cicero/Stanford News Service

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