Protestam os falantes de Esperanto apontando alguns números como, por exemplo, o percentual de representação populacional dos países que compõem o G8, que constituem apenas 14% da população mundial e, por este motivo, não deveriam ser tão influentes lingüísticamente falando. Ao mesmo tempo, informam que apenas 5% da população mundial têm como língua natal o Inglês. Sendo assim, perguntam, por qual motivo esta língua é a predominante?
Então, por estes motivos e imaginando lutar contra a globalização, um grupo de falantes do Esperanto, a língua criada para promover o melhor entendimento dos povos e consequentemente a paz, resolveu fazer um protesto na próxima reunião de cúpula do G8, que acontecerá no Japão entre os dias 07 e 09 de julho de 2008.
Que uma língua é um fator de dominação todos sabemos. Fernando Pessoa escreveu uma frase fundamental: Minha língua é minha pátria. Sendo assim, todos nós, não importa onde, desde que tenhamos uma língua nacional (ou duas ou mais) lutamos para que esta não seja dominada por outra que, por questões políticas ou econômicas se sobrepõe.
Os povos latinos falam derivações do Latim, a língua do Império Romano, e que foi também fator de dominação, mesmo após a queda deste império, que se convencionou datar na última metade do século IV de nossa era, manteve-se como língua dominante e oficial da única instituição que sobreviveu à derrocada, a Igreja Católica. A coisa foi tão forte que uma das origens da Reforma Protestante está no uso da língua natal em oposição ao Latim. Lutero foi lá e botou a boca no trombone contra a obrigação de ler a Bíblia em Latim em vez de ler em Alemão.
Dentre as formas pelas quais uma língua pode sobrepujar outra(s) também está o aspecto cultural. Muitos consideram fator de suposta modernidade utilizar vocábulos estrangeiros quando se tem o equivalente em sua própria língua para, quem sabe, demonstrar uma também suposta sabedoria, quando na maioria das vezes nem mesmo têm noção do significado e sentido lato desta ou daquela palavra estrangeira. Digamos que é uma espécie de dominação lingüística do tipo “comer pelas beiradas”. O cinema, a literatura, o teatro, a música e muitos outros fatores culturais contribuem para isto. Vejamos o caso, por exemplo, das listas dos livros mais vendidos. Fatalmente você encontrará mais da metade dos livros, traduzidos, ali apresentados sendo de língua estrangeira e, lógico, autores estrangeiros, em especial de língua inglesa. Ligue seu rádio e você ouvirá em 90% das estações musicais, canções em apenas uma língua de origem anglo-saxônica.
Uma língua é predominante durante um período de tempo e, como já foi dito lá em cima, depende de alguns fatores, tendo como fundamentais a força econômica e política de quem usa esta ou aquela língua. Hoje, o Inglês é o Latim de ontem. Como um dia, quem sabe, o Mandarim será a língua predominante.
Portanto, a manifestação acima citada, segundo os analistas, foge ao escopo da gestação do Esperanto. Tanto que seus falantes, entre eles o Papa Bento XVI e até mesmo atores como William Shatner (Capitão Kirk) pregam o entendimento e não o confronto.
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Oi Jorge,
tudo bem?
Sabe que eu já andei fazendo curso de Esperanto? E até que gostei!
A façanha de Zamenhof em ter inventado uma língua ¨universal¨ foi muito louvável. Acho que o cara foi um gênio. O esperanto realmente é fácil, na gramática, na pronúncia. Como se fosse um idioma como outro qualquer.
Mas, é uma língua inventada, artificial.
A lingua é viva, precisa de gente pra usar, pra falar. E a língua, que é viva, se desenvolve, se transforma, e, se não houver falantes, um dia morre, como o Latim.
Enquanto houver alguém falando inglês, ou esperanto, ou português, ou japonês, ou mandarim, ou qualquer outro idioma, ele vai existir.
Então, se quiserem que o Esperanto seja adotado como língua universal, primeiro, precisam – no mínimo – divulgar, ensinar as pessoas a falar… Tem gente, e muita gente, que nem sabe do que se trata, né?
Quanto a questão cultural, o prestigio socio-economico de uma nação para que o seu idioma seja dominante munidalmente, o Esperanto, infelizmente, fica alguns (muitos)pontos pra trás…
abraços
Esperanto é fácil de aprender, de falar e escrever. Mas realmente, o inglês continua a ser uma língua significativa no mundo ocidental por conta da força de sua cultura, suas músicas e pela difusão de seus filmes em diversos mercados. Isso faz com que a base do idioma, o inglês, cresça através dessa imposição cultural. Entretanto, a melhor reação é buscar alternativas ao inglês no campo cultural. Uma verdadeira reação das línguas locais para chamar a atenção do grande público seria capaz de neutralizar a maneira como o mercado norte-americano pensa de seu público consumidor: fantoches. E somos muito mais do q meros fantoches, meros números estatísticos. O público pensa, afinal.
Oi Marcia!
Tudo bem por aqui. Espero que por aí também esteja tudo bem.
Certamente, que é fácil aprender e por aqui, pelo menos no Rio de Janeiro,alguns centros espíritas desenvolvem cursos de Esperanto para seus membros. Quem sabe, um dia, as secretarias de Educação comecem a colocar o Esperanto no currículo.
O único problema, penso, seja o fato da vontade em fazer. Como exemplo temos o caso do Espanhol que, apesar de todos nossos vizinhos falarem esta língua, apenas há não mais de dez anos passou a fazer parte do currículo escolar.
Grande abraço.
Ronilson,
Sua intervenção foi também interessante e corrobora o que a Marcia nos apresentou.
Abraços.
O Esperanto não consegue se desenvolver simplesmente por que há pessoas que nem sabem que essa língua existe e a maioria nunca viu alguém falar em Esperanto.