13 Maio, 2008
Almoço na sogra e Bandalhismo
Posted by Jorge Alberto under Aldir Blanc, Brasil, Casamento, Comportamento, Cotidiano, Crônicas, Cultura, Humor, João Bosco, Língua Portuguesa, MPB, Música, Opinião, Samba, Sociedade | Etiquetas: Brasil, Música, MPB, Crônicas, Aldir Blanc, Língua Portuguesa, Cultura, Humor, Cotidiano, Comportamento, Casamento, João Bosco, Sociedade, Samba, Opinião |Certa vez, ainda nos tempos de namorado, lá pelos 19 anos de idade, num domingo minha sogra resolveu fazer rabada. Mandou avisar com antecedência. Como eu sempre gostei muito da dupla Bosco e Blanc e de rabada, vivia comprando discos e tocando suas músicas que avidamente esperava sair na antiga revista Violão & Guitarra, para depois impressionar a namorada com meus dotes musicais. Não me fiz de rogado.
Domingo, de banho tomado e todo cheiroso lá vou eu para a casa da namorada e levando debaixo do braço o LP Bandalhismo, doido pra mostrar para a sogra o quanto a música pode “casar” com a culinária.
Lá chegando já fui me apoderando da vitrola. Sim, sou desse tempo. Enquanto o rango estava nas preliminares para ser posto à mesa, e eu ataco de “Tal Mãe, Tal Filha” (”…minha sogra, Deus a tenha. O Terror da Penha. Velha desbocada, Center-Half nas peladas, braba de umbigada”). Alguns olhares da sogra foram meio enviesados. Será que ela pensou que era alguma indireta que eu estaria mandando? Acho que foi isso o que ela pensou. Até aí tudo bem. Mesa posta, nós três à mesa e a bandeja com a rabada fumegante a nos esperar. Cervejinhas rolando pra lá e pra cá até que falei que deveríamos comer a rabada ao som de “Bandalhismo”. Depois que os pratos foram devidamente servidos, levantei-me pedindo silêncio para que prestassem atenção na letra e coloquei a faixa do LP para tocar.
E começa o João Bosco… “Meu coração tem botequins imundos, antros de ronda vinte-e-um, porrinha…”. Olhares um tanto parados devido ao tema.
Garfadas suaves eram dadas para que a voz do João Bosco expusesse a letra. Olhares já um tanto esbugalhados da sogra para mim no “Essa vontade de soltar um barro” e eu todo feliz por estar mostrando cultura para ela. O João Bosco manda…” Como os pobres otários da Central já vomitei sem lenço e Sonrisal o P.F. de rabada com agrião…”. E eu ouço…”Minha filha ele ta estragando o almoço…”
Nem deu tempo de ouvir a parte com o Paulinho da Viola. Fiquei com cara de tacho e rapidinho tirei a música.
14 Maio, 2008 at 12:53 am
É engraçado como uma interpretação errada pode estragar o momento , né?
Risos…
14 Maio, 2008 at 3:43 pm
Rindo muito, aqui.
Conseguir estragar a rabada é caso de policia, viu? Coisa mais gostosa.
A sogra perdoou? Tomara que sim. Pq normalmente quem faz rabada faz feijoada e uma porção de outras coisas deliciosas e, comida de mãe e sogra affe.. é um capitulo a parte, de tão gostosa.
Beijos
14 Maio, 2008 at 10:16 pm
Sim, Amanda.
Às vezes um vírgula colocada no lugar errado pode mudar todo sentido da frase. Diria que foi mais ou menos isso.
15 Maio, 2008 at 8:02 pm
Jorge:
Texto muito bem escrito e divertido.
Mas penso que você exagerou(Risos…
João Bosco cantando:“Meu coração tem botequins imundos, antros de ronda vinte-e-um, porrinha…”
Com o devido respeito, poderia realmente ter dado uma “indigestão” na sua sogra.
Morri de rir…
Um abraço.
15 Maio, 2008 at 10:04 pm
Oi, Juli!
Pois é, mas a música é assim mesmo. Ela se chama Bandalhismo e está no LP de mesmo nome. Eu, na minha ingenuidade de pós-adolescente, achei que cultura e culinária tinha tudo a ver naquele momento.