10 Janeiro, 2008
Juan Rulfo, Pedro Páramo e o Realismo Mágico
Posted by Jorge Alberto under Literatura, Livros, México | Etiquetas: Literatura, Livros, México |
Dentro de sua brevidade Pedro Páramo sintetiza parte dos temas que têm interessado - e afligido – sempre os mexicanos, e que o talento de Rulfo soube captar no cotidiano dos habitantes do meio rural do sul de Jalisco. O planalto em chamas empreende a crônica de um país agonizante, matizado pelo rigor subsistente de seus antigos povoadores, os mortos, responsáveis pelo crescimento atrofiado que segue pesando sobre os vivos dentro da Comarca poeirenta e melancólica. Segundo os críticos, este livro teria sido o primeiro representante do conceito de Realismo Mágico na Literatura.
Sobre o Autor
Dificilmente um mexicano deixa de sentir, até nos dias atuais, a influência da Revolução Mexicana que se deu no início do século XX, Juan Rulfo foi diretamente atingido por ela, pois nasceu alguns anos após, mais precisamente em 1917, e sua família, que era proprietária de terras se viu arruinada. Cedo perdeu os pais.A mãe morreu de complicações cardíacas e o pai durante uma das várias batalhas internas do México, a Guerra de Cristero. Foi criado em um orfanato. Por um breve período foi seminarista, mas mudou-se para a Cidade do México, para estudar Direito. Nunca obteve a graduação. Tornou-se funcionário do serviço de emigração mexicano. Além da literatura sua outra paixão era a fotografia. De 1962 até sua morte em 1986, trabalhou no Instituto Nacional Indígena Mexicano.Fundou revistas literárias e foi colaborador assíduo de outras tantas; também mantendo parcerias literárias com Carlos Fuentes e Gabriel Garcia Marques. Basicamente escreveu poucos livros e Pedro Páramo/O Planalto em Chamas [são dois livros em um só, na verdade] é considerado por muitos críticos como o primeiro livro escrito no gênero Realismo Mágico. Foi gestado por quase toda década de 1940, vindo a público na década de 1950.
Realismo Mágico
Muitos críticos analisam a literatura latino-americana como sendo basicamente classificada como Realismo Mágico. Ora, isto não é nenhum demérito. Na verdade é uma grande vertente literária que apresenta um continente, não somente geográfico, mas social, onde a conquista e a colonização se deram de modo peculiar. A formação dos vários países que atualmente se expressam em línguas latinas (um dia os EUA serão mais um país de língua latina) teve este componente mítico em sua formação. Basta ver o caso da chegada de Cortez ao México. Os presságios que assolaram e desconcertaram a mente de Montezuma se confirmaram de forma acachapante quando os espanhóis desembarcaram nas terras do Império Asteca.
Também não precisamos ir muito longe para entender que este gênero literário, o Realismo Mágico, têm representantes de várias outras línguas, como por exemplo, Ítalo Calvino. Temos também na própria América Latina o falecido escritor peruano Manuel Escorza, com seu “Garabombo, o Invisível”, Augusto Roa Bastos, escritor paraguaio de “Eu, o Supremo”. Muitos pensam que apenas Gabriel Garcia Marques, o escritor colombiano ganhador do Nobel de Literatura, é o grande expoente com o seu “Cem Anos de Solidão”. Esta vertente literária é como um rio caudaloso e sempre descobrimos e descobriremos novos autores, como por exemplo, David Toscana, outro autor mexicano, mas que prefere não classificar seus livros como sendo Realismo Mágico. Prefere, sim, que seja visto como uma literatura de cunho internacional. Na verdade isso não importa. Importa, sim, o talento com que escreve seus livros.
Cenas do filme baseado no livro Pedro Páramo, de Juan Rulfo.
17 Janeiro, 2008 at 12:25 am
Pedro Páramo é impressionante. O resultado de imaginação poderosa com domínio linguístico e rigorosa carpintaria do texto.
É um livro transformador e sempre inesgotável.
De fato, é reconhecido pela crítica como fundador do realismo mágico latino-americano. Não há porque discordar disso quando o próprio Garcia Márquez reconhece em Rulfo sua matriz literária.
Mas penso que PP transcende essa e outras fronteiras.
Grande abraço, parabéns pela escolha do tema.
15 Maio, 2008 at 12:44 am
[...] país que deu Juan Rulfo, Octavio Paz, Carlos Fuentes e recentemente David Toscana, sofre dos mesmos males que a maioria dos [...]
14 Junho, 2008 at 11:36 am
JUAN RULFO ES INSUPERABLE. PARA MÍ, EL MEJOR ESCRITOR CONTEMPORÁNEO. NO ME CANSO DE LEER SUS NOVELAS. SU TEXTO PASEA POR MI MENTE, LO DEGUSTA COMO SI FUERA UN MANJAR EXQUISITO. ÉL MUESTRA EL PODER QUE TIENEN LAS PALABRAS, QUE HACE QUE LA IMAGINACIÓN VIAJE LEJOS, LE AGITA EL CORAZÓN CON EMOCIÓN. MIL VECES MEJOR QUE VER UNA PELÍCULA. NO ME CANSO DE LEER JUAN RULFO. ÉL ES MARAVILLOSO.